PLANÍCiES DO VAGAR
Maria Antonieta Matos

PLANÍCiES DO VAGAR

A CHUVA

Chuva são gotas de água

Que caiem do céu 

Como uma alvorada!

 

São nuvens carregadas 

De gotas paradas 

Que quando se rompem

Saem disparadas

E molham e molham

Quem não trás chapéu

E são muitas as vezes

Que fico molhada

Porque o vento soprou, o chapéu…

Para a retaguarda!

 

Eu gosto da chuva

Do encanto que trás

Mas não das travessuras

Que ás vezes faz!

Gosto de olhar 

Por trás da vidraça

Ouvir á lareira

O tilintar com graça.

 

Gosto de olhar 

As flores a vibrar

De contentamento,

Vejo-as a gracejar 

Quando vem o vento

Gosto de contemplar

E ficar…

No meu pensamento


Maria Antonieta Matos 07-01-2011
Pintura de meu amigo Costa Araújo

A CHUVA ÀQUELA HORA

Na madrugada telintavas veloz na minha vidraça,
Para que eu ouvisse o teu canto àquela hora,
Assobiava o vento, abanava porta que dava graça,
Mas não me atrevia, embora queria,
Aquele toque pl'a noite fora.

Maria Antonieta Matos 25-03-2018

A DOR

Minha ânsia parte pr' além do meu pulsar,

Meu coração não cabe dentro do peito,

Os olhos são como punhos a chorar,

Dou voltas e mais voltas, na cama onde me deito!


A dor nasce espinhosa, atormentando,

O pensamento incendiado a fervilhar,

A cabeça mais complica todo este estado,

Que mais parece a morte a querer vingar!


Mas como sofre tanta gente na solidão,

Que nem um ai … entoa tanto vazio,

Nem uma alma caridosa lhe estende a mão!


Tanta dor que abarca o medo da insegurança,

Do condenado injustiçado p'lo carrasco frio,

Apavorando a mente até à morte, sem ter esperança!


18-11-2014 Maria Antonieta Matos

A FEIRA

Oiçoos burburinhos de gente, na rua a passar

Oestrondo duma porta que parece fechar

Obarulho da feira misturando a música e as vozes

Sintoos cheiros e o trepidar da sardinha a assar


Ocorpo e o pensamento, induz-me a desanuviar

Calcorreiona calçada até à feira, que fica a um passo

Paroe pasmo para ver a criançada a delirar

Ea gente animada, outra enjoada às voltas no ar


Opó espalha-se como uma nuvem, torvando as vistas

Apedrinha entra no sapato novo e começa a picar

Ficopressionando o pé no chão até ela se soltar


Comfolgo ainda, percorro cada exposição de artistas

Cadamostra de saberes, e engenhos me vêm mostrar

Artetendenciosa que leva sem querer no momento a comprar


22-06-2013 Maria Antonieta Matos

A FORÇA DA VIDA

Ondulando a vida,
Como as ondas do mar...
Por vezes de longa saída,
Lutando sem cessar...
Não perdendo o rumo,
Para a vida ajustar!

Só, a fé e a esperança,
Percorrem o Ser,
Carecido de mudança,
Pra nada, temer!
E,
Levanta-se a força d'apetecer
Como um furacão
No rochedo a bater,
E faz tremendo safanão
Para a vida s'erguer!
São metas, caminhos,
Torpedos, desalinhos,
Ou são alegres momentos,
Suaves os ventos,
Um refletir estrelado,
Ondas derretidas,
Sorrisos estampados!

Nesse caminhar
Flutuando sem peso,
Desvanece-se o medo,
Abre-se o coração,
Sente-se o aconchego,
Vibra a emoção,
Unem-se as mãos,

É a força da vida,
Que tudo supera,
Sempre decidida,
Motivada, austera!

Maria Antonieta Matos 04-08-2015

A LEITURA

Em cada dia que leio

Alimento o meu saber

É assim que eupremeio

A instrução quevou ter

Um dia estoumotivada

Tudo consigoaprender

Outro, não aprendonada

Pareço desaprender

Assim com pequenopasso

Um para trás doispara frente

Aprendo nestecompasso

A leitura me farádiferente

Maria AntonietaMatos 29-08-2012



A LUA

À tardinha-quando o sol se deita
Sai a lua a vigiar
Os tristes que andam na rua
E os amores pra namorar
Caminha por toda a noite
Carinhosa e conselheira
E sempre os amores provoca
Para alarve brincadeira
Conversa sorri contente
Se esconde pra nos espreitar
Para que sintam saudades
Desse seu iluminar
Tem tamanha maroteira
Na forma de s’ enfeitiçar
Que surge bela e formosa
E espelha-se nas águas do mar
Caindo na sua lindeza
A chama dos seus amores
Valsa ardendo em desejo
Num âmago de sonho e fervor
Misteriosa e confidente
Traz ao colo a existência
Anuncia a sua sorte
Guia a morte e a inocência
As estrelas são suas aliadas
Enfeitando o firmamento
Entre luzes e risadas
Dos que sonham o momento
Num leito em braços de amor
Suspiram perfume da rosa
A vida ganha outra cor
Nesse alvorecer cor-de-rosa

Maria Antonieta Matos 16-07-2019

A LUZ DO PENSAMENTO

Oiço eterna luz do pensamento,
Que me envolve subitamente neste anseio,
Que desdobra em emoções e enleios,
Minhas mãos que pintam agraciado momento.

Surpreende-me e leva-me longe, tão perto,
Renasce como a fonte inesgotável,
Como ter dentro a criança inseparável,
Que emerge e se deslumbra no deserto.

Canto o amor que na tela deito,
Abro a chama que os meus olhos veem,
E encadeio os teus sem preconceito.

Toco vivamente o sentir do meu pensar,
Acordo a leveza e o rasgar das cores,
E espero de ti a loucura de gostar.

23-03 2018 Maria Antonieta Matos

A MAGIA DOS ROSTOS

Rostos que marcam uma era
Que não morrem na memória
São ecos da nossa esfera
Que acendem palcos de glória

São mitos cheios de magia
Poemas... ímpetos ao ouvido
São traços d' arte que se cria
Num dedilhar instruído

Emoções que o semblante revela
De riso, inquietação ou prazer
Que o lápis fantasiando modela

Luz que reflete no íntimo do ser
A cada retoque de beleza na tela
E fortifica a quietude e faz a saudade volver

12-04 2018 - Maria Antonieta Matos

A MANSÃO DA MARIQUINHAS

Lá no alto da colina, junto ao largo do jardim,
Há uma casa iluminada que parece não ter fim.
Tem varandas rendilhadas, mil janelas a brilhar,
É a mansão da Mariquinhas, toda a gente a comentar.

Ai, Mariquinhas, que grande mansão,
Com lustres de ouro e fonte no salão.
Mas quem lá entra ouve esta canção:
Vale mais um abraço que toda a ilusão.

Tem piano na sala grande, tem espelhos pelo ar,
Tem cortinas de veludo e um relógio a badalar.
Mas no meio de tanta riqueza, de tão fina decoração,
Falta o riso verdadeiro que aquece o coração.

Ai, Mariquinhas, que grande mansão,
Com lustres de ouro e fonte no salão.
Mas quem lá entra ouve esta canção:
Vale mais um abraço que toda a ilusão.

Numa noite de luar claro, Mariquinhas foi pensar,
De que serve tanta prata sem alguém pra partilhar?
Abriu portas e janelas, pôs a mesa até ao fim,
E chamou toda a vizinhança para um baile no jardim.

Hoje a casa está mais viva, ouve-se gente a cantar,
Há gargalhadas pelos cantos e crianças a dançar.
Pois aprendeu a Mariquinhas, sem luxo nem condição,
Que a maior das grandes riquezas mora na união.

Ai, Mariquinhas, tua bela mansão,
Agora tem vida, calor e emoção.
Porque o verdadeiro tesouro, meu irmão,
É ter amor a morar no coração.

Com florinhas no cabelo a Mariquinhas faz furor,
Quando passa na viela, toda ela é graça e cor.
Traz um xaile azul aos ombros, leva o sol no seu olhar,
E até a lua se demora só p’ra a ver passar.
 

Na mansão da Mariquinhas há segredos de encantar,
Há guitarras nas janelas sempre prontas a tocar.
E ao cair de cada tarde, quando o sino dá sinal,
Já se dança e já se canta num arraial sem igual.

Ó Mariquinhas, menina de eleição,
Tens nas mãos a alegria e no peito uma canção.
Quem te vê logo suspira, sem saber bem a razão,
Se é das flores no cabelo, se é da luz do coração.

A MÁSCARA – O Maltrato

- Diz mal do trato que te faço,
Da sombra, sente ciúme,
Prende-me com um curto laço,
Trata-me com azedume.

- Diz que me amas, nessa cegueira,
Alimenta o teu estigma doentio,
Faz-me acreditar que é passageira,
E não mudes esse teu mau feitio.

- Zomba de mim, que me aquieto,
Repete!... O que faço, nada é prolífico,
Que já nasci sem horizontes e, por aqui fico,
E estagnarei na água podre, como um dejeto!

- Muda de tom, conforme o plano que te dá jeito,
Que eu moribunda e serena tudo aceito,
Como uma tola, que eternamente deve respeito!

- Mede a distância que de mim tem, o teu olhar,
Esfria o afeto que ainda tenho, para te dar,
Que tarde ou nunca,
Quando me quiseres,
me vás achar!

18-11-2014 Maria Antonieta Matos

A MEMÓRIA ANDA MUDA

Sem pensamento que me acuda,
Estou vazia sem pensar,
A memória anda muda,
Não me consigo achar.

Estou perdida num labirinto,
Sem encontrar a saída,
Nem sei explicar o que sinto,
Cercada na própria vida.

Em apuros esforço a mente,
Para me lembrar, me lembrando,
Esquecendo constantemente,
Palavras que não comando.

O cérebro anda cansado,
Não faz nada para dormir,
Tem o sono bem pesado,
Mas vai teimando a refletir.

Quanto mais teimoso fica,
Mais se esforça a procurar,
Pensando que s' justifica,
Levar a noite a pensar.

Maria Antonieta Matos 13-08-2015

A NATUREZA

Olho vislumbrada a natureza através da vidraça!
O pensamento rodopia exuberante,
O vento assobia e sopra… e, as plantas mostram o seu ar de graça,
Fixo as árvores num vacilar dos ramos,
O esvoaçar das aves galantes, elevando o canto,
Na paleta de cores… que cercam o horizonte,
Escorrem as gotas de água, alimento e pranto,
Da chuva intensa que se vai esgotando!

No astro, o arco íris desce à terra como um manto,
E o sol espreita a iluminar as nascentes,
Feitiço emaranhado no campo,
Um despertar de sons místicos de águas correntes!

Viajam seres caminhantes, arquitetos de traços,
Desvirtuados de gosto,
Que ferem a beleza, causam embaraços!
Ao saciar dos olhos… baços

Mas a natureza se incumbe de criar,
E a lente espelhada dos olhos a mirar,
Surpreende os sentidos sempre a divagar!
Maria Antonieta Matos 18-04-2015

A PANDEMIA – COVID19

Ai …! O mundo no mesmo barco
Num balançar que dá medo
Sozinhos sem um abraço
Que nos conforte tão cedo
Um pavor do invisível
Um confronto sem igual
A um vírus destemido
Tão diferente do habitual
Não escolhe pobres, nem ricos
Nem local, nem País
Na terra, ar ou mar
Não escapa gente por aí …
Há uma união mundial
Com esporádica resistência
Que aos poucos tomam consciência
Do risco fenomenal

Todos se unem pr’ o combate
Ao surto que nos invadiu
Que dispara a cada instante
Com esforços como ninguém viu

Todo o mundo se debate
Para evitar a pandemia
Onde o sobre-humano é real
No universo de assimetrias

Sem carinho sem piedade
E sem dignidade gente pr’a cova
Sem um ai que nos comova
Sem a despedida que resolva
Num tempo de ambiguidade

Com receio uns dos outros
A distância é obrigatória
Para que o vírus não se pegue
E se propague sem demora

Calem-se as armas de guerra
Centrem-se em exterminar o monstro
Que cego em qualquer caminho
A qualquer vai ao encontro

A sanidade e a economia
Estão a par nesta desgraça
Que a humanidade não previa
E que a todos ultrapassa.

Na esperança que tudo passe
Outra alma se levanta
Atentos, mas confiantes
Que outro mundo vai renascer
Mais humano, mais solidário
Todos livres para crescer

Entretanto fique em casa
Não ponha em risco ninguém
Para o bem dos nossos guerreiros
Que nos protegem tão bem

24-03-2020 Maria Antonieta Matos

A POLÍTICA

Artede gerir ou manipular

Aliciandoos eleitores

Como estilo que diz governar

Sobrepondo-seaos opositores


Umaforma de alcançar

Avantagem desejada

Commeios e arte de conquistar

Podere defender sua causa


Atitudeou a orientação

Apoiadano interesse coletivo

Conhecimentoda questão

Comum conceito expressivo


Motivopolémico ou não

Educacional,financeiro

Dajustiça, comunicação

Dacultura ou interesseiro


Existeuma estreita ligação

Entrepolítica e o poder

Numos meios quer atingir

Noutro,tem autoridade e querer


Sãotão poucos os que veem

Esentem no seu coração

Daquelesque sabendo, falseiam

Sendoromânticos de ilusão


Estaforça vai cegar

Populaçõespersuadidas

Nodia que vão votar

Aeste teste são submetidas


Háum certo secretismo

Noque é verdade ou mentira

Eum certo fanatismo

Dopoder que tudo tira


Umprograma bem pensado

Doque diz implementar

Umdiscurso marcado

Comtruques para influenciar


MariaAntonieta Matos 26-11-2012

À PROCURA

Saem-me palavras sem nexo
Vivo num mundo da lua
Ando revirada do avesso
Fico especada na rua

Penso estar num tempo antigo
Não tenho a noção do tempo
Perco-me no espaço que sigo
Não tenho um minuto assento

Visto-me e dispo-me esquecida
Repito-me a cada momento
Canso o melhor pensamento!

Soletram-me cada palavra
Como no primeiro ano de vida
E a mente gasta se "olvida"!

Maria Antonieta Matos, 04- 09-2014

A SAUDADE

A saudade é tão perversa no meu peito,
tão fatigado,
Que carrego em cada dia, o peso da eternidade...
Oiço a tua voz, sinto o teu olhar presente,
O teu reflexo, no meu viver
espelhado.
Em cada esquina, em cada lugar,
escreve-se a memória desse momento ausente,
Um sentimento em chama ardente,
que na profunda nostalgia,
meu coração quer apagar,
o que sente,
Essa dor complexa que não parte,
Que me abraça porque não esquece,
Que tropeça nos meus passos,
porque apetece...
Empoeirada num disfarce!
Vem sorrateira na noite escura e invade
A intensa saudade!
Meu Pai
Sinto-te alegre e tão brincalhão,
A mais bela cor no meu coração,
Que a saudade entristece de negação.
Assim deduzo...
Que a saudade pode ficar,
Eternamente te amar,
Mas existir em cada segundo,
Sorriso aberto para o mundo,
No mais nobre jeito de gostar!
Maria Antonieta Matos, 18-05-2017

A SAUDADE 1

A saudade faz viajar 
A mente que nos eleva
Não importa o quê lembrar
Mas a vida tudo há-de achar
Que ao coração nos afeta

A saudade rege o olhar
Que um momento nos retrata
Seguindo o dom de criar 
Nesse foco a delirar 
Na mente que se desata 

A saudade abre um sorriso
Daquele instante passado 
Vagueando de improviso
Nas asas do paraíso
Soltando o choro salgado

A saudade abre os braços
Ao amor que nunca esquece
E deixa marca, deixa laços
Em cada ano por onde passo
Que essa loucura acontece

A saudade tem harmonia
No tom da pele a roçar
Das cores que o tempo fazia
Da chuva, do rio que corria
Das flores no campo a teclar

A saudade tem perfume 
Que se entranha no sentido
Tem fogo, tem azedume
Uma paixão um ciúme
Desse sopro tão atrevido 

A saudade tem sabor
Do manjar da nossa avó
Tem um quadro, uma estima
Uma canção, uma rima
Um desejo de estar só

Évora, 20-02-2022, Maria Antonieta Matos

A SAUDADE DA CHUVA

Caem gotas escassas e brandas,
Com meiguice a beijar a vidraça,
Parecem olhinhos da ciranda,
Que o vento a traz de banda,
Oh! Chuva tens tanta graça!

Fixei-te cheia de saudade,
Que não tardei a sorrir,
A pensar com esta idade,
Nunca te senti fragilidade,
E tão custosa de parir!

Não te ausentes por mais tempo,
Que fico triste na desventura,
A lutar contra esse tempo,
Esperando-te a qualquer momento,
Mesmo que tragas loucura!

27-02-2018 Maria Antonieta Matos

A SOMBRA

Sombra que emitas os gestos,

Da pessoa que te guia,

Com passos de luz te afastas,

Em perfeita sintonia.

Me acompanhas pela vida,

Às vezes me pregas sustos,

Outras estás tão divertida,

Não despegas um minuto.


És a noite mais assombrada,

És o peso da consciência,

És a vida mal passada!


És rocha inerte ou ciência,

És tempo passado e futuro,

És mistério ou secreta maledicência!


Maria Antonieta Matos 21-07-2014


Pintura do meu amigo Costa Araújo


A TEIA

Escondes-meem caminhos curvilíneos, com pedras e bicos,

turbulentos,movediços, escorregadios com buracos e picos,

comtorrões, confusões, labirintos…

E vensconvencer-me a passar por aí

E eu,cega… enfeitiçada na tua lábia … por aí…caí

Queresdecidir o meu destino, falas-me de mansinho,

Estreladode promessas… e eu no triste fado, tropeço sem ti

Ah!Quantas falsas histórias, inventadas, forjadas

Comfalas entoadas me veem cativar?

Quetarde do mau sonho eu consigo acordar

Mas aí,estou arruinada, acabada,

alucinada,caída na podridão… e de ti só recebo humilhação

Compras-mecom ofertas, para saciares teus desejos,

cúmplicesde pejos, para me deslumbrar, e eu que não vejo….!

Sóconsigo ver… o que posso ganhar… o meu bem-estar!

Delicias-mecom muitos sorrisos, afagos atrevidos, ousadias,

Depoisquando me dou … tu me atrofias

Venscheio de maldade, falsidade, habilidade, que desculpo!

Porânsia deste VÍCIO que me tortura a mente….!

Soualma penada, caída prostrada sem vida sem nada

Soutroça da gente, que se diz decente, sou perigo eminente

Vivo àmargem da incompreensão, sou fraca de expressão

Nãooiço ninguém e maltrato quem me quer bem

Teiasda vida, enleios que me vejo metida, sem guarida, ferida

Na másorte prometida, mal escolhida, sem que me deixe uma alternativa


MariaAntonieta Matos, 31-03-2014

In NPE " Eternamente Poeta"


A TRISTEZA ME INVADE

A tristeza me invade, e em ondas frias,

Espraia-se em meu peito, em noite escura;

São tantas dores, tantas nostalgias,

Que o mundo inteiro em pranto se figura.

Vejo os destinos presos às agonias,

E a luz do sol se esconde, pouco dura;

O tempo escoa em lôbregas porfias,

Sem dar alívio à dor que se segura.

Mas dentro da penumbra há resistência,

Um sopro brando insiste em me elevar,

E rompe o véu cruel da decadência.

Pois mesmo no luto se a alma ousar

É prova de esperança e de presença:

Quem sente a dor, ainda pode amar.

Maria Antonieta Matos

A VAIDADE

A vaidade quando impera, nada presta,
Que valha o motivo dessa mudança,
Porque esse enlevo tão-pouco resta,
No tempo, esse requinte também cansa.

A vaidade quase sempre é reversa,
Faz pensar o que não é,
Esconde-se na falsa modéstia,
Vive habilidosa, perversa,
Para quem usa de boa-fé.

Convencida no seu ego,
Vive em bicos de pés,
Bandeia-se de lado pr'a lado,
Com seu aspeto elevado,
Mostrando aquilo que não é

Maria Antonieta Matos 12-05-2018

A VÍTIMA

Às vezes queria esconder-me numa densa fortaleza
Para enfrentar todos os medos, mágoas e tormentos
Ficar solitária a meditar para superar essa crueza
Numa briga constante com os meus pensamentos

As vezes queria ser a pedra estática indiferente
Aquela que não ouve, não se sente e nada pensa
Tão robusta e submissa às pisadas de tanta gente
Sem sentir a dor e as palavras ditas com ofensa

As vezes queria destapar toda a sombra desse véu
Mas penso ainda se resistir irei ter lugar no céu
E o tempo, tudo muda, porque tenho amor de sobra

As vezes ainda julgo que é amor, essa impiedade
Por não ter ódio nem experimentar tanta maldade
E pelas desculpas em que o amor se desdobra

18-03-2019 Maria Antonieta Matos

ABRE TEUS BRAÇOS À VIDA

Não esperes colher as flores
Se não semeares o jardim
Porque perfume e cores
Vão só depender de ti

Abre teus braços à vida
Que a vida se abre em abraços
Cresce, esforça-te na subida
Não deixes perdidos teus passos

Arregaça com fervor
A autoestima de viver
Vive o presente com amor
Deixa o passado morrer

Procura na natureza
A luz que brilha e não vês
Caminha, que encontras beleza
E vive pleno, outra vez

Não cismes e não te encantes
Com estímulos imaginários
Dominadores da mente
Tão enganadores... falsários

A oportunidade se alcança
Na força de muito querer
Acelera que a esperança
É sempre a última a morrer

Não caias em tentação
Mede todos prós e contras
Porque uma má decisão
Só o tempo faz as contas

Floresce e vê as coisas
Pelo lado mais positivo
Liberta o pensar e ousa
Não amedrontes o tino

A vida fez-se para viver
A vida tem energia
Viver faz-nos mais crescer
Com prazer, paz e harmonia

Maria Antonieta Matos 21-07-2015

ABRILHANTA-SE O DIA …

Abrilhanta-se o dia na minha rua,
As cores descobrem harmoniosas,
Ouvem-se melopeias e prosas,
Dançam as folhas da árvore nua.

Os pássaros procuram novo abrigo,
Num lugar mais acolhedor,
Nos beirais provocam o amor,
Dia a dia enfrentam o perigo.

De vez em quando o dia sombreia,
O sol brinca ao esconde, esconde,
A vida corre como um rio em cadeia.

Os olhos comtemplam toda a teia,
O corrupiar do vento engalanado,
Como tendo braços que a terra semeia.

Maria Antonieta Matos, 04-02-2017

ACORDEI COM TEU BEIJO ABENÇOADO

Acordei com teu beijo abençoado
Abracei-te carinhosamente nos meus braços
Senti teu alento no meu colo idolatrado 
Que gemia de emoção no nosso laço 
    
A luz do sol resplandecia na janela
Oferecia maior esperança o novo dia
O amor fazia parte da nossa cela
Como um palácio luxuoso cheio magia  

Um passarinho a cogitar no parapeito 
Entre a vidraça transparente, tão altivo
Espreitava enternecido o nosso leito
Refletindo o seu olhar surpreso e cativo

Évora, 28-01-2022

ADMIRANDO

Vítreos olhosadmirando

Ondeada serra deprata

Matiz de corespintando

Socalcam notas emcascata


Presépios povoam avertente

Corre o rio lá novale

Espelhos de águacorrente

Cai branco e azul oteu xale


Quem te vê tãosublimada

No sossego a meditar

Por ti ficadeslumbrada

Embebida a relaxar


Aromas se cruzam aperfumar

Quando sopra aventania

Enche-se o peito dear

Afaga o rosto amaresia


Os sentidosdisparados

Esculpindo a belapaisagem

Num coraçãoacalmado

Na grandiosa miragem


Maria Antonieta Matos 16-12-2013

Aguadeira do Alentejo

Aguadeira do Alentejo,
Tão esbelta assim nasceu,
Que o vento atrevido, tua veste sopra,
E nesses contornos adormeceu.

Maria Antonieta Matos 31-10-2016

AH! PINTOR

Ah! Pintor… poema de sulcos,
Sempre além a conceber,
Essência que só grandes vultos,
Assim riscam sem aprender.

Vem da alma tanta beleza
Rodopia o lápis certeiro
Anseia a mente com destreza
Ah! Pintor artista inteiro!

07/01/2016 Maria Antonieta Matos

AH! SE SOUBESSEM QUE O SONHO

Ah!Se soubessem que o sonho

Viveem cada movimento,

Nosol, na sombra, no vento

Nalua, no cultivo, no rebento

Nocalhau mais duro e tosco

Noolhar dum vidro fosco

Norio das águas correntes

Nosbicharocos, nas serpentes

Nasárvores verdes e às cores

Nasestações do ano, mil sabores

Nocolorido das casas

Naschaminés com as brasas

Nascascatas e nas fontes

Nomais belo horizonte

Hásempre um sonho a espreitar

Noflorir do imaginar!


Ah!Se soubessem que o sonho

Viveem cada pobrezinho

Nochilrear do passarinho

Noinocente menino

Nasolidão do idoso

Nodoente, no revoltoso

Nacarroça, no caminho

Naneve, com tudo branquinho

Nachuva, nas gotas de orvalho

Nasbrumas, no mar salgado

NoCéu todo desenhado

Nasnuvens do céu cavado

Hásempre um sonho a espreitar!


Ah!Se soubessem que o sonho

Viveno sentir, no olhar

Napaisagem, no viajar

Namontanha alta e baixa

Ouno vale a verdejar

Hásempre um sonho que quer

Umpoema te inspirar!


Ah!Se soubessem que o sonho

Viveem nós a perfumar

Emqualquer canto do mundo

Nocampo, no mar, no ar

Nomais belo respirar

Nomistério, na magia

Numareal fantasia

Todos podemos sonhar!


MariaAntonieta Matos 13 01-2013

In "Nós Poetas Editamos VI"

AI A CRISE AI A CRISE

Aia crise, ai a crise

Nãohá quem lhe ponha mão

Muitosestudos e previsões

Quetremenda confusão

Cachimóniasinteligentes

Quenão trazem resultados

Pobrezinhosdeprimentes

Cadavez estão mais tramados

Aia crise, ai a crise

Jámanda o FMI

Essesé que são felizes

Comemtudo o que se ganha aqui

Vemcom grande bagagem

Masanda tudo a andar para trás

Cobramjuros impagáveis

Eo governo o que é que faz?

Andacheio de atenções

Paracom estes comilões

Quenos vendem ao desbarato

Enos levam os milhões

Eo governo anda abstrato

Aia crise, ai a crise

Paraonde vai este país

Reviradodo avesso

Estáa ver-se o mal começo

Aindavamos para Paris

Jánão temos quem trabalhe

Oque faz com que isto mexa

Sóempregam quem comanda

Tiram-nostudo sem deixa

Usamde grande retórica

Como mundo desigual

Masé tudo só teórica

Tratam-noscomo um animal

Estátudo a minguar

Atéaquilo que foi feito

Nãohá nem para remendar

Eaté nos tiram o leito

Nemque seja mau negócio

Nãoadmitem o seu jeito

Estãosempre a se desculpar

Comar muito satisfeito

Semnada para justificar

Todoo trabalho mal feito

Aia crise, ai a crise

Tudoserve de desculpa

Qualquerdia vão ver

Portugalpor uma lupa


MariaAntonieta Matos 21-04-2012

AI O ESTADO LASTIMOSO

Aio estado lastimoso

Emque está este país

Andaalguém muito guloso

Quepensa ser poderoso

Acrescer-lhe o nariz

Jánão existe classe média

Professorespara ensinar

Estáa torna-se em tragédia

Aprendere estudar

Asaúde está a acabar

Opovo já está sem cheta

Comose aguenta a depressão

Seeste estado não se endireita

Pagamal a quem dá lucro

Emuito bem ao astuto

Quefaz o povo cair

Parao andar a servir

Semo mínimo de dignidade

Masonde está a humanidade?

Sóexiste falsidade…

Ailiberdade, liberdade

Acabaramcom os direitos

Consignadosna constituição

Osdireitos são defeitos

Valorizamo ladrão

Nãoo que rouba para comer

Maso que se quer encher

Quetremenda confusão

Casaisdesempregados

Comas contas para pagar

Vêm-sesem ordenados

Ecom os filhos a chorar


Ogoverno bem sustentado

Acrescentaausteridade

Nãocorta o seu ordenado

Fomentaa desigualdade

Deixafechar as empresas

Nãolhes dá estabilidade

Desesperoe incertezas

Éum poço de dificuldades

Jovenssem segurança

Apoiam-senos velhos pais

Queesticam sem a esperança

Queos filhos não precisem mais


MariaAntonieta Matos 24-04-2012

Ainda Não Me Conheces

Ainda não me conheces.
Conheces o meu nome,
talvez o meu sorriso,
as palavras que escolho mostrar,
mas não o silêncio onde tantas vezes me encontro.

Ainda não me conheces.
Não sabes das tempestades
que aprendi a atravessar em silêncio,
nem das cicatrizes
que já deixaram de doer,
mas nunca deixaram de contar uma história.

Vês apenas o reflexo da superfície.
A profundidade exige tempo,
presença,
e a coragem de permanecer
quando já não há máscaras para admirar.

Ainda não me conheces.
Porque ninguém se revela inteiro
num primeiro olhar,
nem num punhado de conversas.
Somos livros escritos em capítulos,
e há páginas que só o afeto
tem o privilégio de ler.

Se um dia me conheceres,
não será por aquilo que digo,
mas pelo que faço quando ninguém vê;
não pelos dias fáceis,
mas pela forma como enfrento os difíceis.

Até lá,
não me julgues pela capa,
nem pelas sombras que possas imaginar.

Porque há pessoas
que parecem simples à distância,
mas carregam universos
que só o tempo consegue apresentar.

Ainda não me conheces...
e talvez seja precisamente aí
que começa a beleza
de um verdadeiro encontro.

ALENTEJANA

De repente surge alentejana bela e jubilosa,
S’ agiganta e floresce no vítreo olhar, tela famosa,
Braçada de louro trigo enfeita o seu regaço,
Que ilumina o tempo, os dias dos meus cansaços.

Alentejana que o calor tosta e zurze tua pele como fogo,
Que a energia não falta e irradia o dia todo,
Que a par dos homens versejas e entoas essa lucidez,
E a originalidade fascina o mundo ufano outra vez.

17-02-2017 Maria Antonieta Matos

ALENTEJO

Alentejo da minh’ alma

Muito se fala de ti

Depreciando a calma

Como uma erva ruim


Penso que é a inveja

Que muito, os faz falar

Não conhecem tua grandeza

No pensamento a trovar


Se te vissem com os meus olhos

Ficavam tão deslumbrados

Que eternamente seriam

Do sossego apaixonados


Bem no meio da natureza

De olhos fechados a ouvir

Entranha paz e a leveza

No coração o sentir


Alentejo… luz, perfume,melodia…

Desabrochar da sua gente

Trovas que embalam o dia

Ao ritmo de vozes diferentes


Alentejo veste-se de olhares

Já não passa despercebido

Vai pelo mundo a cantar

Alentejo desmedido


A terra domina o sonho

Transpira o povo d’ emoção

Flui a mente e o ar risonho

Bate mais o coração


06-02-2015 Maria Antonieta Matos

ALENTEJO A CANTAR

Enquanto as mãos labutam, a sua mente

Entranha os momentos reveladores

Que descrevem 'estórias' de muita gente

Ensinamentos procurados por doutores


Quando o dia amanhece no Alentejo

Tantas agruras se passaram pelo campo

Homens, mulheres corajosos, nesse festejo

Relatam o sentir, a compasso, todo o encanto


Quando a tarde surge em dia quente

O corpo enfadado cai sonolento

Mas quando à noite se reúnem alegremente

Entoam cantigas naturais do pensamento


Quando no inverno o frio aperta e dói

A azáfama fricciona o corpo gelado

O calor transpira os poros… a vida mói

Mas o dia se agiganta num tom bem afinado


No silêncio apaziguador são trovadores

Semeando palavras de amor

Da terra são cientistas sonhadores

Do tempo têm olhar descobridor


05-02-2015 Maria Antonieta Matos

Alentejo é natureza

Alentejo é natureza,
Onde se avista o infinito,
O mar, o céu, a terra é beleza,
E o cante é tão bonito! 

Alentejo a sua gente,
É contada com humor,
Pelo modo de falar,
Pela forma de expor!

Alentejo veste-se de branco,
De azul e ocre a enfeitar,
E o vermelho para alegrar.

Cada estação tem um encanto,
No inverno correm rios de pranto,
E no verão é sol e mar.

No Outono as folhas dançam,
Ao toque da ventania,
Ó vento que tanto assobias.

Pões alegre o tapete do teu chão,
Com tão harmoniosas cores,
São as folhas, mas parecem flores,
Ah! Ofereces tanta emoção!

Primavera cobre-se de colorido,
De luz e olhares curiosos,
Os pássaros cantam divertidos,
Alentejo primoroso!

Maria Antonieta Matos 29-01-2017

ALENTEJO INSPIRADOR

Alentejo inspirador

Eleva-me só de te olhar

Ao meu passar, abres cores

No campo p'ra me cortejar

Na primavera raiam flores

Entre o verde disparador

Malmequeres e papoilas

Salpicam o lindo esplendor

Pela noite a maresia

Gotas d'orvalho te afagam

Neste leito de amor

Bichinhos ali se amagam

Depois chega a alvorada

O sol dá o bom dia

Saem pássaros da ninhada

Sonidos de melodia

Num despique natural

Paz de espirito a apaziguar

Entoam cigarras e merlos

Cegarregas e grilos

Num silêncio a explanar

Para quem ouve escutar

E encantar-se a sonhar

Canta o galo no seu poleiro

Acorda a gente que dorme

E faz saltar do galinheiro

As galinhas de uniforme

A vida começa a surgir

Vem a chuva num vai, vem

Vem da alma a poesia

O sentir que a gente tem

Correm regatos e rios

Desfraldados enchendo o rego

Saciando as plantas do estio

Que o verão as seca cedo

Os animais de noite e dia

Correm o tempo a pastorear

Sob a velha copa acarram

Enquanto o sol abrasar

Vestem-se os montes de branco

Teu chão perde-se ao avistar

De azul te cobre o teu manto

Nuances, pairam a realçar

As vinhas mudam as cores

Conforme o tempo que passa

À mesa levam os sabores

Uvas,vinho ou em passa

Oliveiras e azinheiras

Azeitonas e bolotas

Os azeites de primeira

Os aromas e as compotas

Os queijos muito apreciados

Os enchidos saborosos

São pelo mundobadalados

Por embaixadores vigorosos

Alentejo musical

Entrelaçado no canto

És pintura divinal

Cresce molhares de espanto

Alentejo, não te esqueço

Mando lembranças daqui

Ouvintes de todo o mundo

Sempre Alentejo é aqui

A Rádio Solar de Londres

A quem muito agradeço

Na pessoa de Manuel Venâncio

SEMPRE ALENTEJO não te esqueço

MariaAntonieta Matos 25-09-2013

ALENTEJO JANELA ABERTA

Alentejo janela aberta,
De largos e soltos horizontes,
Onde a beleza ressalta,
O sol ardente tudo abrasa,
Povoam de branco os montes.

A luz clara, o azul do céu,
O passeio dos passarinhos,
Tantos cânticos, asas ao léu,
O esplendor que adormeceu,
O sonho a vaguear caminho.

Alentejo de tradições,
De "estórias" inolvidáveis,
De poemas e canções,
De música nos corações,
De gente linda e amáveis,

Alentejo dourado mar,
Espera-te a lua cheia,
Ao lusco-fusco a bailar,
espreitando a namorar,
Os amores na sua teia.

Maria Antonieta Matos, 19-07-2017

ALMA DO POVO

Vejoprofunda tristeza

Nosemblante deste povo

Quenão augura certeza

Terestabilidade de novo


Erade fácil resolução

Nãohouvesse interesseiros

Queprovocam confusão

Metemmedos e receios


Háum mundo que se liberta

Dasgarras dos ditadores

Ehá outro que acoberta

Avolta dos opressores


Todoo ser tem o direito

Deviver em liberdade

Denão faltar ao respeito

Mostrare ter dignidade


11-11-2011Maria Antonieta Matos

ALVORADA

Tudo parecia calmo e puro,
No silêncio da alvorada,
Parecia sair de um casulo,
A luz há tanto esperada.

Não se adivinhava o sono,
Estava demasiado inquieta,
A noite era de Outono,
Fiquei de janela aberta.

Voavam livres os passarinhos,
Correndo aos bandos no céu
Outros aconchegavam-se no ninho
De cabecinhas ao léu.

Num sossego de pura calma,
Olhava tal esplendor,
Não augurava vivalma,
Neste sonho multicolor.

Ouviam-se pouco a pouco,
Murmúrios de gente a passar,
E não tardou o alvoroço,
Para o pensamento molestar.

Sentia os olhos pesados,
Mas não podia dormir,
Tinha o cérebro revirado,
E o barulho a consumir.

Maria Antonieta Matos 29-09-2011

AMANHÃ O DIA ...

Amanhã o dia, já não será igual,

Como tantos outros, por muitos anos já passados,

Muda o pensar, mudo eu e, mudas tu o visual,

Perpetuará a história das cidades e dos estados!

Amanhã o dia, será cheio de emoções,

O tempo muda, nasce uma flor, surge um amor,

Sucumbe e nasce cada ser vivo e as estações,

Sempre na esperança que amanhã seja melhor.

Amanhã o dia, nascerá livre e cantando,

Sem amarras, como um passarinho alegre, voando,

Na estreita paz, os amantes feiticeiros de fulgor.

Amanhã o dia, não mais nascerá rude,

Porque hoje já fiz tudo quando pude,

Para que amanhã seja o dia de esplendor.

20-10-2014 Maria Antonieta Matos

AMAR A NATUREZA

Euquero amar eu quero amar a natureza

Poder sentir, a liberdade, olhar as cores

Observaro horizonte, tanta beleza

Existir,viver sentir os cheiros e os sabores


Olharas estrelas cintilando luminosas

A luamudar de face, vê-la crescer ou minguar

Percorrercaminhos, poder voar

Meaconchegar nas nuvens fofas, a sonhar


Acordara contemplar o sol nascer

Correr,saltar, ficar alegre, poder mirar

Osrios, os montes e os animais adormecer


Ouvir osom inspirador dos passarinhos

Nosramos das árvores a saracotear

Estarem silêncio escutando seus segredinhos


03-04-2013Maria Antonieta Matos


AMIGO

Ao olhar o azul do céu iluminado
Onde repousas de riso aberto a fantasiar
Coras a tela no universo… sempre apaixonado
Das mais lindas cores de pintar

De asas ao sol e ao vento a estremar
Na mais pura inspiração… que arrebata
O sonho eterno brinca sempre aprofundar
As cores dançam ao som da mais bela serenata

E nessa enormidade a tua alma pura
Abrilhanta a terra de formosura
Que grita de saudades de ti

Coloquei uma escada até ao céu, aqui do adro
Onde expões agora os teus quadros
Para declamar meus versos também aí

Maria Antonieta Matos 23/04/2019

AMIGOS

Tenhoum jardim de flores

Perfumandoo meu dia-a-dia

Enfeitadocom lindas cores

Enchendo-mede alegria!


MariaAntonieta Matos 27-08-2012

AMIZADE

Amizade amormaior, provida de cumplicidade

Fragrânciadesinteressada que não se extingue

Não conhece nossosdefeitos, exalta as qualidades

Sempre de livrevontade, sem nada que a obrigue


Amizade é umsentir de conforto amenizada na dor

Desabrochando emcada dia a alegria e a felicidade

Nada mais belo queas gargalhadas enchendo de cor

Compartilhado cadaensejo, enquanto dura a amizade


Nada faz porcaridade, não anda de mão estendida

Amor que falaverdade com confiança desmedida

Presente sempre aigualdade, reina cheia de virtude


Inteira de corpo ealma, uma ligação de bem-estar

Flor perfumada ecolorida, tem as pétalas a ressaltar

Iluminando o coraçãode grandeza e juventude


14-05-2013 Maria Antonieta Matos

AMIZADE II

Amizadeamor maior, provida de cumplicidade

Fragrânciadesinteressada que não se extingue

Nãoconhece nossos defeitos, exalta as qualidades

Semprede livre vontade, sem nada que a obrigue


Amizadeé um sentir de conforto amenizada na dor

Desabrochandoem cada dia a alegria e a felicidade

Nadamais belo que as gargalhadas enchendo de cor

Compartilhadocada ensejo, enquanto dura a amizade


Nadafaz por caridade, não anda de mão estendida

Amorque fala verdade com confiança desmedida

Presentesempre a igualdade, reina cheia de virtude


Inteirade corpo e alma, uma ligação de bem-estar

Florperfumada e colorida, tem as pétalas a ressaltar

Iluminandoo coração de grandeza e plenitude


14-05-2013Maria Antonieta Matos

AMOR

Amorque um fósforo acende vigoroso

Serevela num só peito emaranhado

Verte emoções a palpitar, sonhoextremoso

Commil desejos, do sentir aconchegado


Amorenfeitiçado, que não desagarra

Seenciúma e desencanta, a outro olhar

Amordoentio, amor louco que atrapalha

Amorsincero, que nada tem para cobrar


Emtodos os amores, há uma loucura

Segredo,desavença e ternura

Temperoque a multiplicidade faz durar


Numaamizade enternecida enquanto firme

Umaatracção perdidamente a respirar

Amorse ganha pela vida a respeitar


10-10-2013- Maria Antonieta Matos  
 In "Nós Poetas Editamos V"

AMOR D’UMA VIDA INTEIRA

Amor d’uma vida inteira,
A perfumar cada etapa,
Como o vinho de primeira,
Pomada quando se destapa.

