NÃO SEI O QUE ME DEU

Não sei o que me deu, nem sei dizer,
há um peso em mim difícil de entender.
Um cansaço estranho, fora do normal,
como se o corpo travasse, num silêncio total.

O dia passa lento, sem brilho, sem cor,
e até o que era leve parece ter dor.
Procuro em mim a razão, algum sinal,
mas só encontro esse vazio desigual.

Talvez seja o tempo, talvez confusão,
talvez seja a alma pedindo atenção.
Só sei que hoje em mim tudo parece parar,
e o peito, cansado, só quer descansar.

Não sei o que me deu, nem consigo explicar,
há um peso no peito difícil de afastar.
Um cansaço tão fundo, tão fora do normal,
como um céu carregado antes do temporal.

Os passos vão lentos, sem rumo, sem chão,
e tudo parece fugir da minha mão.
O riso se esconde, o brilho se desfaz,
e a alma em silêncio já não pede mais.

Talvez seja só nuvem, prestes a passar,
um instante escuro antes de clarear.
Mas hoje carrego esse sentir desigual,
um vazio cansado, estranho e brutal.
Maria Antonieta Matos
05-05-2026

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