Pelos anos envelhecido,
Sempre a inovar doce, intenso,
Muda o tom, apetecido,
Fica o sabor em suspenso.

Cada vez mais envolvente,
Não passa um sem o outro,
Se um está mais deprimente,
O outro se mostra mais afoito.

Assim a vida s’ encanta,
A renovar em cada dia,
Porque males o amor espanta,
E passam os anos com alegria.

25-09-2018 Maria Antonieta Matos

AMOR DEVIA SER

Amordevia ser a chama ardente

Lume semtimidez e ressentimentos

Oculminar de agradáveis momentos

Naharmonia um amor vivo e quente

 

Exaltaçãoa brilhar em delírios e desejos

Enternecidono enlace da paixão

O saciaraceso no entranhar dos beijos

Gritandoamor, amor - a voz do coração

 

Amordevia estar de corpo inteiro

Nopensamento amor primeiro

Estarnum só corpo o mesmo sonho

 

Amordevia ser um sentimento puro

Viver norespeito no olhar seguro

Amordesanuviado, amor risonho

 

05-11-2013Maria Antonieta Matos 
In " Poesia Sem Gavetas III"

AMOR é chama

Amor é chama

É desejo do outro ter

Alegria, dor, paixão é loucura

É perdão, é prazer, é cura

É um sentir de muito querer


É saborear o momento

Sem pressa, sem hora, sem tempo

Um olhar apaixonado

É união, é força, é ser amado

É amar a todo o tempo


É felicidade plena consentida

É proteção desmedida

É segredar coisas lindas

É beijar, tocar é ferida


É não ter idade, é companhia

É realização, plenitude

É ter o sol é juventude

É viver em harmonia

É um sentimento puro

É ver luz até no escuro

É natural, é fiel, é euforia


É triunfar quando tudo está perdido

É ambição, é paraíso

É saúde, é surpresa

É arrepio, é não ter nenhum juízo

É não duvidar, é namorar, é sorriso


07-01-2013 Maria Antonieta Matos

In "Nós Poetas Editamos VI"

ANDA UM BARCO A NAVEGAR

Andaum barco a navegar

Àderiva no mar alto

Todoso estão a querer comprar

Porqueestá ao desbarato


Chamaram-lhePortugal

Hátremenda confusão

Unsdizem que é imoral

Maschega-se à conclusão

Seremos mesmos que lá estão

Acausarem todo esse mal


Sacodema água de cima

Paraoutro se molhar

Eo seu nariz logo empina

Paranele descartar


Hápiratas por todo o lado

Querendoo barco afundar

Tirarproveito deste estado

Pôra gentes a mendigar


Parecemmuito santinhos

Nãotem nada a esconder

Fazemdo povo parvinhos

Paratudo deles comer


Estãoa esvaziar o barco

Atirandotudo pró mar

Maslá vão enchendo o saco

Numfundo, querem guardar


Cáse fazem cá se pagam

EDeus está a mirar tudo

Semesperar há uma viragem

Edeixam de ser uns pançudos


07-01-2013Maria Antonieta Matos

ANINHA-ME NO TEU REGAÇO

Aninha-me no teu regaço
Meu amor,
Espelha-me um sorriso grasso,
A gargalhada franca
que contagia o mundo,
Solta-a bem lá do fundo
Para tocar meu coração.
São os pequenos nada, que enriquecem meu viver,
A minha forma de ser,
O júbilo, o meu bem querer.
o êxtase e o prazer.
Canta-me... que eu fecho os olhos e deixo chegar o sonho,
Aquece meu peito de ânsia e calor,
Num alvoroço tamanho de amor.
Assim embriagados de gestos ternos,
Tão simples, tão belos...
Encontram-se os corações em mudas palavras,
Sentem-se trinados no peito em sintonia,
Profunda acalmia no conforto do abraço,
Em carinhoso espaço.
Maria Antonieta Matos, 30-05-2017

ANSIEDADE

Antecedemomentos de pânico

Reaisou irreais

Ânsiae muito desânimo

Sensaçõescorporais


Sensaçãodesagradável

Angústia,muita aflição

Inquietude,indesejável

Cheiade grande excitação


Ossintomas de fatiga

Faltade ar ou estar sufocado

Umarrepio na barriga

Coraçãomais acelerado


Otórax a apertar

Algumatranspiração

Ea boca a começar secar

Ansiedadeé emoção


Ansiedadese acarreta

Semàs vezes saber como

Oestado biológico afeta

Provocandogrande transtorno


Ansiedadepor viver

Mudaro estado das coisas

Atéimpede de comer

Mesmosem a pessoa querer


Ansiedadepor um trabalho

Porter a família às costas

Nãoter pão e agasalho

Estaremfechadas todas as portas


Ansiedadepor um amor

Correspondidoou não

Sentira chama ou a dor

Oaperto no coração


Adoença gera ansiedade

Umestado geral debilitado

Omedo e a sensibilidade

Deixao doente amargurado


Umasituação de perigo

Oumesmo de adrenalina

Numao medo está contigo

Noutrapor gosto alinha


20-11-2012Maria Antonieta Matos


AO AMIGO

Há muito que não renovas as tuas telas,
Como fazias em cada um amanhecer,
A ouvir as vozes do Alentejo e a canta-las,
Empolgado, sorridente na pintura a renascer.

Há muito que o vazio silencia o espaço,
Que a saudade vive em cada teu lugar
Ávida de claridade, de alegria, de um abraço,
Do espelho que projetas no teu olhar.

Há muito que tuas mãos estão quietas,
Que os pincéis estão cansados de te esperar,
Nutre-se a falta do teu astro colorido de poeta.

Embora acredite que continuas a sonhar,
Que abispas o pormenor nessa janela aberta,
E eternizas esse teu amor numa noite de luar.

13-03-2019 Maria Antonieta Matos

APARÊNCIA

Aparênciaé a imagem

Vistanuma perspetiva

Talqual uma miragem

Podenão estar definida


Aofixar uma pessoa

Faz-seuma radiografia

Aimpressão às vezes é boa

Ea realidade atrofia


Ajuíza-sea aparência

Osemblante não cativa

Contudoa sua essência

Sótempo a valoriza


Quandointeressa mostrar

Umaspeto convincente

Tudoserve para mascarar

Iludindoaquele momento


Estefenómeno encobre

Asábia imaginação

Quemais tarde se descobre

Quefoi tudo encenação


Avirtude ou a maldade

Nointerior anda escondida

Nãomostrando a realidade

Noseu ar logo à partida


Novestuário também é igual

Tudose confunde no belo

Porbaixo anda todo roto e afinal

Tráscasaco para escondê-lo


Encapotadosna aparência

Mostramaquilo que não é

Atémesmo na competência

Enos canudos até


Desconfieda aparência

Nãoembarque de uma vez

Mostrea sua coerência

Observetudo com altivez


08-11-2012Maria Antonieta Matos

APESAR DA MINHA IDADE

Apesar da minha idade, continuo em aprendizagem,
como rio que segue um curso, sem perder a viagem.
Cada ruga que trago é mapa da minha vivência,
mas o saber renasce sempre numa nova experiência.

Os anos não encerram o brilho da descoberta,
nem fecham a janela aberta para o mundo.
Aprender é caminho, é chama que perdura,
é dar à própria vida mais sentido e ternura.

Ainda escuto o tempo com sede de entender,
pois há sempre um horizonte a chamar-me para crescer.
E trago esta certeza, serena e verdadeira:
quem aprende até ao fim mantém a alma inteira.

Maria Antonieta Matos - 10-05-2026

APROXIMA-SE A NOITE

Aproxima-se a noite no dia tão negro,
Navego nas águas tão escuras de medo,
Ao longe um farol ilumina o rochedo,
E sinto arrepios na noite que é dia,
Tão gelada, tão fria,
As horas, tão cedo.

As ondas s' enfurecem na areia,
Tapam e destapam o meu leito,
Oiço o choro da Sereia,
Querendo namorar o meu amor-perfeito.

O Sol escapa-se envergonhado,
Beijando a lua à socapa,
Num momento coroado,
Que a nuvem cúmplice faz de graça.

Aconchego-me a ti, meu amor,
Pulsando meu peito que sentes bater,
Abraças-me com jeito no manto sedutor,
Que atenua o pranto no fundo do SER,
Que aquece a alma,
Tão frágil mais calma
Sempre a renascer.

Depois descobre o dia numa luz clara,
E livres ao vento voando no céu,
Trocamos olhares, sentimos desejos,
No sonho de amor vamos tu e eu.

14-01-2018 Maria Antonieta Matos

AQUI NUM CANTO ESQUECIDO

Aqui num canto esquecido,
No meu olhar mais profundo,
Vislumbro o horizonte tão belo,
Como príncipe num castelo,
Que se sente senhor do mundo.

Sorri-me o sol... hilariante,
O vento oscula... meu peito,
As estrelas brilham sem fim,
E com a lua, olham por mim,
Cobre-me a chuva onde me deito.

Pasmo com as luzes da cidade,
O sonho acompanha-me longe,
Como um pássaro em liberdade,
Voando com graciosidade,
Mas recatado como um monge.

Sou rico... tendo tão pouco,
Nada me pesa que me canse,
Tenho chão... tenho cascalhos,
Tenho o sol como agasalho,
No infinito um grande alcance.

Pensativo em cada dia,
Sou delicado e tão forte,
Vivo sem medo... de mão vazia,
Regalo o estômago de fantasia,
E os dias passam por sorte.

Nasci d'um momento de amor,
Num dia de grande fracasso,
Herdei o mundo como amigo,
A família deu-me o castigo,
Aprendo tudo quanto faço.

Maria Antonieta Matos 03-02-2018

AR NO CORPO A VIAJAR

ODuarte sempre muito atento

Aosfenómenos da respiração

Nãose cala por um só momento

Quersaber todo o seguimento

Eo que tem a ver com o pulmão


Jáme tramastes ó rapaz

Voupensar para te explicar

Nãosei se vou ser capaz

Masnada custa tentar


Ocorpo humano precisa de ar

Éessencial para viver

Tudose pode comprovar

Coma respiração a suster


Vásdizer que tens falta de ar

Ecomeças a inspirar

Encheso teu peito de ar

Senteso corpo a aliviar


Pelasnarinas entra o ar

Fluipelas cavidades nasais

Ondetem células para cheirar

Mucosase ainda mais

Ospêlos, para a poeira filtrar


Oar passeia pela faringe

Partilhadocom o alimento

Masquando o ar entra na laringe

Nãoquer nada para este evento


Aquina passagem do ar

Durantea respiração

Produzessom, vás querer falar

Aoque se chama fonação


Avócomo se chama

Oque bloqueia o alimento

Queàs vezes até nos trama

Poralgum breve momento?


Éa traqueia a seguir à laringe

Queexpulsa de passar

Oalimento, muco e corpos estranhos

Quedificultam o respirar


Depoisno tórax penetra

Bifurcando-senos brônquios

Ecomo rios à descoberta

Ramificam-senos bronquíolos

Ea seguir nos alvéolos


Queé função que vai trocar

Ooxigénio e dióxido de carbono

Pelamembrana capilar alvéolo-pulmonar


Oar se encontra nos pulmões

Como sangue circulante

Órgãosessenciais na respiração

Ospulmões são importantes


Aquiocorrem trocas gasosas

HematosePulmonar

Are sangue fazem a vida vigorosa

Tudono corpo a trabalhar


Évora,11-12-2012 Maria Antonieta Matos

ÁRVORE

Naprofundidade da terra

Asemente desabrochou

Saindopor uma cratera

Alino chão despontou


Fortaleceas suas raízes

Desenvolvea sua estrutura

Dotronco saem diretrizes

Enfeitadasde verdura


Nascemflores muito formosas

Geramos frutos apetecidos

Passampor cores preciosas

Áespera de serem colhidos


Sempreà chuva ou ao vento

Oferecea sombra quando há sol

Crescebuscando alimento

Aninhaos pássaros ao pôr-do-sol


Solidárianoite e dia

Vaidormindo sempre de pé

Suasfolhas, rodopia

Dançasem dali arredar o pé


17-08-2013Maria Antonieta Matos

ÁRVORE DE NATAL

Já alindei a minha árvore natal,
Ofereci-lhe um toque de magia,
Ficou alegre… e, tão especial,
Do jeitinho que eu mais queria.

Dei-lhe vida, muita saúde,
Serenidade, carinho e amor,
Um brilho de festa e virtude,
Sorrisos de cascata em flor.

Dei-lhe justiça… e, humanidade,
Uma luz brilhante celestial,
Esperança, companhia, amizade.

Dei-lhe quanta alma, podia,
Uma aspiração jovial,
E o respeito de cada dia-a-dia.

05-12-2017 Maria Antonieta Matos

AS EMOÇÕES DO TEMPO

Ó tempo, que trocaste teus hábitos,
Que me enganas em cada estação,
Que atormentas os povos com errada decisão,
Mas que nos trazes às vezes a luz da razão.

Eram quatro as estações do ano,
Que aprendi desde muito cedo,
Cada uma ostentava emoção,
De alegria, tormenta e medo.

No inverno intensa chuva,
Dia e noite lavravam ribeiros,
Choravam os beirais no chão,
Acenando o arvoredo.

Trovejava… gritavam luzes no céu,
Rugia o vento altivo,
Pintava-se o dia de breu,
Encharcado ficava o corpo,
Resfriado até ao osso,
Rodopiava o chapéu.

Alagada a terra frutífera,
Geminava a semente,
Lançada com mãos de “guerra”,
Um corrupio permanente.

Na chaminé estalava a chama,
O café perfumava a casa,
Os mais velhos contavam “estórias”,
Ia-se cedo para cama.

E lá vinha a primavera,
Colorida e luminosa,
Tudo era verde e florido,
A cada canto uma rosa.

Seduziam as andorinhas no céu,
Chilreando de contentes,
Olhares concebiam véus,
Traçando linhas cadentes.
Às vezes tinha chuva, tinha vento,
Tempo ameno, trovoada,
A cultura agradecia,
Nos regos, a vida surgia,
P’ la terra tão bem estrumada.

Espreitava o verão trazia chama,
O corpo exausto transpirava,
A hora da sesta só a cama,
Acalma a sonolência obstinada.

No campo o chapéu e o lenço,
Ensopavam o suor a dilacerar,
E aliviavam o sol ardente,
Tão baixo, tão eminente,
Difícil de suportar.

O outono vinha cansado,
Da secura do calor,
As árvores despiam a ramagem,
Punham o chão multicolor.

Ficava triste o outono,
De frio e nuvens cinzentas,
As noites longas de sono,
Tinham manhãs rabugentas.

Aclamava o vento e a chuva,
Com vontade de sorrir,
De mudar o seu vestido,
Num tom verde divertido,
Das suas árvores vestir.

Maria Antonieta Matos 26-01-2019

ÀS VEZES

Às vezes sou a manhã que aquece o teu rosto!
Às vezes brinco como uma criança!
Às vezes me vislumbro ao olhar do sol-posto!
Às vezes sou no teu dedo, a aliança!

Às vezes sou o ritmar das ondas nas marés,
O campo florido de malmequeres e papoilas,
para ti acenando, ao sabor do vento,
O perfume da rosa rodopiando no pé!
Às vezes sou o emudecer do momento!

Às vezes sou a chuva que te canta, quando me deito,
a pomba branca que te persegue no espaço de ti sequiosa,
a lua que espreita pára te aconchegar!
Às vezes sou o clamor da liberdade para te amar!

Às vezes sou o acordar do rio tecendo quimeras!
O caminho, o desvio de muitas primaveras,
Às vezes sou o sol do Outono, o colorido da época
do romance belo, de tudo o que me cerca!

Às vezes sou a estrela que brilha ofegante e que tu não vês !
Às vezes sou tronco a florir abraçando cada mês !
Às vezes sou o envelhecer, o livro do saber!
Às vezes os netos beijo no mais formoso enternecer!
E somem as rugas e como a flor sou renascer!

Maria Antonieta Matos 30-06-2014

ASSIM EXISTO

Sorrisos ressaltam nos teus lábios

O olhar brilha resplandecente

A face marca os traços graciosos

E a beleza flui no seu ar inocente

Como gosto dessas pétalas rosadas

Que encantam o teu rosto envergonhado

Contrapondo soltas gargalhadas

Aplaude meu coração enamorado

Vejo-te como uma luz penetrante

Cintilando o desejo emaranhado

Que me estonteia o olhar d' agrado

Assim existo no doce abraço ardente

Palpitando no teu corpo amado

Nas entranhas do prazer alucinado

05-07-2015 Maria Antonieta Matos

ASSOMBRO

Há dias... que morrendo viste,
Que a vida não gira ao redor,
Que o sono se apaga triste,
Num assombro de terror.

Há dias... que o mundo pára,
Que não há gente contente,
Murcha a flor... não se repara,
Oh! Que mundo comovente!

Há dias... que o teto cai,
Na cabeça estilhaçada,
Sacudindo o que lá vai!

Há dias... a esperança que resta,
Esvaem-se prantos no caminho,
Para que se abra uma fresta!

Maria Antonieta Matos 08-08-2016

ATROPELOS E VALORES

Vivo escalando até ao cimo do patamar,
Resvalo... e me declino na subida,
Embora com muito esforço para me agarrar,
Alguém me puxa, e empurra, para derrubar!

Torno a subir desempenada, decidida,
Arrepiando dissabores pelo caminho,
Virando a página com pertinácia desmedida,
Sem perder tempo, tempo...tão escasso na vida!

Tenho em mim... o sentido da liberdade,
Aquele que me faz livre de mexer... e de pensar
E não me prende áquele... que a diz dar!

E será com o respeito e a verdade,
Que se agigantam os valores da humanidade,
E nos consentem a paz e a dignidade!


31-01-2016 Maria Antonieta Matos

AUDAZ FANTASIA

Nosilêncio, audaz fantasia

Produzidapela mente

Fazseguente alegoria

Vemdo coração o que sente


Tudoparecia calmo e puro

Nosilêncio da alvorada

Pareciasair de um casulo

Aluz há tanto esperada


Nãose adivinhava o sono

Estavademasiado inquieta

Anoite era de Outono

Fiqueide janela aberta


Voavamlivres os passarinhos

Correndoaos bandos no céu

Outros,aconchegavam-se nos ninhos

Decabecinhas ao léu


Numsossego de pura calma

Olhavatal esplendor

Nãoaugurava vivalma

Nestesonho multicolor


Ouviam-sepouco a pouco

Murmúriosde gente a passar

Enão tardou o alvoroço

Parao pensamento molestar


Sentiaos olhos pesados

Masnão podia dormir

Tinhao cérebro revirado

Eo barulho a consumir


MariaAntonieta Matos

AVISTO... O MEU ALENTEJO!

Avisto a grandeza da planície

No meu Alentejo!

A simplicidade... que aos olhos encanta,

A serenidade da gente, a voz que se levanta,

A aspereza das mãos...

o silêncio que tudo movimenta!


Avisto os rios e os lagos,

Os olivais e sobreiros,

Os montes e tanto gado,

Pastando o dia inteiro.


Avisto e ouço o chilrear do passarinho,

A queda das águas descendo,

Vem o sonho devagarinho.


Avisto nos galhos das árvores, o sussurrar,

O dormitar...., o amar,

Traços no céu esvoaçando.


Avisto o solo alagado,

O fumegar do bafo,

O bafo do campo gelado,

a chuva a desabar tão forte,

o telintar... esse toque...,

O tição... a brasa quente,

O amornar que se sente!


Avisto o verão ardente... calado,

O sono tão incontrolado,

O solo dourado,queimado.


Avisto a cor da primavera,

O renascer da quimera,

A luz que brilha na terra.


Avisto o Outono tão belo,

Verde, laranja,amarelo,

espelhos de água a refletir,

pinturas … a emergir,


Avisto alabaças e acelgas,

Os poejos perfumados,

Óregãos e beldroegas,

Os espargos e saramagos.


Saindo na terra gretada,

Os cogumelos discretos,

Por caminhos rudes... dispersos.


Tantos cheios e sabores

povoando a extensa paisagem,

Nas iluminadas e lindas cores

Provocadoras de imagem.


Avisto o galo a cantar

Por cima do galinheiro,

A ovelha a berrar,

E o autoritário carneiro.


Avisto o restolhar dos seres,

pelo campo a rastejar,

Entre medos e prazeres,

Nas belas noites de luar


Avisto o nascer do sol,

Esse reluzir incandescente

Que replica a poente

E pasma o sentir, da gente


Alentejo com sotaque

Que despertas humoristas

Tanta gente a invejar-te

Pela calma que lhe suscitas

AVÓS E NETOS

Avós,crianças de novo

Entrerisos e brincadeiras

Peranteas grandes maroteiras

Dosseus netos irrequietos

Dãocarinho, muitos afectos


Têmmuita compreensão

Nãoimporta a confusão

Dosbrinquedos espalhados

Mesmonão sendo arrumados

Pelarecusa dos netos

Dãocarinho, muitos afectos


Contamcontos de encantar

Transmitem-lhemuito saber

Ensinamcomo estudar

Oconhecimento faz crescer


Comos netos a inventar

Edar a volta aos contextos

Dãocarinho, muitos afectos


Alinhamna brincadeira

Andamtodos num virote

Ficammaçados de canseira

Mascontinuam alegrotes


Jogar,bailar e cantar

Etocar para animar

Todosos males se espantar

Sãomomentos para recordar


Osnetos não vão esquecer

Pelasua vida fora

Dasgracinhas ao crescer

Comos avós na memória


Osavós com os olhos postos

Nosseus netos, cada um passo

Envaidecem,sempre dispostos

Alhes dar fortes abraços


13-11-2012Maria Antonieta Matos

BRILHO DOS OLHOS…

Quando o brilho dos olhos meus,
Comunicam com os teus,
Agitam-se mil sensações,
Enternecem o desejo,
o sabor dum doce beijo,
Um pulsar de corações,
Envolve a cumplicidade,
no puro amor de verdade.

Quando o brilho dos olhos meus,
Fitam de frente os teus,
Perco-me do mundo das normas,
Dou-te a alma e o coração,
Encho o peito de emoção,
Dedilhando as tuas formas.

Quando o brilho dos meus olhos,
Fita os teus olhos e me cega,
Sinto o sonho realizado,
E o tempo pára nessa entrega,
Abraço a alegria esse amor,
A explosão de tanta cor,
A felicidade que aconchega.

Quando o olhar acaricia,
Seja quem for neste mundo,
Esvai-se toda a melancolia,
Num semblante carrancudo.

12-12-2019 Maria Antonieta Matos

BRINCAR COM AS FORMAS GEOMETRICAS

Vamos fazer umas quadras

Puxar pela imaginação

Brincando com as palavras

Numa completa sedução


Numa sequência de palavras

Uma rima procurar

E acabarem as quadras

No espaço que está a faltar


Desenha uma figura

Com quatro lados iguais

E vê a sua estrutura

Ela é bonita ……demais


Os ângulos são todos rectos

E o nome é um quadrado

Noventa graus são certos

Em cada vértice dos …..lados


Se desenhares três linhas

E unires os seus pontos

Puxa por uma pontinha

E observa os seus ……cantos


O triângulo tem três bicos

Uma forma original

Encontras em muitos sítios

E o ângulo pode não ser …..igual


Há a forma circular

Tal qual está cheia a Lua

Também podes desenhar

À noitinha na tua …rua


Se duas linhas de lado

Cresceram mais um bocado

Sai o rectângulo beneficiado

Fazendo inveja ao ……quadrado


Com estas formas tu podes

Fazer uns lindos bonecos

Uns magrinhos outros fortes

Ou então faz uns ……..Tarecos


Com ideias e concentração

Tens muito para explorar

Faz um carrinho ou carrão

Faz o teu cérebro …….trabalhar

funcionar

O paralelepípedo

Que nome tão estranho

Repete comigo

É fácil, não me… engano


Têm volume e forma

Faces, vértices e arestas

Há excepção à norma

São formasgeométricas


É sólido geométrico

A base é um círculo

Sobem todos os pontos

Termina num bico


O querer e atenção

Tudo se resolve

Chega à solução

E desenha o Cone


Em baixo e em cima

São círculos iguais

Desenha o cilindro

Com um pouco mais


Se num ponto fixo

À distância ligares

Um conjunto de pontos

O que podesachar?


É linda a esfera

E seus movimentos

Semelhantes à terra

Girando andamentos


É uma unidade de medida

De volume ou capacidade

Enches uma porção líquida

É o litro a quantidade


É uma unidade de medida

E contêm o seu volume

Um metro cúbito é a saída

Da encomenda do costume


Tens o metro para medir

Tudo o que é linear

Estás aqui para decidir

Os metros que quereslevar


O quilograma para pesar

É uma medida de massa

Já me estou a inquietar

Que o peso já ultrapassa


Se tiveres uma planície

E queres medires a superfície

Tens as medidas agrárias

Para resolver sem chatice


Se tiveres umterreno

E queres medires a superfície

Tens as medidas agrárias

Para resolver sem chatice


Superfície uma grandeza

E tem duas dimensões

O m2 sem surpresa

Resolve as situações


Enquanto área

É medida de grandeza

Considerada 1 número

Com toda a certeza


O metro quadrado

Unidade fundamental

Para medires ao quadrado

A área que queres achar


É uma unidade de medida

De capacidade ou volume

Se derrubares a bebida

Não tens litro que teature


Maria Antonieta Matos 08/07/2011

BRINCAR COM O ALFABETO

Vamosbrincar com as letras

Asletras do alfabeto

Semas letras não aprendes

Aler e a escrever correto


Como A, dizes Amigo

Como B, que ele é Bonito

Como C, está de Castigo

Como D, que Deprimido!

Como E, Elogiado

Como F, Festejado

Como G, foi Gabado

Como H, Hipnotizado

Como I, Incontrolado

Como J, o José

Levouo K, para o Karaté

Disseao L, és leviano

Vamosaprender outras letras

Poisquero passar de ano


OM, então Mergulhou

Como N, Namorou

Como O, se Ofendeu

Como P, se Perdeu

Como Q, Queria

Queo R, à Revelia

Trouxesseo S, Sabedor

Parao T, que é Traidor

Tero U, e Usufruir

DoV, Verdadeiro

Apagaro W, Washington

Queé letra do estrangeiro


Tocacom o X, o Xilofone

Acompanhaa letra Y, ípsilon

Epara escrita fazer sentido

Ouvebem o que te digo

Procuraligar pelo som

Asvogais e consoantes

Formapalavras a silabar

Escrevecoisas importantes


Eo alfabeto chegou ao fim

Como Z a reZingar

Porquequeria uma palavra

Como Z a começar


MariaAntonieta Matos 10-09-2012

CANTA O GALO LÁ NO POLEIRO

Canta o galo lá no poleiro

Com grande satisfação

Dando ordens no galinheiro!

Disse: vou cortar-lhe já a ração!

A galinha se irritou

Fez um Plenário urgente

E o galináceo não sossegou

Manifestando-se de repente

Com cartazes bem visíveis

Sempre na linha da frente

Deram saltos imprevisíveis

Derrubando o galo indecente

Aqui e ali se levantava

Mas saiu uma brigada

Vinda doutros galinheiros

Para ajudar a bicharada

Foi uma grande embrulhada

A tirar galos dos poleiros

A união desta espécie

Co corando no megafone

Não parem que arrefece!

Ponham o bico no trombone

Virem todos à patada

Não queiram morrer à fome


Maria Antonieta Matos 13-09-2012


CANTO DAS PEDRAS

Olhoa escadaria iluminada e mergulho na fantasia,

Nopensamento brotam murmúrios a lampejar

Decorpo inteiro sigo a imponente fortaleza e a magia

Admirocada pedra subindo ao céu, como a um altar


Aarte e seus contrastes são inebriados até ao infinito.

A imagemfica gravada nos sentidos e no fundo da minha alma.

Docéu ao lusco-fusco observo e estremeço. Oiço surdo grito!

Absolutosilêncio reina o momento contemplador, sem vivalma!


Cismoatravés dos séculos, em outras eras, o abandono,

asmajestosas edificações, as guerras e as conquistas austeras

Povosmortos de cansaço, obedecem a altas esferas!


Cercadospor medos, experimentada miséria e leves de sono,

suplicamde mãos postas ao céu, prosperidade e paz na terra,

paraque os homens impiedosos, acabem com as guerras!


25-04-2013Maria Antonieta Matos “ In Poetizar Monsaraz II”

CARÁTER

Vincadona personalidade

Ocarácter é temperamento

Demonstradopelo sentir

Comandadopelo pensamento

Epela forma de agir


Aimportância do que se pensa

Sobretudo o que se faz

Nafisionomia e na ética

Ocarácter é o seu cartaz


Nopoder se atesta o carácter

Bastantedifícil de perceber

Sómostra a face no perder

Jogandoo que for para tudo ter


Comconduta indestrutível

Baseadana virtude e na moral

Emcada dia irreversível

Nãofaz diferente no que é igual


Ocarácter tem grande valor

Nadefinição de cada ser

Docoração e do interior

Todosse dão a conhecer


Exteriorizaras emoções

respeitando seja quem for

Fazerdo carácter a marca

Quemais demonstre rigor


17-08-2013Maria Antonieta Matos

CASCATA DE PALAVRAS

Deslizam as palavras em cascata,
Um rio leva-as correndo ao mar,
Entoam ondas felizes, cor de prata,
Espraiam emoções, no meu avistar.

Folheiam-se páginas na ventania,
Aromas penetram nos sentidos,
Beijam-me mil gotas de maresia,
Contam-se as histórias nos livros.

Palavras... impulsos, desabafos,
Que se movem dentro do peito,
Falas, que no silêncio guardo,
Porque ditas, não têm jeito.

Palavras desfolhadas, intenções,
Cascatas a murmurar ao ouvido,
Acalmia em letrados corações,
Um doce musical, um namoro colorido.

Cascata de palavras, chuva de escrita,
Abundantes regatos circundando em flor,
Valsa sonante que um sonho dita,
Unidas as letras espalhando o amor.

Lago renovado de lágrimas caídas,
Perfumes que contagiam preceitos,
Nas palavras sentidas e lavradas,
Que edificam um mundo perfeito.


Maria Antonieta Matos 19-11-2017

CEGA DE NÃO ENXERGAR

Estou cega de não enxergar, as palavras,

De não estarem claras na minha mente,

De ficar parada sem as ver, como a água

a correr ligeira, no papel á minha frente.
 

Vejo o vazio onde a ideia desaba,

Um silêncio que aos poucos se expande,

A sombra espessa onde a frase se acaba,

E o verso perdido num mar abundante.
 

Ah, fosse o verso uma flor que floresce,

Uma faísca de luz que me alcança,

Que acende o caminho onde a musa me esquece,
 

E traz de volta o fervor da esperança.

Mas não no breu me vejo só e, sem abrigo,

Cega de mim e, das palavras comigo.
 

Maria Antonieta Matos

CEIFEIRA -Amanhece em ti o sol e tão graciosa!

Amanhece em ti o sol e tão graciosa!
Seguem teu corpo que serpenteia, suave,
Murmuram falas à tua pele mimosa,
No teu regaço do Alentejo tudo cabe.

Entre os trigais entoam claves musicais,
Sobe e desce a espiga entrelaçada,
Acenam chapéus em movimento de corais,
A pintar o vento cálido, na tua face rosada.

Teu traje único a realçar em dia quente,
Faz incendiar o coração de tanta gente,
Ceifeira alegre, sorridente, libertada.

Alentejo, tua quietude simboliza serenidade,
No ar tudo são cânticos e saudade,
No chão passeia a história sempre lembrada.

09-01-2016 Maria Antonieta Matos

CEIFEIRA DO ALENTEJO

Oh! Évora do Alentejo!

Sigo-te de longe a pensar,

E neste anseio de desejo,

Não resisto sem te sonhar.


Rodopia o lápis na tela,

Criando tudo o que vejo,

Escrevo-te a pintar a mais bela,

Ceifeira do Alentejo.


Imagino cada encanto,

Vou pincelando a sorrir,

Na sonoridade me espanto,

Sentindo a obra a surgir.


Desenhando a sua Praça,

Sala que abraça a cidade

Sento a ceifeira com graça

No auge da hospitalidade


Maria Antonieta Matos/04-11-2014

CEIFEIRA que o sol derrete

Ceifeira que o sol derrete
Nos campos alentejanos
Ceifa o trigo, ondeia alegre
Navega em grandes oceanos

Como caravela a desaparecer
Por esse mar a achar caminho
Desde a alvorada ao escurecer
Deixa marcos, outro destino

Crescem rires, gargalhadas
O amor sempre no ar
Muito suor a borrifar

Em cada mastro um bem-querer
Versos entoam para celebrar
Hino de ranchos a compassar

08-09-2015 Maria Antonieta Matos

CÉU EM RUÍNA, TERRA EM FÚRIA

Está caindo o céu e a Trindade,
Na terra de ódio e guerra sem piedade.
As nuvens sangram chagas de aço,
Anjos se perdem no último abraço.

O Pai cerra os olhos, cansado do clamor,
O Filho chora, crucificado em nova dor.
O Espírito vagueia, em vento calado,
Sobre campos de mortos na fé, despedaçado.

Ergue-se o homem com o punho fechado,
Sua língua é espada, seu verbo, pecado.
De templos ruídos brotam espinhos,
Orações secas, sem mais caminhos.

Na terra que exala rancor e fumaça,
A esperança tropeça, quase se esgaça.
Mas no silêncio entre um grito e um pranto,
Ainda brilha uma tocha, ténue, mas tanto.

Porque mesmo quando o céu desaba,
E a Trindade se esconde na névoa brava,
Há no coração do último justo,
Um lume frágil, porém robusto.

Que clama ao alto: “Ainda não acabou!”
E talvez, só talvez… Deus escutou.

Maria Antonieta Matos, 19-06-2025

CHEIA DE NADA ...

Cheia de nada…

Faço do sonho o recheio da vida

O sol, a lua, as estrelas, a chuva, o gelo, me dão a guarida

No insano e sublime querer…

Busco alegria perdida…

E apago todas as lágrimas, riscando-as das páginas da vida

Serei o espectro que percorre a imensidão do espaço,

No romper da aurora, abrindo cores, cheiros e sabores

Erguendo-me ao vento que ao soprar, me afaga de abraços

No tom atinado, ao ouvido cochicha, me beija e desperta,

Respirando essa grandeza e fascino, que me liberta

Serei as veias correndo em cada braço de rio para o mar

Serpenteando as águas cristalinas, saltando a brincar

Sem fome, sem sede, sem dor, sem hora certa

Perfilhando cada dia, viventes do mundo, inteira para amar  

 

18-02-2014 Maria Antonieta Matos

In NPE " Sentir d'um Poeta"

CHUVA

Ovento soprava do sul

Océu de nuvens cavado

Ficousem a cor azul

Enchendo-sede nublado


Começoua chuva a cair

Combrandura, miudinha

Fiqueia ver e a ouvir

Pelajanela da cozinha


Nasterras ressequidas

Aságuas se entravam

Asflores agradecidas

Noseu pé rodopiavam


Relâmpagosreluziam

Serpenteavamna terra

Muitostrovões se ouviam

Láatrás daquela serra


Corriamapressadas

Pessoaspelas ruas

Malagasalhadas

Etodas molhadas

Pareciamestar nuas


Criançasdivertidas

Sapateavamnas poças

Mesmoimpedidas

Faziamorelhas moucas


Umchapéu voava

Pelaestrada fora

Aquie ali, rebolava

Erajá uma hora


Umdia poético

Umdia feliz

Umdia patético

Evocê o que diz?


Ontemouvi bem

Aforça que tinhas

Pingaseram mais de cem

Grossase redondinhas.


Óchuva que acordas

Quemestá a dormir

Tomalá cuidado

Quepartes o telhado

Coma força a tinir.


24-10-2012Maria Antonieta Matos

CHUVA II

Chovecom muita brandura

Naterra vai entranhar

Assementes com a frescura

Começama germinar


Nãovejo o sol a espreitar

Masum cinzento no céu

Apetece-mesaltitar

Naspoças, e andar ao laréu


18-10-2012Maria Antonieta Matos

CICLO DA ÁGUA

Andaa água num vai…vêm

Circulandosobre o planeta

Geravida é um bem

Nassuas diversas facetas


Umsol lindo, radioso

Evaporaa água da terra

Doestado líquido a gasoso

Condensa-sena atmosfera


Chama-seevaporação

Àprimeira caminhada

Eo nome de condensação

Quandoa água fica parada


Quandoa água fica parada

Devidoao arrefecimento

Muitasgotas ali formadas

Vãofazer o céu cinzento


Vãofazer o céu cinzento

Eo peso vai aumentar

Atéque por um momento

Estáprestes a rebentar


Estáprestes a rebentar

Ecai na superfície da terra

Podechover, granizar ou nevar

Queo ciclo nunca se encerra


Achover a bom chover

Aágua encharca o solo

Eé vê-la pró mar correr

Porbraços que a leva ao colo


Umlençol branco de gelo

Rodeiao cume da serra

Ecorre como um novelo

Ainfiltra-se na terra


Pelanoite ao resfriar

Ahumidade precipitou

Doar, caiu nas plantas

Eno solo se infiltrou


Compingos reluzentes

Eo orvalho a condensar

Bailamas plantas contentes

Escorrendopara se alimentar


Vaide forma canalizada

Paraas casas na cidade

Eem fontes localizadas

Nalgunspovos é realidade

Trêsestados a saber

Fasespor que passa a água

Líquidoé para beber

Sólidopara arrefecer


MariaAntonieta Matos 18-07-2011

CICLO DA CORTIÇA

Sobreiroárvore formosa

Coma copa bem alargada

Folhaverde, sinuosa

Resistênciailimitada

Semeadoe plantado

Temcopa, muito frondosa

Existegrande montado

Suasombra apetitosa


Comgrande espontaneidade

Regeneraos rebentos

Despertaa curiosidade

Alise passam bons momentos


Suafolha é persistente

Ea lande é o seu fruto

Vê-setanto gado comendo

Esteimportante atributo


Seucrescimento é lento

Elonga a sua existência

Passapor muito tormento

Mastem grande resistência


Apaisagem harmoniosa

Monumentosda natureza

Deimportância ecológica

Sãode estimada beleza


Otronco vai engrossando

Oseu casco tem valor

Eo homem vai inventando

Cadapeça com amor


Acortiça é um produto

Dequalidade comprovada

Saído sombreiro em bruto

Deutilidade variada


Osartistas vão inovando

Estamatéria preciosa

Aindústria transformando

Ea ciência meticulosa,


Esteproduto é extraído

Quandoa árvore já é adulta

Dumaforma manual

Comum machado, resulta


Ogolpe é linear

Aprecisão é de mestre

Parao casco despegar

Semferir a árvore, agreste


Esteprocesso acontece

Denove em nove anos

Aeconomia engrandece

Grandeparte, alentejanos


Eleitapara vedante

Conhecidaem todo o mundo

Preciosapara as garrafas

Conservaremo conteúdo


Passeios,para o turista

Observartodo o montado

Asaves, as flores e o gado

Emais tudo o que se avista


MariaAntonieta Matos 28-07-2012


CICLO DA LÃ

Numconcerto sensacional

Asovelhas chocalhando

Mééé…para o ar a cantar

Comos pássaros chilreando


Aquie ali anda um grilo

Ritmandoa sonoridade

Numprado verde tranquilo

Reinagrande felicidade


Gadoovino são ovelhas

Guardadaspelo pastor

Ocão é seu grande ajuda,

Companheiroe protector


Àsovelhas cresce a lã

Noinverno sabe lhe bem

Masquando chega o calor

Atosquia é que convém


Éum trabalho feito à sombra

Poisdespende grande esforço

Ohomem fica encurvado

Queixando-sedepois do dorso


Ocorte com a tesoura

Jáficou ultrapassado

Agoraexiste uma máquina

Fazo trabalho despachado


Ovelo é bem escolhido

Comágua tépida lavado

Depoisfica a secar

Numlocal apropriado


Paradesfazer nós existentes

Ea porção ficar igual

Esguedelhare carpear

Sãoprocessos para passar


Posteriormenteé cardada

Comborrifos de azeite

Paraficar mais desenriçada

Dequalidade mais aceite


Como auxílio de um fuso

Alã é transformada em fio

Operaçãoartesanal, em uso

Ànoite ao serão te desafio


Puxandoe alongado

Torcendoe enrolando

Andade fuso em fuso

Esempre recomeçando


Finalmenteé dobada

Naforma de um novelo

Eassim fica preparada

Parafazeres o teu modelo


Podeser uma camisola

Ouentão um par de meias

Umascalças com virola

Ouo vestido que anseias


Outrocaminho a seguir

Queantecede a tecelagem

Aurdidura vem distinguir

Notear, cada fio na modelagem


Urdiduraé um aparelho

Comuma armação de prumos

Distanciadose parelhos

Emtornos fixos, em resumo


Poreles passam os fios

Einicia outro processo

Monta-seseguir o tear

Eà tecelagem tem acesso


Aquiopera o bom gosto

Ea mistura da cor

Delicias-tepressuposto

Dotrabalho inovador


Alã depois de tecida

Retiradado tear

Ficapouco favorecida

Épreciso a pisoar


Apisoagem faz-se no pisão

Engenhoartesanal

Émovido pela água

Eestá em vias de extinção


Commaços de madeira

Fortementea bater

Notecido molhado

Comágua a ferver


Destemodo vai adquirir

Atextura mais compacta

Capazde corresponder

Àaplicação exacta

MariaAntonieta Matos 25-08-2012


CICLO DO AZEITE

Alivejo crescer

Umaárvore no solo

Equem a plantou?

Foiti António


Tema folha verde

Muitopequenina

Estáa florescer

Enão está sozinha


Queroentender

Oseu crescimento

Epor isso olho

Atodo o momento


Ovento e a chuva

Sacodea flor

Ecaem as lágrimas

Parecendoter dor


Vejojá o fruto

Vestidode verde

Acrescer ao sol

Nãoacho ter sede


Deforma oval

Mudandode cor

Éazeitona

Degrande valor


Vejoa oliveira

Comcopa sombria

Vestidade luto

Cheiade maresia


Lávem o rancho

Cantandoumas modas

Cheiode energia

Acortar as podas


Trazema merenda

Paramerendar

Ebatem uma sorna (sesta)

Paradescansar

Sãopagos à jorna

Etêm que se esforçar

Porquilos que apanham

Assimvão ganhar


Vejoo olival

Eo Ti Gaspar

Coma vara na mão

Paravarejar


Batendonos ramos

Parao fruto cair

Sãoazeitonas

Queestão a bulir


Vejoo ti Toscano

Debaixoda oliveira

Aestender o pano

Comgrande cegueira


Estãoali a cortar

Oramo já seco

Eo luís a queimar

Bebendoum refresco


Subindoa escada

Estaa Henriqueta

Ripandoos galhos

Deazeitona preta


Aescolher conserva

Estáa Rita a fazer

Ea pôr na tarefa

Parao ano se comer


Estámuito sadia

Aquelaazeitona

Épara conserva

Diza Maria Joana


Mudandoa água

Àazeitona verde

Depoisde pisada

Émuito apreciada

Comorégãos e sal

Efolhas de louro

Temperodivinal

Eo conduto é ouro


Caema saltitar

Emtom musical

Epara rabiscar

Vaio ti Florival


Opano está cheio

Ajeito de ensacar

Tirama folhagem

Eestá pronto a pesar


Direitinhoao lagar

Carregadode sacos

Lávai o veículo

Cambaleandonos buracos


Segue-sea lavagem

Evai para moer

Jánão tem folhagem

Dápara perceber


Étriturada ainda

Paraa transformação

Ea prensa de seguida

Parafazer a extracção


Protegidodo calor

Éarmazenado

Emgrandes depósitos

Atéser engarrafado


Depoisé rolhado

Evem a rotulagem

Eespero que comprem

Comalguma margem


Assimse faz o azeite

Douradinhoe a brilhar

Temperabem a comida

Commuito bom paladar


Élíquido e puro

Etem caminho duro

Masé com confiança

Quese ganha no futuro


Umano leva a colher

Umasó azeitona

Eum segundo a comer

Temconduta glutona


MariaAntonieta Matos 15/07/2011


CICLO DO LEITE

Olhaali deitada

Parater os filhitos

Aquelavaquinha

Estájá aos gemidos


Muitoapressado

Vaio Eduardo

Poiso bezerrinho

Ficouentalado


Ajudacom esforço

Emuito carinho

Avaca a parir

Parao bezerro sair


Lambendopara lavar

Dábeijos no filho

Eajuda a levantar

Paraseguir o destino


Cambaleandoe a cair

Ládá uns passitos

Ea sua mamã

Dá-lhesuns beijitos


Láestá o bezerrinho

Encostadoà teta

Prontopara mamar

Decor branca e preta


Fazgrande pressão

Nateta para mamar

Dágrande puxão

Parao leite lhe chegar


Vaiatrás da mãe

Contentee a crescer

Brincano prado

Ea mãe a proteger


Pastandosem pressa

Andaa vaquinha

Comendoo pasto

Logopela fresquinha


Cheiinhade leite

Nãoesquece a ordenha

Háhora marcada

Ninguéma detenha


Alavar a teta

Paraa ordenhar

Estáa Henriqueta

Parase despachar


Comas suas mãos

Edois dedos na teta

Puxacom cuidado

Paranão fazer greta


Jorrandopara o balde

Oleite já está saindo

Sócom habilidade

Éque vai fluindo


Aliestá a coar

Oleite que sai

Parair para depósito

Arefrigerar


Bemlavado o depósito

Pararefrigerar

Permaneceali o leite

Paratransportar


Vemali a analista

Paraanalisar

Seo leite está óptimo

Paracomercializar


Porquea higiene e a segurança

Énorma importante

Abata de cor branca

Fazparte integrante


Nãohaja um percalço

Temque haver cuidado

Ouso de calçado

Temque ser adequado


Lavarbem as mãos

Eevitar acidente

Fazparte da prevenção

Paranão ficar doente


Torna-seindispensável

Nanossa alimentação

Porisso a qualidade

Éuma preocupação


Temágua e vitaminas

Temlactose e gordura

Temminerais e proteínas

Etambém tem doçura


Hermeticamentefechado

Ebem refrigerado

Chegao transporte

Algoespecializado


Acolher o cardo

Nocampo feliz

Estálá o Ricardo

Queainda é petiz


Àsombra a secar

Aflor do cardo

Paraarmazenar

Comtodo o cuidado


Ocardo é utilizado

Paracoagular o leite

Edaí ser fabricado

Oqueijo muito aceite


Depoisdo leite ferver

Eo coalho engrossar

Ficaa arrefecer

Parao queijo moldar


Comforma redonda

Apertandocom os dedos

Osoro vai saindo

Eformam-se os queijos


Natemperatura adequada

Emestantes a secar

Vãovirando o queijo

Paranão se estragar


Desnatandoo leite

Pode-sefazer

Amanteiga de vaca

Paracom pão comer


Temum valor alimentar

Oleite comercializado

Paramais tempo durar

Éembalado e engarrafado


MariaAntonieta Matos 16/07/2011

CICLO DO MEL

Emmissão voando

Comtodo o esplendor

Lávai a abelha

Poisandona flor


Lávai o enxame

Comsegurança

Pousano arame

Eleva esperança


Observaos campos

Encantadose coloridos

Dirige-sesem enganos

Aospólen preferidos


Emvoo lento

Easa a flutuar

Soprando-lheo vento

Estãoa trabalhar


Carregamo pólen

Elevam alimento

Parafazer o mel

Epara seu sustento


Deflor em flor

Opólen a polvilhar

Nascemoutras flores

Eo ciclo a regressar


Parao mel armazenar

Edesenvolver a colónia

Acera é o lugar

Fixana tua memória


Dependeda campeira

Oalimento e defesa

Nãocaias na asneira

Trata-lacom rudeza


Parase defender

Espetaa ferroada

Queé de morrer

Ficaa pele inchada


Comesta maldade

Sacrificaa vida

Restaa saudade

Davida perdida


Comgrande ardor

Esuper inchaço

Sente-seuma dor

Cuidadocom o braço


Nocaso de picada

Sentiralergia

Consultaro médico

Éuma mais-valia

Paraevitar espalhar

Oveneno no corpo

Oferrão deve tirar

Coma unha sem esforço


Usadoé o ferrão

Parafins medicinais

Comresultados

Sensacionaismuito especiais


Olhaas abelhas

Muitoorganizadas

Éum gosto vê-as

Tãoatarefadas


Insetovoador

Édisciplinado

Trabalhacom fervor

Parao seu estado


Vivemem sociedade

Numacolónia

Têmuma rainha

Emuita história


Aordem na colmeia

Ereprodução da espécie

Dependerainha

Queé a abelha-mestra


Deum ovo fecundado

Nascea rainha

Temdotes especiais

Evive sozinha


Nestasociedade

Bemorganizada

Hámuita atividade

Eé hierarquizada


Existefamília

Dentroda colmeia

Segurançae vigília

Detrabalho, cheia


Cuidandoda higiene

Aabelha operária

Trabalhanessa tarefa

Commuita glória


Commuita emoção

Ea servir a rainha

Estãoas faxineiras

Comtoda a vitamina

Carregadorasde piano

Emuito motivadas

Trabalhamtodo o ano

Esão elogiadas


Aalimentar a larva

Paraas abelhas nascer

Láestão as nutrizes

Commuito saber


Produzindoa geleia

Ealimentar a rainha

Estãoas operárias

Nestagrande rotina


Promovidaa engenheira

Constróicom prazer

Osfavos e as paredes

Parao mel conter


Emvoo nupcial

Arainha a ondular

Procuraum zângão

Paraacasalar


Omacho da colmeia

Éa abelha zângão

Émaior que a abelha

Enão tem ferrão


Rodeiaa colmeia

Pr’arainha namorar

Emorre na teia

Éo preço de copular


Nãotem outra função

Epara sobreviver

Dependedas operárias

Quelhe dão comer


Quandonão há comer

Lápara o inverno

Sãoexpulsos da colmeia

Eé um inferno


Fumigara colmeia

Paraa abelha sair

Eretirar favos cheios

Demel a fluir


Parase iniciar

Naapicultura

Temque se estudar

Todaa esta estrutura


Commuita paixão

Ealguns afazeres

Éa solução

Parao sucesso teres


Alocalização

Paraa colmeia instalar

Émuito importante

Paratudo começar


Chama-seapicultor

Aocriador de abelhinhas

Envolve-secom amor

Saitudo sobre rodinhas


Sermudável o abrigo

Parafácil deslocação

Estarbem protegido

Eo clima ter em atenção


Fácilde manobrar

Todaa sua conjuntura

Serresistente para durar

Eestar perto de doçura


Ofato é fundamental

Amáscara e o chapéu

Tapartudo é essencial

Nãotenhas o corpo ao léu


Ofumigador e a alavanca

Eo levanta quadros

Ferramentasnecessárias

Paraestes trabalhos


MariaAntonieta Matos 18-07-11

CICLO DO PÃO

Semeandoo trigo

Nocampo arado

Esem nenhum aviso

Aparecegerminado


Comchuva e frio

Láestá crescer

Depé muito esguio

Ea espiga aparecer


Encantadaa seara

Comovequem a vê

Queentretanto secara

Edourada se fez


Aseara dourada

Aosol a brilhar

Estálá já espigada

Prontapara ceifar


Láestão as ceifeiras

Levamsaia calça

Nosbraços mangueiras

Vãotodas giraças


Levamo chapéu

Paratapar o sol

Elevam o lenço

Porcausa do suor


Aatar e fazer o molho

Láestá o ceifeiro

Mexendosobrolho

Atrásdo sobreiro


Ficao restolho

Parao gado comer

Ea espiga do trigo

Lávai para moer


Vãodentro de sacos

Rumoao moinho

Quea vento resolve

Tudodevagarinho


Esfregadoe pisando

Balançaa mó

Ea saca segurando

Omoleiro muito só


Eestá a observar

Afarinha a sair

Paraensacar

Edali seguir


Vemlá o padeiro

Acomprar a farinha

Émuito certeiro

Etrabalha à noitinha


Aamassar o pão

Demãos fechadas

Estálá o João

Àsgargalhadas


Numalguidar

Láfica a crescer

Opano a tapar

AtéDeus querer


Sale fermento

Farinhae água

Amassao pão

Etende numa tábua


Oforno está iluminado

Cheiode fechas de lenha

Massó estará preparado

Quandolume já não tenha


Jáse vê ali o borralho

Quedá calor a cozer o pão

Espalha-secom o ramalho

Eestá resolvida a questão


Agoracom uma pá

Ospães entram no forno

Fecha-sea porta e zás

Eespera-se o seu retorno


Acheirar bem e quentinhos

Nãoresiste ninguém

Aprovar aos bocadinhos

Obelo gosto que tem


Umbom copo de leite

Compão quente a tiborna

Levaaçúcar e azeite

Eficas na tua melhor forma

Efica na tua memória


Acabou-seeste saber

Cheiode grandes emoções

Vamoslá a perceber

Sehá outras soluções


Estaé a roda do pão

Contadapasso a passo

Nãodeixes a tradição

Cairem fracasso


Esteé um método

Muitocaseiro

Queexplica a forma

Semmuito dinheiro


MariaAntonieta Matos 14/7/2011

CICLO DO SAL

Águassalinas do mar

Bombeadaspelo vento

Quesalpica a brisa no ar

Nashélices do cata-vento


Corrempor grandes canais

Commurmúrios musicais

Decantadoresas abraçam

Eas purificam demais


Crescea salinidade

Emgrau muito elevado

Deleitam-seem cristalizadores

Umprocesso adequado


Daelevada a temperatura

Aságuas vão evaporando

Deixamficar os cristais

Colossais,iluminando


Formam-selâminas de sal

Debrancura irradiante

Extraídaspor grandes máquinas

Numalabuta constante


Paraeliminar impurezas

Existemgrandes lavadores

Beneficiaa beleza

Eé referência nos sabores


Noaterro em grandes “serrotes”

Osal fica depositado

Dalivai para a indústria

Paraser refinado


Oesforço físico do homem

Necessáriosem cada processo

Queao frio e ao calor

Caminhampara o sucesso


Fornosde alta de temperatura

Sugamtoda a humidade

Osal que tempera e cura

Equando é demais, dá secura


Nocaso do sal refinado

Queé moído e peneirado

Oprato sai melhorado

Como tempero desejado


Oproduto é seleccionado

Esujeito a uma análise

Depoisé empacotado

Epassa à próxima fase


Ocontrolo é essencial

Aembalagem e o peso

Esteproduto mineral

Deixasaudades ao obeso


Procedeo enfardamento

Seguedepois para o mercado

Eespera pelo momento

Detemperar o cozinhado


Nãoexagere no condimento

Podelevantar a tensão

Ecausar um enfartamento

Atençãoao coração!


Salde grande variedade

Temperoda natureza

Sobressaia qualidade

Grossoou em flor, que pureza!


Ocheirinho a perfumar

Ogosto a saborear

Osentido a navegar

Oolho a está a mirar

Oprato que vou pegar


MariaAntonieta Matos 12.08.2012


CICLO DO VINHO

Vamoslá a saber

Comtodo o carinho

Aplantação da videira

Atéfazer o vinho


Terem conta o solo

Ea sua preparação

Éo passo importante

Nestacondução


Éplantado o Bacelo

Naterra preparada

Eenxertado

Coma casta apreciada


Adoença prevenir

Ea vinha não sucumbir

Éutilizado o enxerto

Parase poder expandir


Nopé da videira

Cortadoao meio

Juntao enxerto

Eata-se o recheio


Cobertocom terra

Emuito bem atado

Temforça de ferro

Estábem acostado


Ocuidado é permanente

Paraevitar a praga

Queé persistente

Enão se apaga


Paraa videira rebentar

Comfruto de qualidade

Énecessário podar

Nãoligues à quantidade


Emcada nó

Estãodois rebentos

Cortao de cima

Parater mais sustento


Ficamsó dois olhos

Pararebentar

Aamarração ao arame

Chama-seempar


Sentidaa videira

Quandoo corte ocorre

Desatanum choro

Oseu galho escorre


Estaoperação

Alinhaa videira

Facilitaa manobra

Émais certeira


Nocrescimento

Ematuração

Épreciso regar

Paraa formação


Sabera acidez da uva

Aaltura de vindimar

Eo cuidado com a chuva

Tudoé preciso analisar


Oscachos a crescer

Eo verde da vinha

Vemver para querer

Paisagemtão linda


Caminhosalinhados

Parao rancho passar

Lindoscoloridos

Ébom apreciar


Verdee avermelhada

Aosol a brilhar

Regalaos olhos

Paisagemde pasmar


Comenergia e humor

Orancho a vindimar

Cantamodas ao amor

Eo tempo não vê passar


Cortao cacho para o cesto

Edepois vai para um cabaz

Étransportado ao ombro

Coma força de um rapaz


Umcarro de caixa aberta

Seguindopara o lagar

Levaa uva descoberta

Paranum tanque pisar


Comuva madura

Emuito saudável

Obtêm-seum vinho

Muitoapreciável


Calcandoas uva

Semdescansar

Estãoali uns homens

Amuito custar

Como passo certo

Emuito chegados

Caminhamem linha

Todosentrelaçados


Faz-sea trasfega

Parao vinho fermentar

Obtertodo o sabor

Quevai ficar


Separaro mosto

Paraobter o vinho

Sóa filtragem

Comcoador fininho


Existea pipa

Paraarmazenar

Demadeira com ripas

Edá bom paladar


Emgarrafa transportado

Ouembalado

Vaipara o comércio

Paraser comercializado


MariaAntonieta Matos 17/07/2011

COMO EU QUERIA SER POETA!

Como eu queria ser poeta!
Tecer versos no silêncio do pensamento,
Palavras que dançam como borboletas,
Num jardim de sonhos e encantamento.

Como eu queria ser poeta!
Transformar cada dor em melodia,
Cantar as estrelas numa canção secreta,
Desvendar do coração a mais pura magia.

Como eu queria ser poeta!
Tecer rimas de esperança e amor,
Navegar no mar da alma inquieta,
E encontrar no caos um pouco de calor.

Como eu queria ser poeta!
Pintar o mundo com tinta de emoções,
Dar vida a cada folha discreta,
E libertar em palavras todas as paixões.

Como eu queria ser poeta!
Para que em cada verso eu fosse imortal,
E que em cada linha, em cada meta,
Eu deixasse minha marca, meu sinal.

Como eu queria ser poeta!
Para que, mesmo na ausência,
Minhas palavras fossem uma seta,
Guiando corações com doce presença.

MAM

CONSCIÊNCIA

Ondeestás tu consciência

Quesó vez o teu caminho

Nemsempre dás importância

Paraquem caminha sozinho

Tensum íntimo de vaidade

Falaspr’a dentro baixinho

Masvejo toda a maldade

Transparecerno teu jeitinho

Tuque tudo Compreendes

Eraciocinas com Intuição

Porquenão atribuis a eles

Umamaior precisão


MariaAntonieta Matos - 15-09-2012

CONTO DAS PEDRAS

Olho a escadaria iluminada e mergulho na fantasia,

No pensamento brotam murmúrios a lampejar

De corpo inteiro sigo a imponente fortaleza e a magia

Admiro cada pedra subindo ao céu, como a um altar


A arte e seus contrastes são inebriados até ao infinito.

A imagem fica gravada nos sentidos e no fundo da minha alma.

Do céu ao lusco-fusco observo e estremeço. Oiço surdo grito!

Absoluto silêncio reina o momento contemplador, sem vivalma!


Cismo através dos séculos, em outras eras, o abandono,

as majestosas edificações, as guerras e as conquistas austeras

Povos mortos de cansaço, obedecem a altas esferas!


Cercados por medos, experimentada miséria e leves de sono,

suplicam de mãos postas ao céu, prosperidade e paz na terra,

para que os homens impiedosos, acabem com as guerras!


Maria Antonieta Matos “In Poetizar Monsaraz II”

CONTO DE FADAS

Tenho dias que sou criança!

Tenho dias que sou velhinha!

Tenho dias que apetece ouvir, os contos

De quando era pequenina.

Quem não se sente criança 

Algumas vezes, na vida?

Só aqueles que nunca provaram

A doçura que se tem 

Quando ela foi bem vivida!


Maria Antonieta Matos  22-11- 2010

CONTROVERSAS

Ogoverno que foi eleito

Compromessas de veredicto

Deixao povo agora desfeito

Trocandoo dito pelo não dito


Cadadia cria um imposto

Paraa dívida poder pagar

Ficandoo povo sem encosto

Comose vai desenrascar


Arcacom muitos encargos

Semnenhuma alternativa

Temos filhos desempregados

Sufocando-lhea sua vida


Precesde mundos e fundos

Tinhamuma nova visão

Haviasolução para tudo

Vendedoresde ilusão


Asmedidas de combate

Aesta dura austeridade

Arrasaos pobres e invade

Asua própria dignidade


Levamo tempo a perguntar

Qualé a alternativa

Masquando dicas lhes vão dar

Nãoas tomam para mudar

03-10-2012Maria Antonieta Matos

CONVERSA COM O RIO GUADIANA

Voz do Poeta: 

Ó rio antigo, de águas serenas e histórias contadas, 

Que segredos guardas nas tuas profundezas veladas? 

Teus murmúrios sussurram lendas de tempos passados, 

E nas tuas margens, amores e lutas foram traçados


Voz do Rio Guadiana: 

Sou o Guadiana, viajante do tempo e do espaço, 

Minhas águas já viram o riso e o pranto no mesmo compasso. 

Corro livre entre vales e planícies, sem cessar, 

Levo comigo memórias que nunca se vão apagar.

 

Voz do Poeta: 

Conta-me, ó rio, das aldeias que banhaste, 

Dos campos férteis que tu alimentaste. 

Vistes a primavera florescer em campos de ouro, 

E nas tuas margens, a vida a emergir como um tesouro?

 

Voz do Rio Guadiana: 

Vi a luz da manhã refletida em meus braços, 

Acolhi pescadores em barcos de abraços. 

Crianças brincando nas minhas margens douradas, 

E os segredos dos amantes, nas noites estreladas.

 

Voz do Poeta: 

E quanto ao futuro, o que vês adiante? 

O que esperas das cidades, dos povos, dos amantes? 

Tu que és eterno, que passas mas nunca partes, 

Que vês na linha do horizonte, nos corações e nas artes?

 

Voz do Rio Guadiana: 

Vejo o fluxo contínuo da vida, sem parar, 

Espero que meus filhos me continuem a amar. 

Que respeitem meu curso, meu espírito ancestral, 

E preservem minha pureza, meu caminho natural.

 

Voz do Poeta: 

Ó Guadiana, és testemunha e guardião, 

Do passado, do presente, da terra e da canção. 

Em teu diálogo eterno, de águas sem fim, 

Encontro a poesia que reside em mim.

 

Voz do Rio Guadiana: 

Poeta, continua a cantar minha jornada, 

Pois na tua voz, minha essência é celebrada. 

Que teu verso flua livre, como minhas águas no chão, 

E juntos, seremos eternos na canção.


Maria Antonieta Matos  - 08-05-2024

CONVERSEI COM O MOINHO DE VENTO

Conversei com o moinho de vento

num fim de tarde, quieto, quase suspenso.

As pás giravam como quem pensa devagar,

e eu perguntei-lhe: “o que é viver sem parar?”

Ele riu num rangido antigo de madeira:

“É dançar com o invisível a vida inteira.

O vento vem e vai, nunca é meu,

mas sem ele, diz-me… quem sou eu?”

Sentei-me na terra, ouvindo o seu girar,

como se cada volta fosse um segredo a contar.

“E não te cansas?”, arrisquei dizer,

“de rodar sempre, sem nunca escolher?”

“Cansa o que é preso, não o que flui,”

respondeu o moinho, firme e gentil.

“Eu não persigo o vento que passa,

eu aceito o sopro — e faço dele graça.”

O sol descia, dourando o momento,

e eu já entendia melhor o movimento.

Nem tudo que gira está perdido, afinal,

às vezes, é só a vida em estado natural.

— Moinho, porque giras sem cessar?

— Porque o vento me chama para trabalhar.

— E o que fazes com tanta voltinha no ar?

— Transformo sopros em pão por chegar.

— Não te perdes nesse rodopio constante?

— Perder-me seria ficar ignorante.

Cada volta é trigo que deixo de ser,

para em farinha o mundo poder comer.

— E quando o vento decide parar?

— Eu descanso, sem medo de esperar.

Também no silêncio há função escondida:

guardar força para a próxima vida.

— E esse ranger, parece cansaço?

— É só o tempo marcando o compasso.

Sou madeira que fala, ferro que sente,

trabalho antigo, mas sempre presente.

— Moinho, ensina-me a tua lição.

— Trabalha com o invisível na mão.

Não prendas o vento, nem fujas do chão:

faz do que passa a tua criação.

— Moinho, o que fazes com o grão que te chega?

— Dou-lhe destino na mó que não nega.

Entre pedra e tempo, num abraço certeiro,

a semente desfaz-se — e nasce o primeiro.

— Primeiro o quê, se tudo ali se parte?

— Primeiro o milagre da mudança em arte.

A mó canta baixo, num roçar contínuo,

e o trigo rende-se ao gesto mais íntimo.

— E depois dessa farinha leve como o ar?

— Vêm mãos pacientes para a amassar.

Água fermento e sal, num encontro profundo,

fazem da massa um pequeno mundo.

— E o pão, moinho, quando ganha vida?

— Quando o fogo lhe dá forma aquecida.

No forno repousa, cresce em silêncio,

até romper em aroma e pertenço.

— E quando sai, dourado, a fumegar?

— É mais que alimento, é casa no ar.

Pão quentinho, nascido do vento e da mão,

é o fim da viagem… e nova criação.

Maria Antonieta Matos

CORAÇÃO EMPEDERNIDO

Coração empedernido
Baralhado cheio de rancor
Que faz coisas sem sentido
Demente vazio de amor

Agosto 2016 Maria Antonieta Matos

CORAÇÃO INCONTROLADO

Quão coração incontrolado
Sem gerir os sentimentos
Vive à margem perturbado
Esmagando dias… momentos

Ah! Força que tudo meneias
Quando existe um abrir d’alma
Que nada, t’ impede e receias
Com amor, carinho e calma

É tão grande a emoção
A caber dentro do peito
Que festejo onde me deito

Inteira… abrasada de paixão
Combinado amor-perfeito
Coração clama refeito

25-08-2016 Maria Antonieta Matos

CORAÇÃO NÃO SE CONTROLA

Coração não se controla,
Sabe lá por que razão,
De repente mata esfola,
Provocando a confusão.

Ah! Se te pudesse acalmar,
Nesse instante tão severo,
Baterias ao meu ritmo,
A dizer… tanto que te quero!

E se mais… ainda dissesse,
Um arrepio teria,
Amava-te como quisesse,
Estando os dois, em sintonia!

18/09/2016 Maria Antonieta Matos

CORRE MARIA

Mariacorre

Correo santo dia

Correque morre

Detanta arrelia

Demanhã acorda

Correa cambalear

Preparaa roupa

P’ratodos vestir

Correa se lavar


Maria,Maria

Otempo não dá

Paraao espelho te mirar

Correpara o quarto

Correa se vestir

Levantao menino

Paraa escola ir

Correpara o lavar

Correpara o vestir

Correpara cozinha

Fazo pequeno-almoço

Chama-aa vizinha

Sãohoras de sair

Dápressa ao menino

Paraacabar de comer

Correa fazer as camas

Limpaa mesa a correr

Dápressa ao marido

Quenão se quer mexer


Maria,Maria

Válá perceber

Semprenuma arrelia

Pranada esquecer

Correpara sair

Levao menino à escola

Sãohoras de seguir

Correpara o trabalho

Semprea trabalhar

Encolhe-se,troca a perna

Masé uma pena

Nãopode parar

Correa almoçar

Queo trabalho aperta

Vaialiviar

Deixaa porta aberta

Correa se lavar

Sãohoras de trabalhar

CorreMaria

Quetens que acabar

Essetrabalhinho

Quete vai premiar


CorreMaria

Sãohoras de sair

Vaibuscar o menino

Tomaconta dele

Paranão cair

Correrua abaixo

Correrua acima

Correa entrar em casa

Pelasescadas acima

Sentao menino

Parafazer os trabalhos de casa

Correa fazer o jantar

Eo almoço para outro dia

Correa passar a ferro

Epõe a roupa lavar

Corre,corre Maria


Correpara arrumar tudo

Põea mesa para o jantar

Omarido é sortudo

Sentou-sea ler o jornal

Comede pé a correr

Lavaa loiça, limpa a loiça

Evai-se pôr a cozer

CorreMaria

Mariacorre

Omenino não quer dormir

Correconta-lhe uma história

Nãoresulta a correr

Quermais uma a seguir

Enão consegue adormecer

CorreMaria agoniada

Jásem forças para correr

Caina almofada cansada

Semo menino ouvir chorar
Tem pesadelos a dormir

Falaalto a ressonar

CorreMaria

Acordapela noite dentro

Levanta-seescangalhada

Correpara cama sem alento

Eleva a noite acordada

CorreMaria

Mariacorre

Jáentrou a alvorada

Corre Maria

Maria corre!


MariaAntonieta Matos 05-10-2013

CRIANÇA MALTRATADA

Delíriopercorre meu íntimo

Numdesassossego inesperado

Ânsiapara mudar o destino

A quemvive maltratado

 

Criançapálida num olhar triste

Meiga efrágil sedenta de amor

Emudecidacomo jamais viste

Mas quesentida emoção de dor

 

Umsimples gesto a faz sorrir

Compouco, muito lhe parece

A doraquece sem nada sentir  

 

Noaconchego se transparece

Caindo omedo que a entristece

Afagando-meterna sem resistir

 

25-10-2013Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas III"

DÁ-ME UM ABRAÇO

Dá-me um abraço,
um abraço verdadeiro,
daqueles que calam o mundo
e falam primeiro.

Dá-me um abraço apertado,
sem margem para o medo,
que me desarme por dentro
e me guarde em segredo.

Deixa-me sem espaço,
sem ar, sem chão,
que eu caiba inteira
na tua mão.

Que seja abrigo no frio,
semente no deserto,
um silêncio cheio
de tudo o que é certo.

Dá-me um abraço 
não breve, não passageiro 
mas desses que ficam
mesmo depois do corpo inteiro.

DE CANDEIAS ÀS AVESSAS

Decandeias às avessas

Andao país revirado

Falhamtodas as promessas

Estácair aos bocados

Levamo tempo a magicar

Ondemais dinheiro tirar

Paraa divida se pagar

Queo certo era diminuir

Eo errado aumentar

Nãoestudaram matemática

Decertoforam maus alunos

Eem toda esta problemática

Hádesculpas e infortúnios

Mandamo povo para baixo

Andamcom os números, obcecados

Paramanterem o seu tacho

Caio país nos buracos

Dãoabraços e beijinhos

Andammuito entusiasmados

Coma Merkel aos segredinhos

Eportugueses mais tramados

Ondeestá a União Europeia?

Transformou-seem coisa feia

Deinteressados e interesseiros

Queexploram os seus parceiros

Elhes sacam todo o dinheiro

Dominamas negociatas

Nãofazem crescer o país

Senão alteraram estas temáticas

Cuidadocom os carris!!!!


07-05-2012Maria Antonieta Matos

DE REPENTE…

De repente a praça enche-se de gente
E, tão só a minha alma chorosa
A extravasar o que o coração sente
Com a mente mais fervorosa

Com o mundo em sofrimento
Qual o peito sossegado
Que não bate a mil por cento
Que as lágrimas mostrem alento!

Quantos lamentos escondidos
Quantos medos sem remédio 
Por carrascos e bandidos
Com o peito cheio de ódio

Quanto grito assombra o mundo
Sem respirar… sem ter folgo
Inocentes no mundo imundo
Que castiga a ferro e fogo

Quanta esperança sente a alma
Para ter um futuro risonho
E lhe cortam toda a calma
A realidade de tanto sonho

Évora, 10-11-23

DEIXA QUE DIGA; QUE CHORE O CORAÇÃO

Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.

Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.

Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.

Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.

Maria Antonieta Matos - 2025

DESALENTO

Deixava-me sempre os olhos ébrios de prazer,
Sentia a exaltação e o fascínio colorido, ao chegar,
Paisagem tão única na mente desabilitada para julgar,
Pureza, liberdade, onde o mundo novo não sabe viver!

Ainda assim descerrou clarão aterrador e, o vento espalhou,
Por serras, casarios, por tanta humilde gente,
Uma sombra escurecida, na paisagem tudo mudou,
De mãos dadas uma cadeia de solidariedade vigente.

Ah! Quanta aflição inesperada...! ninguém merece!
Tanta pobreza num desconforto, incessante.
Nesta hora de preces... porquê, todo o mal acontece?

Quanta ventura, quanta luz imaculada um coração suplica.
Que o destino surdo e cego, esquece e abomina.
E envolve nas suas malhas a angústia que não se explica!


Maria Antonieta Matos 23-10-2017

DESCOBERTA DE UMA CIDADE

Desafioe conhecimento

Éaquilo que lhe proponho

Commuito divertimento

Emuito empenho, suponho


Aosmeninos e meninas

Vindosde todos os lados

Vamostraçar algumas linhas

Paraficarem informados


Temum castelo bem alto

Umahistória ao seu redor

DeEvoramonte é um passo

E tem marcas de valor


Vamosdescobrir um cantinho

Umcantinho de Portugal

Combonecos e pucarinhos

Umacidade artesanal


Paraassentar na cadeira

Obuinho e a palhinha

Queo povo corta na ribeira

Esão lindas p’ra cozinha


Predominandoas cores

Azul,verde, branco e castanho

S ãopintadas lindas flores

Omobiliário Alentejano


Háartistas na cantaria

Têmgosto refinado

Valiosasabedoria

Esão muito solicitados


Fazemestatuetas admiráveis

Eoutras peças, para construção

Sãolindas e agradáveis

Artecom alma e coração


Háchocalhos com muitos sons

Domaior ao mais pequeno

Ogado lhes dá os tons

Enquantocomem o feno


Hásobreiros muito antigos

Comcopas muito frondosas

Ogado fica protegido

Nassombras maravilhosas


Dotronco se tira a cortiça

Etem muita utilidade

T arros,rolhas e outras dicas

Sóo povo tem criatividade


Setira também a lande

Parao porco o seu sustento

Quefaz tenra a sua carne

Parao povo é alimento


Temvinho e tem azeites

Belasvinhas e olivais

Nasterras lindos enfeites

Deslumbraos olhos demais


Temqueijos e tem enchidos

Comsabor sem igual

Sãopor muitos conhecidos

Éproduto tradicional


Temmármore para exportação

Vemda terra tal riqueza

Temtambém a serração

Parao transformar em beleza


Fazem-sepeças de estanho

Tambémmuito apreciadas

Diversidadee tamanho

Paraeventos são gravadas


Comlindo design e cor

Aexcelente Tapeçaria

Como ponto de pé de flor

Sãobordados, é uma alegria


Oferro é trabalhado

Faz-sepeças originais

Étudo muito pensado

Começoucom castiçais


Temtambém o latoeiro

Queestá sempre a imaginar

Magicao dia inteiro

Efaz peças para encantar


Hátambém os artesãos

Quefazem brinquedos de madeira

Paraos mais pequeninos, são

Sãodanados pr’a brincadeira


Hámuita inspiração

Enão se cansam a brincar

Comempenho e coração

E o sentido para observar


M obiliáriopr’a bonecas

Reconstituiçãoda história

Miniaturasdiversas

Quenão esquecem na memória


Háanimais e carretas

Parelhase tudo mais

Nãofaltam as picaretas

Eas vestes regionais


Artesanatosobre as profissões

Eos temas religiosos

Estãolá os cirurgiões

Eos santos milagrosos


Nomuseu para a memória

Existemlindas coleções

Ficaum espólio de uma história

Contadapor artesãos


Decor vermelha e amarela

Eextraído da terra o barro

Fazem-sepeças singelas

Quandopeneirado e amassado


Depoisdo barro moldado

Ede secar no forno

Apintura é o resultado

Delindas peças de adorno


Respeitandoa tradição

R eligiosae conventual

Aameixa para confeção

Éum produto local


Sãoherança familiar

Muitasdestas profissões

Têmgosto para inovar

Epreservar tradições


Comtrabalho e motivação

Transformamas peles e os couros

Quelhe dá gosto e satisfação

Eos produtos são duradouros


Tambémprenda esta cidade

O ofício do mosaico hidráulico

Primaa cor e qualidade

Eo patrão é fantástico


Dasmatérias-primas naturais

Ea pensar em reciclar

Inventamotivos florais

Efaz quadros de admirar


Nosregistos e maquinetas

Apaixão falou mais alto

Sãolindas depois de feitas

Ede um apreço elevado


Ariqueza do Artesanato

Operauma necessidade

Umquerer imediato

Egostar de verdade


Sensaçãoextraordinária

Individualcriação

Umacompensação diária

Edá-se asas à imaginação


Ovidro também é palco

Nestemundo artesanal

Oespelho ganha um marco

Navida de um casal


Nãopercas estes valores

Poissão formas de sustento

Imaginae pinta com cores

Aarte e o teu talento


Valorizaa profissão

Edá-lhe muita importância

Serámeio caminho andado

Parao sucesso e confiança


Procuraas letras diferentes

Noinício de cada verso

Juntaum Z às existentes

Ea cidade fica a descoberto


MariaAntonieta Matos/ 2011

DESCOBRIR FLORBELA

Alma inspiradora, desnuda de preconceitos

Sensível, irrequieta, misteriosa e irreverente

Aos olhos das gentes contam defeitos

Que tarde acordam contrariando a mente

 

Inteligente, incrédula, sôfrega de amor

Ligações fogosas, que cegam e se esvaem 

Desabrochando poemas da alma em flor

Resvalando lágrimas que pela face caem

 

Pensamentos sonhadores, se perdem

Ao acordar não têm mais cor

Ilusões e desilusões que sempre sucedem

 

Como nascer livre, mas não lhe dar sabor

Que loucas são as gentes, que não se divertem

Que morrem contentes, sem que para viver despertem

 

21-03-2013 Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas"

DESCONHECIDA DE SI

Desconhecida de si, vagueia a mente,
cegada ao lume oculto das verdades,
vê sombras por espelho das cidades
e chama eterno ao instante inconsequente.

Procura no exterior, inutilmente,
o nome que dissolva as ansiedades,
mas traz no peito as próprias tempestades
e um mar que desconhece inteiramente.

Quem não aprende a olhar para o abismo
confunde a voz do mundo com destino
e vive acorrentado ao imediatismo.

Porém, no silêncio austero e cristalino,
descobre o ser, rompendo o fatalismo,
há mais realidade além do desatino.

Maria Antonieta Matos

DESOLADA

Desolada, faltam-me argumentos!

Inquietam-se os nervos, sinto ansiedade,
A memória não chega ao pensamento,
E eis um vazio... um querer sem vontade!


No escuro procuro ... agito os sentidos,
Interiorizo a biblioteca, desorganizada
E acendem-se as luzes, soltam-se fluidos,
Rasgando as fronteiras do nada.


Emerge a escrita nesta invenção,

Sentimentos de alma e coração,

Eternizando o cântico, em tudo ou nada.


Os palcos dão a expressão e entusiasmo,

Com lucidez, humor ou sarcasmo,

Provocadores de tristeza ou risada.


Maria Antonieta Matos 11-10-2014

Pintura do meu amigo Costa Araújo


DESPEDIDA

Despedaço-me…  

Tenho dias!

Em que o coração me salta do peito

Um não sei quê me escurece a alma …

e nesse ignóbil constrangimento, me ponho a jeito

Fecha-se a cortina da alegria e na saudade, me deito

Sou espectro dum mundo vazio

Vejo a mentira crescer, o desespero e desprezo corrente

Alguém todos os dias deixa de viver

Neste quadro deprimente

 

E correm indefesos, rasgando caminhos tentando nascer de novo

Deixam para trás uma vida inteira de sacrifício

Um filho, um pai, uma mãe, os netos… filhos do povo

Muitos morrem deste martírio!

Família que se dispersa…

noites de alerta…

Cansaço, que não ultrapassam pelo delírio  

No pensamento fica o invento do sustento 

E a esperança, o transpor do novo dia…

Enquanto dura este alento!

 

22-02-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE " Sentir D'um Poeta"

DESPERTA VIBRANTE…!

Desperta vibrante, decidido,
Que a vida te abre os braços,
Esvazia teu peito dorido,
Não te quebres em pedaços.

Tudo tem uma razão,
Que tu próprio desvalorizas,
Dando ênfase onde não estão,
Valores, que te desmotivam.

Só o tempo aclara as coisas,
Todos temos um dia não,
Mas entre o que está bem ou mal,
Tem que ser forte a decisão,

Enche-te de ânimo, e a força vem!
Veste o coração de alegria,
Move os talentos que deténs,
Descobre o Mundo, noite e dia!

Não acalentes rancores e culpas,
Para disfarçar a questão,
Que não servem de desculpas,
Para ficares com a razão.

Valoriza mais, os bons momentos,
Inquieta-te para ser feliz,
Não te prendas em lamentos,
Que só te fazem infeliz!

Move-te, mostra coragem,
Rodeia-te de bons pensamentos,
Que a vida é uma rodagem,
Desafiando sentimentos.

Maria Antonieta Matos, 19-08-2015

DIA CHUVOSO

Ah!Quanto vagueia o pensamento

Enquantoo dia corre atormentado

Asbrasas falam ao meu silêncio

Nachaminé salta o testo fervelhado


Adeusdia chuvoso que na calçada

Cascatas,fazes, e abraças os seus rios

Aovento que ouço aos assobios

Ringindoportas que me causam arrepios


Despeso branco do casario, enches de lismos

Tiras-lhea cor e o matizas de rabiscos

Nascemas flores em qualquer pedra ou nicho

Lacrimejao beiral contente aos salpicos


Oescuro se ilumina, as nuvens adormecem

Aspedras da calçada resplandecem estrelas

Oreflexo dos regatos alindando, agradecem

Oretorno da gente, pintando aguarelas


20-08-2013Maria Antonieta Matos

DIA DE S. MARTINHO

Um soldado ao cavalgar

Num dia muito invernoso

Viu um pobre a tremelicar

Num estado lastimoso

 

Ficou tão sensibilizado

Que o pobre foi levantar

E lembrou-se de cortar

A capa ao meio, para lhe dar

 

Logo repentinamente

Do dia escuro se fez luz

Ficando o Martinho ciente

Que aquele pobre era Jesus

 

De tanto que havia chovido

O rio começou a transbordar

Com a cheia, a ponte foi caindo

Impedindo-o de por lá passar

 

Por tal motivo Martinho

Foi forçado a pernoitar

Numa casa miserável

Única que pôde encontrar

 

O casal que lá vivia

Tinha pouco para oferecer

Senão água-pé e castanhas 

Era o que tinham para comer

 

De ora avante neste dia

Há castanhas a assar

É dia de S. Martinho

Vinho novo para provar

 

E como sempre por milagre

O tempo começa a brilhar

É o verão de S. Martinho

O Santo mais popular

 

11-11-2012 Maria Antonieta Matos

DIA PACATO

Diapacato que amotinas meu pensamento

Numdesassossego que o silêncio propicia

Semeiasdesejos e olhares, que contemplo

Queninguém vê, nem sente, o que anuncia


Diacheio de cansaço, vazio de esperança

Invadeos neurónios à gente desprotegida

Querendoviver mas assusta-lhe a vida

Perplexade nãos, que afundam a mudança


Diasangustiados e mal-afortunados

Degritos silenciosos, sem sustento

Esbanjamentode alguns despreocupados


Diapacato sem algo feito e nada por fazer

Diacom tempo apinhado de lamento

Semse agitar, deixando-se morrer


MariaAntonieta Matos 20-09-2013

Diálogo com o Rio

Voz do Poeta:
Ó Guadiana, rio de águas a cantar,
Que histórias trazes no teu eterno movimento?
Nos teus braços, o mundo parece se encantar,
És o guardião de cada sonho e pensamento.

Voz do Rio Guadiana:
Sou eu, o Guadiana, a corrente que guia,
Minhas águas correm, levando o tempo ao mar.
Vi nascer a aurora e a noite sombria,
E em cada curva, uma nova história a revelar.

Voz do Poeta:
Teu murmúrio é um cântico de vida e amor,
Nas tuas margens, a natureza floresce sem cessar.
Conta-me, rio, sobre o teu interior,
Que segredos guardas no teu leito a brilhar?

Voz do Rio Guadiana:
Vi reis e plebeus, lado a lado a viver,
As guerras, os amores, a paz a reinar.
Guardo em meu fundo o que ninguém pode ver,
As lágrimas e risos que me vão encontrar.

Voz do Poeta:
Teu curso é um espelho do céu tão profundo,
Refletes as estrelas e o brilho do luar.
Que sonhos alimentas nesse teu mundo,
O que esperas na tua jornada sem par?

Voz do Rio Guadiana:
Espero um futuro de respeito e cuidado,
Que minhas águas sejam sempre puras e claras.
Que o homem entenda o valor do meu legado,
E que cuide de mim, como mãe que ampara.

Voz do Poeta:
Ó rio sagrado, que corres sem fim,
Teu fluxo inspira meu coração a rimar.
Em ti, encontro a paz que há em mim,
E nas tuas águas, me quero espelhar.

Voz do Rio 
Guadiana:Poeta, tua voz é música ao meu ouvido,
Nas tuas rimas, meu espírito encontra razão.
Juntos, em versos, seguimos unidos,
Eu no meu leito, e tu na tua canção.

08-05-2024 - Maria Antonieta Matos
 

Diálogo como o Rio guadiana

Voz do Poeta:

Guadiana, rio de histórias e lendas vividas,

Que percorres terras de lutas e vidas.

Diz-me, correnteza, o que trazes para o mar?

Quais segredos, quais sonhos me podes contar?

 

Voz do Rio Guadiana:

Sou o Guadiana, filho da nascente à foz,

Trago contos e sonhos, num murmúrio de voz.

Acaricio as margens, beijos de espuma a brindar,

E nos seixos do fundo, guardo segredos de amar.

 

Voz do Poeta:

Nos teus meandros, nas curvas que abraças,

Que lendas sussurras, que memórias enlaças?

As tuas águas falam de um tempo distante,

De reinos e povos, de um amor constante.

 

Voz do Rio Guadiana:

Vi reis e rainhas à beira da minha corrente,

Vi guerreiros valentes e um povo resistente.

Mas também vi o sorriso de crianças ao sol,

E nas noites serenas, o brilho de um farol.

 

Voz do Poeta:

Ó rio, espelho do céu e do prado,

Que histórias guardas do tempo passado?

A tua voz é um eco que não se desfaz,

De batalhas vencidas e de paz.

 

Voz do Rio Guadiana:

Guardo as lágrimas de quem partiu sem voltar,

E os risos de quem encontrou o seu lugar.

No meu chão, reflete o céu azul, que procuro

E no meu leito, o segredo mais seguro.

 

Voz do Poeta:

E no futuro, o que esperas encontrar?

Na tua jornada contínua, o que vais levar?

Os tempos mudam, mas o rio permanece,

E cada gota tua, uma história tece.

 

Voz do Rio Guadiana:

Espero ver mãos que cuidam do meu fluir,

Que entendem meu canto e me deixam seguir.

Que respeitem a vida que em mim se aninha,

E saibam que cada gota é uma vida que caminha.

 

Voz do Poeta:

Ó Guadiana, corrente de vida e de amor,

Em ti encontro o eco do meu próprio fervor.

Que a tua voz nunca se cale, eterno rio,

E que na tua jornada, encontre sempre o brio.

 

Voz do Rio Guadiana:

Poeta, nas tuas palavras, meu ser se revela,

E na tua canção, minha alma se liberta e exala.

Juntos, em verso, fluiremos sem fim,

Na poesia das águas, onde tudo tem início e fim.


04/05/2024 - Maria Antonieta Matos

DIAS PREOCUPADOS

Osdias vão passando preocupados

Nadaacontece, nem as árvores já agitam

Nasestradas, os trabalhos estão entrevados

Notrabalho, as gentes não acreditam


Odesencanto d’ um país que vai morrendo

Noseu encanto que se escusa a envelhecer

Osol incandescente a vida faz renascer

Comsua força vivamente sempre lutando


Oh!País, que dia e noite irradias multicores

Estaçõeste adornam no teu lindo esplendor

Porquete molestam atrasando os teus valores?


Quemte habita vive vivendo, enterrado sem vigor

Assujeitadoaos maus juízes ameaçadores

Quelhe carrega a vida amontoada de dissabores


03-10-2013Maria Antonieta Matos

DIZEM GOSTAR DOS MEUS VERSOS

Dizem gostar dos meus versos
Penso ser pra m’ agradar
Porque ao lê-los na dor imersos
Muitas vezes fico a chorar

Falo o que vejo e o que sinto
E em mágoas ando perdida
No enredo d’ um labirinto
Onde a saída é proibida

Canto neles o que vai n’alma
As injustiças do mundo inteiro
Todo o podre que ninguém fala

Canto o sonho, o amor, a natureza
Revivo o meu beijo primeiro
E o coração exalta essa nobreza

12-11-2019 Maria Antonieta Matos

É DIFÍCIL DEFINIR

É inútil definir osofrimento,

O sentir a solidão, oisolamento

Não há expressão quecomente,

Esse lamento...!


É inútil definir asatrocidades

Homens que desculpasdão... por inverdades!

No ignóbil estar depensamento,

Ferem sem dó,suscetibilidades!


É inútil definir arevolta,

a dor que a mesma provoca,

Em cada corpo, em cadaalma,

Sensação acumulada quesufoca!


É inútil definir umacriança,

Prostrada no chão semesperança,

O seu olhar enigmático...não amada,

a fome no seu corpomostrada!


É inútil definir tantogrito,

O bracejar tão aflito,

Belas palavras pintar,

Sem resolução doconflito!


É inútil definir opoema,

Que envolve o mundo deteimas,

Ferido de gargalhadas eesquemas,

Coberto por muitasalgemas!

08-08-2014 Maria AntonietaMatos

EM BUSCA DE AMOR

Partibuscando a ventura

Deixeipara trás o meu lar

Leveisonho e bravura

Àespera da vida mudar

Tinhaum brilho no olhar

Comum ar de candura

Oparaíso esperava encontrar

Mas,ah! Isso era loucura


Eraamor que eu queria ter

Eesse amor não encontrava

Amavasem perceber

Queera a miragem da alma

Doquando o peito sonhava

Numamor de tanto querer

Quesem querer me enganava


Subio alto do monte

Toqueias nuvens no ar

Vio mundo o horizonte

Osrios o mar e as fontes

Ouvipássaros a chilrear

Vinatureza maltratar

Vicidades e muitas gentes

Soberbosa enganar

Numfalso jeito de amar


Via injustiça governar

Ea maldade prevalecer

Vipobres pedinchar

Paraaos filhos dar de comer


Vilá muito sofrimento

Olharesde indiferença

Osvelhos no esquecimento

Lutandosós na doença


Vicrianças sem esperança

Como futuro ameaçado

Vifamílias sem segurança

Todoo povo maltratado


Detanto que caminhei

Osmeus pés estão gretados

Eo amor, não encontrei

Nestemundo despedaçado


Emtão grande caminhar

Mateios sonhos e sorrisos

Aomeu lar quero voltar

Omeu único paraíso


Querocontinuar a sonhar

Enchendode esperança o futuro

Comamor o mundo mudar

Paravoltarem os sorrisos


31-01-2013Maria Antonieta Matos


ENCLAUSURADA POR AMOR

Enclausurada por amor,
Entre quatro paredes frias,
Fugindo ao oculto terror,
A deixar morrer meus dias.

Por amor nego a liberdade,
Disfarçada a vencer o medo,
Rodeada de muita saudade,
Na esperança d’ abraçar mais cedo.

Receio esse distanciamento,
A perda de tantos afetos,
Aquietados em frios momentos.

Vamos dar amor à vida,
Aos valores que nos distinguem,
E que mais alento sobreviva.

Maria Antonieta Matos 14-06-2020

ENIGMA

Haviauma linda escola

Numavila bem bonita

Vouconta-lhe esta história

Daprofessora Rita


Haviaalunos muito aplicados

ecom dotes para escrita

Criatividadenão lhe faltava

ecomeçaram a pensar

paraaprender e estudar

Podiamfazer uma visita


Umdia a professora disse:

Meninos,vão falar com seus pais

Paraautorização lhes dar

Vamosfazer uma viagem

Porquevocês estão a par

Detoda a matéria dada


Éuma viagem mistério

Evão ter que adivinhar

Vãoescrever num caderno

Tudoo que pensam achar!


Voudar pistas em voz alta

Têmque estar com atenção!

Paraadivinharem cada palavra

Épreciso inspiração


Àvolta deste mistério

Vamo-nosdivertir muito

Amemória, a imaginação,

Edescoberta, ficam à prova

Pararesolver a solução.


Numdia maravilhoso

Ecom grande animação

Saíramde autocarro

Olhavamo campo formoso

Cheiode flores coloridas

Animaisa pastar

Naquelaspaisagens lindas


Iammuito enigmáticos

Echeios de energia

Pensandoa todo o momento

Omotivo da magia


Derepente a professora

Forneceuuma pista

Existemem todo o lado

Sãopequenas e grandes

Masas que quero, são pequenas

Temnome de uma sopa

Ea terra tem uma arena

Adivinhem:Começa pela letra P


Comalgazarra queriam

Todoseles pronunciar


Calculandocada um

Pensandoir adivinhar

Oque lhes veio à memória

Depoisde alguma tentativa

Umaerrada outra certa

Diziaum : É uma Pedra


Certo!Disse a professora Rita

Vamosagora à segunda pista

Eutenho aqui uma lista

Émuito promissora

Quandoelas são trituradas

Formam-sepequenas partículas

Quepodem ser utilizadas.


Comovêem, vai ser fácil

Vamoslá decifrar

Sãoas Pedr…Pedrinhas

Dizemtodos a balbuciar

Orabem, meus meninos

Quandose tem atenção

Emuita motivação

Facilitaadivinhação


Vou-lhesdar a outra dica

Todosde ouvido a escutar

Nocampo e por todo o lado

Existeterra com cores

Nascemdaí as flores

Emuitas outras culturas

Háterra que dá para moldar

Ea cor é vermelha

Efaz-se daí a telha.


Oh!Diz um, adivinhei!

Éo Barro, sim ou não?

Poissim, diz professora

Aquiestá o que pensei!

Aviagem é compensadora

Desafiandoa memória

Eesforço de ser melhor

Dosfracos não reza a história

Disseum grande pensador


Entãoestá quase alcançado

Omistério da viagem

Estácom o Barro relacionado

Háuma roda para fabricar

Peçaslindas de encantar

Oque será a actividade?

Dequem faz as obras de arte

Tentemlá adivinhar!


Suspiramtodos de alívio

Efalavam ao mesmo tempo

Felizesde contentamento,

Doprivilégio que iam ter

Moldarnuma roda de oleiro

Criarpeças ao seu gosto

Epor no forno a cozer.


Iaser muito animada

Enunca iam esquecer

Estaviagem e actividade

Quelhe dava muito prazer


Fizeramuma visita

Atoda a olaria

Eviram umas cantarinhas

Quelhe avivaram a memória

Poistinham as tais pedrinhas

Queeram enigma da história.


Noautocarro de regresso

Cadaum trazia um regalo

Feitoscom grande perícia

Paradar aos seus pais

Queteriam um agrado

Daproeza pelo filho feita

Eseria uma delícia


Eguardaram para sempre

Aquelarecordação

Quemuito gosto lhes deu

Moldaro Barro na mão

Rodandoa roda com o pé

Efazer a sua transformação!

MariaAntonieta Matos 2011

ENTRE DEUS E O DIABO

Entre o clarão de Deus e a noite escura,
Caminha o homem, pó de indecisão;
No peito leva fé, sombra e paixão,
Mistura de perdão e de loucura.

Deus sopra paz na velha criatura,
O Diabo acende a febre da ambição;
Um fala em luz, silêncio e redenção,
Outro em desejo, orgulho e desventura.

Mas ambos vivem dentro do meu peito:
Um ergue altares sobre o sofrimento,
Outro desfaz a calma que foi feita.

E eu sigo, entre pecado e juramento,
Buscando em cada erro algum conceito
Que explique o mal nas mãos do firmamento.

Maria Antonieta Matos

ESTE PAÍS ESTÁ PARADO

Estepaís desgovernado

Semcabeças para pensar

Tirao ganho ao desgraçado

Quejá anda penhorado

Atépara ir trabalhar


Nãopode pagar transporte

Nãopode nem almoçar

Seestá doente mais um corte

Ondevai isto chegar?


Papagueandoversões

Doque lhe interessa mudar

Ogoverno faz confusões

Paraos seus não molestar


Diziaque tudo faria

Quandoera oposição

Agorasim que … podia!

Aopovo lhe tira o pão!


Medepela mesma bitola

Asclasses deste país

Apontauma pistola

Aopovo… corta a raiz


Nãohá justiça que opere

Nãohá saúde que cure

Ocorte em tudo interfere

Nãohá governo que se ature


Andampara cá e para lá

Comas contas baralhadas

Desculpasa quem não está cá

Paraocultar trapalhadas


Quemestudou está de partida

Procurandoum novo rumo

Porquenão tem alternativa

Nestepaís sem arrumo


Estudarjá não é para todos

Nestenosso Portugal

Repletode desempregados

Sofrendotodos os males


12-10-2012Maria Antonieta Matos


ESTOU TÃO TRISTE, DE TRISTEZA

Estou tão triste, de tristeza,
Que até a palavra duvida 
E no espelho da certeza,
A esperança sente-se perdida.

Estou tão triste, de tristeza,
Que até o vento me desdiz,
E o sol, por mais que acene,
Não alcança o que já fiz.

Tudo à volta me contamina,
A flor, que era cor, definha,
O riso alheio fere-me,
E a manhã já não caminha.

É como se a alma chorasse
Ao toque frio da paisagem,
E cada sombra que nasce
Soprasse a mesma mensagem.

Não sei se é mágoa ou ausência,
Ou o tempo que me encerra.
Só sei que um silêncio em mim
Grita, sem dar-me espera.

Maria Antonieta Matos, 25-07-2025

Eu e a Bicicleta

Caminhei p'lo mundo lado a lado,
Contigo subi ruas e montanhas,
De tanto ter pedalado,
Tenho mazelas tamanhas,
No meu coração nas entranhas.

Vi um mundo desigual,
Furiosos, descontentes,
Desfeitas casas de gente,
Por guerra descomunal,
Refugiados ensopados,
Revirados, aflitos,
Crianças e mulheres aos gritos,
Odiosos os conflitos,
Pergaminhos, ouro derramando,
Aos pobres nada sobrando,
A terra estéril gretada,
O mar enfurecido a rugir,
Furações, tudo a explodir,
Tanta gente sem mudar,
A sua forma de achar,
Que o mundo parco de amor,
Só comenta o que há de horror!
Porquê não mudar o esquema?
Onde sorrir seja o tema!
Para parar esse desamor!
Ah! Tanto choro, tanto pranto,
Que a outros olhos dão quebranto,
E aos corações dão tremor,
A cada baque murcha a flor,
Desabitada, na loucura de morrer,
Sem ímpeto para renascer!
Se lhe dessem um alento,
O trilho, o brilho do talento,
Se não houvesse injustiça,
Deixa andar... a preguiça,
O pensamento inquieto,
Se todo o mal, o levasse o vento,
Se houvesse asas no convento,
Sons melódicos num mundo liberto,
O livro a ensinar aberto,
Largueza de horizontes, em vez de agonia,
Crianças a brincar sem nenhuma fobia,
Amor enternecido em cúmplice festejo,
O perdão sentido no abraço e no beijo,
O respeito, a verdade, um turbilhão de desejo,
Porque a vida é ensejo!
Maria Antonieta Matos - 15 de Janeiro de 2017

Eu e tu

Talvez no correr dos anos vás esquecer 
Os momentos felizes no verde campo, contigo 
Á sombra da oliveira, com o sol a derreter
Entre olhares comungava meus ensejos contigo 

Talvez os anos sejam o foco da lembrança
Que nós os dois temos sempre em mente
Por serem sorridentes num mar da esperança
Eternizamos nossos instantes para sempre

Talvez ainda velhinhos de mãos dadas
Com olhar provocador e matreiro, aconchegados
No nosso manto em fogo, até à alvorada 

Talvez a vida não se esqueça de nós dois
E os anos passem eternamente apaixonados
Sempre ardentes como amantes, mesmo depois

Talvez emaranhados como livros velhos
Abraçados em estantes cobiçadas
Escorregando nas casas como novelos 
Em castiçais sem luz, as suas laudas

Talvez o fogo que ateia de boca-em-boca 
No ermo verde, apinhado de flores enraizadas
Sopre aos berros como uma cabra louca
A fantasia, a explosão das cinzas, e já não resta nada!
Évora, 14-01-2022

EU GOSTO...!

Quando os teus olhos tocam os meus

Soltam-se os rios no meu corpo

Correndo frenéticos rumo aos teus

Desencadeando fantasias, jubilosos piropos


Ah! Como dançam nossos corpos cálidos

Cegos de paixão, sequiosos de desejo

De nuvens cobertos, em concha aninhados

No brilho das estrelas, no céu em festejo


Eu gosto de te sentir tão meigo

quando nós dois caminhamos como um todo

Que tudo à volta é magia e os teus beijos

São perfumes que inalo e sabores que almejo


Eu gosto de ouvir tua voz

de sentir o som dos teus passos

Dos momentos enamorados a sós

Da ternura dos abraços


Eu gosto da tua ousadia ... de expressão

Dos trocadilhos que lhe fazes

Da sensibilidade da emoção

De amares ... e não esqueceres as amizades


04-12-2014 Maria Antonieta Matos

EU QUERIA SER …

Eu, queria ser ... o foco teu,
Para mirares meus olhos pretensiosos,
Eu queria ... que fosses o espelho meu,
Para sentir o olhar dos teus, tão amorosos.
Eu queria ser... o imenso mar,
Rolando de alegria no teu rosto,
Eu queria ver... os teus olhos a brilhar,
Saboreando o sal na tua boca a gosto.
Eu, queria ser ... o roçar do violino,
Para ouvir bater teu coração,
Eu, queria ser ... a mais leve pena,
Para escrever ao vento, tanta emoção.
Eu, queria ser ... o êxtase da flor,
Espalhando perfume como a açucena,
Eu, queria ser ... o rio deslizando em teu corpo,
Para te acariciar e encher de cor amena.
Eu queria ser ... o sol nascente,
Para te beijar com fervor ardente,
Eu, queria ser ... o doce abraço,
Quando a saudade se sente.
Eu, queria ser ... o desassossego,
Que agita o medo inquietante,
Eu, queria ser ... o efémero torpedo,
Que liberta o mundo deprimente.

09-02-2016 Maria Antonieta Matos

EU SEI

Eu sei que tu sabes dos sonhos meus,
Dos segredos guardados no meu peito,
Das noites em claro, do amor-perfeito,
Que nasce e renasce nos olhos teus.

Eu sei que tu sabes dos passos teus,
Que seguem os meus num caminhar estreito,
Nas trilhas da vida, num só conceito,
Unindo destinos, abençoando os céus.

Eu sei que tu sabes da força imensa,
Que nos une e sustenta cada dia,
E nos faz enfrentar qualquer tormenta.

Eu sei que tu sabes que a alegria,
Floresce em nós com alma tão intensa,
E faz do nosso amor uma poesia.

Maria Antonieta Matos
 

EU SEI E TU SABES

Eu sei e tu sabes,
que a vida é passageira,
Que o tempo voa e deixa na memória
As marcas doces de uma velha história,
Os risos e as lágrimas na ribanceira.

Eu sei e tu sabes, 
que o amor é chama,
Que aquece o peito e ilumina a estrada,
Mesmo quando a noite é fria e pesada,
O calor persiste e jamais se inflama.

Eu sei e tu sabes, 
que o vento sussurra,
Segredos antigos nas folhas ao vento,
Que o coração guarda com tanto alento
As palavras doces que a brisa murmura.

Eu sei e tu sabes, 
que o mar é imenso,
E cada onda é um sonho a navegar,
Rumo ao horizonte onde vamos buscar
O infinito azul de um amor tão intenso.

Eu sei e tu sabes, 
que a vida é breve,
Mas que cada segundo vale uma eternidade,
Pois na simplicidade há felicidade,
E o agora é tudo que se recebe.

Eu sei e tu sabes, 
que o nosso destino
É trilhar caminhos de mãos entrelaçadas,
Enfrentando juntos, as curvas as estradas,
Num amor sereno, puro e cristalino.

Eu sei e tu sabes, 
que o mundo é pequeno,
Para o que sentimos no peito a pulsar,
Porque eu sei e tu sabes que amar
É o que dá sentido a tudo que temos.

Maria Antonieta Matos

EU SONHAREI ESSE DIA…

Eu sonharei esse dia… tão docemente
Aquele que regressa a liberdade merecida
Correndo o campo de flores sorridentes
Agradecidas por me ver enlouquecida

Eu cantarei ao mar imenso, iluminado
O amor que as ondas trazem deste mundo
Depois do longo período conturbado
A união de todos terá valores mais profundos

Eu sinto o peito repleto de esperança
Que o mundo será mais solidário, como irmão
Que acabará a guerra e encontra na paz, resiliência

Que reconstruir será o mais forte elo, de mudança
Com generosidade e humildade no coração
Ultrapassando adversidades com alegria e persistência

06-04-2020, Maria Antonieta Matos

ÉVORA

No palco da praça, ao cair da tarde,
falei para Évora — serena e sem alarde.

— “Ó Évora, cidade branca ao sol dourado,
porque teu silêncio parece tão sagrado?”

E ela respondeu, com voz de muralha:
— “Guardo o tempo

 onde a memória não falha.
Nas pedras romanas ainda vive o verão,
e cada janela conhece cada canção.”

— “Teus sinos parecem rezar devagar,
como quem ensina o céu a escutar.”

— “São ecos antigos do povo alentejano,
que planta saudade na palma da mão.”

— “E as ruas estreitas, por onde vão?”

— “Levam sonhos lentos ao coração.
Quem anda comigo jamais anda só;
trago lua nas fontes e vinho no pó.”

— “Cidade de mármore, calma e poesia,
de onde vem tua melancolia?”

Ela sorriu sob a noite crescente:
— “Do canto da cigarra e do vento quente.
Sou feita de tempo, de pedra e esplendor,
sou Évora inteira bordada de amor.”

E eu, já rendida ao encanto dela,
vi estrelas nascerem através da janela.
Então disse baixo, para ninguém ouvir:

— “Há cidades bonitas…
e há cidades que sabem sentir.”

Maria Antonieta Matos

FALAR POR FALAR

Extremosomodo e cristalino justo

Falandohoje o que amanhã não disse

Numatrapalhada politicando insulto

Paratransparecer o que afinal disse


Nãose molestem com o poder singelo

Queo pequeno não está guarnecido

Intentandocertos, que o cegam no gelo

Selevanta o ódio no meio destemido


Encham-sede promessas blindadas

Verdadespor inverdades a justificar

Atése ver que não passam de cantadas


Movamobstáculos pr’a passagem dificultar

Quea viva força de repente pode acordar

Eo mais possante assento pode vergar


16-10-2013Maria Antonieta Matos

In " Nós Poetas Editamos V"

FALSO ARGUMENTO

Seja qual for a tua dor

Não desprezes a tua vida

Vai à procura de amor

Não te metas na bebida! 

 

Neste mundo há muita gente

Que desencaminha o destino

Quando na pior se sente

Refugia-se no vinho

 

Não perturbes o teu cérebro

Com irreal lucidez

Que o estado de se estar ébrio

È um estado de nudez

 

È falsa essa alegria

E a raiva transmitida

Nada disto alivia

A resolução da tua ferida

 

29/01/2012

Maria Antonieta Matos


FANTASIA

Aminha audaz fantasia

Levouo meu pensamento

Aoencanto e à magia

Ea viver este momento


Ouçoo bramido do mar

Comose fosse aqui perto

Sintoa frescura do ar

Eo sol bem descoberto

Vejotodo o horizonte

Vejoo prado, vejo o deserto

Vejoali um grande monte

Vejoum caminho incerto


Ouçoo som da ribeira

Esigo todo o seu percurso

Contemplotudo ali à beira

Numsilêncio absoluto


Ouçoo som dos passarinhos

Numchilrear de melodias

Vejoas cegonhas nos ninhos

Vejono bico o que trazem

Pr’aalimentar os filhinhos


Vejoos desenhos que fazem

Noar quando eles voam

Equando os filhos se perdem

Asmães logo apregoam


Vejoas nuvens contrastando

Napaisagem colorida

Eo sol vem se mostrando

Parao crescimento da vida


Vejomuitos animais

Comendono verde prado

Vejomuitos olivais

Evejo o trigo dourado


Vejoos peixinhos do mar

Deslizandoalegremente

Edou comigo a navegar

Numaaventura delirante


Sintoo vento levemente

Comoquem brada por mim

Mostrando-mealegremente

Todaa paisagem sem fim


Vejoos vales e montes

Evejo tudo de branco

Vejogeladas as fontes

Corrotudo sem descanso


Depoisde muito caminho

Océu começa a chorar

Ebalbuciou-se baixinho

Souchuva, vou te molhar

23-06-2011Maria Antonieta Matos

FANTASIA POÉTICA

Os sonhos guiam-me os passos,
Os passos orientam-me a vida,
A vida é o caminho que faço,
Sempre pronta, decidida.
Decidida, palavra de força,
Força que me vence o medo,
Medo da insegurança,
Que transporto em segredo.
Segredo que a vida leva,
Leva para além do caminho,
Caminho fechado nas trevas,
Sem volta e sem destino.
Destino que espreita a vida,
Vida repleta de sonhos,
Sonhos que sonho ainda,
Afastando os mais tristonhos.
Tristonhos são os dias,
Que escurecem de repente,
A chorar de monotonia,
Da tristeza que a gente sente.
Sente o frio sem um teto,
O pobre desamparado,
Vive em campo aberto,
À sorte do próprio fado.
Fado melancólica canção,
Ao som de guitarra e viola,
Tem em Portugal o coração,
E ouve-se à luz da vela.
Vela que irradia o romance,
Romance história de amor,
Amor emoção e suspense,
Suspense de afeto e fulgor.

Maria Antonieta Matos 22-06-2016

FELICIDADE

Afelicidade não tem preço

Sai da alma e do coração

Vê-senos olhos docemente

Sente-sefervor e emoção


Felicidadeé um sentimento

Quese sente profundamente

Daalma sai sem tormento

Norosto sobressai alegremente


Condiçãode plenitude

Equilíbriofísico e mental

Satisfação,alegria, juventude

Semprecom ótimo astral


Grandepaz interior

Tudoé maravilhoso

Nanatureza no amor

Naamizade no piedoso


Felizao defender uma causa

Convicçãopara a alcançar

Mesmovivendo sem uma pausa

Temmuito ânimo para lutar


Felicidadeé um estado de alma

Umaagradável emoção

Comprimidoque acalma

Satisfazendoo coração


Encheo peito de sensação

Jubilandocomo magia

Semqualquer imaginação

Felicidadeé primazia


Nãose deve ter vergonha

Demostrar com vivacidade

Felicidademove a montanha

Serfeliz com simplicidade


20-12-2012Maria Antonieta Matos

FICA EM CASA

O que fazer neste tempo,
Para contentar este povo?
O que um quer, outro não quer,
Sempre contra ao que há de novo.

Muito lento a perceber,
A cada medida implantada,
Faz ouvidos de mercador,
Sem responsabilidade de nada.

E o vírus vai inflamando,
O corpo de cada um,
Replicando acomodado,
À espreita dos descuidados,
Sem distanciamento nenhum.

Sem máscara descontraídos,
Perfilados na loucura,
Contrariando a evidência,
Que o vírus ateia a fervura,
Que a festa e a negligência,
É bom…! Mas pouco dura.

Fica em casa, resguardado,
Lava as mãos repetidas vezes,
Não ponhas as regras de lado,
Olha a vida o teu passado,
Não percas os dias e meses.

Maria Antonieta Matos 11-02-2021

FIQUEI A OLHAR O MAR

Passeei meus passos na areia,
Fiquei a olhar o mar,
Para saber o que dizia,
O que dia e noite fazia,
Sem tempo para descansar.
Entre danças e melodias,
Vi cores, nas águas mudar,
Vozes doces, fortes gemidos,
Chega a saudade de entes queridos,
Que de mim vieste afastar.
Aromas me trouxe o vento,
E notícias de desgraça,
Respirei teu paladar,
Oh deserto e infinito mar,
Que às vezes tudo ultrapassa.
Fazes-me sentir tão criança,
Quando tua brisa me beija ao sol
Que fico mole, adormecida,
Sobre tua areia caída,
No embalo do teu lençol.
É misterioso o teu canto,
Vem o sonho lentamente,
Afundo as ondas desse mar,
Que se estende a navegar,
E se perde completamente.
Gaivotas voam em festa,
Pintam-se barquinhos a remar,
Cores salpicam as arribas,
Que abraças às escondidas,
E tanto as fazes chorar.
À noite escondes o sol,
Que cora a face intimidado,
Ao ver o encanto da lua,
Estremunhada ainda nua,
A erguer-se do outro lado.
Espreita confusa o teu mar,
Faz a ronda incessante,
Descobre vultos perversos,
Nesses caminhos adversos,
Que entristece o seu olhar.
05/07/2017 - Maria Antonieta Matos

FIZ UMA ATERRAGEM NUM CAMPO SELVAGEM

Fiz uma aterragem

Num campo selvagem

Encontrei a cegonha

No ninho deitada

Com os seus filhos

Numa matraqueada

 

Encontrei o macaco

Nas árvores a baloiçar

E dentro de um buraco

A cobra a sonhar

 

A pastar a vaca

O pasto fresquinho

E em cima da fraca

Estava um passarinho

 

Entretida a ver

Os cisnes no lago

Sem me aperceber

Senti um afago

Beijou-me o macaco

Depois deu um salto

Um salto tão alto

Fiquei em sobressalto

Que me arrepiei

Se caísse em falso

 

Muito descontraída

Por entre os sobreiros

Dormi protegida

Sob os seus sombreiros

 

Depois do descanso

Vi o pónei manso

O camelo e a zebra

Olhando uma lesma

Fugindo indefesa

Escondeu-se no solo

E vi o canguru

Com o filho ao colo

Gritei-lhe cucu

E piscou-me o olho

 

Passava o Chital

Com ar elegante

Arfava, arfava

E parou um instante

 

Entretanto o Gamo

Com o corno entalado

Num grande ramo

Ficou rodeado

De gente a mirar

Mas muito concentrado

Conseguiu-se soltar

 

Passava o perú

Com leque elegante

Arrufava, arrufava

E parou um instante

Entretanto a fraca

Com linda casaca

Desfila aprumada

E ficou cercada

De público a olhar

Seu trajo invulgar

 

Num silêncio absoluto

E a pestanejar

O crocodilo, muito astuto

Põe-se a rastejar

Ali a tartaruga

Virando a cabeça

Saía a espreitar

Fazendo das suas

Para mergulhar

 

Grande desafio

Saltando e brincando

Cabras num redopio

As folhas trincando

 

De olhos fechados, a avestruz

Voava e sonhava

Não viu onde estava

E truz catrapus

 

Espantou o papagaio

Pousado no chão

E grita sabichão,

A olhar de soslaio

Ai, ai que eu desmaio

 

No prado a ovelha

Branquinha de neve

Coça a orelha

Por causa da guedelha

Tão enroladinha

Saiu uma bolinha

Muito bem feitinha

 

Despistado o porco-espinho

Que corria sozinho

Fez um alvoroço

Ao bater com o focinho

No pé da azinheira

Entretém-se a comer

Com grande cegueira

Nem dá por chover

 

De orelha fitada

Observando tudo

A lebre revirada

Com o olho num canudo

E a cria a mamar

A puxar pela teta

Não pára de brincar

Parece uma vedeta

 

Faço um intervalo

E fico a ressonar

Surpreende-me o galo

A cantarolar

Mas que belo canto

Para eu acordar

Um tenor, um espanto

Para harmonizar

 

Nesta fantasia

Estão belas chitas

E tenho a primazia

De ver as mais bonitas

Vejo lamas na cama

Com pijama às listas

 

A passear o elande

Com muito aparato

É deveras grande

Mas não parte um prato

 

Lémures fantasiados

Macacos a macaquear

E se forem bem mirados

Canguru parecem achar

 

Nandus desfilando

Numa linda passadeira

Com o pescoço girando

E o corpo à maneira

 

Ornamentados os Axis

Têm coroa avantajada

Quando estão a namorar

Por um triz, ai por um triz

Não fica a coroa engatada

 

Cervicapras cabriolas

Com feitio engraçado

Saltam e pulam no montado

Em jeito de sapateado

 

No final toca orquestra

E há muita animação

A burrica é a maestra

Ouve-se grande ovação

E eu acordei do sonho

A cantar uma canção

 

No campo Selvagem

Prima a natureza

Faz uma viagem

Para ver a beleza

 

Caminhando desprendido

Envolvendo os sentidos

Os sons e os cheiros,

O ver e o tocar

Animais protegidos

 

Convivendo com a natureza

Saltitando aqui e ali

Esta visita é com certeza

Um momento muito feliz

 

Vamos ver os animais

Ao parque do campo Selvagem

Conhecê-los por demais

Como brincam e o que fazem

 

Olha ali, o lindo Pavão

Com seu leque colorido

Come os bichinhos no chão

E é muito atrevido

 

Olha as cabritas anãs

Tão divertidas que estão

Brincam com as suas irmãs

Fazem muita confusão

 

Ciumento com sua dama

Com beleza a cortejar

Ecoa com muita chama

Dia e noite sem parar

 

Convivendo com a natureza

Ao ar livre e muito feliz

Passeando com certeza

Por aqui e por ali

 

O Perú todo enrufado

Abre o leque gracioso

Na quintinha destacado

Por se mostrar tão airoso

 

Maria Antonieta Matos 07-12-2011

FLORES

Flores de todas as cores

Como um arco-iris

Flores para todos os amores

Que estão a florir

Flores que dou e recebo

Colorindo amizade

Enfeitando a vida

De felicidade.


Maria Antonieta Matos 02-11-2010

FOGO DE OUTRORA

Sinto desejo de ter, na mesma hora,

Esse fogo de outrora que me ardia,

Chama febril que em sonhos me consumia,

Luz que do peito em ânsias se evapora.

Era loucura, sim, que me devora,

Delírio doce em febre que me guia,

A mesma chama que o tempo desafia,

E que a razão, vencida, ignora e chora.

Oh labareda antiga, vem, retorna,

Acorda em mim a fúria tão perdida,

Refaz em chamas a alma que se deforma.

Pois sem o teu calor não há mais vida,

E o coração, sem fogo, se transforma

Num frio mármore em sombra endurecida.

Maria Antonieta Matos

FUI À FONTE BEBER ÁGUA

Fui à fonte beber água,
Unimos as nossas bocas,
Abalou a minha mágoa,
Que de sede estava louca.

A fonte não se esgotou,
E voltei a ter loucura,
Da minha boca ter sede,
Da tua, que mata a secura.

Não sacio a minha boca,
Receio que a fonte s’ esgote,
E a nascente já não volte.

Com este tempo de seca,
E o calor tão resistente,
Não há fonte que s’ aguente.

Maria Antonieta Matos 23/09/2016

FURACÃO

Numaperturbada pressão o vento se enfurece

A chuvadesenfreada se enrola sem dar espera a inocentes

Rebentamportas e partem-se vidros das janelas

Arrancam-seas casas levando tudo com elas

Desesperadas,mães agarram contra si os filhos, impotentes

E gritamsem forças no rastro da morte torturante

Tantadevastação que palmilha o espaço, repentinamente

Estradasinundadas e casas despedaçadas, boiando

Aqui eali uma mãe que dá luz, nos destroços

Mesmo aolado a morte de familiares e gente chorando,

E oescuro que atormenta a descoberta de corpos

Daquelesque se perdem encalhando com os mortos

No moverde assaltos de aproveitadores que sacam sem dó

Multidãofaminta, sem comunicação, no escuro só

Desprotegidose feridos nesse martírio, caem aos poucos

Nopranto do silêncio e no desvario de loucos

Enquantoas sirenes das ambulâncias, afligem o coração

De quemdesesperadamente se refugia na oração

 

Levanta-sea força pela sobrevivência e faz renascer a energia

Numalabuta, não têm sono, nem de noite nem de dia

Limpandotudo e construindo o viver do novo dia!

 

 12-11-2013Maria Antonieta Matos
In  NPE " Sentir D'um Poeta"

GANÂNCIA

Vives obstinada sufocada,
Aprisionada em teus sonhos,
Na ganância assoberbada,
De mãos cheias regalada,
Sempre de portas trancadas,
Na desconfiada abastança.

Trazes o coração endurecido,
Estático sem horizontes,
Teu pensamento é cegueira,
Só vê prata, só vê ouro,
Vive da caça ao tesouro,
E a esconder toda a sujeira.

De mão sempre disponível,
Para tudo açambarcar,
Humilha e pisa sem estima,
Com elevada autoestima,
E aveludada voz a cobrar.

12-05-2018 Maria Antonieta Matos

GARGALHADA

Rir,rir, rir, até chorar

Ah!Ah! Ah! Contagiante

ContinuaAh! Ah! Ah! A gargalhar

Mesmode forma desconcertante


Todosos estímulos descontrair

Quecoisa tão engraçada

Ah!Ah! Ah! Rir a bom rir

Masque bela gargalhada


Nãoparo de me divertir

Nãoligo aos preconceitos

Ah!Ah! Ah! Rir a bom rir

Orir não tem defeitos


Estamostodos de boca aberta

Eh!Eh! Eh! Ah! Ah! Ah!

Tantossons à descoberta

Épara rir que aqui está


Sóexiste felicidade

Nãohá sorriso amarelo

Abraa boca de verdade

Provoqueo riso singelo


Estedia é colorido

Ésó rir sem mais parar

Tudoestá descontraído

Osorriso vai disparar


Ah!Ah! Ah! Oh! Meus amigos

Ah!Ah! Ah! Que gente feliz!

Ah!Ah! Ah! Tantos sorrisos! 

Ah! Ah! Ah! Que dia feliz!


25-10-2012Maria Antonieta Matos

GRITO

Cessem de se empolgarem dos feitos

Numa sonância sublime enganadora

Que a mentira se desfaz por conceitos

Que tarde ou cedo, se afirma reveladora

 

Gracejem lá do alto com olhares cegos

Em comunhão na zombaria gloriosos

Acostumai-vos a sugar todos os servos

Com estranhos jeitos miraculosos

 

Deitem abaixo um país erguido

Que o presente e futuro vê protegido

Arrependam-se amanhã que já tarda

 

Deitem-lhe fogo que depois de já ardido

O generoso ânimo bem-sucedido

Fraqueja, temeroso, mas não resta nada


11-10-2013 Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas III"

GUADIANA RIO QUE CORRES SEM PARAR

- Voz do Poeta:

Guadiana, rio que corres sem parar,

Que segredos escondes na tua canção?

Nos teus braços, vidas vão a navegar,

E no teu curso, encontro a inspiração.

- Voz do Rio Guadiana:

Sou eu, o Guadiana, a corrente que fala,

Levo histórias de amor e de guerra.

Minha voz ecoa entre a montanha e a vala,

E minha presença se faz sentir pela terra.

- Voz do Poeta:

Tua água espelha o sol e a lua,

Tua jornada é longa e sem fim.

Conta-me, rio, o que vês na tua rua,

Que memórias carregas dentro de ti?

- Voz do Rio Guadiana:

Vi reinos surgirem e depois se perder,

A luz do amanhecer nas margens brilhar.

A vida, com pressa, sempre a correr,

E os sonhos de quem se vem espelhar.

- Voz do Poeta:

Tua voz é um canto de eterna magia,

Um murmúrio constante, um sussurro sem igual.

Que esperança leva na tua melodia,

Que futuro desejas no teu final?

- Voz do Rio Guadiana:

Quero ver as margens preservadas com zelo,

Povos que saibam o valor do meu ser.

Que me tratem com carinho, sem desvelo,

Para que eu possa, sempre, a vida trazer.

- Voz do Poeta:

Ó rio sábio, que corres sem demora,

És a alma da terra, o coração a bater.

Na tua companhia, encontro a aurora,

E nos teus versos, me deixo perder.

- Voz do Rio Guadiana:

Poeta, nas tuas palavras me vejo,

Tua voz é um eco do meu fluir.

Que tuas rimas sejam meu doce ensejo,

E juntos, possamos sempre existir.

Há palavras…

Há palavras...
que ganham asas ao soprar do vento,
Permanecem estáticas e mudas ditas em silêncio,
Carinhosas e cristalinas num nobre sentimento,
E tão rudes quando se erguem em tom violento.

Há palavras...
sábias esculpidas em papiros e inventos,
Permanentemente remexidas num tamanho vicio,
Às vezes meditadas num satírico momento,
Em cenário lúdico de consagrado argumento

Há palavras...
Que trazem emoção e gestos, no mudo discurso,
Apinhadas de colo, em abraços certos,
E engradecem a alma em cada percurso.

Há palavras....
Unidas num seio laureado de alento,
E outras injustas e deprimentes de afetos,
Que rasgam a alma num sórdido desalento.

Há palavras...
Difíceis de esquecer e cruéis de ver,
Desventradas, manipuladas em sombras e medos,
Que estalam no corpo em rasgos do ser.
Há palavras...
De chuva, de vento, de pó, de pedras, e folhas caídas no chão...
De noites sombrias, sem leito, nem pão,
De nuvens cinzentas, tristes e agoirentas,
De pombas brancas, de lírios e cores de limão,
De luzes e estrelas guiadas pelo céu,
Estro de poemas, de livros e toques
Que nunca se vão.
08-12-2018 Maria Antonieta Matos

HÁ UM VAZIO QUE ME CHAMA

Há um vazio que me chama
nas dobras do fim da tarde,
Como brasa que não inflama,
Como flor que já não arde.

Os dias passam sem rosto,
Tão iguais, tão sem medida,
Carrego o tempo no bolso
como quem esquece a vida.

As palavras me escaparam,
Como pássaros de medo,
e os sonhos que ficaram
adormecem sem enredo.

Fico à margem de mim mesmo,
Como espelho em nevoeiro,
Procurando algum alento
num céu sempre derradeiro.

Mas ainda resta um fio,
Uma trémula esperança,
Que resiste, mesmo fria,
Como o fim de uma criança.

Évora, 25-07-2025 -  Maria Antonieta Matos

HERDADE DA AMENDOEIRA

Agradeçoo acolhimento

Eatenção privilegiada

Nãovou esquecer o momento

Namemória ficou gravada


Foimuito especial

Vertodo o ciclo do queijo

Numprocesso artesanal

Quehá anos eu já não vejo


Aomeu neto poder mostrar

Àsfazes e transformação

Doinício ao finalizar

Doqueijo à rotulação


Poderobservar o campo

Comprazer e imaginação

Esentir o seu encanto

Esquecendoa solidão


MariaAntonieta Matos 08-04-2012

HOJE CAEM PÉTALAS CHORANDO

Hoje caem pétalas chorando,
Por uma rosa que murchou,
Tão extremosa, muito amando,
Aqueles por quem ela... passou.

Aprimorava de cor o seu jardim,
Repleta de luz, tanto carinho,
Tinha um perfume sem fim,
Na solidão do caminho.

Hoje contando a tua "estória,"
Todos juntos fazendo juízos,
Surge a saudade na memória.

É tão dura e triste ausência,
Num destino de escura sorte,
Sem nenhuma complacência.

Maria Antonieta Matos 28-01-2018

HUMOR

Ohumor faz tanto rir

Comofaz muito chorar

Muitodifícil definir

Formade arte e pensar


Humoré um estado animado

Comgrande grau de disposição

Debem-estar consagrado

Deelevada emoção


Éfeito de ironia

Destróimuitos paradigmas

Misturadona zombaria

Fazrir com muita alegria


Acomédia também é aliada

Daboa disposição

Degente bem-humorada

Abstraídade preocupação


Dependeda interpretação

Dapersonalidade de quem ri

Sãomomentos de distracção

Ficandodescontraído e feliz


Deuma forma divertida

Paramelhorar situações

Asátira é muito atrevida

Denunciandoaberrações


Humoristaconverte em riso

Tudoo que se diz e se faz

Dear superior, destemido

Namanga o humor trás


Fazmuito bem à saúde

Comprimidode bem-estar

Aproveiteesta virtude

Enada os vai molestar


22-11-2012Maria Antonieta Matos


ILUSÕES DOS SONHOS…!

Quando adormeço, foge-me o corpo pr’a lugares imaginários,
A mente prende-se tão real ao sono, e ao sonho tamanho!
Não sei se algum dia lá vivi… porém é tão estranho!
Que ao acordar me interrogo a reviver o ilusório cenário!

Segue-se um confronto de ideias sem explicação…!
Porquê alguns sonhos me provocam carpido, dor e turbulência? 
Porquê outra noite não me importo ficar, em alegre complacência?
Porquê em consciência no sonho, pressinto que viajo em vão?

Algumas vezes sinto-me estranha, nessa cidade desconhecida,
Não tenho a memória que me reporte a tão sombria solução,
Vejo parentes, amigos, mas na hora de me achar há sempre um senão!

Outras, sinto a etérea felicidade e o despertar me invade de seguida,
Sem conseguir que a mente analise por lúcidos momentos, essa ilusão,
Talvez transportada, por confusas passagens, que são registos de vida.

Maria Antonieta Matos, 13-10 2017

IMAGINEI…

Imaginei ser poetisa cá na terra,
Aquela que pensa e escreve na perfeição,
E toda a gente aplaude e venera,
Por levar a cada SER, plena emoção.

Imaginei que os meus versos declamava,
E o meu livro circulava de mão em mão,
E que toda a humanidade nele se achava,
Por profundo sentimento e exaltação.

Imaginei meu livro aberto de par em par,
Num estudo intenso sempre a interpretar,
A enormidade de cada tema do meu verso.

E neste sonho aéreo, sublime e distante,
Algo me desperta de repente,
E confronto a insignificância dum sonho cego.


Maria Antonieta Matos 18-02-2019

IMAGINO-TE… ALENTEJO

Imagino-te um farol de luz, Alentejo,
Incomensurável oceano terreno,
Refrescando o ar quente sereno,
Nas ondas loiras a festejar em cortejo.

Imagino-te um porto d' abrigo,
Onde se aconchegam os navios,
Povoadores de desafios,
Por esse mar de cores sem perigo.

Imagino-te um recôndito aprazível,
Para confiar meus pensamentos,
E desabrocharem ao sabor, os argumentos,

Imagino-te um céu aberto,
Onde as asas voam em liberdade,
E no teu regaço, o sopro do cante e a saudade.

16-11-2016 Maria Antonieta Matos

Imigrantes

Por sofrer constrangimentos,
Numa guerra descomunal,
Deixam o país e a terra,
Colocam um ponto final!

Caem no conto do vigário,
Ganham esperança, querem voar,
Num barco abarrotado de gente,
Deixam-se levar pelo mar,
Num sufoco a arder,
Vivem a cabo das tormentas
Para tentar sobreviver!

Vejo crianças naufragadas,
Túmulos prostrados no chão,
Tanta gente abalroada,
Num pavor a multidão!

Baloiçam corpos de inocentes,
Depois de longa viagem,
Muitos, cansados e doentes,
Não lhe faltando a coragem!

Têm sede de liberdade,
Sentem fome de mudança,
Movem-se pela dignidade,
Repletos de fé e esperança.

Buscam conhecimento para criar,
Construir quimeras, um ideal,
Querem estabilidade e ficar,
Na Europa racional.

Aqui constroem-se os muros,
Para evitar entrada em excesso,
Mas o amargo rasga furos,
Para permitir o acesso!

Lutam e enfrentam novo perigo,
Perfilham da solidão,
Tomam a rua como abrigo,
Sem saber para onde vão!

Nesta Europa civilizada,
Que tantos anseiam estar,
Das pessoas anda afastada,
Se desmente tem que provar!

Maria Antonieta Matos 31-08-2015

Injustiça

Injustiçaao nascer

Oberço é desigual

Unscomeçam logo a sofrer

Semainda fazer mal


Aocrescer ainda criança

Andaa pedir para comer

Exploradopela ganância

Semo adulto nada fazer


Aobrincar é discriminado

Porser pobre ou diferente

Semprea ser injustiçado

Deuma forma indecente


Emadulto suas qualidades

Sãode importância menor

Nomeio de falsidades

Éescravo cheio desamor


Quantosse dizem ser amigos

Parao outro cativar

Cheiosde muitos sorrisos

Ea faca estão a cravar


Ofraco sem grande margem

Parase poder manobrar

Ésufocado pela ordem

Dumque o queira desgastar


Najustiça se não tiver bens

Queo possam absolver

Culpadofica refém

Semninguém para o proteger


Opoder é perverso

Subjugao subordinado

Quefaz tudo que é complexo

Commuito pouco ordenado


Comtodos os trocos contados

Asaúde não é prioritária

Doentesandam esforçados

Numainexistência diária


Ocarimbo que se aplica

Aqualquer pessoa de bem

Sópor má-fé se justifica

Equem não quer ver, também


Maltratarum idoso

Oupessoa pela cor

Absolverum criminoso

Éinjusto seja onde for


07-11-2012Maria Antonieta Matos

INSÓNIA

A mente cansada já tem horas…
Contudo a insónia não se dá por vencida,
Espreito a janela e o vazio afora,
E nem uma estrela me fala atrevida.

Entranha-se o frio no corpo despido,
Embora os olhos persistam abertos,
Erram na noite num ver sem sentido,
Embalando o tempo tão pouco dormido.

As pálpebras pesam… o dia amanhece,
O pensamento desfeito já não tem alento,
O som dos passarinhos do nada desvanece,

A insónia teimosa chocalha meus olhos,
Que se prendem ao sono sem nenhum encanto,
Por momentos, vem sonho infernizando o sobrolho.

Maria Antonieta Matos 29-01-2019

INTELIGÊNCIA

Capacidadede raciocínio

Localizadana mente

Faculdadecrítica e domínio

Desenvolvidospelo que sente


Entendimentoaguçado

Paradecifrar uma ideia

Oudocumento escriturado

Terconhecimento encadeia


Ainteligência apreende

Asideias mais complexas

Todoobstáculo transcende

Emsituações adversas


Inteligênciatenta aclarar

Eorganizar um conceito

Outramente, o pode melhorar

Ounem pensar desse jeito


Noabstrato vê formas

Difíceisde compreensão

Mastem capacidade notória

Defacilitar a explicação


Aprofundae amplia

Acomplexidade no mundo

Detudo que o rodeia

Tendojustificação para tudo


Reconhecesentimentos

Evocandoas emoções

Presenteem todos os momentos

Pararesolver as situações


Inteligênciana relação

Comoforma de bem-estar

Ouo computador com expressão

Quandoestá algo a pesquisar


Évora,28-11-2012 Maria Antonieta Matos

INTIMIDAÇÃO

Um olhar que pesa sem tocar,

um silêncio que corta como lâmina.

A palavra não dita,

mas já gravada no corpo,

um aviso disfarçado em sombra.

A presença invade o espaço,

sem mover paredes,

sem erguer muros

mas constrói um cárcere invisível

onde o ar se torna espesso.

A intimidação não grita,

ela sussurra em nós:

“Não ultrapasses, não resistas, não te ergas.”

É o peso do medo mascarado,

um gesto pequeno que ecoa enorme.

Mas também é frágil,

porque basta um passo firme,

um olhar que não baixa,

uma voz que se ergue

e a muralha desmorona.

Maria Antonieta Matos

INVEJA

INVEJA, que maltratas edominas,

Sem complacência o mérito alheio,

Cobiças tudo e o ódio germinas,

Vives num infernodeinveja cheio.


Consomes os dias matutando,

Para dificultar quem tem sucesso,

Fazes grande o que é pequeno,

INVEJA pecas por excesso.



TuINVEJA és tão perversa,

Não deixas medrar ninguém,

Mordes discreta, não te confessas,

E assim, tu não medras também.

JÁ NÃO TOCAS MEU AMOR

Já não tocas meu amor 
As teclas do meu piano 
Estão estragadas, desafinadas
De o tocares há tantos anos

Mesmo o toque desafinado
O som é tão divertido
Que sorrimos entrelaçados
A zombar do ocorrido 

O amor é perfumado
Melhora a cada etapa 
Sempre intenso e aconchegado

O amor, sobe a escada da idade
E fica mais ternurento
Na mais doce cumplicidade 

Évora, 23-11-2023 - Maria Antonieta Matos

JÁ TANTO OS MEUS OLHOS VIRAM…

Já tanto os meus olhos viram…
Contentes a encher a alma
Sorrindo imponentes a doce calma
Da merecida paisagem… a cintilar riram
Já tanto os meus olhos viram…
Entusiasmados, penetrantes
Desejosos que não passem
Esses instantes deslumbrantes 

Já tanto os meus olhos viram…
Amargos, chorosos a reclamar 
Do mundo aflito que desaba 
Num vulcão a mergulhar

Já tanto os meus olhos viram…
Despedaçados sem luz 
Ao ver incandescente rio 
Descer o monte bravio
Carregar o medo e a cruz 

Já tanto os meus olhos viram…
Já tanto os meus olhos viram…

Vi dentar o cume das árvores
Pelas águas revoltas da tormenta 
Arrancarem por onde passam
As casas e a terra sangrenta
Vi veículos desorientados 
Em correria sem tréguas
Galgarem barreiras como fardos 
Tombarem em algares a léguas

Vi muita ansiedade e dor 
Calamidades, suplício 
Um sufoco emaranhado 
Uma vida de sacrifício
Vi mulheres maltratadas 
Como se fosse uma coisa 
Sem direitos… Humilhadas
A um pequeno espaço, confinadas
Vi muita desumanidade 
Sem vergonha… nem compaixão
Matar sem escrúpulos ou piedade
Por mitos de religião 

Vi a natureza revoltosa
Por defesa de extinção
Zangar-se com a humanidade
Vestida de furacão
Vi a terra a estremecer
Cadáveres por toda a parte
Dos escombros, muito sofrer 
Agonia, desespero, desastre 

Vi a terra comer o mar 
Um braseiro imparável
Uma cratera a fulminar
Na vastidão vulnerável

02-10-2021

LÁ LONGE

Lá longe... descubro o Alentejo perto,
Uma vontade de descrevê-lo nessa planura,
Para matar a saudade que liberto.

Lá longe… o lápis desliza com lisura,
Em segmentos torneados e perfeitos,
Poema de mulher que move ternura.

Lá longe… experimento o mar que navego,
Pinto o desejo na memória esculpida,
Instantes… Dum sentimento cego.

Lá longe… a luz brilha no firmamento,
Há um entusiasmo que nunca adormeceu,
E que me leva a pintar cada momento.

18-12-2016 Maria Antonieta Matos

LABIRINTO

Labirinto colorido,
Aventuras fascinantes,
Olhos abertos perdidos,
Por terra e mar ressequidos,
Num delírio excitante!
Povoar,edificar, educar,
Dominar apetecido,
Febre do mundo conquistar,
Tanta dor, gente a sangrar,
Por locais desconhecidos!
Perdem-se vidas no mar,
Pela ganância assoberbada,
Barcos sem espaço, sem ar,
Levam esperança de mudar,
Na bagagem… carregam nada!
Iludidos,lotados de sonhos,
Vivem momentos de terror,
Por rotas, caminhos medonhos,
Gélidos,pálidos e, olhares estranhos,
Indiferentes sem amor!
02-05-2015 Maria Antonieta Matos


LÁGRIMAS CAEM DOS BEIRAIS

Lágrimas caem dos beirais
Em pranto as almas perdidas
Que voam aos tombos aos ais
No céu em longas corridas

Ilumina-se o céu e a terra
Ouvem-se estrondos tamanhos
Sai tristeza atrás da serra
Num véu escuro muito estranho

Mete medo o horizonte
Apagaram-se todos os sois
Ruge o vento no mudo monte

Surge um perfume no ar
Da terra molhada guiam faróis
Os pequenos barcos a navegar

13-11-2019 Maria Antonieta Matos

LEITURA

Emcada dia que leio

Alimentoo meu saber

Éassim que eu premeio

Ainstrução que vou ter


Umdia estou motivada

Tudoconsigo aprender

Outro,não aprendo nada

Pareçodesaprender


Assimcom pequeno passo

Umpara trás dois para frente

Aprendoneste compasso

Aleitura me fará diferente


MariaAntonieta Matos 29-08-2012

A minha primeira edição! 

Lenga, Lenga

Havia um gato 
Muito molengão
Que comia, dormia,
Dormia, dormia, 
Ao som do João
De dia dormia
Dormia, dormia,
Com barulho ou não
Era um castigo
Porque não comia,
Uma qualquer refeição
Era branco e preto 
E muito gostava 
Do amigo João
Às vezes brincava
Saltava-lhe para cima
Era um amor
a sua paixão
Á noite não dormia
Só queria folia
Á socapa fugia
Para caçar bichinhos
Que lá pelo telhado 
No escuro sempre via
Comia, dormia, fugia 
Só queria folia
Uma vez perdeu-se 
Na grande cidade
O João estava triste
E muito sofria
De saudade morria
Por pensar que já não via
O seu lindo gato
Que comia, dormia
À noite fugia
E gostava de muita folia. 
 
Maria Antonieta Matos, 28-02-2023
A pedido do meu neto Afonso



LER

Na mão trago comigo

Os livros que hoje escolhi

Para ler em qualquer sítio

E pensar no que aprendi

Recomendo ao amigo

E amiga hoje a leitura

Leve o livro sempre consigo

Valorize mais a cultura

Se gostar, pode sonhar

Se não gostar critique

Ocupe a mente a pensar

Parado é que não fique

Divagar pela leitura

Com alma e o coração

Poder viver a aventura

Só com um livro na mão

Gostar muito de sonhar

Ou ter outra sensação

No livro pode mergulhar

Para resolver a solução

A leitura é ascensão

Aprender para saber

Reforça a compreensão

Traz sempre um livro para ler

Num diálogo permanente

Aprendendo a ver mundo

A leitura enriquece a mente

Fazendo luz no escuro profundo

Procurar sempre para ler

Um livro que nos cative

Que tenha essência e, ter

A instrução que se precise

Aprender em cada dia

Crescer de espírito aberto

Semear letras de alegria

E dizer o que achar correcto

Na busca de conhecimento

Se edificam as ideias

Formando no pensamento

As criações que incendeias,

Maria Antonieta Matos 29-08-2012
Pinturas de meu amigo Costa Araújo

LEVANTA-SE O DIA CEDO

Perguntei ao Alentejo,

O que o vestia tão belo?
Respondeu-me muito seguro:
- Um sem fim de multicores...
Serpenteiam brancas flores,
Vermelhas, também azuis,
A combinar anda o verde,
O laranja e o amarelo!
Movimento colorido,
A dançar águas sorrindo,
Reflexos e estrelas contentes,
Um arco-íris a pintar,
O céu, a terra, o mar...
Vive o sonho e o sossego...
Em toques e cânticos de amar,
Nos caminhos e arvoredos!
Levanta-se o dia cedo,
Há fantasias e sinais
A pastar os animais,
Sobem foguetes alegres,
Muita gente em arraiais!
Vislumbra o largo horizonte,
Desde aurora ao sol-pôr,
Anda a chuva, o vento, o sol quente,
E a lua em fases de amor,
A assomar atrás do monte.
Embarcações a remar,
Histórias que passeiam as praças,
Construções a murmurar,
Livros comidos, pelas traças!
A planície se descobre,
Há fragrância, sons, emoção,
Num binoculo cristalino,
Respira-se o enorme chão!

Maria Antonieta Matos 16-03-2016

LIBERDADE

Um passarinho esvoaça

Num galho de oliveira

Com harmoniosa graça

Numa linda brincadeira


Assobia porque está contente

Salta o ramo saracoteando

Olha pró céu incessante

Com a cabecinha rodando


Voa, voa livre pelo ar

Admira todo o horizonte

Vê o mundo a girar

Bebe na mais bela fonte


Faz o ninho embevecido

Cria e cuida com carinho

Ensina e traz protegido

Dá comida pelo biquinho


21-04-2013 Maria Antonieta Matos

LIVRO

Como livro eu converso

Esinto as emoções

Aescrever o sonho começo

Criaçãode sensações


Suportede conhecimento

Deaventura ou ilusão

Nãose perde por um momento

Éfonte de sedução


Deforma correcta ou não

Ajuíza-setodo o texto

Criamosopinião

Oque enriquece o contexto


Aohomem trás plenitude

Aleitura é intelecto

Grandezaesta atitude

Aprende-sea escrever correcto


Exercíciopara o espírito

Éfonte inesgotável

Emoçõesde dor e sorriso

Aleitura inseparável


Querde noite, quer dia

Palavrascorrem na mente

Anotaré muito urgente

Eassim nasce a semente


Nãose consegue parar

Surgesempre argumento

Andamna mente a girar

Criativopensamento


Ficapara a eternidade

Oespólio das cachimónias

Paraaprender a verdade

Eestudar todas as histórias


Relatandocada momento

Sentimentose acção

Levaao leitor conhecimento

Ea muita imaginação


MariaAntonieta Matos 19-09-2011


LIVROS

Umlivro também tem vida

Nascee aprende a falar

Amigosou não, convida

Semprepronto ensinar


Temlongo ou curto percurso

Tudodepende da estimação

Daimportância no seu uso

Oude quem o tem na mão


Noseu espaço vive discreto

Àespera de ser consultado

Outrasvezes sempre aberto

Educandopor todo o lado


Livrode arte ou técnico

Deciência, ou matemática

Trágicoou então cómico

Deleitura ou de gramática


Dediversão ou de sonho

Etambém de fofoquice

Livrode conteúdo medonho

Eaté de malandrice


Compilandoem cada dia

Oque se observa no mundo

Fazerda escrita magia

Semearlivros para estudo


Assimse aprendem saberes

Emcada um minuto

Unscontribuem a escrever

Ea tirar proveito o astuto


18-11-2012Maria Antonieta Matos


MÃE

Minhamãe mesmo velhinha

Nãose cansa nem um minuto

Cuida,protege, acarinha

Tudofaz sem contributo


Ativa,doce, criança

Semprepronta a ajudar

Sonha,enche-me de esperança

Nadaa afecta para amar


Sehá algo que me atormenta

Émotivo para não dormir

Seme zango, não se apoquenta

Emsilêncio me sabe ouvir


Argumentasabiamente

Cadadia a ensinar

Observaatentamente

Cadapasso do meu andar


Adivinha-meo pensamento

Abdicado seu bem-estar

Sorri-mea cada momento

Osseus olhos, vejo brilhar


Percorreulongo caminho

Noseu ventre fui protegida

Sofreuas dores com carinho

Comenergia desmedida


Tensos cabelos branquinhos

Peleenrugada do tempo

Adorasos teus netinhos

Vivescada acontecimento


Surpreendestodos os dias

Mesmocom a mão a tremer

Tudofazes com ousadia

Disfarçaspara ninguém perceber


Querespara todos o melhor

Sonhascom esperança o futuro

Minha mãe és a maior

Amaior mãe do mundo


MariaAntonieta Matos 14-02-2013

MÃE CONTA-ME UMA HISTÓRIA


Mãe conta-me uma história… para eu sonhar,

Que tenha bonecas… para eu vestir,

Que tenhas barquinhos… para navegar,

Que tenha carrinhos de brincar,

Que tenha um amor de encantar.

Canta-me baixinho… para eu dormir,

Para embalar a noite… para não sentir,

A insónia que insiste os meus olhos abrir.    

Ensina-me cada letra… para que possa aprender

Ensina-me a contar… para saber viver,

Dá-me esse sorriso que me faz prender,

Mostra-me como fazes… para eu entender,

Afaga meu rosto, senta-me no colo e deixa-me morrer.

MALDITA GUERRA

Estilhaços explodem no ar,
Um espetáculo aterrador!
Gritos…
Choro…
Separação… tanto medo
A qualquer hora, tarde ou cedo
Sem refúgio acolhedor.
Olhos de espanto… inocentes,
Desorientação que dá dó,
Crianças que ficam só,
Entregues à própria sorte.
Improvisam-se hospitais,
Sem recursos, tudo aos ais,
Impotência…
Indiferença…
Desprezo empacotado,
A estranheza passa ao lado,
Por interesses tão banais.

Tão simples seria a vida,
Se houvesse compreensão,
Humanidade muito amor,
E o sentir do coração.

14-12-2018 Maria Antonieta Matos

MÃOS SOLIDÁRIAS

Segredos têm na alma,

Escondidos num escuro, imenso,

A sua boca nada fala,

Sofrendo silêncio, intenso.


Solidão amarga, fome, dor, desprezo,

Um sem fim de almas penadas,

Têm a vida do avesso,

Vivem de portas fechadas.


Tudo dão sem nada em troca,

Do que têm ao seu alcance,

Sorriem para quem os provoca!


Outros, sem sangue nas veias,

Gritando os feitos bem alto,

Escondem em falsas entremeias,

Puros rasgos...do asfalto.


Fugindo à regra existem...!

Pessoas cheias de luz,

Desvendando cada segredo,

Aliviando a sua cruz.


Mãos solidárias, criativas,

despidas de preconceito,

vão à luta derretidas,

Pondo a alma sempre a jeito!

MAR

Mar que enrolas n' areia,
Me fazes espantar de emoção,
Oiço teu canto quando espraias,
Sinto-te na palma da mão.

Não resisto ao teu olhar,
Trago o sonho bem guardado,
Para no livro mostrar,
O momento impressionado.

Maria Antonieta Matos  19-01-2014

MAR NAS ONDAS A BATERl

Olho-te ó mar frenético nas rochas a bater
Vejo crescer tuas águas de espuma e salpicos
Vejo-te entranhar nas fissuras, vejo cores nascer
Emudeço-me e pasmo no mais belo acontecer!

Maria Antonieta Matos, 23-01-2014

MARCAS DO TEMPO

Inalou nos meus sentidos,

O cheiro de terra molhada,

E vi regatos refletidos,

Nas pedrinhas da calçada.


Casas de pedra marcadas,
Com as cores deprimidas,
Casas de branco, caiadas,
Pela chuva escurecidas.

Saudosas da velha gente,
Que os tempos viram passar,
Triste rua descontente.

Esperando os filhos para brincar,
Que se ocupam aferrolhados,
Deixando a vida passar.

Maria Antonieta Matos
In Poetizar Monsaraz Vol. II

MARCAS DO TEMPO

Inalounos meus sentidos,

Ocheiro a terra molhada,

Evi regatos refletidos,

Naspedrinhas da calçada.


Casasainda inacabadas,

Comsuas vestes despidas,

Casasde branco, caiadas,

Pelachuva escurecidas,


Saudosasda velha gente,

Queos tempos viram passar,

Tristerua tão descontente,


Esperandoos filhos para brincar,

Quese ocupam aferrolhados,

Deixandoa vida passar.


22-08-2013Maria Antonieta Matos  “ InPoetizar II”

MÁSCARAS

Diz mal do trato que te faço,

Da sombra, sente ciúme,

Prende-me com um curto laço,

Trata-me com azedume!


Diz que me amas, nessa cegueira,

Alimenta o teu estigma doentio,

Faz-me acreditar que é passageira,

E não mudes esse teu mau feitio!


Zomba de mim, que me aquieto,

Repete!.... - O que faço, nada é prolífico,

Que já nasci sem horizontes e, por aqui fico,

E estagnarei na água podre, como um dejeto!


Muda de face, conforme o plano que te dá jeito,

Que eu moribunda e serena tudo aceito,

Como uma tola, que eternamente deve respeito!


Mede a distância que de mim tem, o teu olhar,

Esfria o afeto que ainda tenho, para te dar,

Que tarde ou nunca,

quando me quiseres,

me vás achar!

MAUS TRATOS

Véu tombando p'la face, na penumbra,

A beleza confunde a silenciosa solidão,

O desprezo consentido, não vislumbra,

O prazer do amor, a cadeado, sem coração.

Trancados no conceito de felicidade

No esfriamento intocável do seu par

Vivem em túmulos, a sonhar, sem liberdade

Na mais estranha forma de gostar

Afugenta-se o desejo, p'lo ciúme

Cai a máscara na cegueira fulminante

Solta-se o ódio desvairado e o azedume.

E na perplexidade inconstante

No meio de estouros e queixumes

Caminha repousante o "inocente".

17-02-2015 Maria Antonieta Matos

MEDITANDO

Caminho penosa pela estrada
Sentido o peso da solidão
Que o sentimento me abrasa
Nas pisadas do meu chão
Já não tenho lugar algum
Onde o meu ar me sorria
Encontro tudo tão comum
Que me deixa sem magia
Às vezes sofro com isso
Tenho as mágoas à flor da pele
Mais parece ser feitiço
Sentir da alma, tão cruel

Évora, 25-05-2023 
Maria Antonieta Matos

MEMÓRIA

Amemória é o registo

Gravadoao longo da idade

Seme esqueço não desisto

Ponhoa mente em atividade


Disponhotanta energia

Namente para recordar

Quea memória atrofia

Sendoimpossível pensar


Amemória já me atraiçoa

Comas palavras que idealizo

Epara não pensar à toa

Aescrever as memorizo


Absorveconhecimento

Paragerar nova ideia

Usadano pensamento

Emtudo o que planeia


Aescrever ao pormenor

Ainformação que faz história

Ficapara muitos ao dispor

Emlivros para a memória


Hádiscos para armazenar

Conteúdosmuito importantes

Tambémeles podem esgotar

Amemória nuns instantes


Umafoto para a história

Recordacada momento

Sejamau ou de vitória

Nãocaem no esquecimento


Aidade e a memória

Entramem contradição

Sea palavra não sai na hora

Esó sai atrapalhação


15-11-2012Maria Antonieta Matos

MENDIGO

Desgrenhado,corres as ruas da cidade

Todoste rejeitam pelo ar de podridão

Enquantohá quem te roube, na impunidade

Vãocamuflados e fingidores te dar a mão


Sofresno silêncio, tuas lágrimas, engoles

Empedernido,ao relento disfarças que dormes

Lençóisde calor e vento, com que te cobres

Calandoas dores por pensamentos nobres


Humilhas-tepedindo na serenidade

Questionasos dias se tens para comer

Sete olham nos olhos com olhos de ver


Precisasum pouco de carinho e dignidade

Umsorriso, um gesto, uma mão amiga

Proteçãode quem pode, que a pedir te obriga


15-07-2013Maria Antonieta Matos


MENDIGO - II

Aquisem espaço na vida

Naimensidão do espaço

Ondetudo se olvida

Durmo deitado ao relento

Flutuandoao sabor do vento

Telintandoregelado

Encharcadono triste fado


Paraaquecer o coração

Caloas dores a beber

Vivouma vida de cão

Pedindopara comer

Semforças caio especado

Dentrode muitos farrapos

Emqualquer chão… revirado

Olham-mecom desprezo ou pena

Securvam para dar um trocado

Vivolouco despedaçado

Na minha vida terrena


Aquifaço o sonho viajar

Vejouma beleza Infinda

Façoversos a cortejar

Amais bela rapariga


Aquio sorriso me contenta

Sintoa dádiva no carinho

Pensogrande … pobrezinho

Deixoo que mais me atormenta

Doucomigo a falar sozinho


MariaAntonieta Matos 07-01-2014

In " Nós Poetas Editamos VI"

MENTE CANSADA

Logo p'la madrugada,
Saio acelerada
Às vezes sem ver!

Na memória guardada,
Levo lista que passo,
Minutos a rever,
Por muito que pense,
Há um bloqueio na mente,
E fico a cismar,
Não há memória que aguente,
Não há memória que aguente,
Para tudo fixar!

Vou perdendo o tino,
E parte da lista,
Já não a domino!

E enquanto caminho,
Falando baixinho,
De soslaio olho a montra,
E só aí me dou conta,
E enxergo o casaco,
Do avesso revirado.

Coro de vergonha,
Sigo os olhares,
Para o casaco mudar,

Para quê tanta pressa?
Se a mente travessa,
Cansada de pensar,
Fica baralhada,
E por muito que se esforce,
Não consegue acalmar.

24-11-2015 Maria Antonieta Matos

MEU ALENTEJO

Por ti, Alentejo...
Descerram a deslizar oliveiras
e sobreiros,
por encostas enraizadas,
Enviesados correm ribeiros,
Das tuas margens enamoradas,

Vão alargando os seus braços,
Deitam-se a descansar
nos ombros teus,
Beijam-te... e, te dão abraços,
Entranha o Sol de Deus.
A luz brilha e se reflete,
E dá azos ao olhar,
Que fica pasmo, inerte,
E põe a mente a pensar....

Ceifando o trigo a ceifeira,
Com a foice engalanada,
De soslaio canta sorrindo,
De malícia estimulada.

A não querer ficar atrás,
O seu par repica a cantar,
E num despique assaz,
Ficam todos gargalhar.

O pastor,
encostado ao seu cajado,
Ouvindo os sons no conforto,
Ordena o cão, atrás do gado
Num assobio bem solto.

O gado num restolhar de fumo,
A chocalhar p'lo campo,
À sombra encontra o arrumo,
De baixo dum sobreiro amplo.
O bafo paira no ar,
No verão abrasador,
Tudo dorme pelas sombras,
Desmembrado pelo calor.

Mulher do meu Alentejo,
És tão forte e calorosa,
De beleza inconfundível,
Tuas faces cor da rosa.

Corres o campo florido,
Descobres tanta emoção,
Que não há nada mais lindo,
Que caiba no coração!

02/ 01/2016, Maria Antonieta Matos

MEU AMOR

O teu sorriso contagia,
Tua força eleva o meu ego,
Tua simplicidade é magia,
Meus olhos por ti andam cegos.

Quero-te por gostar de ti,
Não te prendo ao meu sentir,
Fica se gostas de mim,
Vai se o amor, não persistir.

Gosto quando sorrimos os dois,
Numa franca brincadeira,
E nos confortamos depois,
Quando... nada, corre à maneira.

A verdade nos fortalece,
Assim se passam os anos,
Recordando o que acontece,
Transpondo este mundo insano.

Com muita força e esperança,
E a motivação que não falta,
Vive-se sempre em mudança,
Com a criatividade em alta.

06-01-2016 Maria Antonieta Matos

MEU AMOR É COMPANHEIRO

Meu amor é companheiro
Nas viagens que fazemos
Não temos muito dinheiro
Mas vontade sempre temos

Damos voltas reviravoltas
Para ver tudo que nos rodeia
Tiramos mil e uma fotos
Partimos de memória cheia

Sentimos muita alegria
Descobrimos novos trilhos
Levamos sabedoria
Na bagagem muito brilho

Visitamos monumentos
Que nos falam da sua história
E os olhos espelham momentos
Que foram feitos de glória

É bom aproveitar a vida
Fazer dela uma festividade
Torná-la mais divertida
Como crianças sem idade

Contemplamos a natureza
E a sua diversidade
Disfrutamos tanta beleza
Com muita cumplicidade

Conhecemos nova gente
Saboreamos pratos regionais
Somamos mais uns amigos
Porque amigos não são demais


Évora, 05-06-2019, Maria Antonieta Matos

MEU AMOR, quero perder-me

Meu amor, quero perder-me,
No teu corpo, desnudo, macio,
Caminhar como um novelo,
Enleada a move-lo,
Num dócil e cálido arrepio.

Meu amor, quero achar-me,
Mergulhada no teu peito,
Escutar o bater perfeito,
Desse mar onde me deito.

Meu amor, quero derreter-me,
Na espuma das tuas vagas,
Para curares as minhas chagas,
Com os sorrisos que me afagas.

Maria Antonieta Matos, 12-11-2016

MEU CANTO

Com meucanto direi coisas    

Que nopeito trago apertadas

Quandotão injustas palavras, ousas

Com aspessoas descriminadas

 

Sentes-tepoderoso sem mácula

Cortando…cínico e desvairado

Sonhos easas vindo arranca-las    

A genteque nasceu no triste fado

 

Gentehumilde labutando em vão

Enquantotu… tens tudo à mão

Em doceleito te deitas descansado

 

Criançasque maltratas e apregoas

findarseu sofrimento…  palavras boas

Apenaspr’a te mostrares abençoado

 

MariaAntonieta Matos  30-11-2013

MEU FILHO… MEU IRMÃO

Espero-te de braços abertos,
A cada tua recaída,
Ensino-te os passos certos,
Para te defenderes na vida.

Trago-te no meu regaço,
No sentir do coração,
Onde tenho todo o espaço,
Oh! Meu filho, meu irmão.

Quero-te contemplar a sorrir,
E a caminhar p'lo teu pé,
Num futuro que há de vir.

Em paz sonhar os teus sonhos,
E teus voos de lés-a-lés,
Com os olhos bem risonhos!


28-08-2015 - Maria Antonieta Matos

Meus olhos falam

Os meus olhos, de amor calado,

No brilho suave a chama se revela,

É lume terno, doce e delicado,

Que em cada olhar mais fundo se modela.

 

Na sombra oculta um gesto apaixonado,

Que o coração em segredo atrela,

E quando em ti repousa enamorado,

A alma inteira em silêncio se desvela.

 

Se a voz me falta, o olhar me denuncia, 

Pois nele mora a essência do sentir,

A chama pura, a luz que não se esfria.

 

E mesmo quando o tempo me fugir,

No espelho eterno dessa melodia,

Verás meus olhos sempre a te seguir.

Maria Antonieta Matos

MIGRANTES

Veem de longe, de muito longe,
Pelo mar desconhecido,
Agitados, cheios de esperança,
Deslocam um punhado de nada,
Veem sofrendo nessa estrada,
Empilhados sem segurança,
Trazem os filhos, as mulheres grávidas,
Fogem da guerra, da triste ventura,
No peito uma agonia tão dura…
Sua reação serena e impávida.

A fome, o frio, a falta de amor os faz mais fortes,
A secura a doença, a morte não se lh’ figura,
Mas a ânsia de mudar essa amargura,
Supera tudo e almejam toda a sorte.

No desconhecido o sonho perdura,
A saudade corre-lhe nas veias,
Carregam a história da terra, da sua aldeia,
Um desejo breve que só o tempo cura.

Muitos não conseguem experimentar o sonho,
As ondas agitam bravas a embarcação,
O medo e o cansaço lhe cria ilusão,
E apaga-se a vida num grito medonho.

Outros o seu olhar encontra outro caminho,
Às vezes tão sinuoso, íngreme e escorregadio,
Mas não desistem sempre em frente, por um fio,
Resistindo e desafiando cada etapa do seu destino.


14-12-2019 Maria Antonieta Matos

MINHAS MÃOS

Minhas mãos dormentes, encarquilhadas
Mostram-me o caminho da idade
A murmurar ressaltam pintas desajeitadas
Num jardim em festa ao fim da tarde

Minhas mãos meigas a pintar teu corpo
E a enternecer teu coração
Vão perpetuando esse doce mosto
Como o dedilhar do terço na oração

Minhas mãos falam-te delicadas
Tateando entrelaçadas no amor
Tocando sentimentos à pele arrepiada

Não há idade que impeça o sonho
As minhas mãos têm a cura para dor
Nos afagos que disponho

25-02-2021 Maria Antonieta Matos

MOMENTO DO TEMPO

O vento sopra agressivo,
Fecha-se a noite à tardinha,
Arrastam-se novelos na rua,
Desata a chuva miudinha.
O coriscar ilumina o céu,
Soa o ribombar do trovão,
Chora o beiral em ladainha,
Soltam-se as nuvens de breu.
Veem as cheias assoladas,
Assombram o momento agitado,
Correm as mãos apressadas,
Para limpar o triste estado.
Rolam pedras desprotegidas,
Pela ribanceira a beijar,
Ficam estradas entupidas,
Impedindo por lá passar.
Rosto do tempo, que muda,
O dia, a noite, o pensar,
As vestes, a luz que fecunda,
A semente a germinar.

Maria Antonieta Matos, 01 de Abril de 2016

MOMENTOS

Se o pensamento se envolve

a rebuscar outros tempos,

o sentimento se comove

ao reviver tais momentos.


Belos risos, gargalhadas,

sonhos de amor, mil desejos,

muitas tristezas marcadas

lágrimas, saudades e beijos.


E cismo na lembrança de ter,

Essa lucidez de outrora,

O novo olhar de hoje ver!


E embora os olhos de agora,

Chorem mesmo sem querer,

Mostram-me uma nova aurora!


26-09-2014 Maria Antonieta Matos
Pintura do meu amigo Costa Araújo

MONSARAZ

Monsaraz vila lindíssima

Tudo se vê ao redor,

É arte para o artista

Deslumbramento maior.


Ao olhar aqueles campos

Lá do alto surpreende,

E faz bater o coração

O Alqueva dali distante.


Parece estar ali à mão

Vê-se todo o horizonte,

Como se estivesse no céu.


O olhar descobre as pontes

E admira os lindos montes,

É uma dádiva de Deus.

Maria Antonieta Matos
In 'Poetizar Monsaraz Vol. I'

MONSARAZ (versão Dia Chuvoso)

Ah…Quantoelevado se sente o pensamento

Quandoo dia, lá fora corre atormentado

Noaconchego, as brasas falam ao silêncio

Faúlhasme fazem ver o céu estrelado


Adeusdia chuvoso que na calçada

Cascatasfazes e abraça os teus rios

Aovento que ouço aos assobios

Ringindoportas que me causam arrepios


Enchesde lismos, despes o branco do casario

Tiras-lhea cor e o matizas de rabiscos

Lacrimejao beiral contente aos salpicos


Oescuro se ilumina, cessa o vento e o frio

Oreflexo dos regatos alinda a calçada de xisto

Floresnascem na rua, entre pedras e nichos

II

Monsarazde ruas estreitas perfumadas

Deboa gente que te quer conhecer

Quese prende por muito bem te querer

Nosteus olhares se sentem enfeitiçadas


Paisagensque cegam de grandeza

Enchemde inspiração a alma de artistas

Queacolhem o visitante de gentiliza

Nopalco divino em que és protagonista


Ruassingelas, pedras de xisto a fascinar

Otempo longínquo que se sente a rodear

Emcada pedra em cada canto um desejo


20-08-2013Maria Antonieta Matos


MONSARAZ TEM A SEUS PÉS

Avisto terras de Espanha

Um horizonte sem igual

O Alqueva que abraça e entranha

Belas vilas de Portugal


Fascínio para os artistas

Pintores,poetas, escritores

Um encanto para os turistas

Um recanto para os amores


Monsaraz tem a seus pés

Natureza inspiradora

As cores, os sons e até

Tranquilidade apaziguadora


Maria Antonieta Matos

In 'Poetizar Monsaraz Vol I'


MULHER

Quem te criou, mulher?

Mulher doce, olhar meigo, sabor de beijos,

Mulher que os filhos entranhas em desejos,

Mulher sonhadora, criadora de formas,

Inteligente,gentil, pele acetinada, cabelos em flor,

És canção, música és cor!

Mulher que escondes no sorriso, segredos da alma,

Que despertas no teu par, o amor que acalma,

Mulher sensível que perdoa,

Que desculpas quem te magoa,

Mulher madura, perfume da rosa,

Rugas de epopeia, de prosa!

Mulher lenda, sensual, desejada,

Conto de fadas!

Mulher, quem te pintou?


Maria Antonieta Matos 08-07-2014

Pintura do meu amigo Costa Araújo

Gosto "}" data-reactid=".4g.1" style="color: rgb(109, 132, 180); cursor: pointer; text-decoration: none;">Gosto  ·  · 
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MÚSICA

Nosilêncio a ouvir a música

Deixandoos sentidos vibrar

Acalma entra no espírito

Ecomeça-se a sonhar


Artede combinar sons

Encadeadacom a pausa

Gostardepende dos tons

Dasensibilidade e da causa


Amúsica também se sente

Sema música estar a tocar

Nosentido fica aderente

Ficandoo corpo a bailar


Quemvê, acha que é louco

Quandoo vê a gesticular

Pornão ouvir nem um pouco

Amúsica que outro ouve a tocar


Amúsica faz parte da alma

Édifícil de exprimir

Ouve-secomo uma fala

Quequeremos transmitir


Emoçãoà flor da pele

Osacordes num concerto

Nãohá sofrimento que impere

Amusicalidade do excerto


Artesempre à descoberta

Denovos ritmos e revelações

Oprazer de quem interpreta

Fazunir as multidões


Amúsica é representação

Éespetáculo é sintonia

Culturae composição

Técnicae muita harmonia


Unsgostam de sons melodiosos

Outrosde sons a bombar

Unssão silenciosos

Outrosservem só para excitar


13-11-2012Maria Antonieta Matos


NADA SOU... MAIS DO QUE EU!

O silêncio cisma replicado
Neste cenário de domingo e fim de Agosto
Só os passarinhos me cantam do telhado
E o sol iluminado me provoca mais afoito
O olhar balança estonteado

Cai em mim a paz do mundo, a serenar

o sentir do coração, tão elevado

No pensamento, linda pintura a desenhar



Estou entre mim e Deus, no céu

Num refletir alucinado no apogeu

Nada mais quero... tudo dou

Porque nesta vida, nada sou...

mais do que eu!



Uma miragem que logo passa

Uma lembrança em qualquer dia

Uma virtude que se desfaça

Até o meu nome de Maria



Maria Antonieta Matos 31-08-2014
PINTURA DO MEU AMIGO COSTA ARAÚJO

Não deixes morrer a esperança

O sonho desabrocha a vida
Como a flor abre tão bela,
A retina avista a luz infinda,
Acreditar, descobre uma janela.
A alma alimenta o sonho,
Que o pensamento escreve,
A força tem peso e tamanho,
Tornando o sonho mais breve.
Ousa e sente nascer a alvorada,
Imagina em cada dia,
Realiza teu sonho, acordada,
Para sentires essa magia.
Não deixes morrer a esperança,
Onde mora qualquer sonho,
Veste o íntimo de confiança,
Vive o mundo mais risonho!

Maria Antonieta Matos 27-02-2016

NÃO DESISTAS DE VIVER!

Não desistas de viver,
De abrires o teu coração,
De escancarares teu sorriso,
De esqueceres um mau juízo,
Que seja a vida a solução.

Que amanheça em cada dia,
Um raiar em teu olhar,
Que brote a flor mais linda,
Que te mostre o sonho, ainda,
Sempre em ti a desabrochar.

Não desistas do amor,
Onde habita serenidade,
Que exalta dentro do peito,
Sinfonia no teu leito,
Canção, paz e dignidade.

Não te quebres por artifícios,
Nunca cedas a tentações,
Que vão mudar a tua vida,
Para sempre ficar destituída,
E não passam de ilusões.

Não desvies o teu caminho,
Por rotas que não conheces,
Desfruta na terra... a vida,
Ninguém ganha com a partida,
Nem nós, nem tu a mereces.

Há um sol que nos aquece,
E nasce a lua com muitas faces,
Mas a inteligência que temos,
Serve para ler o que vemos,
Sem s' envolver em disfarces.

03-09-2017 Maria Antonieta Matos

NÃO FALES MEU AMOR

Nãofales meu amor, não digas nada

Deixa osilêncio no nosso amor penetrar

Abraça-meao teu peito bem apertada

Aquece-mea boca e o coração com teu beijar

 

Deixap’ra lá tudo aquilo que não presta

Que nosfaz sofrer nesta vida dura

Faz umapausa que é tudo o que nos resta

Paraacalmar a euforia que não cura

 

Vibraentrelaçados com olhar cego

Mergulhandoneste desvario vero

Sente omeu olhar dizer que te quero

 

Saboreiao momento neste aconchego

Como seo paraíso fosse esse deleite

Deixaque o pensamento em mim se deite

 

MariaAntonieta Matos 31-10.2013
In " Poesia Sem Gavetas III"

NÃO ME ENGANES, MEU AMOR.

Não me enganes, meu amor, que leio o teu pensamento,
Porque teus olhos falam aos meus, cada um teu sentimento.

Quando em silêncio te vejo, o que dizes sem palavras,
Desvendas em teus olhares segredos, sem máscaras ou travas.

É no brilho do teu ser que encontro teu firmamento,
Não me enganes, meu amor, que leio o teu pensamento.

Teus olhos são como espelhos, refletem tua alma nua,
Num encontro de almas, revelas-me tua verdade crua.

Cada olhar é um poema, escrito com puro alento,
Porque teus olhos falam aos meus, cada um teu sentimento.

Quando te vejo ao longe, meu coração se apressa,
Busco nos teus olhos a certeza que não se confessa.

Neles encontro o caminho, onde não há esquecimento,
Não me enganes, meu amor, que leio o teu pensamento.

E assim, nas trocas mudas, compreendo-te por inteiro,
Cada olhar é um verso, num poema verdadeiro.

Em teus olhos descubro o amor, em cada suave momento,
Porque teus olhos falam aos meus, cada um teu sentimento.

Maria Antonieta Matos
 

NÃO QUERO GUERRAS; NÂO QUERO CONFLITOS

Não quero guerras, não quero conflitos,

quero mares calmos e ventos benditos.

Quero o riso solto das crianças na rua,

e o brilho sereno da noite com lua.

Não quero gritos nem fúria em punho,

quero o abraço… esse doce cunho

que sela promessas e cura feridas,

dando sentido às horas vividas.

Não quero ódio, nem muralhas frias,

quero pontes feitas de alegrias.

Quero o pão partilhado à mesa,

onde a paz é simples, mas pesa.

Não quero guerras, nem armas erguidas,

quero histórias de mãos unidas.

Pois se o amor for o nosso fardo,

o mundo será leve, e será mais tardo.

Não quero guerras, não quero conflitos,

quero caminhos limpos, passos convictos.

Quero o sol inteiro nas manhãs claras,

e a paz nas vozes que outrora foram raras.

Não quero ferros, nem grilhões humanos,

nem ódios velhos, nem enganos.

Quero a esperança em flor nas janelas,

e os corações abertos como estrelas.

Não quero tronos de poder vazio,

quero o labor humilde, o pão macio.

Quero a canção que o campo murmura,

e o tempo manso que a alma cura.

Maria Antonieta Matos

NÃO SEI O QUE ME DEU

Não sei o que me deu, nem sei dizer,
há um peso em mim difícil de entender.
Um cansaço estranho, fora do normal,
como se o corpo travasse, num silêncio total.

O dia passa lento, sem brilho, sem cor,
e até o que era leve parece ter dor.
Procuro em mim a razão, algum sinal,
mas só encontro esse vazio desigual.

Talvez seja o tempo, talvez confusão,
talvez seja a alma pedindo atenção.
Só sei que hoje em mim tudo parece parar,
e o peito, cansado, só quer descansar.

Não sei o que me deu, nem consigo explicar,
há um peso no peito difícil de afastar.
Um cansaço tão fundo, tão fora do normal,
como um céu carregado antes do temporal.

Os passos vão lentos, sem rumo, sem chão,
e tudo parece fugir da minha mão.
O riso se esconde, o brilho se desfaz,
e a alma em silêncio já não pede mais.

Talvez seja só nuvem, prestes a passar,
um instante escuro antes de clarear.
Mas hoje carrego esse sentir desigual,
um vazio cansado, estranho e brutal.
Maria Antonieta Matos
05-05-2026

NÃO, NÃO VÁS POR AÍ!

Vem, vem por aqui!

– Dizes-me tu, com olhar meigo,

extravasando de emoção, camuflando teus segredos,

Injustiçando meu porto seguro, com muitos medos

 

Vem, vem por aqui!

E eu cansada e angustiada te dou a mão, levando o sonho e

acreditando, que a sorte pode mudar!

Mostras-me a vida colorida… iluminada… glorificada.

 

E eu sem nada... te dou a mão!

Levo a esperança e a tua força que agarrei

e me deixei ir por aí!

Pus-me ao caminho, no empolgado destino

e no teu fraseado caí.

Depois cortas-me em pedaços a minha raiz,  

Num arrastar de lama que nunca quis!

Atormentados dias e noites que não previ!

 

Não, não vás com falinhas mansas!

Desconfia dessa abastança

E não, não vás por aí!

 

09-02-2014 Maria Antonieta Matos 

In Nós Poetas Editamos VI"

Natal

Sentimento à flor da pele,
Dores, num amargo fel,
Arrepios que a vida tece,
Muita fome, que o dia esquece,
Pedra fria,
Gelo e maresia,
A manta que não aquece,

Alegria, mordomia,
Muitas luzes a brilhar,
Um sem fim, a desperdiçar,
Outro sem fim, sem um lar,
Sem uma pia de despejos,
A céu aberto,
Em qualquer lugarejo,
Numa tristeza sombria,
Sem apetite, sem magia,
Natal, uma longa noite fria,

Natal da saudade,
Do nascer e do morrer
Do sofrer na enfermidade,
Natal do ódio,
Do subir ao pódio,
Natal do amor,
Da família,
Da homilia,
Do frenesim, do festim,
Da solidariedade,
De parecer verdade,
O doce Pai Natal,
Que a chaminé invade,
Que deixa presentes,
Na madrugada quente,
Quando tudo descansa,
Em sonhos de esperança!

Maria Antonieta Matos, 09-12-2015

NATUREZA

Procuro na natureza

Todo o encanto que tem

E esta mensagem traz

A felicidade também

Traz-nos tranquilidade

E o sol a iluminar

Todos nossos corações

Num sentir da liberdade!


Maria Antonieta Matos 16-11-2010

NO SILÊNCIO DAS CELAS

Nas celas frias, sem nome ou bandeira,
Na revolta da noite sua dor inteira.
Grades não prendem o que arde na mente,
Nem matam o sonho do insurgente.

Silêncio imposto por farda e por aço,
Mas dentro pulsa um mundo no compasso.
Lá fora, a história dorme ou se esquece;
Aqui, cada lágrima é o que acontece.

O grito abafado entre os muros cresce,
É ênfase que corta, é chama que aquece.
Nem tortura apaga o traço do ideal,
Nem medo apaga o que é visceral.

Escrevem em paredes com sangue e poeira
poemas de luta, justiça, bandeira.
Por cada ferida, um povo desperta,
Por cada calabouço, uma porta aberta.

Pois mesmo acorrentado, o peito é clarão,
A verdade não morre em nenhuma prisão.
Se a voz não ecoa no dia que amanhece,
O tempo gritará por quem não esquece.

23-06-2025  - Maria Antonieta Matos

O AMOR

Olhaste-menum dia de festa

Nosentido te acompanhei

Seguro,pensaste que era desta

Queencontraste a cara certa

E na tuaprosa me enamorei

 

Ausentepor outras paragens

Vi asaudade a fulminar

Recebicartas com mensagens

Sentiperto teu respirar

 

Eratanto o nosso amor

Cresciano sentir do sofrer

Sonhavadesabrochando em flor

Contavaos dias para te ver

 

Tu àsaudade não resistias

Emborapoucos, aqueles dias

Tu paramim sempre corrias,

Evoltavas com mais saudade

 

Começamosa viver

Comtristeza de morrer

Nessesonho de felicidade

Aguardandoo teu regresso

Paravivermos em liberdade

 

Pensamoslogo em casar

Nãoestávamos um, sem o outro

E depoisno nosso lar

Osfilhos começaram a chegar

Um,dois, três e mais os netos

Derretemo-nosem afetos

Comalegria a transbordar

 

10-11-2013Maria Antonieta Matos

O BICHO ENTROU NO PAÍS

Obicho entrou no país

Minacada um ser vivo

Cortatudo pela raiz

Temum poder destrutivo


Nãohá remédio que cure

Adevastação interior

Nemmédico que se segure

Pulandode dor em dor


Nãohá ensino que resista

Aiprofessor, professor

Tensque ser malabarista

Comtanta criança ao dispor


Estáscheio de desempregados

Comtanto que há para fazer

Masanda tudo baralhado

Eponham-se daqui a mexer!


Osimóveis já não são teus

Fogemsem nada valer

Tudoestá a encarecer

Enão há cheta para comer


Osbancos estão diminuir

Adívida está a aumentar

Osdinheiros estão a fugir

Ea esperança a terminar


Obraspúblicas arruinadas

Depoisde muito gastar

Asterras ficam revoltadas

Incapazesde por lá passar


Privatizam-seserviços públicos

Parao povo ter que pagar

Quevê tudo por canudo

Incapazde lá chegar


Semacesso à saúde gratuita

Aconsulta sempre adiada

Osmales são uma constante luta

Semorrer… não vale nada!


Osvelhos são despejados

Emlares sem condições

Afamília gasta os trocados

Efica cheia de aflições


Noshospitais quem lá cai

Esperahoras aos ais

Operaçõesfazem-se série

Semse ver o médico, mais


Jánão há humanização

Andamtodos em correria

Osrecursos são invenção

Deinteresses e engenharia


Deixoude haver qualidade

Temque se fabricar dinheiro

Paraessa austeridade

Queenche os bolsos aos parceiros


MariaAntonieta Matos 26-09-2012

O BRILHO DE UM CLIQUE

Briosasflores luminosas, embalando o sonho pairando no ar

Noaconchego, cânticos resvalam esculpindo a paisagem

Asonoridade e odores embriagam os sentidos a desvairar

Nagrandeza do céu azul que as nuvens o pincelam, de passagem


Monsarazfeiticeira, retina contempladora de olhares

Farol,proliferando os tons, os dons e os sentimentos

Decifrandomistério do encanto, enamorando os pares

Ficandoa saudade de quem por ti passa, bondosos momentos


Noalto, imponente fortaleza mantendo o vigor através do tempo

Terodeiam casas branquinhas agarrando a estrutura e graciosidade

Desejoda gente hospitaleira, embevecida de agrados e generosidade


Ladeandoos muros, desencadeias sublimes pinturas ao sabor do vento

Oscliques dos retratos sucedem em cada dia, para o mundo conhecer

Namemória guardas o saber e o anseio de quem contigo quer aprender


27-06-2013Maria Antonieta Matos “ In Poetizar II”

O BRILHO DE UM CLIQUE

Briosas flores luminosas, embalando o sonho pairando no ar,

No aconchego, cânticos resvalam esculpindo a paisagem,

A sonoridade e odores embriagam os sentidos a desvairar,

Na grandeza do céu azul que as nuvens o pincelam, de passagem.

Monsaraz feiticeira, retina contempladora de olhares,

Farol, proliferando os tons, os dons e os sentimentos,

Decifrando mistério do encanto, enamorando os pares,

Ficando a saudade de quem por ti passa, íntimos momentos.


No alto, imponente fortaleza mantendo o vigor através do tempo!

Te rodeiam casas branquinhas agarrando a estrutura e graciosidade!

Desejo da gente hospitaleira, embevecida de agrados e generosidade.


Ladeando os muros, desencadeias sublimes pinturas ao sabor do vento!

Os cliques dos retratos sucedem em cada dia para o mundo conhecer!

Na memória guardas o saber e o anseio de quem contigo quer aprender.


Maria Antonieta Matos
In' Poetizar Monsaraz Vol. II'

O CAFÉ É POESIA

Presa ao meu pensamento

Sentada a um canto do café

Olho, quem toma o café de pé

Apressado não tem tempo

Tempo para saborear o momento

Que a muitos, tempo lhes sobra, até!

 

O café é poesia;

É momento de leitura;

É conversar;

É companhia;

É escrita;

É olhar;

É fotografia;

É reunião;

É namorar;

É negócio;

É amizade;

É família;

É remansear;

É silêncio;

É saborear;

É pensamento;

É pintura;

É musicar;

É alegria;

É sentimento;

É escultura;

É cantoria;

É refúgio;

É debate;

É discussão;

É desculpa;

É distracção;

É humor;

É riso;

É emoção;

É relíquia,

É modernidade;

É fantasia;

É ansiedade;

É gargalhada;

É o momento de magia!

E que outro olhar, mais diria?

 

Maria Antonieta Matos 16-09-2013

O CIRCO

Itinerante

Coma forma circular

Todoo espectáculo é montado

Muitagente a trabalhar

Muitaalegria para dar

Ea seguir ser desmontado


Músicapela rua da cidade

Eum megafone entoando

Gentede qualquer idade

Pára….fica delirando


Norecinto até à bilheteira

Segueuma fila de gente

Unsquerem lugares de primeira

Paraficarem bem à frente


Poucoa pouco ficam sentados

Obar do circo a funcionar

Vendealgodão doce, pipocas, gelados

Enquantoo público está aguardar


Oapresentador anuncia

Oespectáculo vai começar

Hápalhaços, acrobacia

Surpresas,para encantar


Numassombro hilariante

Cheiode cor e magia

Desfilamartistas a cada instante

Éo circo é fantasia


Nopúblico muitos sorrisos

Muitagente a gargalhar

Coma música e improvisos

Dospalhaços a magicar


Naarena entoam palmas

Exaltaçãode muito agrado

Artistasdão sua “alma”

Numespectáculo humorado


Passamcavalinhos mestrados

Oartista dando instrução

Ficao público embasbacado

Dasintonia e precisão


Trabalhamo cérebro e os músculos

Andamcom a mala às “costas”

Partilhama arte do mundo

Juntamculturas, gente bem-disposta


Sealgum mal lhe acontece

Nãoo demonstram na pista

Eo público a rir tudo esquece

Enchendode ânimo o artista


07-02-2013Maria Antonieta Matos

O INVERNO

Ó inverno pareces doente
Já não choras como outrora
Nem o frio é persistente
Tudo é diferente agora

Não digo que não goste disso
Mas inquieta o ambiente
A cultura muito sente
E todos pagamos com isso.

Maria Antonieta Matos 05-02-2019

O JOÃO

O João meio sonolento

Sai da cama a cambalear

Dormitando o pensamento

Leva o tempo a resmungar

Pensa que o dia é noite

E a noite que é dia

Anda com os sonos trocados

Sem tempo numaeuforia

Pensa que o dia é noite

E a noite que é dia


Se lhe falo criticando

Num tom mais afunilado

Rabuja ainda sonhando

E temos o caldo entornado


Cai o Céu e a trindade

Ai jesus que digo eu

Mas acorda para realidade

Finalmente amoleceu


Maria Antonieta Matos 28-08-2013

O LIVRO DE PAPEL

 Dedicado a Isabel Santos Moura

 pelo seu livro “O Anjo Gabriel, o Miguel e o livro de papel”


Ohomem por não ter tempo

Viveo tempo a complicar

Ocupandotodo o seu tempo

Emtempo para inventar

Reduz-sea um cantinho

Comtudo ali à mão

Pelamáquina sente carinho

Pelohomem ingratidão


Vivenum mundo virtual

Nadase apalpa nem se vê

Comoum mundo espiritual

Emociona-se,em tudo crê


Noano de dois mil e cem

Emque tudo é eletrónico

Aspessoas não se conhecem

Sãomáquinas amor platónico


OMiguel muito preguiçoso

Passavadias a jogar

Naescola ficava ansioso

Semgosto para estudar


Sóexiste o computador

Ondese joga lê ou estuda

Maso cientista inventor

Criaum pequeno, mais promissor

Paranão carregar quem o usa

Todaa gente foi comprar

Oe-book assim chamado

Ondelivros se podiam guardar

Como maior espaço pensado

Eera fácil de transportar


Nodia do aniversário

OMiguel recebeu de presente

Ume-book revolucionário

Queo fez pular de contente


Erao seu melhor amigo

Levava-opara todo o lado

Viahistórias de encantar

Passavao dia ligado


Umdia com muita alegria

Aover uma grande aventura

Oe-book não cedia

Miguelfica triste, numa amargura


Opai passou a explicar

Queo muito uso o enfraquecia

Queera preciso carregar

Parater de novo energia


Masuma vez não teve volta

Estavamesmo avariado

Tevemesmo que ir para loja

Paraaí ser concertado


Noseu quarto com tristeza

Emsilêncio e sem querer comer

Nacama dava voltas de incerteza

Seo fim da história iria saber


Portudo o que aconteceu

Umnovo e-book pedia

Quefosse amigo e fosse seu

Quenão carregasse a bateria


Derepente um anjo aparece

OAnjo da guarda Gabriel

Queseu espirito amolece

Deixandoa paz ao Miguel


Parasatisfazer o seu desejo

Oanjo sorri-lhe e não fala

Enum remoinho de luz a voar

Vaicair numa grande sala


Erauma grande biblioteca

Queo Miguel desconhecia

Porqueos livros da sua época

Nãotinham tanta magia


Olhoutodo o colorido

Tirouum livro, ansioso

Eraaquele o preferido

Queabriu e folheou curioso


Eraum livro de papel

Quenão ia avariar

Estavaà mão do Miguel

Apenastinha que o estimar


Assimo Anjo Gabriel

Deuum livro de papel

Aonosso amigo Miguel

Muitobem escrito pela Isabel


05-01-2013 Maria Antonieta Matos  

O LIVRO QUE ABRAÇA A VIDA

Sei... que sei muito-pouco,
Que aprendo todos os dias,
E até mesmo no mundo louco,
Guardo lições de sabedoria!

Esqueço algo que aprendi,
Como um livro já esquecido,
Parecendo que nunca li,
Desperto mais o sentido!

Vou calcorreando a sentir,
O movimento, que vislumbro,
E com experiência me cubro!

O futuro afirmará triste ou a sorrir,
Lendo cada página escrita,
No livro que abraça a vida!

01-10-2015 Maria Antonieta Matos

O MAR

Gostava de ter nascido

Perto dessa imensidão

Nunca teria sentido

Um só minuto, solidão

Me deitava na areia

Ondas me vinham tapar

Olhava à noite as estrelas

Ficava sempre a sonhar

Com os peixinhos brincava

Conversava com a lua

O sonho me aconchegava

Meu amor, seria tua


03-09-2012 Maria Antonieta Matos


O MEU NETO DUARTE

Tens uns olhos muito expressivos

Fazes humor a gargalhar

Ficas sério, crítico e apreensivo

Quando de injustiças ouves falar

 

Tens sentido da responsabilidade

Embora muito pequeno

Falas com muita habilidade

Com teu ar muito sereno

 

Raciocínio inteligente

Estás em constante desafio

Pões à prova a tua mente

Projectas casas, carros, navios

 

Tens ideias que surpreendes

Conversas muito requintadas

Fazes lembrar pessoa grande

E me deixas atrapalhada

 

Metes conversa com as pessoas

Sejam elas de que país for

Cativas e te prontificas na boa

Com soluções e amor

 

Sempre pronto para aprender

Saber da palavra o significado

Na matemática não quer perder

Na dificuldade está interessado

 

Quer ser Guarda-florestal

Para defender a floresta

Não quer ninguém a fazer mal

Por ser o bem que nos resta

 

Criança muito extrovertida

Gosta de brincar em conjunto

Apresenta os pontos de vista

Discute qualquer assunto

 

18-08-2013 Maria Antonieta Matos

O MEU NETO TOMÁS

Tomás,teu rosto é ternura

Tuaboca esvai-se em sorriso

Tuasmãos a diabrura

Entrerisos de improviso


Brincalhãode olhos matreiros

Forteme abraças com doçura

Nãoresisto aos teus encantos

Ficocega de brandura


Tuavoz misteriosa

Douvoltas para te entender

Sempreencontro forma airosa

Parao que dizes perceber


Inteligente,dás-me a volta

Coma tua psicologia

Quandoqueres alteras a rota

Edeixo-me levar p’la magia.


18-08-2013Maria Antonieta Matos

O MUNDO NUMA JANELA ABERTA

Na moldura discreta do meu olhar,
cabe o vasto oceano e a planície,
um céu que se inclina sobre o mar
e a brisa que à distância me acaricie.

O vidro é fronteira sem se fechar,
onde o longe se torna o que me viste;
nas ondas do vento posso viajar
e ser quem sonha e nunca desiste.

Cada raio de sol é um novo cais,
cada sombra um segredo que desperta;
no instante, cabem mundos e seus sinais,

pois vivo onde a alma se liberta.
Assim, sem sair, por dentro navego,
janela aberta, ao infinito me entrego.

O NETO QUE JÁ EU SINTO - AFONSO

O neto que já eu sinto

No ventre de minha filha

Já está no meu coração

E do afecto já partilha

 

Ainda não sei o teu nome

Mas um estará destinado

Pouco interessa por agora

Porque já és muito amado

 

Já vai dando os seus sinais

Mostrando a sua gracinha

Assim comunica com os pais

Faz tum, tum na barriguinha

 

Os irmãos muito emotivos

Para nada lhe faltar

Já fazem preparativos

Querem roupinha para o tapar

 

Já distribuíram as tarefas

Para aliviar mais os pais

Fica tudo simplificado

Estão contentes por demais  

 

A massagem faz o Duarte

Para ficar descontraído

Já aprendeu essa arte

E já está tudo definido

 

A fralda muda o Miguel

Já está muito determinado

Tem um saco cor de mel

Com tudo bem arrumado

 

A Verónica lhe dá afectos

E o adormece à noitinha

Para ficar mais relaxado

Canta-lhe uma cantiguinha

 

Deixem depois os contos

E os mimos p’rós avós dar

Pois os pais os filhos educam

E os avós podem ajudar

 

Todos os netos são iguais

Todo o bem lhe quero dar

No coração tenho mais

Cantinhos, para os amar    

 

18-08-2013 Maria Antonieta Matos

Ó NOITE…

Ó noite… tão longínqua me pareces
Quando o pensamento se recusa a dormir
Tudo vem à memória… que nada esquece
E ainda acrescenta tudo aquilo que pensa vir

Ó noite acordada que sempre trazes reboliço
Na alma, no coração, no cansaço dos meus ais
No corpo dorido, revoltado, quebradiço,
E aos olhos aflitos que não se querem fechar mais

Ó amanhecer que já não te ouço, nem te vejo
Tinha planeado o meu dia de esplendor
Mas apaguei os sentidos e nada mais almejo

A sombra ficou em mim suspensa, sem nenhuma cor
Esqueci o sorriso, o nome e o desejo
Sucumbi no sono e fui à busca do sonho de amor.

15-03-2019 Maria Antonieta Matos

O OLHAR DO ENCANTO

Cegoao olhar do encanto

Emudeço-mede pasmar

Oiçodos pássaros, o canto

Aromasme querem cheirar


Nocampo brilham as cores

Nomar também é assim

Nocéu as estrelas são flores

Queà noite riem pr’a mim


Quandoclareia o sol me ilumina

Parao dia passar bem

Sechove o tempo me fascina

Pelossentires que tem


MariaAntonieta Matos 23-09-2013

O PENSAMENTO

O pensamento na sombra frenético,
Quão embriagado em secreto norte,
Deslumbrando deleite devaneia a sorte,
Ansioso e voluptuoso a cogitar herético.
No sonho e em loucura petulante,
Crucificado no ensejo engalanado,
Imagina o amornar da luz distante,
No fundo d' alma no céu entranhado.
A mente possessiva domina a jeito,
É astro da estória fulminando o prazer,
E ama perdidamente sem desvanecer.
A meditar faz baloiçar o peito,
Como a antemanhã na primavera florida,
Que ao timbre vibrante s' ilumina a vida.
13-11-201 6 Maria Antonieta Matos

O POEMA

Que seja o poema o alerta

Quando escurece em ti a alma

Que seja uma porta aberta

ou o comprimido que acalma


Seja o desabafo corrente

A emoção que em ti brota

Uma lição permanente

A semente que não se esgota


Seja a colorida borboleta

A poisar no campo em flor

O passarinho quando canta

Belas serenatas de amor


Que seja o poema a crítica

Que a voz não faz ouvir

Mas que no pensamento fica

E a consciência vai perseguir


Que o poema saiba entranhar

O sentimento desmedido

Na voz de quem declamar

E de pé ser aplaudido


Que seja o poema a liberdade

Que se expressa sem olhar a cor

Que grite a desumanidade

A injustiça e o desamor


Que seja o poema a memória

Do livro que se faz ouvir

Em muitos séculos de história

Sempre, sempre a intervir


Maria Antonieta Matos 26-06-2014

https://www.facebook.com/notes/maria-antonieta-matos/o-poema/761195230567325

O POETA

O poeta não tem dia,
Para ordenar ao pensamento,
Que apreciada poesia,
Desponte a cada momento.

O poeta de olhos fechados,
Há noite quando se deita,
Tem o cérebro revirado
Com tanta ideia escorreita.

Se não se levanta e escreve,
Tudo aquilo que criou,
O sono voa tão leve,
Que sem querer tudo enjeitou.

O poeta vive o sonho,
Sente a dor e a injustiça,
Almeja um mundo risonho,
Livre de agir, sem cobiça.

O poeta é clave de melodia,
Cobre as palavras de sentimentos,
Remexe e sente o dia-a-dia,
De olhos e ouvidos atentos.

O poeta contempla as coisas,
Tão perto da emoção,
Que as multiplica e ousa,
Na mais bela criação.

Fantasia uma pedra,
Ou uma flor encarquilhada,
Um temporal que descerra,
Numa serra arborizada.

Vive a tristeza e a alegria,
O amor e o desamor,
Faz nascer com ousadia,
O poema que faz clamor.

11-10-2016 Maria Antonieta Matos

O PRIMEIRO BEIJO

Envergonhada, e a voz se calava, 

Sem dizer o que sentia,

Mas minha ânsia, por tua boca chamava,

E quando me apertavas, fugia.

 

O corpo se arrepiou, descontrolado,

Ansioso por te beijar,

Os olhos suspiraram como uma cola,

Embriagados a pedir esmola,      

Na loucura de te desejar.

 

Estremeceu o corpo febril,

Os olhos choraram de alegria,

Tua boca me matou a sede,

Que já estava em agonia.

 

Renasceu uma alma nova,

E impaciente por querer mais, 

E a tua boca me saciava,

Com doçura, me desejavas, 

E agora os beijos são virais.

O QUE SOMOS CADA UM DE NÓS?

O que somos cada um de nós?
Talvez um misto de ilusórios disfarces
Que a cada momento se denota e invade
No pensamento lúcido ou perverso
Do ser humano em qualquer idade.

Será que nascemos formatados
Sem princípios, sem moral
Por vezes mal-educados
Sem carácter racional

Será que nascemos inocentes
Com um propósito na vida
Afirmando-nos puros, inteligentes
Para iludir a razão emotiva

Porquê ressalta tão alto
A maldade, o ódio e a agressão
E a dignidade em sobressalto
Sem castigo, sem ação?

14-02-2019 Maria Antonieta Matos

O QUE SOU HOJE

O que sou hoje, 
nunca saberei amanhã
Quando se apagarem as luzes

Na alvorada da nova manhã
Em que o pensar em todos urge 

Entrarei no esquecimento 
Ou no juízo de cada um

Em momentos de lamento
Ou no alívio de alguns

O que sou hoje
Nada tenho para lembrar
Uma obra, uma herança para deixar…
Que solte o prazer do povo
para com júbilo celebrar

Resta-me viver na esperança 
Pedir à lua bonança
Ao sol iluminação
Às nuvens sua emoção
À chuva esse alimento
Que agite os ramos e a direção 

O que sou hoje, ninguém sabe 
Mas deixa-me pensar que há-de,
Chegar o sonho, parecer real
Nascer a obra mesmo já tarde
           
Maria Antonieta Matos 07-09-2021

Ó RIO QUE NÃO TE CANSAS

Ó Rio que não te cansas,
de correr desenfreado,
quando as nuvens ficam tristes
e caem lágrimas sobre ti,
Fazes lençóis de água bordados,
nos seixos encarquilhados,
que o vento com sua fala,
sementes por tudo espalha,
e, o sol resplandecente
faz nascer mais sorridentes,
lindas flores por aí.
Mas o tempo às vezes rebelde,
Seca tua boca de febre,
desvanece a cor que te cerca,
e até esse correr de atleta,
Que te dá vida e, o olhar acorda...
Ao entoar sapateado galante,
com saltos por vezes gigantes
Para deslumbrar quem te vê.
Ó Rio que afagas as vertentes,
que se riem de contentes
Quando o sol dá o bom dia,
Navegam seres arreigados,
Esvoaçam insetos malogrados
Nesses campos de alegria...
Espreitam cegonhas do alto,
as rãs por ti dão o salto,
em sublime sinfonia.
Ó Rio que penduras gotas de água,
o sol te cruza, aquece e toca,
e no prazer um clímax desagua,
no céu, muitas cores em meia lua,
e o sentir do olhar te foca
Maria Antonieta Matos 27-02-2017

O SEGREDO

Soprei-te ao ouvido um segredo

Sem quereres deixaste-o escapar

Arranjaste-me tremendo enredo

Que para sempre vou relembrar

 

Correu o mundo num ai

Fiquei, ah! de boca aberta

Segredo que da boca sai

Sai coscuvilhice pela certa

 

Sem contarem o que ouviram

Alterou o seu conteúdo

As pessoas confundiram

Ando nas bocas do mundo

 

Mesmo não querendo ligar

Sinto um tormento no fundo

Tenho o coração a saltar

De andar nas bocas do mundo

 

Nunca mais conto em segredo

Vou contar sem segredar

Porque o gosto dum segredo

É ser o primeiro a contar

 

O segredo alimenta curiosidade

Sente-se ansiedade para espalhar

Quer exaltar inverdade

Com intuito de se mostrar

 

O segredo tarde ou cedo

Acaba por se revelar

A não ser alguém por medo

Que leve para o túmulo guardar

 

Há segredos quando revelados

Prejudicam os negócios

São a sete chaves guardados

Longe de parceiros ou sócios

 

Fórmulas e grandes descobertas

Muito cobiçadas pelas nações

Guardadas por portas secretas

Segredos que valem milhões

 

 

Maria Antonieta Matos 22-03-2013

O SOL E LUA

Teu manto azul te destapa à alvorada

Saem espreitando os teus olhos irradiados

De mil beijos te cobre a lua enfeitiçada

Que engravida de muitos sóis enamorados


Do teu cabelo caem madeixas coloridas

Tua felicidade contamina multidões

Que te admiram em cada dia enternecidas

Com teu o calor que iluminas seus corações


A lua sonha por muitas noites de amor

O sol pisca-lhe o olho à tardinha

Na timidez do encontro brilha fervor


Teu manto azul difunde raios de alegria

Tens aposentos que te acolhem como rainha

Ó Lua que encantas a noite toda nessa acalmia


04-07-2013 Maria Antonieta Matos

In "Nós Poetas Editamos VI"

OBSERVO INQUIETUDE DESMEDIDA

Observo inquietude desmedida, no meu olhar
Um mundo em euforia, que desconheço
Retórica sombria, revoltas a aclamar
Abrindo espaço a um despertar avesso

Guerra súbita, que aos excessos dá valor
Que veda os olhos ao humanismo e à paz
Que engana sem respeito nem amor
Que cinzenta a verdade no engodo assaz

Vejo a lucidez transviada numa agonia
A pobreza que há muito tempo não via
Uma doença que nos consome

Vamos deixar… esse sono profundo
Unir as mãos com resiliência em todo mundo
Conciliar, construir, acabar com a fome

Évora, 26-01-2021 – Maria Antonieta Matos

Oh! Cruel guerra…!

Oh! Cruel guerra que não tem limites
Que espuma a cólera na ferida profunda 
Que se esconde em disfarces e palpites
Que devora tudo que na terra abunda 

Num muro de dor como lobos encurralados
Sem dó nem consciência num plano hostil 
Circunda o louco no seu trono confortado 
Furioso, mascarado no maneio subtil

Vai explodindo rancor por tanta ambição
Agiganta o vexame e o golpe transmite
Que frieza humana que não bate coração
Que as veias são negras de tanto apetite

Vagueia nas tréguas o espírito a chorar
O olhar desconstrói o atroz inimigo
Mergulha a esperança da gente a amar
Enquanto a alma grita: - vá lá, eu consigo! 

E o mundo livre não para de gritar:
- Queremos a paz, esse horror exterminar
- Queremos o louco no hospício para mudar
- Queremos liberdade e todos amar

17-03-2022 Maria Antonieta Matos

OH! Princesa do Alentejo

Oh! Princesa do Alentejo,
A calma te faz trigueira,
Palpitas por mil desejos,
Graciosa e linda ceifeira!

07-02-2016 Maria Antonieta Matos

Oh! Riso és tão bonito

Oh! Riso... és tão bonito,
Que me enches de alegria,
Fazes invejas aos sisudos,
Que andam sempre macambúzios,
Projetando antipatia.
Oh! Riso tens tanta graça,
Que contagias o mundo inteiro,
A tristeza ultrapassas,
Divertes os dias que passas,
Mas que riso verdadeiro!
Oh! Riso não tens fronteiras,
Andas na boca do mundo,
Com saúde de primeira,
Nunca perdes a estribeira,
Nesse sorriso profundo.
O riso faz bem à alma,
Não entra onde há tristeza,
Vive feliz e contente,
Dá sorriso a tanta gente,
Sentimento de grandeza.
Ria... nunca desista,
De sorrir alegremente,
Viva em festa cada dia,
Dê aos outros alegria,
Sinta paz constantemente.

22-08-2017 Maria Antonieta Matos

OLHAR

Quandovejo o teu olhar

Fixono meu sem parar

Leioo que neles me dizes

Semuma palavra me dares


Seestás triste ou contente

Setens ódio ou se me amas

Tudoo que o teu coração sente

Nosteus olhos se inflama


Quandovejo a natureza

Numsilêncio interior

Desfrutoaquela beleza

Numolhar mais sonhador


Oque mata um jardim

Éa indiferença do olhar

Ainconsciência sem fim

Dumaflor deixar murchar


Quandovejo olhar o umbigo

Semnada ver ao redor

Umdistanciamento é sentido

Pornele ver ambição maior


Háo olhar como um som

Expressivorevelador

Mostrao que alma projectou

Nummomento inspirador


Olharsábio que vê distante

Tudopode descobrir

Realizarcoisas importantes

Mesmosem estar a agir


Umolhar diz uma coisa

Outracoisa diz outro olhar

Porquea diferença da coisa

Estáno olhar a pensar


Umolhar atencioso

Vaifazer toda a diferença

Numdoente ou no idoso

Peloato da deferência


21-01-2013Maria Antonieta Matos

OLHAR A NATUREZA

Daaboboreira a observar,

Densocampo de carvalhos

Embrenhei-mecomo a sonhar

Porentre gotas de orvalho


Perfumesque respirei

Nesteambiente tão natural

Ninhosde águias, admirei

Commochos, esquilos falei

Empuro meio ambiental


Vilobos e vi libelinhas

Vimorcegos, formiguinhas

Corujas,cobras a rastejar

Muitospássaros a voar

Musicandopr’a me saudar


Frondosasárvores centenárias

Imponentese lendárias

Amieiros,salgueiros, freixos

Exemplaresde azevinho

Aquise aninham os passarinhos


Ocuco, o pisco, a cotovia

Andorinas,rouxinóis

Sobemàs plantas caracóis

Nestapaz e sintonia

Háromance, muita magia


Onoitibó sai pelo escuro

Nanoite vai disfarçado

Oseu ninho fica seguro

Nochão por folhas tapado


Sealimenta de mosquitos

Felizsempre a saltitar

Pelamata de carvalhos

Levaa noite a festejar


Omocho em grande estilo

Saida toca para cear

Como fato de abas de grilo

Parao grilo ouvir cantar


Sobrefolhas a deslizar

Alebre passa de repente

Fugindoduma serpente

Quese estava a aproximar

Eficou serenamente

Delonge a observar


Esterefúgio cheio de cor

Asombra é grandiosa

Focosde luz irradiam

Aquelavegetação viçosa


Omilhafre e o açor

Esvoaçampelo ar

Orio Ovil por ali passa

Abraçandoeste esplendor


Nassuas margens, as lontras

Melro,chapim, perdiz

Tranquiloslivres, os encontras

Numambiente muito feliz


Nãofaças mal à floresta

Quenos prima de beleza

Cheiade ar puro, mãe natureza

Saúdaa vida sempre em festa


22-08-2013Maria Antonieta Matos

OLHAR FLORBELA

Florescemversos, estranhos pensamentos

Aquecemas lágrimas beijando o rosto

Batimentosfortes, grandes tormentos

Dançamos sentidos repletos de desgosto


Amorimperfeito e incompreendido

Sequiosoamor na mente primorosa

Viveruma vida como se a tivesse vivido

Ideiascontroversas à época, penosas


Olhosmisteriosos perseguindo o destino

Reclamandodireitos de forma ousada

Testemunhosescritos em cada caminho

Agitandoa razão, sempre determinada


Sensibilidadesarrastando enredos

Dandoà felicidade outro descaminho

Escondendoem casulos os segredos

Queaos ouvidos lhe sopram baixinho


19-03-2013Maria Antonieta Matos



OLHOS DESCONTENTES

Afronta-se a alma de tristeza
Espraiam-se os olhos descontentes
O coração brada de incerteza
Numa emoção de dor permanente

O pensamento quebra-se perplexo
Perdido na magnitude do espaço
Que confunde o tempo sem nexo
Prezo num verdadeiro embaraço

Nasce a flor vigorosa a sorrir
Eternizada no amor apaixonado
Mas o desfolhar apaga o sentir
E o desprezo amarga o triste fado

23-11-2015

OLHOS NOS OLHOS

Olhos nos olhos, vi tão claro fogo,
que a alma, sem querer, ficou cativa;
ardeu em mim a chama sempre viva,
que vence o tempo, o medo e o desafogo.

Vi num só olhar o doce jogo
com que Amor faz a vida mais altiva;
e a razão, de si mesma já esquiva,
rendeu-se inteira ao seu ditoso rogo.

Se o Céu, por dura lei, nos apartasse,
nem por isso o querer se extinguiria,
que mais se acende quanto mais fugisse.

Porque quem viu tal luz, se a não seguisse,
vivera em noite, e em vã melancolia,
perdendo o bem que a vida lhe mostrasse.

ONDE ESTÃO AS PALAVRAS?

Os meus dias vão morrendo

Na soidade das palavras

Que me faltam… remexendo

Há que tempo confinadas

Onde estão as palavras de ternura?

Que os meus amores me diziam

Às vezes, não com tanta frescura

E que agora me apeteciam

Preciso do toque delas

Revestidas de emoção

Dessa sensação que só elas,

Perto aquecem… meu coração

Estou receosa que se percam

Não tenham o mesmo sabor

Que vão continuar distantes

E aos meus olhos percam a cor

Até quando este vazio

Das palavras sempre em festa

Que acalentavam o frio

Até na casa cheia de frestas

05-03-2021 Maria Antonieta Matos

ONDE ESTÁS TU CONSCIÊNCIA?

Onde estás tu consciência,

Que só vez o teu caminho?

Nem sempre dás importância,

Para quem caminha sozinho!

Tens um íntimo de vaidade,

Falas pr’a dentro baixinho,

Mas vejo toda a maldade,

Transparecer no teu jeitinho!

Tu que tudo Compreendes,

Reflectes com Intuição,

Porque não atribuis a eles,

Uma maior precisão?

Ciente do teu desígnio,

Desenvolves a tua mente,

Segues muitos raciocínios,

Do passado ou do presente!

Existes,és pensamento,

Tens toda a sabedoria,

A honestidade te assiste,

Não a uses na rebeldia!



MariaAntonieta Matos - 15-09-2012
DESENHO DO MEU AMIGO COSTA ARAÚJO    09-07-2014


Gosto "}" data-reactid=".8d.1" style="color: rgb(109, 132, 180); cursor: pointer; text-decoration: none;">Gosto  ·  · 
  • Isabel Vieira Tony Sheilinha Alexandra Rosado Olivia Alves Gonçalves  e  4 outras pessoas  gostam disto.
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ONDE VAI ESTE PAÍS

Ai o estado lastimoso

Em que está este país

Anda alguém muito guloso

Que pensa ser poderoso

A crescer-lhe o nariz

Já não existe classe média

Professores para ensinar

Está a torna-se em tragédia

Aprender e estudar

A saúde está a acabar

O povo já está sem cheta

Como se aguenta a depressão

Se este estado não se endireita

Paga mal a quem dá lucro

E muito bem ao astuto

Que faz o povo cair

Para o andar a servir

Sem o mínimo de dignidade

Mas onde está a humanidade?

Só existe falsidade…

Ai liberdade, liberdade

Acabaram com os direitos

Consignados na constituição

Os direitos são defeitos

Valorizam o ladrão

Não o que rouba para comer

Mas o que se quer encher

Que tremenda confusão

Casais desempregados

Com as contas para pagar

Vêm-se sem ordenados

E com os filhos a chorar

 

O governo bem sustentado

Acrescenta austeridade

Não corta o seu ordenado

Fomenta a desigualdade

Deixa fechar as empresas

Não lhes dá estabilidade

Desespero e incertezas

É um poço de dificuldades

Jovens sem segurança

Apoiam-se nos velhos pais

Que esticam sem a esperança

Que os filhos não precisem mais


Maria Antonieta Matos 24-04-2012

ONTEM A CHUVA

Ontem sentia-te disparada,
Teclando as pedras no chão,
E apurei o meu ouvido,
Só pr’a ouvir tua canção.

Espreitei-te p’la janela, fria,
O meu sentir te avistou,
Há muito que não dormia,
Tanta falta que fazias,
Que meu coração s’ aclamou.

Estava escuro e o chão brilhava,
Abracei-te para agradecer,
Aos beijos tu me molhavas,
E eu contente ali ficava,
Com saudade de tanto querer.

Havia tanta energia,
Namoramos p’la noite fora,
O instante apetecia,
O vento doido corria,
Pareciam as noites d’ outrora.

Chorava o beiral de contente,
Lençóis de água a rebolar,
Sintonia comovente,
Numa noite bem diferente,
Musicalidade a pairar.


02-03-2018 Maria Antonieta Matos

ONTEM E HOJE

Hoje, que a vida passou,

Que não tenho o folgo d’outrora

Tenho pressa de viver…

Aprender... tudo dizer…       

Nada, quero perder agora.

 

Dantes, quando podia…

Não tinha força, não queria,

Desperdicei o meu tempo,

Tempo, que o vento levou, numa tremenda euforia…

E o pouco tempo me restou…

 

Agora que quero ter, esse tempo,

Já com alguma sabedoria!

O vento sem dó, me assobia

Vivo com pressa o momento

E a memória me atrofia.

 

Maria Antonieta Matos 15-02-2014
In NPE " Sentir d'um Poeta"

OS DEGRAUS DA IDADE

Não me quero deixar levar
Por este presságio infindo,
Que veio de mansinho torturar
Meu corpo na dor fingindo.

Por vezes não acredito,
Que os anos têm degraus,
Subindo a enorme ritmo,
Carregando o bom e mau.

Não há volta que evite,
O que o destino reserva,
Nem lição que s’ confisque,

Mas a renascer redobrada
Há uma luta interior,
Que não deixo morrer por nada.

Maria Antonieta Matos 18-07-2020

OS DIAS SILENCIOSOS…

Nos dias silenciosos…
Os olhos abrem portas ao pensamento,
Vivem a utopia duma amargura e solidão,
Um desencanto, uma sombra, um espectro cinzento,
E as lágrimas acontecem em dia de negação.

Os dias silenciosos….
São dias de guerra comigo,
De recusa e castigo,
De reflexão e de grito,
De engasgo aflito,
De medo nesse vazio, sem sentido,
Uma vontade, sem vontade,
Uma ansiedade louca que m’ invade,
Um fosso escuro, temido.

São dias…
Mas há tantos dias…
Cheios de esperança
que a emoção se levanta
que a luz do olhar s’ encanta
que o coração se entrega
que e amor irradia
E que um triste momento
Na mente morria

Nos dias silenciosos…
Miro meu espelho íntimo,
Que me enche de imagens,
Que vagueia por inúmeras estradas,
Que me mostra o sorriso,
O afeto sincero e preciso,
O toque que m’ anima,
E surge uma aurora rasgada,
A fala ternurenta e bizarra,
A força que move montanhas,
Sem desistir de tudo, por nada.

Nos dias silenciosos…
Louvo o céu, a lua e as estrelas
E canto à terra… adormeço os mares
Dou ao vento um lindo ar
Ponho no sol todo o seu brilhar
E sinto as flores a desabrochar

Nos dias silenciosos…
Vislumbra alegre a eterna liberdade
Em consonância toda humanidade
Os rancores, postos de parte
Num lindo jogo de arte
Ladeia a franca amizade
O universo um arco-íris
Não há dor não há gemido
Há uma completa união
E um planeta protegido.

Maria Antonieta Matos 08-09-2019

OS MEUS OLHOS FALAM DE AMOR

Os meus olhos, de amor mensageiros,

De vossa luz se nutrem docemente;

E em raios puros, claros e certeiros,

Mostram no peito o fogo que se sente.

 

Se a voz se cala em silêncios primeiros,

A vista fala, ardendo tão presente,

Que mais revelam olhos verdadeiros

Do que palavras vãs de frágil mente.

 

Ó doce causa de minha ventura,

Se em vós repousa a glória do viver,

Deixai que o olhar declare a formosura.

 

Pois quem deseja em versos vos dizer,

Apenas logra imitar tal candura,

E nos olhos acha o modo de querer.

 

Maria Antonieta Matos

OS OLHOS DO MEU AMOR

Os olhos do meu amor tocam ao meu coração,
como estrelas a brilhar na calma da escuridão.
Têm o brilho das manhãs, o mistério do luar,
e no silêncio do seu olhar fazem minha alma cantar.

Quando pousam sobre mim, param o tempo e a razão,
fazem festa no meu peito, acendem cada emoção.
São abrigo, são caminho, são ternura e direção,
um universo inteiro preso numa só visão.

Neles mora a primavera, mesmo em dias de inverno,
há promessa de carinho, doce e simples, tão eterno.
E se um dia me perder na poeira da ilusão,
basta olhar nos seus olhos para encontrar salvação.

Maria Antonieta Matos - 08-05-2026

OUTONO

Caem sobre o chão as folhas mortas,

Desencadeiam um matizado de pasmar,

Outono de ventos, de águas tortas,

Tuas árvores tristonhas, a desnudar.


Dias cinzentos, mar encrespado,

Silêncios que cismam ao olhar,

Morre o sol num disfarce acanhado,

Morrem os dias num comovente chorar.


Do ar soam toques de piano,

Um dedilhar fantasiado a murmurar,

Pautando notas a sonar ao oceano.


As noites crescem e cansam o pensar,

Neste silêncio intimo insano,

Desabrocham cânticos a proclamar.



Maria Antonieta Matos 30-09-2014


PAI

Cheiode carinho e de humor

Encantavastodos nós

Esforçavas-tepara conseguir

Oque sem falar a viva voz

Sentiase davas a sorrir


Tenhopresente o teu sorriso

Astuas preocupações

Ralhavasquando era preciso

Eapaziguavas nossos corações


Fosteum pai sempre presente

Bommarido e terno avô

Muitoamigo do seu amigo

Ensinaste-meo que sou


Pai,recordo-te com carinho

Nãome esquecerei de ti

Daquimando um abracinho

Umdia estarei aí


MariaAntonieta Matos 19-03-2013

PAI II

Tu que me deste o ser,

me afagaste quando insegura

e me fazias renascer com a mais doce brandura

Eras força, eras ternura, eras sorriso

Estavas sempre onde era preciso!

Mostravas o teu amor… à mãe sempre dizias,

Que a amavas todos os dias!

Brincavas e ensinavas, eras bom a matemática

Tu comigo desenhavas, contavas histórias de enfeitiçar

Ao teu colo eu ficava com a mana a cantarolar

As vezes … também te zangavas,

Quando estávamos na zombaria…

E aí te afirmavas…

Não querias rebeldia.

Sempre muito preocupado, com o nosso bom pensar

Sonhavas e muito trabalhavas para nada nos faltar

Aos teus netos davas carinho, fazias muitas piadas

Era tudo uma gracinha no meio de gargalhadas

Não desprezavas ninguém,

E em casa recebias bem

Os amigos ou conterrâneos

Todos te recordam e me falam do Gaspar

Que Deus tem

Estás no nosso coração

Em cada lugar és lembrado

Sinto tua mão na minha mão

Quando passeava a teu lado

 

19-03-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE "Eternamente Poeta"

PAIRA A RESMUNGAR A CEGARREGA

Paira a resmungar a cegarrega
No meu ouvido… que ensurdece, saturado!
Até me ausento do mundo, por que me cega
O remoinho nos sentidos, penetrado

Preenches o pensamento que me nega
Qualquer ideia que tenha planeado
Sempre o ruído uma peta me prega
Distraindo o plano no tempo adiado

Quando me deito e o espirito sossega
Lá te oiço mais intensa e perversa
E faço um apelo… e por mais que te peça
Surge teu sinal em mim sempre alerta.

PALAVRAS EM MOVIMENTO

Há palavras que fecundam e rolam como rios
num culminar de emoções intensas!
Há palavras que nos cantam ao ouvido,
como mel derretido!
Há aquelas que rodopiam e choram por dentro,
moendo os sentidos,
Outras que iluminam o escuro, numa chama de fogo,
Que explodem ensinando cada mundo novo!
Há palavras que se fecham em sombras e degredos,
Que temem soltar-se num mundo de medos!
Há palavras que em surdina sofrem e atrasam a hora para serem ditas,
Palavras incisivas que matam e esfolam com tanto dissabor,
Num peito tão ferido sem nenhum amor!
Há palavras que formigam nos dedos em volúpias escritas,
Como cordas roçando os acordes pela primeira vez,
Que ecoam altivas... e alguém nunca fez!
Há palavras gritantes... birrentas... grosseiras, malditas,
Que consomem o siso de tão insensíveis!
Há palavras livres que sonham correr,
que libertam a gente proibida de ver!
Há palavras ambíguas com injustos fins,
Para enredar as palavras dizendo Não ao Sim!
Há palavras excitantes que abrilhantam o ego,
Que nos deixam sonhar num mirar cego!
Também se fica sem palavras e há palavras sem nexo,
Na mudez de um assombro ou na nudez de reflexo!


Maria Antonieta Matos 26-11-2017

PARECEM MOUCOS

Parecem moucos de morrer,
os homens que atravessam a existência,
levando o peso vão da indiferença
sem ver o sol nascer nem se perder.

Escutam só o eco do poder,
confundem pressa e força com ciência,
e deixam fenecer na consciência
o que os faria, enfim, compreender.

Mas fala o tempo, austero conselheiro,
na ruga, no silêncio e na partida,
lembrando o quanto é breve o nosso roteiro.

Quem fecha o coração durante a vida
descobre tarde, à beira do derradeiro,
que ouvir e amar eram a mesma lida.

Maria Antonieta Matos

PAREM LOUCOS…

Parem loucos… desvairados,
Sem nenhuma complacência,
A “jogar” sempre inflamados,
Sem pensar nas consequências.

Parem… para pensar um pouco,
Dominem os maus pensamentos,
Não façam o mundo mais louco,
Só feito de horríveis momentos.

Parem… supliquem ajuda,
Não entranhem essa loucura,
Num instante de crise aguda.

Parem… com tanta tortura,
Que ninguém têm culpa de nada,
Não façam a vida dura.

Parem… Que mundo é tão belo,
Sonhem façam castelos,
Amem…! Que o amor tudo cura.

Parem… busquem a luz que mais brilha,
Concebam dias de partilha,
Tenham momentos de aventura.

Não entrem em desespero,
Deem à vida doce tempero,
Caminhem na boa ventura.

06-02-2019 Maria Antonieta Matos

PARÊNTESES DA VIDA

Encandeio-me de tanto olhar a luz
Os olhos fecham-se empoeirados e secos
Mesmo assim teimo olhar o céu que me seduz
E nascer de novo como num começo

Os ossos cansam meu sustento
Já não tenho a agilidade d’ outrora
Mas a dormência num corpo sonolento
E os ouvidos assobiam a toda a hora

Perco-me a cada um segundo
Repito as palavras esquecidas
E os nomes já confundo

Risco um presente da mente
Vivo num passado perdida
Caminhando mais oscilante

Évora, 22-01-2021 - Maria Antonieta Matos

PERDER TEMPO NA VIDA

Perco dias sem sentido,
circundada de afazeres,
Podendo pintar tão lindos,
Dias plenos de sorrisos,
Sustenidos de prazeres.

Perco horas à procura,
De banalidades banais,
Ficando mais pobre a mente,
Que pela inconstância se sente,
Sem valores adicionais.

Assim vai passando o tempo,
Que voa sem ter regresso,
Perdendo pelo caminho,
Um vazio miudinho,
Que não vaticina sucesso.

O tempo passa tão rápido,
Que não se vê a passar,
Quem muito dorme, nada aprende,
Acorda tarde o que sente,
Mas já não há volta a dar.

Pinte o seu tempo de cores,
Para sentir satisfação,
Não se deixe deprimente,
Enjoado, sempre ausente,
Sem momentos de emoção.

26-04-2017 Maria Antonieta Matos

PERGUNTEI AO MUNDO INTEIRO

— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o poder que embriaga,
Ou a cobiça que envenena a terra?

— O mundo em seu sussurro,
Respondeu com voz de dor:
"São corações que se perdem,
No labirinto do terror."

— Mas como podem esquecer,
Que o amor é o caminho?
Que a paz é o verdadeiro
Abrigo no desatino?

— "Há quem confunda força
Com a espada que fere,
E esqueça que a verdadeira
Vem do amor que se aufere." 

— Então, o que resta ao coração,
Senão a esperança renascer?
Que o mundo se cure,
Que a guerra deixe de florescer?

— "Resta a ti ser a voz
Que planta sementes de paz,
E lembrar ao mundo inteiro
Que o amor jamais se desfaz."

— Assim, seguirei caminhando,
De mãos dadas com a fé,
Pedindo ao mundo que ouça, 
A canção que a paz é.

— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o ódio semeado,
Ou a sombra que assola a terra?

— O mundo então me disse,
Com um suspiro de pesar:
"São aqueles que se perdem, 
Sem saber o que é amar."

— Mas como podem ignorar
O clamor do sofrimento?
Por que buscam a destruição,
Em vez de um só momento?
 

— "Há quem veja na violência
Um caminho para vencer,
Esquecendo que a vitória
É o que o amor pode tecer."

— Então, como desfazer
Esse ciclo tão cruel?
Como abrir os olhos
De quem vê a guerra como um troféu?

— "Sejas tu a luz na escuridão
A voz que clama pela paz,
Mostra que a verdadeira força
É aquela que o amor traz."

— Assim, vou seguir plantando
As sementes da esperança,
Para que um dia o mundo entenda
Que a paz é nossa herança.

Maria Antonieta Matos

PERGUNTEI AO MUNDO INTEIRO

— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o poder que embriaga,
Ou a cobiça que envenena a terra?

— O mundo em seu sussurro,
Respondeu com voz de dor:
"São corações que se perdem,
No labirinto do terror."

— Mas como podem esquecer,
Que o amor é o caminho?
Que a paz é o verdadeiro
Abrigo no desatino?

— "Há quem confunda força
Com a espada que fere,
E esqueça que a verdadeira
Vem do amor que se aufere." 

— Então, o que resta ao coração,
Senão a esperança renascer?
Que o mundo se cure,
Que a guerra deixe de florescer?

— "Resta a ti ser a voz
Que planta sementes de paz,
E lembrar ao mundo inteiro
Que o amor jamais se desfaz."

— Assim, seguirei caminhando,
De mãos dadas com a fé,
Pedindo ao mundo que ouça, 
A canção que a paz é.

— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o ódio semeado,
Ou a sombra que assola a terra?

— O mundo então me disse,
Com um suspiro de pesar:
"São aqueles que se perdem, 
Sem saber o que é amar."

— Mas como podem ignorar
O clamor do sofrimento?
Por que buscam a destruição,
Em vez de um só momento?
 

— "Há quem veja na violência
Um caminho para vencer,
Esquecendo que a vitória
É o que o amor pode tecer."

— Então, como desfazer
Esse ciclo tão cruel?
Como abrir os olhos
De quem vê a guerra como um troféu?

— "Sejas tu a luz na escuridão
A voz que clama pela paz,
Mostra que a verdadeira força
É aquela que o amor traz."

— Assim, vou seguir plantando
As sementes da esperança,
Para que um dia o mundo entenda
Que a paz é nossa herança.

Maria Antonieta Matos

PINTANDO A NATUREZA

Véus de multicores caindo do céu, deslumbrando o olhar

Pintura concebida pela natureza se descobre no pensamento

O olhar alucinado estimula sensações nos sentidos, a meditar

Um sentir de festa, de prazer, de paz, marcando parco momento


Murmurando o vento beija e balança as folhas das árvores  

Que esvoaçam felizes pincelando e colorindo o teu chão

Entrançando o desenho do tapete original e inspirador

Perante a luz do sol que ilumina e espreita tal perfeição


Quadro divino que nasce e cresce que se veste de cores

Que inala de desejo e enfeitiça o passeio dos amores

Tornando inesquecível e acalentador o sensível coração 


Musicando os pássaros se acolhem nos galho e nas flores

Rastejando bicharocos, os grilos à noite fazem serenatas

Dançam os ouvidos através dos sons do rio e das cascatas


Maria Antonieta Matos    11-04-2013

PINTOR

Pintaso sonho tão lindo

Devialei poder ser

Amorcor do colorido

Ascores que pintas, haver


Pintorque pintas o sonho

Domais belo colorido

Pintao mundo mais risonho

Atendeeste meu pedido


MariaAntonieta Matos 22-04-2013

PINTURA DE MULHER

Mulher poderosa, de coração frágil,
Interessante, bonita,
Tímida, perigosa, ágil
Mulher submissa, solitária, esquisita
Corpo escultural, mãos de fada
Mulher serena, sedutora, sonhadora
Mulher pintura, do pintor sonhada,
Mulher alegre de repleta esperança,
Mulher triste, solidária,
Mulher de mudança!

Mulher que não dorme
Mulher experiente
Mulher doente
Mulher com fome,
Mulher que a dor sente,
Que às vezes mente,
Mulher que ama, inundada de chama,
Que também reclama,
Mulher mundana,
Mulher de emoções,
Que derrete corações!

És o hino do intenso olhar,
És fruto do amor maior,
És crescimento,
Sabedoria, sentimento,
És o florir duma rosa,
O enleio d' um abraço, o anseio de momento,
A inspiração d'um poema, d'uma prosa,
No teu ventre crescente,
Dos nove meses ardentes,
Mulher mãe, que o filho entrança,
Paciente, inteligente,
Mulher criança,
Mulher carente,
Mulher idosa, carinhosa,
Teu beijo conforta,
Mulher sofrida,
Desprezada na vida,
Privada de conforto,
No calcorrear da partida!

09-11-2015 Maria Antonieta Matos

POEMA DE NATAL

O Natal está a chegar 

Vem cheio de amor e carinho

Mas não contemplas os sozinhos

Cheios de frio, e sem nada

Já nem lhe cai uma lágrima 

O pouco que têm, os consola

Um sorriso lhe faz bem! 

Mas há muitos que tudo têm

E resmungam, quero mais

Não sabem o que fazer

Porque são coisas demais!

Que o espírito do Ano inteiro

Seja de distribuição

Que haja muita satisfação

Ninguém pense no supérfluo

Estejam todos em união!

Maria Antonieta Matos

POEMA DE NATAL II

Para enfeitar o natal 

Duas velas iluminadas,

Flores e cores avermelhadas,

Com muitas luzes brilhando

Nos corações do mundo,

Cheios de amor profundo.

 

Haja comida no prato,

Para todas as criaturas!

Deus proteja e encaminhe,

Quem por diversas razões,

Não sabe o que é sorrir!

Não tem, onde dormir!

Nem um pouco de carinho

Vive no Mundo sozinho!

 

Para todos os infelizes 

Que a vida lhe sorria

Tenham o que lhes faz falta, 

Em cada dia. 

E que possam experimentar 

De muitas e muitas alegrias!

 

 

Um Bom Natal com muita paz e amor.

Maria Antonieta Matos  20-12-2010

POETIZAR MONSARAZ

Avisto terras de Espanha
Um horizonte sem igual
O Alqueva que abraça e entranha
Belas vilas de Portugal

Fascínio para os artistas
Pintores, poetas, escritores
Um encanto para os turistas
Um recanto para os amores

Monsaraz tem a seus pés
Natureza inspiradora
As cores os sons e até
Tranquilidade apaziguadora

Maria Antonieta Matos
In "Poetizar Monsaraz"

POR DO SOL

Esconde-seo sol, desce ao leito

Maisum dia a terminar

Sorrindo,por tudo ter feito

Pintade cores o céu e o nublar

Encantandopor um momento

Quemda terra o contemplar


MariaAntonieta Matos 30-12-2012


POR ME ATRAIÇOAR UM DIA…!

Zanguei-me com o pensamento,
Por me atraiçoar um dia,
Tive crises num momento,
Nem onde estava sabia.

Pensei que estava demente,
Sem saída, num lugar estranho,
Labutava arduamente,
Naquele vale de enganos.

Quanto reais... são os sonhos,
Que nos emperram a noite,
Em caminhos tão medonhos!

Quanto medonha é a vida,
Que crava espinhos nos sonhos,
Estorvando a livre corrida!

Maria Antonieta Matos 24-09-2015

POR TI GUADIANA

Por ti Guadiana,

Escrevi cartas a navegar

Nas tuas águas perdidas,

Com devoção a rezar.

Pelos perigos perseguida.
 

Confiava no teu colo,

E ia narrando a nossa história,

Tudo me servia de consolo,

Nesta vida tão inglória.
 

Com a lua a brilhar, as sombras espiava,

E no murmúrio medonho, as tuas águas,

Escondiam o tráfico que tanto pesava,

E serenava meu peito cheio de mágoas.
 

Nas noites de breu, as barcaças dançavam,

E os fantasmas no sossego a segredar,

As vidas furtivas que por ti navegavam,

Desafiando o perigo para se alimentar.
 

No vale do silêncio, os olhos atentos,

Os passos na margem, o peso do ouro,

Guardam o que podem, segredos e lamentos.

O tabaco e o café como se fosse um tesouro.
 

No contrabando há dor e há esperança,

Entre Portugal e Espanha, um elo traçado,

Um jogo de riscos, uma eterna dança,

Nas águas do rio um destino marcado.
 

Por cada curva do rio, um pacto selado,

A vida num fio, a coragem à prova,

Entre a escuridão e o sonho falhado,

Guadiana profundo, onde a lei se renova.
 

Mas o rio guarda tudo, histórias e mágoas,

As almas que cruzam, nas suas águas,

E à alvorada, quando a luz se avista,

Guadiana sorri a banhar suas margens.
 

24/05/2024, Maria Antonieta Matos
 

POR UM DIA...

Do meu amor sinto saudade,

Quando se ausenta por um dia,

Tenho o coração p'la metade,

Sou como um anjo que o guia.


O pensamento a caminhar,

Imaginando os seus passos,

Vamos os dois a levitar,

Aos beijinhos e aos abraços.


Fala mais alto o silêncio,

Incendiando o gelo inseguro,

Libertando o amor puro!


E assim num só raciocínio,

Na ausência e no destino,

Namorar sentir divino!


09-11-2014 Maria Antonieta Matos

POR-DO-SOL II

Aoescurecer, no horizonte

Quedeslumbrante aguarela

Nocéu do meu Alentejo

Osol pede um desejo

Parater a noite mais bela


Piscao olho sorridente

Paranos dar de presente

Emcada dia uma tela


Poucoa pouco adormece

Omanto matiz do céu, aquece

Sonhacom lua, fantasia com ela


MariaAntonieta Matos 01-01-2013


PORQUE ME OLHAS ASSIM…

Porque me olhas assim,
A espreitar p’la fechadura,
Parece não confiares em mim,
Com esse ciúme sem fim,
Doentio cheio d’ amargura.

Querias ver-me a escorregar,
Isso vive em teu pensamento,
Na tristeza desse olhar,
Que turva a cada momento.

Não digas que não sei amar,
Que me dou levianamente,
Porque há jeitos de gostar,
E meu peito por todos sente.

24-01-2018 Maria Antonieta Matos

PORQUE TE QUEIXAS TANTO...

Porque te queixas tanto do que vês,
Se a vida é feita de luz e de sombra?
O mesmo chão que hoje te fez cortês
Amanhã pode ser o que te assombra.

Há dor no trigo no tempo da geada,
E há fruto doce depois da estação,
Não há colheita sempre assegurada,
Nem dia claro sem noite de escuridão.

Mas tu reparas só na pedra fria,
No espinho duro que te fere a mão,
E esqueces a flor que o vento abria.

E assim te prendes numa solidão,
Sem ver que em cada queda do teu dia
Se esconde ainda uma nova ascensão.

Maria Antonieta Matos

PORTA DO CONHECIMENTO

Numdiálogo permanente

Aprendendoa ver mundo

Aleitura enriquece a mente

Fazendoluz no escuro profundo


Abrenovos horizontes

Dáazos à imaginação

Descobretodas as fontes

Absorveessa inspiração


Océrebro fica iluminado

Ramifica-sede saberes

Falasfluido encantado

Dosassuntos compreenderes


Despertamuita curiosidade

Vêo que pensam escritores

Críticacom honestidade

Destacaos teus valores


MariaAntonieta Matos 31-08-2012

PRESENTES DE NATAL

Eles que decidem por nós

Controlam nossos destinos

Cortam voos a meninos

Sonhos de amor desvanecem

Dia a dia, o medo tecem

Em segredo, planeiam tudo

Fazem o povo, confuso

Eles que tiram e fingem dar

Que desumanizam e dizem amar

Eles que sem dó deitam na lama

Gente ingénua imaginando a fama

Eles que roubam a alegria

Ao elo familiar

Chutando em cada dia

Filhos e pais para emigrar

Sem tostão e sem trabalho

Escravos sem agasalho

Lutam despidos de amor

Sem teto embrulhados em cartão

Deitados gelados no chão

Com a trouxa sempre às costas

Caiem em vícios andam as voltas

Chantageados, drogados

Por aquelas ruas tortas

Correm à sopa dos pobres

Mendigando alguns cobres

Muitos estão aprisionados

Por malvados são maltratados,

Humilhados,

Não há paz, não há futuro

Gente triste, em apuros

Gente idosa

Mão carinhosa

Que divide o pouco que têm

Para nada faltar aos filhos

E aos seus netos também

 

Quando chegam dias festivos

Ah! Correm todos p’ra se mostrar

Aos beijinhos e aos sorrisos

Para a data assinalar

São os presentes de Natal

Num só dia, desigual

 

Maria Antonieta Matos  03-12-2013

PROMESSAS

Promessas são fios de vento,
que o coração ousa tecer,
palavras que brilham no tempo,
mesmo sem nunca acontecer.

São laços de fé e ternura,
que os olhos deixam escapar,
um eco suave na alma,
uma súplica a nunca calar.

Prometer é plantar esperança,
mesmo em solo a fraquejar,
pois quem promete acredita,
no amanhã que há de chegar.

E ainda que o tempo as desfaça,
como ondas que voltam ao mar,
há promessas que ficam guardadas,
sem nunca deixar de brilhar.

Maria Antonieta Matos

QUANDO FORES AO ALENTEJO

Quando fores ao Alentejo 
Leva vagar de sobejo
Para os olhos descansar
No farol do longo beijo
Com o tempo demorado 
Caminha no horizonte
Foca-te na linda miragem 
E no sossego de cada monte
Quando fores ao Alentejo
Vai a passo descansado
Para mergulhar nesse mar
Leva o relógio atrasado
Ouve o som dessa acalmia
Não leves pressa a andar
Absorve essa alegria
Com o Alentejano a cantar
E com tempo que ainda resta
Na sombra de uma azinheira
Repousa dorme uma sesta
Que te afaga a soalheira

Leva saudade, memórias
Nessa hora de abalar
Leva calma, leva sossego
Leva o tempo para chegar
Leva liberdade e apego
E crescente o teu olhar

QUANDO MORRER

Quandoeu morrer

Sereipalco de grande festa

Contratareiuma orquestra

Querover todos a sorrir

Comprazer a assistir

Eouvir grandes poetas

Querover lá muitos pintores

Aescrever muitos escritores

Nãotolero gente indigesta

Nãoquero que haja tristeza

Querojá ter essa certeza

Deser uma grande festa

Querotodos a cantar e a vibrar

Lágrimassó de contente

Queroo campo cheio de gente

Emoçõesde alegria

Nãoquero ver antipatia

Nemninguém por bem parecer

Queroque estejam por prazer

Paranão esquecerem esse dia

Nessepalco quero ficar

Semnada para me tapar

Empaz ficarei a assistir

Nosilêncio a ouvir

Porquesó se morre um dia.


MariaAntonieta Matos 29-06-2013

QUANDO MORRER II

Quandomorrer,

Nãoquero ver

Essamaldade

Doshomens, para tudo ter,

Queimpedem sem dignidade

Outroshomens de viver!


Comopode florescer

Estemundo a morrer

Eseus filhos a apodrecer

Semnada que os deixe crescer


Doentiospelo poder

Ficamcegos pela ganância

Mentemcom todo o prazer

Eà mentira dão relevância


Escondem-sepor trás duma capa

Eapregoam, tudo mudar

Quandolá estão, mudam de casaca

Econtinuam a tramar


Estãoa vender o país

Poruma triste bagatela

Temolhos no nariz

Ea cabeça onde está ela?


Andapor aí a dar voltas

Parasacar cada bocado

Parao povo dar cambalhotas

Eficar aniquilado


MariaAntonieta Matos 05-08-2012

QUANDO TU NÃO ESTÁS

Quandotu não estás

Corro à janela,

Olho pela fresta

Ali fico àespera ....

Seca a primavera,

Secam os ribeiros

Só vejosequeiro,

A alma desespera

Mal passa um ruído,

O coraçãosentido

Bate muito forte,

Pressinto a morte

Quando tu nãoeras.


Falosozinha

Soltogemidos

Nadase avizinha

Tristezaminha.


Aolonge alaridos

Nadame aconchega

Quandotu não chegas


MaiaAntonieta Matos 27-12-2013

QUANDO UMA LÁGRIMA CAI

Quando uma lágrima cai,
Lampejam os olhos, iluminados,
Vertem gotas de emoção e, ais,
Por íntimos despedaçados!

Quando uma lágrima cai,
Nem sempre se vê sofrimento,
Mas também... um sorriso que sai,
Nos mais divertidos momentos!

Quando uma lágrima cai,
A tristeza alivia,
Onde o ar não cabia!

Quando uma lágrima cai,
Na derradeira gargalhada,
Abre-se boca rasgada!

19-11-2015

QUANTAS VEZES ME TIRAM O SONHO E O SONO?

Quantas vezes me tiram osonho?

A liberdade de viver,

Ver o mundo mais risonho,

No mais belo florescer.


Quantas vezes me tiram osono?

A vida sem dignidade,

O dinheiro cheio devaidade,

O mais ignorante império,

Camuflados cheios demistério,

A injustiça que soa,

Neste mundo numa boa!


Quantas vezes me tiram osonho?

Os dissabores do destino,

Tanta gente sem um ninho ,

Que abarca as doressozinhas,

O frio no corpoentranhado,

O calor que os fazmirrados,

A fome que os mingua,

O seu ar estonteado,

A submissão de meninos,

Torturados, manipulados,

Quem lhes cria estedestino?


Quantas vezes me tiram osono?

Ao ver gente escarnecida,

Que dorme na rua ferida,

Sem um mísero tostão,

Vivendo do beija mão,

Esperando a dura partida!


Quantas vezes me tiram osono?

Ver multidõesdesesperadas,

Caminhando sem um teto,

Num profundo campo aberto,

Prostradas em lugarincerto,

Estoiradas por fria terra,

Em valas a descoberto,

Deixam amargo, indigesto,

Túmulos da injustaguerra!


Maria Antonieta Matos11-07-2014


Pintura do meu amigo Costa Araújo.

Gosto "}" data-reactid=".t.1" style="color: rgb(109, 132, 180); cursor: pointer; text-decoration: none;">Gosto  ·  · 

Que Fúria É Esta?

Que fúria é esta, que assola o mundo,
Onde luz o ódio, a injustiça, o imundo?
Mentira se veste de nobre verdade,
E a agressão desfila com naturalidade.

Os gritos não cessam, são hinos da dor,
As mãos, já cerradas, esquecem o amor.
Erguem-se muros, queimam-se pontes,
A esperança se oculta em distantes montes.

Os olhos se fecham à fome do outro,
O tempo apodrece num ciclo roto.
Deuses são mortos em nome da fé,
E a vida é vendida por migalha ou café.

Quem nos roubou a alma primeira?
Quem fez da criança um cão de trincheira?
O riso virou crime, a ternura, fraqueza,
E a paz, só palavra em velha aspereza.

Mas entre os escombros do coração,
Uma brisa murmura: ainda há mão.
Uma mão que cura, que ainda se estende,
Que toca o abismo e não se rende.

Que fúria é esta? É nossa, é nascida
do medo, da dor, da alma partida.
Mas se ainda resta um gesto, um olhar,
Há esperança do mundo recomeçar.

Maria Antonieta Matos - Junho de 2025

QUE MAL É ESTE…?

Que mal é este que me arrasa 
Que remexe no meu corpo, tão dorido
Que não pára de gritar… ao meu ouvido
Que assusta o meu caminho em brasa

Que mal é este, que ditou o meu destino
Que me priva de viver, esta viagem
Que agora tinha tempo, como em menino
Mas o corpo só me diz, para ter coragem

Assim vão passando os dias 
Em protesto o pensamento
A suplicar por folia

Como a esperança nunca morre…
A alma às vezes se alegra 
E a tristeza se consome 

10-09-2023 Maria Antonieta Matos

Que me serve o Sonho?

Que me serve o sonho, que não realizo
Com a ansiedade que me leva e mata
Sempre à procura e, sempre me escapa
Por teimosia da mente, tão insensata

Que me serve o sonho, o brilho que tem
Se quando desperto todo o sonho cai
Se o mundo conspira e a esperança s’ esvai
E a vida debanda… nem um grito, nem ai

Que me serve o sonho sempre a imaginar
E meus olhos tristonhos em pranto
Com escassos recursos, p’ra poder mudar

E de repente o olhar distante, o sonho achou
E o brilho dos olhos, em sorriso amplo
Quando a flor se abriu e uma asa voou

Évora, 17-04-2019, Maria Antonieta Matos

Que se afugente o medo...

Que o futuro prospere no anseio da vida,
Com valores, determinação e superação,
Que os dias sejam a alegria mais vivida,
No experimentar de cada coração.

Que se encontre a paz em cada momento,
Com o diálogo numa voz franca,
Que o amor seja o mais puro sentimento,
Como a inocência patente duma criança.

Que se afugente o medo, que o leve o vento,
Que respire livre, o olhar da esperança,
Que leve pareça, o pesado tormento!

Que se rasguem sorrisos na doce mudança,
Que nunca se acabe o solto momento,
Correndo uma fonte emergindo confiança!

Maria Antonieta Matos 25-10-2015

QUE TE LEVA AMIGO, IRMÃO…?

Que te leva amigo, irmão... ?
A enveredar por caminhos sinuosos,
A mutilar inocentes que lhes mentes e, não sentes,
A celebrar a injustiça sem ouvires o perdão,
A viver amargurado sem que haja razão,
A agitar as loucuras no momento dum não,
Que em momentos de fraqueza só penses no mal,
Que esqueças a vida e acordes, como irracional,
Sem escutares a tua imperfeição!

Que te leva amigo, irmão... ?
A não ter a força de prosseguir a vida,
Quando comigo trocaste momentos de sonho,
Quando brincamos juntos em sorriso tamanho,
Que pensamos em mudar o mundo num habitar sereno,
Que projectávamos ser construtores activos,
Que tínhamos pejo de injustos motivos,
Que tínhamos a coragem de dialogar num ambiente ameno,
Sem nunca ponderar maldosos juízos!

Que te leva amigo, irmão... ?
A não acreditar no mundo,
Onde existe o mar, a terra e um sol fecundo,
Que está à mão de ti, para plantares o fruto,
Que alimenta a vida com teu contributo!

Que te leva a amigo, irmão... ?
À perene destruição do universo,
À ilusória consciência que te prende e limita no conceito de afeto,
O não sentir comoção da lágrima que cai,
O não nutrir a liberdade que se esvai,
O não dormir noite e dia, por sonho pesado de veto!

Maria Antonieta Matos 20-12-2016

QUINTA DA LEITURA- BIBLIOTECA DE BAIÃO

Incentivando a cultura

A Biblioteca de Baião

Trouxe à Quinta da Leitura

O “Cágado” em vias de extinção


Sensibilizadas as crianças

Na leitura “O Cágado Gaspar”

Fizeram com muita ternura

Os "cágados" multiplicar!

Maria Antonieta Matos 06.09-2012

RECOLHI-ME PARA PENSAR

Recolhi-me para pensar,
Já correu um certo tempo,
Não me voltas pensamento!

Sinto inquietude em meu estar,

Já lá vão dias que tento!

 

Maria Antonieta Matos 02-06-2014

Pintura de meu amigo Costa Araújo

REVOLTA DOS SENTIDOS

Oacumular de situações

Semnenhuma objetividade

Provocaramrebeliões

Nagente duma cidade


Cérebrosde muito pensar

Nãodescansavam há dias

Ecomeçaram a agitar

Numagrande rebeldia


Asbocas em alvoroço

Gritavamquanto podiam

Veiasengrossavam no pescoço

Queas vozes já não lhes saíam


Contentesestavam os ouvidos

Datremenda barulheira

Ede acordo todos os sentidos

Pornão ser uma brincadeira


Osolhos controlavam tudo

Tinhamessa grande missão

Nãoacertasse dedo pontiagudo

Vindodo meio da rebelião


Nomeio desta embrulhada

Osnarizes, conferiam odores

Eserviam como espada

Nacara dos exploradores


Comgrande fúria as mãos

Desataramà paulada

Queterríveis confusões

Acidade estava tomada


Eratanta a rebeldia

Queos ossos estavam a desencachar

Omatemático corria

Paratodos numerar


Veioo médico de urgência

Eos maqueiros com as macas

Cirurgiõescom as facas

Nomeio de muitas ameaças


MariaAntonieta Matos 27-10-2012

RIO GUADIANA-COMO O VELHO LENÇO

À beira do Guadiana, rio sereno,
O sol se deita sobre águas douradas,
Nas margens verdes, um cenário amado,
Onde a alma encontra paz nesse reino.

Como um velho lenço, são teus segredos, 
Que escondem histórias de tempos idos,
Brincas ao esconde-esconde pelos arvoredos
E por entre os ramos… teu canto sigo

Oh! Guadiana… que rio tão querido,
Teus afluentes guardam mil segredos, 
Em cada curva, um sonho renasce.

Que tuas águas sigam sempre fluindo,
E em tuas margens, em versos ledos, 
O amor pelo caminho contigo emudece

Maria Antonieta Matos
 

RIO GUADINA - ENTRE MARGENS

Nas curvas do Guadiana, doce rio,
O sol reflete em suas águas calmas,
Entre as margens, um sonho em desafio,
Onde a natureza tece suas palmas.

Tuas águas fluem suaves e serenas,
Num eterno bailado de poesia,
E nas tuas margens, histórias amenas,
Contam segredos de pura magia.

Oh rio Guadiana, afluente amigo,
Em tuas águas, a vida se renova,
E o tempo é um verso, um doce abrigo.

Que teus mistérios sigam pela terra,
E que sempre em teu curso se comova,
A alma que em ti encontra sua serra.

Maria Antonieta Matos
 

RIO GUADINA - ENTRE MARGENS

Nas curvas do Guadiana, doce rio,
O sol reflete em suas águas calmas,
Entre as margens, um sonho em desafio,
Onde a natureza tece suas palmas.

Tuas águas fluem suaves e serenas,
Num eterno bailado de poesia,
E nas tuas margens, histórias amenas,
Contam segredos de pura magia.

Oh rio Guadiana, afluente amigo,
Em tuas águas, a vida se renova,
E o tempo é um verso, um doce abrigo.

Que teus mistérios sigam pela terra,
E que sempre em teu curso se comova,
A alma que em ti encontra sua serra.

Maria Antonieta Matos
 

RIR

Oriso ressalta da alma

No“goto” cai uma graça

Espontâneodo sério resvala

Reagindopela chalaça


Éo riso mais natural

Omais sentido no ser

Aqueleque vai contagiar

Nafeição se pode ver


Háo sorriso amarelo

Amanifestar grande maçada

Sendopossível sabe-lo

Pelacara angustiada


Umsorriso é revelador

Docarácter duma pessoa

Osincero é merecedor

Ocínico não se perdoa


Osorriso abre caminho

Conquistao mal-humorado

Quenão resiste ao “choradinho”

Dumsorriso tão engraçado


Osorriso cura o mal

Suavizaa solidão

Umremédio natural

Libertadopela expressão


Osorriso é boa-disposição

Éamar tão simplesmente

Umefeito de sedução

Saida alma naturalmente


Évora,30-11-2012 - Maria Antonieta Matos

ROSTO DO TEMPO

Oh! Rosto que enrugas no caminho turbulento,
Que desenhas na pele experimentada emoção,
Que como rios que ondeiam ao te beijar o vento,
Mostram as marcas que desenganam a razão.

Rugas, brisas de sabedoria que empolgam a alma,
Sulcos de intempéries que ensinam o amor,
Memórias estremadas que o coração acalma,
No sentir duma criança que se abre em flor.

Doçura no olhar enigmático do sonho breve,
Embora complexo o folhear das páginas da vida,
Ressalta a beleza que o sorriso descreve.

A serenidade descortina o semblante diligente,
Movido de esperança e ânsia perseguida,
OH! Rosto que enrugas e que a idade sente.

Maria Antonieta Matos; 13-12-2016

ROSTO DOS TEMPOS

Escondeu-sea paz em qualquer planeta

Tudoadormeceu esquecido no tempo

Rasgadosos sonhos no fio da baioneta

Noescuro o maltrato, luta contratempo

 

Quãodiferença faz a algibeira vazia

Omalfadado destino a ti preordenado

Osfarrapos e indigências que te cria

O maistriste tempo ensanguentado

 

Tantadesumanidade imponderada    

Emboratu não queiras te é arrancada

Vives dovento como alma penada

 

Fazemmorrer o contentamento vivo

Parindoas dores do sofrimento e castigo

Quesatanás no fogo do inferno lavra

 

05-11-2013Maria Antonieta Matos
In " Nós Poetas Editamos V"

RUA ESQUECIDA

Ruainativa esquecida

Dovai vem da população

Antigamentecheia de vida

Diae noite de animação


Dasrodas das ”bailaradas”

Dosjogos da rapaziada

Nomeio de tanta algazarra

Dosrisos e das fisgadas

Doschorincos entre topadas

Dosbelos contos de fadas

Erammuito… pequenos, nadas


Subiamàs árvores a brincar

Caiamde lá e voltavam

Ochorar era a chorincar

Eq ando se cortavam

Aagulha e a linha serviam

Emcasa que os golpes se cosiam

Eera ao ar que eles saravam


Sentadosno portado ao serão

Vozesaltas soavam no negro

Entoavaum pregão

Noescuro que arrepiava de medo

Levantavam-sesempre cedo

Musicandoas cardas no chão


Chaminéssempre a fumar

Coma panela de barro ou ferro

Acomida a perfumar

Acuriosidade de quem passa

Apetitenão faltava

Porquede tudo se gostava


Ocolchão mexido e remexido

Paraum bom acordar

Semprebranco era o tecido

Dolençol de renda e bordado

Coma colcha de cadilhos

Esticadapara nada ser notado


Nasribeiras sempre cantar

Aosom da água a correr

Lavavama roupa, punham a corar

Enos arbustos iam estender


Àcabeça o alguidar

Numtroço que o equilibrava

Caminhavama conversar

Ea dor se suportava

Eramas cruzes assim diziam

Dorpela posição curvada

Seestendiam e se torciam

Nomeio de muita risada


Iamà fonte carregando cântaros

Àcabeça e ao quadril

Emqualquer dia do ano

Bebiampor um cocho ou barril


Numcopeiro, havia um copo

Comum napperon bem tapado

Aolado do poial dos cântaros

Cadaum bebia e era lavado


Oaguadeiro corria as ruas

Quemquer água fresquinha?

Traziao copo numa mão

Ena outra a cantarinha


Emcasa se alumiavam

Comcandeeiros a petróleo

Aolusco-fusco as mulher bordavam

Faziamo enxoval de renda

Vestidoscheios de folhos

Eas meias que calçavam


Faziamrodas a cantar

Pause tampas a musicar

Ospais e os vizinhos

Sentadospara os apreciar


24-08-2013Maria Antonieta Matos

SAUDADE

A saudade que se sente

É desejo desesperado!

Por alguém que está ausente 

Do querer ver, ali ao lado

E dizer o que não se disse

Mas quando volta, depois

para quê palavras...tristes

Amam-se muito os dois 

E a saudade não persiste!

 

Maria Antonieta Matos 22-11-2010

SE A DOR SE MOSTRA EM NÉVOAS

Se a dor se mostra em névoas tão pesadas,

Também desponta o lume da esperança;

As sombras passam, breves, mal lembradas,

E o coração na luz de novo avança.

Nas lágrimas florescem madrugadas,

E o pranto rega o sonho que se lança;

Do chão ferido nascem alvoradas,

E a vida insiste, eterna, na sua dança.

Assim, da dor se ergue a claridade,

Um canto brando rompe a escuridão,

Chamando à vida a força da verdade.

Pois quem resiste, e guarda a compaixão,

Descobre em si o brilho da bondade:

Um sol que mora oculto no coração.

Maria Antonieta Matos

SE A DOR SE MOSTRA EM NÉVOAS

Se a dor se mostra em névoas tão pesadas,

Também desponta o lume da esperança;

As sombras passam, breves, mal lembradas,

E o coração na luz de novo avança.

Nas lágrimas florescem madrugadas,

E o pranto rega o sonho que se lança;

Do chão ferido nascem alvoradas,

E a vida insiste, eterna, na sua dança.

Assim, da dor se ergue a claridade,

Um canto brando rompe a escuridão,

Chamando à vida a força da verdade.

Pois quem resiste, e guarda a compaixão,

Descobre em si o brilho da bondade:

Um sol que mora oculto no coração.

Maria Antonieta Matos

SE EU FOSSE O VENTO

Se eu fosse o vento, ia ao teu ouvido
levar segredos feitos de luar,
e em cada rama, leve a sussurrar,
diria o nome teu, enternecida.

Se eu fosse o mar, profundo e comovido,
vinha aos teus pés em ondas descansar,
e ao ver teus olhos claros a brilhar,
ficaria eterna, meiga e repartida.

Se eu fosse estrela, à noite acenderia
um fogo doce sobre a tua estrada,
para afastar de ti qualquer tristeza.

Mas sendo apenas verso e poesia,
ofereço-te esta alma desarmada,
que te ama em silêncio e singeleza.

Maria Antonieta Matos

SE TE LEMBRASSES DE MIM, MEU AMOR?

Sete lembrasses de mim, meu amor?

Quandoa solidão me devasta o peito,

Novazio da cama onde me deito,

Eo espírito vagueia há horas, desfeito.


Sete lembrasses de mim, meu amor?

Quandomeus olhos choram tristes,

Naprocura dos teus e não me viste,

Emeu coração bate forte a pedir-te.


Seriaso aconchego brando, desse dia,

Aestrela que ilumina a noite escura,

Osol que aquece a alma de ternura.


Seriaso meu esquecer a noite fria!

Oforte abraço que eu mais queria!

Oincendiado beijo que tudo cura!


MariaAntonieta Matos 27-07-2014


Pintura do meu amigo Costa Araújo


SEI-TE PRESENTE MEU AMOR

Sei-te presente meu amor
Mesmo quando fecho meus olhos cristalinos
Na calada percorro em ti cada caminho
Tal como a leveza que toca uma flor

Esvoaçando na brisa alumiada de cor
Derretida de essência e desejo
Adivinho na sombra o rosto que beijo
Emaranhada em teu corpo de amor

Meu peito pulsa ao mesmo ritmo do teu
Tuas mãos me prendem neste apogeu
E em sintonia somos tu e eu

Como um poema de muito bem-querer
E o perfume do lírio que encanta o prazer
Dedilham momentos que entranham o ser

Maria Antonieta Matos 28-03-2017

SEJAM FELIZES A LER

Riamde mim… que gosto!

Expressemtodo o sentimento

Riamdos versos que posto

Da pontuação que não pontuei

Dapalavra que destoa

Daqueletermo que usei

Doerro, que não se perdoa

Dosentido que lhe dei

Queao ouvido, a nada soa


Riam…do pouco que sei

Riam…que o riso faz bem

Ea escrever continuarei!


Nãose inibam por um momento

Barafustemdo meu dizer

Sejamcríticos do meu saber


Sejamfelizes a ler!!!!


MariaAntonieta Matos 31-08-2013

SENTIR O ALENTEJO

Alentejotua gente

Sente cada teu olhar

Escreve-te insistentemente

Pondoo coração a falar


MariaAntonieta Matos 05-10-2013

SER VELHO OU IDOSO

Entre o velho e o idoso

Só o rosto pode diferenciar

O idoso com um espirito fabuloso

Só as rugas tem para mostrar

 

O velho pode não ter vivido

O tempo para se enrugar

Mas o espirito envelhecido

A idade vai buscar

 

Ser velho ou ser usado

Longo o caminho, percorrido

Uma história, um passado

Sábio incompreendido

 

Sem ninguém, vive sozinho

Lutando no seu cantinho

Tanto dá mesmo velhinho

E não recebe um só carinho

 

Desprezado vive o presente

Deixando a sua experiência

Uma roda permanente

Sem nenhuma complacência

 

Não perca com idade a alegria

Não deixe a alma desgastar

Com conhecimento e sabedoria

Viva a vida a comunicar

 

A experiência adquirida

E ciência que já tem

Senão fizer pela vida

Da vida recebe desdém

 

Tem os netos para ensinar

E contar muitas histórias

Os amigos, para conversar

Tenha momentos de glória

 

Não queira ser velho tonto

À espera de compaixão

Pois há quem deia o desconto

Confundindo ser ilusão

 

Maria Antonieta Matos  01-10-2012  

SILÊNCIO

Mudo,sem um sequer pensamento

Nemruído por companhia

Tombadonum sono lento

Semqualquer arritmia


Hásilêncio que dá medo

Quandonão há comunicação

Porquemais tarde ou mais cedo

Poderesultar na decepção


Quantapessoa está caída

Nosilêncio por opção

Porquea voz não é fluída

Epode causar impressão


Nacalada do escuro da noite

Nemvivalma se augura

Pormedo não há quem se afoite

Enquantoo silêncio perdura


Osilêncio é oração

Émúsica para os ouvidos

Équerer estar em comunhão

Comos seus próprios sentidos


Sentira forma tão terna

Dosilêncio de um olhar

Quemudo diz coisas tão belas

Impossívelnão amar


Osilêncio reacende

Abusca de conhecimento

Aescrita dele depende

Desteprecioso momento


Àsvezes quero respostas

Osilêncio não me ouve

Atéme vira as costas

Pornão querer que o estorve


27-10-2012Maria Antonieta Matos

SILÊNCIO OCULTO

Deixa-me só, num campo invisível, a chorar por dentro.

Deixa o céu escurecer, para não assistir ao meu pranto;

deixa-me

ser apenas sombra entre sombras,

eco perdido onde o vento já esqueceu o meu nome.

Não acendas as estrelas esta noite.

Elas não precisam de aprender a tristeza

que floresce sem cor no peito de quem ama

e, ainda assim, permanece sem abrigo.

Que a terra receba as lágrimas sem perguntas,

como recebe a chuva de um tempo invernoso.

Que cada gota se esconda nas raízes profundas,

alimentando flores que jamais verei nascer.

Não me procures enquanto o silêncio me veste.

Há dores que só encontram descanso

quando nenhum olhar lhes pede explicação,

quando nenhuma voz lhes exige esperança.

E se um dia o amanhecer insistir em chegar,

que venha devagar, sem promessas grandiosas.

Talvez descubra que, entre os escombros da noite,

ainda pulsa um coração cansado, mas inteiro.

Até lá, deixa-me só,

neste campo que ninguém vê,

onde o mundo continua a respirar

e eu aprendo, em segredo, a sobreviver neste vazio.

SINFONIA DO CORPO

Grita umbraço Grita o outro

Acompasso ritmado

Aosestalidos anda o corpo

Numbramir angustiado

Umaperna que coxeia

Ocoração que muito anseia

A cabeçaatrapalhada

Amemória gaga, falhada

Os olhospiscam sem ver

O ouvidoanda a zumbir

Ai, ui,ah, sempre a doer

Grita avoz para se ouvir

Seránevrite no braço?

Nosossos a falta de cálcio?

Na pernatalvez a ciática

Com estafalta de estética 

Peadaaos ais a manquejar

Na ruanão se pode andar

Ai, ai,ai, esta falta de ar

É atiróide a falhar

Anda amorte a rodear

Dor noestômago, enchimento

Pedrasno rim a saltar

Nestagrande sinfonia

Anda ocorpo a musicar

 

Prisãode ventre, anemias

Glaucomae otites

Um semfim de alergias

Nabexiga uma cistite

Na bocasão as nevralgias

Nabarriga uma enterite

Tanta,tanta, patologia

E corpocheio de sintomas

Micoses,viroses, comichões

Toda aespécie de Infecções

Vem osnervos infernizar

Muitostoques e contusões

Anda ocorpo sempre aos ais

Condenadoa aguentar

Instrumentandoao despique

Para aorquestra começar

 

25-10-2013Maria Antonieta Matos

SINTO O NASCER… O PENDER DO DIA…

Sinto o rolar das águas puras nesse mar,

Que mata a sede à terra tão gretada,

Sinto a brisa e o roçar das folhas a bailar,

Beijando a minha pele de ti agraciada.

Sinto o salpicar da chuva miudinha,

O bafo morno que se solta a embaciar,

Sinto os aromas no ar, a ladainha,

No agitar do dia tão cinzento a chegar.

Sinto as beiras a trautear na calçada,

Plangentes duma magia iluminada,

Deslizando tantos regatos excitantes.

Sinto o crescer das plantas a regalar a vida,

O sentir da gente agradavelmente entretida

O pender do dia para a amar a lua, sua amante.

07-12-2016 - Maria Antonieta Matos

Sinto o palpitar do coração

Meu coração bate acelerado
Sinto ofegar o fôlego inquieto
O peito quase explode disparado
Tocam-me as palavas de afeto

Sinto o palpitar do coração
O beijo caloroso que me prende
A carícia doce da tua mão
O fogo, que em nós acende

Maria Antonieta Matos 05-07-2015

SÓ UM SORRISO ME ACALMA

O teu sorriso desprende o meu,
Numa enorme gargalhada,
Fito os meus olhos nos teus,
E coro envergonhada.

Mas é tão belo o que sinto,
Nesse momento de encanto,
Que desejava que o Mundo,
Fosse sorrisos de espanto.

Quando uma lágrima cai,
No teu rosto meu amor,
O meu semblante se esvai,
Como a murchar uma flor.

A tristeza me consome,
No mais fundo da minha alma,
E o pensamento não dorme,
Só um sorriso me acalma.

Ah! Triste.. tristeza que mata,
O nosso carente coração,
Que bate mais forte e desata,
A lágrima que rola em vão.

04-11-2015 Maria Antonieta Matos



SOL RADIOSO

Amanheçao dia com o sol radioso

Cortem-setodos os males pela raiz

Floresçaa alegria num alvoroço

Resplandecendoa paz com ar feliz

 

Morramas injustiças e as ambições

Sintam opensamento a harmonizar

Acalentemde amor os corações

Sintamcorrer calmo o rio, a trautear

 

Prendamo olhar nas flores a crescer

Ochilrear dos passarinhos a penetrar

Levantemos olhos, para ver e admirar

 

As coresno horizonte transparecer

Orastejar e andar, a lindeza de cada ser

Emudeçam-seem aromas a contemplar

 

30-10-2013Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos V"

SOLIDÃO

SOLIDÃOanda sozinha

Semvivalma andar por perto

Nemsombra se avizinha

Comoparecendo um deserto


SOLIDÃOnão tem amigo

Vivelonge de um olhar

Comose estivesse de castigo

Nãose querendo libertar


Osilêncio e a SOLIDÃO

Juntosformam um par

Andamsempre de braço dado

Noescuro gostam de estar


Ouvindoo barulho do mar

Ea ideia tão longínqua

Sente-seo espírito a relaxar

Ea SOLIDÃO é profícua


Abstraídado mundo

Mesmono meio da multidão

SOLIDÃOé sobretudo

Liberdadepor opção


Àsvezes perde-se da vida

Porser rebelde e cruel

NaSOLIDÃO fica protegida

Suaamiga mais fiel


Tambémpode ser agradável

ASOLIDÃO por companhia

Tornando-seaconselhável

Mudarsempre de moradia


Quandose quer inspiração

Paraas ideias nascerem

Refugiando-sena SOLIDÃO

Viráas palavras tecerem


Paranão sentir SOLIDÃO

Naidade da velhice

Inventedo que tem à mão

Vivaa vida sem chatice


Sehouver mais a dizer

Estouaqui para ouvir

Ese quiser contradizer

Nãose prive para intervir


30-10-2012Maria Antonieta Matos 

SOLIDÃO II

Escondo-me na solidão envergonhada

Nem o sol, o campo verde, me consola

Sinto-me desfalecer nesta abrigada

Perante o saque que me fazem, sem ter nada

Sem asas, esquecida, proibida d' aqui morar

Rasgam-me o ventre, tiram-me o sono e o sonho

Arrancam-me os filhos e os netos para emigrar

Tudo é longínquo, tudo é dor, tudo é medonho

Aqui no escuro levo meu sentido a desorientar

"Vivo" acabada, tiritando e a saudade não tem fim

Espero noite e dia por um carinho, para acalmar

Aguardo a esperança, que não vislumbra em mim

Aqui desesperada vejo as flores, a desgostar

Os lagos, os rios, em silêncio sem me bradarem

Nenhuma brisa, não sinto a alma, cega o olhar

Estou sem ninguém, a perecer, olhos a fecharem

Maria Antonieta Matos 10-01-2014
In NPE " Sentir D'um Poeta"

SOLIDÃO III

Rasgas-me o peito… solidão

Ao ver-te num dissimulado alento,

Sempre no escuro, vexando o ego,

Carregando o estigma, desvairado e cego,

Num repousar sem brio, nem movimento!

 

Acomodas-te no silêncio do tormento,

Sem o brilho do sol, o respirar de cada canto,

O desmaiar e o murmúrio das águas puras, correntes,

O colorido das folhas das árvores, cadentes,

O saborear da maresia, o beijar do vento,

As pinturas das nuvens ondeando céu,

O mar que enrola na areia, num amor só seu,

O luar e as estrelas que a noite oferece,

Para contemplar o amor, que a ti solidão te esquece.

 

Falo-te na beleza da vida,  

Nos desabafos que podias ter,

Na companhia com outro ser,

Na alegria e no prazer,

No sonhar…

no mais sublime olhar…

Compartilhando a vida, no seu livro escrever,

Não te prendas na sombra, ergue-te como a alvorada!

Que vazia e só, não te leva a nada!

 

08-02-2014 - Maria Antonieta Matos

In "Nós Poetas Editamos VI""

SOLIDARIEDADE

O mundo em constante viragem, exige do ser humano uma permanente adaptação, de tal forma que, muitos não conseguem ultrapassar as dificuldades, pelos variados fatores e diferenças!

Muitas famílias vivem sem o mínimo de conforto e subsistência, isoladas da sociedade!
Pela sua insegurança, sem forças para lutar, perante a enorme carga, assiste-se a uma degradação e desinteresse pela vida, que choca e revolta os mais sensíveis!
Atentos a tudo quando nos rodeia, de alma e coração, nas mãos, muitas pessoas partilham com sabedoria, os meios que têm ao seu alcance, para fazer os outros felizes!
A solidariedade surge como uma nova luz de esperança, de confiança e de oportunidade para um novo começo... mais digno!
Solidariedade sente-se como o acordar mágico “Ao encontro de um abraço”.
Bem hajam, os abraços solidários!!!

Maria Antonieta Matos
06-01-2015

SOL-POSTO

Fechoos olhos que cegam perante o olhar divino

Vejouma fulgente luz que se apressa a esconder

Absorvoos cheiros e mergulho no sonho repentino

Oiçono silêncio os passos a musicar, sem entender


Ossentidos envolvem-se e abraçam cada momento.

Magicandointerrogo-me … o porquê? Da injustiça 

Da ganância em que oter, vale mais do que o ser

Destruindosaberes e valores, absortos pela cobiça


Aterra fica assombrada e triste e o céu cora de vergonha

Depoisas cores se esbatem e o sol começa a esmorecer

Naesperança do mundo mudar e a felicidade acontecer


Ficariainternamente penetrada no teu belo olhar, risonha

Masa felicidade, essa era primordial, todos tinham que ter

Eunidos e enlaçados muitos sóis-postos, haveríamos de ver


20-04-2013Maria Antonieta Matos

SOMBRAS DA VIDA

Declinadasobre a mesa, numa manhã em que o dia acaba de nascer,

minhaalma chora!
A tristeza invade-me e o sonho prega-me partidas …
Osolhos se humedecem, não há paladar, cheiro, carinho, canto, quedecifre o momento.

Láfora o sol está radioso, mas gelado este dia … Apagou-se em mim aluz, deixei de ver e ouvir as árvores, os passarinhos e tudo o queos olhos dizem, noutro dia …

Ontemouvi uma reportagem sobre tráfego de pessoas e doeram-me asentranhas!

Pergunto-meonde chegam estas mentes perversas, doentes, ambiciosas, temerárias,que morrendo de medo quando estão por baixo, subjugam o seusemelhante a tremendas atrocidades….

Aohomem, à mulher à criança que indefesos, desesperados,discriminados, atraiçoados, manipulados, massacrados, presos, sãoprivados de seguir os seus sonhos, do carinho da família, dosamigos….

Estranhojeito de amar, de presentear de se mostrar doce mas tão amargo …

Ocoração sai-me do peito a um ritmar gritante, ofegante …
Morraa maldade, a escuridão, o sofrimento, os maus pensamentos….

Avida concede oportunidades todos os dias para mudar!

VIVERA VIDA FELIZ!

MariaAntonieta Matos 29-12-2013

SOMOS ESTRANHOS

Somos estranhos na casa tão cheia,
Cada qual guarda o silêncio em capela,
E da janela, o vento nos incendeia,
Levando beijos à noite mais bela.

O riso ecoa, mas logo se rareia,
Sombra discreta em cortina singela,
E a saudade que o peito semeia
Cresce e se perde na lua amarela.

Mas, se distantes, os corpos se calam,
Nos corações ainda há centelha,
Chamas ocultas que nunca se apagam.

E nesta casa, que o tempo aconselha,
Mesmo estranhos, os sonhos se embalam:
Beijos voando de cada janela.
Maria Antonita Matos

SONHADORES

Elesque sonham despertos

Revirandoo pensamento

Tantoscaminhos abertos

Sãopercorridos num momento


Veemo mundo fantasiado

Arquitetamargumentos

Concebendomuito floreado

Iluminadospensamentos


Navegampelo desconhecido

Numaaventura hilariante

Noamor embebecidos

Enfeitiçama sua amante


Muitasvezes infelizes

Pelarealidade intransigente

Nãocuram as cicatrizes

Porqueo sonho é diferente


26-10-2012Maria Antonieta Matos

SONHAR

Ouçoo bramido do mar

Comose fosse aqui perto

Sintoa frescura do ar

Eo sol bem descoberto

Vejotodo o horizonte

Vejoo prado, vejo o deserto

Vejoali um grande monte

Vejoum caminho incerto


Ouçoo som da ribeira

Esigo todo o seu percurso

Contemplotudo ali à beira

Numsilêncio absoluto


Ouçoo som dos passarinhos

Numchilrear de melodias

Vejoas cegonhas nos ninhos

Vejono bico o que trazem

Pr’aalimentar os filhinhos


Vejoos desenhos que fazem

Noar quando eles voam

Equando os filhos se perdem

Asmães logo apregoam


Vejoas nuvens contrastando

Napaisagem colorida

Eo sol vem se mostrando

Parao crescimento da vida


Vejomuitos animais

Comendono verde prado

Vejomuitos olivais

Evejo o trigo dourado


Vejoos peixinhos do mar

Deslizandoalegremente

Edou comigo a navegar

Numaaventura delirante


Sintoo vento levemente

Comoquem brada por mim

Mostrando-mealegremente

Todaa paisagem sem fim


Vejoos vales e montes

Evejo tudo de branco

Vejogeladas as fontes

Corrotudo sem descanso


Depoisde muito caminho

Océu começa a chorar

Ebalbuciou-se baixinho

Souchuva, vou te molhar


Acordeide contentamento

Porquegosto de me molhar

Sentiro belo momento

Evi sementes a germinar


Oscampos estavam floridos

Pintadoscom lindas cores

Esussurravam zumbidos

Numnamoro às flores


Poisaramabelhas de mel

Coloridasborboletas

Rastejavambicharocos

Nasflores indefesas


MariaAntonieta Matos

SONHO E MAGIA

Ai que saudades eu tenho

Dos contos de encantar!

Que meus pais me contavam

Eu ficava a imaginar...

Pareciam ser bem reais

Como eu acreditava!

Depois de um...queria mais

Era a sonhar, que me deitava.


Maria Antonieta Matos 20-04-2011

SONS

Ondasharmónicas ou ruído

Naturaisou artificiais

Algunsferem o ouvido

Outrosagradáveis de mais


Ochilrear do passarinho

Nosilêncio combinado

Dápara ver o seu jeitinho

Edecifrar o palavreado


Ocorrer do ribeirinho

Numtom muito afinado

Saltaa rã nada o peixinho

Ficao som acompanhado


Maso rugido do portão

Aoabrir ou a fechar

Aoouvido faz confusão

Eno corpo faz arrepiar


Eo estrondo de uma bomba

Uique força e medo dá

Estoirogrande de arromba

Queextermina tudo o que há


Otrovão som semelhante

Causaum grande respeito

Emboranão tão gigante

Nocéu estala esse efeito


Osom do sapateado

Fazmexer todos os sentidos

Osnerónios acalmados

Comomúsica para os ouvidos


Utilizadosna comunicação

Paramusicar ou alertar

Noambiente também estão

Outrossão para matar


Ossons mais apreciados

Sãoos que fazem vibrar

Masos mais harmonizados

Sãomelhores para acalmar


31-10-2012Maria Antonieta Matos

Sorrir é flor que se abre

Sorrir é flor que se abre na madrugada,
perfume leve a erguer-se pelo vento, 
A luz doce, no gesto tão atento,
que faz da dor um nada em mais que nada.

É chama branda, estrela delicada,
a desfazer da noite o desalento;
e em cada riso, em cada sentimento,
a vida torna-se mais abençoada.

Quem ri sem medo espalha primavera,
faz renascer o sol em cada olhar,
e a alma canta livre e mais sincera.

Sorrir é ponte, é dádiva, é luar,
milagre simples, chama que liberta,
que se abre ao mundo inteiro numa oferta.

Maria Antonieta Matos

SORRISOS DÃO-SE…!

Oh! Ninguém compra um sorriso...!
Dá-se livre e espontânea vontade,
Com a emoção que o instante invade,
Espraia o olhar enérgico, tão vivo...!

Ah! Quão meu peito gritava de alegria,
Se esse sorriso rasgado um dia viesse,
Embora sabendo que isso, não quisesse,
Confortava o espírito que avesso morria.

Esse sorriso, que é deleite, que enfeitiça,
Que entoa a paz no mais triste coração,
E irradia o sol no rosto, que outro, cobiça.

Sonho dos mágicos, abertos sorrisos,
A fortuna da vida, que se tem à mão,
Sorrisos dão-se...! Sempre que precisos!

Maria Antonieta Matos, 10-10-2017

SOU ALENTEJO

Humedecidado calor tórrido

Dou-teo meu amor terra ressequida

Omeu labor que te prolonga a vida

Paraque não sejas um lugar mórbido


Caemsobre ti os meus afagos

Minhasmãos te dão o alimento

Chuva,sol, vento são os teus magos

Etu superas todo o meu sustento


Cobresdescendo o azul do teu véu

Omar imenso de tamanho colorido!

Aquecesas gentes com a luz do teu vestido!


Esvoaçampássaros alegres, neste apogeu

Caminhoslibertos, libertando insetos

Animais,de campos repletos


MariaAntonieta Matos 07-07-2014

SOU FEITO DE TOLERÂNCIA

Sou feito de tolerância
O que digo é discutível
Não quero um "MAS" entalado
Que se perde engasgado
Num pensamento sensível

Sou feito de tolerância
Não me amordacem a voz
Que me grita o pensamento
Revolto a cada momento
Com a garganta cheia de noz

Sou feito de tolerância
Tenho as palavras ao rubro
Quero expressar-me livremente
Sem as letras entre dentes
No meu "eu" mais profundo

Sou feito de tolerância
Dou asas ao sentimento
Que a mente desenvolve
Criativa tudo absorve
Na ânsia a cada momento

Maria Antonieta Matos 05-01-2018

SOU MUNDO NUMA JANELA ABERTA

Sou mundo numa janela aberta,
respirando mares que nunca vi,
onde o vento me toca e desperta,
os sonhos guardados dentro de mim.

Sou estrada de passos invisíveis,
sou ponte lançada sobre o ar,
um mapa de rotas impossíveis
que só o coração sabe traçar.

Sou voz de manhã e de horizonte,
sou luz que dança na cortina,
sou montanha, sou rio, sou fonte,
sou a viagem que nunca termina.

E mesmo que o corpo permaneça,
o olhar atravessa o mar e a serra —
sou mundo numa janela que começa
a caber inteira dentro da terra.

Maria Antonieta Matos

SOU PEDRA… ROCHEDO!

Cortaram-me as asas,
Deixei de voar,
E o meu ar de graça,
Fechou-se a chorar!
Cortaram-me a raiz,
Deixei de florir,
Sinto-me infeliz,
Incapaz de sorrir!
Cortaram-me o ar,
Sinto uma aflição,
Deixei de respirar,
Ai o meu coração!
Cortaram-me o pensamento,
Deixei de agir,
Sou cabeça de vento,
Não tenho sentir!
Sou pedra… rochedo,
Que ao toque não mexe,
Sou fruto do medo,
Que ainda permanece!
Maria Antonieta Matos, 29-04-2015

SOU TUDO... E… NÃO SOU NADA

Sou árvore vigorosa, solta
Minhas estirpes me sustentam
São os dentes e a minha boca
Que fazem crescer meus braços
Frondosos que tudo aguentam

Com amor dou flores e frutos
O sol me aquece e roça
A chuva me acaricia e escuto
O sopro da ventania
Que às vezes me arrepia
E ao toque, meu corpo dança

Sou pranto de mágoa intensa
Sou aconchego no ninho
Sou sorriso rasgado, vida
cama e mesa, alma perdida
Solidão, silêncio e espinho

Sou fogo, tristeza, dor
Sou esqueleto ignorado
Sou joguete que muda a cor
Sou um susto, o adamastor
Sou refúgio no triste fado

Sou lenda decorativa
Em palavras de saudade
Sou o rosto embasbacado
Nesse tecer emaranhado
Que desperta ansiedade

Sou a grade do cativeiro
Que não deixa nada passar
Preso sem boca, nem dinheiro
Para um qualquer usar

Sou folha caindo aos poucos
Da árvore que sustenta a vida
Sou baile, euforia de loucos
Para a etérea partida

Sou tudo, e não sou nada
Quando sou luz ou me desligo
Que mereça quando há falha
Que precise e nada valha
Que prevaleça o castigo

21-04-2018 Maria Antonieta Matos

SUBI AO ALTO DA MONTANHA

Subi ao alto da montanha

Sucumbindo de tristeza,

Dos meus olhos caíam lágrimas

Falei com a alma mais estranha

E contei-lhe as minhas mágoas


Ignorou o que contei

E eu sentida mais chorava

Tinha o mundo a meus pés

Mas o mundo não enxergava


Cansada da indiferença

Vi um esplendor de beleza

Estava só em mim suspensa

E quis superar toda a tristeza


Mas vi tanto desalento

uma infinita demência

Gente pobre sem sustento

E em delírios a ganância


Atropelos, muita vaidade

Gente que está de partida

desolada desprotegida

Sem nenhuma alternativa

Ouvi que nasçam crianças!

Enquanto açoitam os pais

E vi muitas de mudança

E eram pequenas demais!


Vi quem tinha vida estável

Uma família, um teto

E quem sem dó irreparável

Separa os membros afetos


Subi aoalto da montanha

Sucumbindode tristeza

E vitanta coisa estranha

Só me alegrou a natureza.


Maria Antonieta Matos 05-10-2014

TÃO LUXUOSA E ATRAENTE

Tão luxuosa e atraente vai certa dama
Na passarela perfumada de vermelho
Sisuda e emproada no olhar da fama
Imaginando-se a bailar refletida ao espelho

No seu íntimo carrega uma patranha  
Que a leva enigmática na jogada musical
Solitária parece que um anjo a acompanha
Na pegada assombrada e infernal

Ao vê-la, enche a sala de cobiça e sorrisos 
Num murmúrio entranhado e caloroso
Andante silhueta com toques tão precisos
Desliza seu corpo nu, alongado e decoroso

Enquanto dura luminosa aquela chama
Tudo são brocados, diamantes e ilusão
Mas a caixa de pandora abre-se e reclama
E todas as dores e desgraças ali estão

Évora, 15/ 01/2022

TÃO PERTO E TÃO LONGE

Tão longe que vejo, sem ver,
Atinando no meu sentir,
Que às vezes me leva a querer,
Que o sentido está a ouvir.

Tão perto parece tão longe,
Quando reina a indiferença,
Que nem o isolado monge,
Nutre tamanha diferença.

Tanta gente que existindo,
Não existe... desmoralizada,
Por alguém que está partindo!

Tanta criança sem ter nada,
Entregue ao próprio destino,
Com a vida amedrontada!

Maria Antonieta Matos 24/09/2016

TÉDIO

Tédio,anda por mim a girar

Diz-semuito meu amigo

Estádoidinho para cá ficar

Ficade gracejo comigo


Nãotenho tempo pró aturar

Emnova arte me abrigo

Otempo passa a voar

Tédiojá anda aborrecido


Játentou vir disfarçado

Maslogo me apercebi

Peloseu jeito enfastiado


Parade vez sair daqui

Alvitrei-lheum álibi

Emandei-o para o diabo


04-09-2013Maria Antonieta Matos

TERENA

Corripor ti, caminhos não desbravados

Brinquei,cantei, chorei e sorri alegremente

Vibreibailando, aqui ficámos enamorados

Nãoesquecerei pedaços de nós na minha mente


Emcada passo cambaleando fui descobrindo

Cadapassagem, cada nome emaranhado

Umagracinha para a família, enternecida 

Quando balbuciava cadapalavra, distorcida


Àluz da candeia contando histórias, me encantei

Nosilêncio cantavam grilos na noite de breu

Palmilheilugares sonhando a realidade que criei


Ouamedrontada no leito rebolava ansiosa

Temendodo sonho que o momento teceu

Sonolenta,soluçando, acordava duvidosa.


22-06-2013 Maria Antonieta Matos

TERENA II

Olhandoa paisagem infinitamente bela

Doalto do monte, debruçada de espanto

Ocastelo e a muralha é a grande janela

Dagente que delicia sublime encanto


Umhorizonte vasto emergindo a natureza

Quererabraçar o silêncio nos próprios sentidos

Einspirar de arte, de tranquilidade e nobreza

Momentosvítreos que nunca serão esquecidos


Osilêncio dos tempos de medos guardados

Ouvir,sentir em cada pedrinha na maior profundeza

Enredose segredos de gentes guerreiras e arrojadas


Osilêncio da memória em livros escriturados

Oespólio do povo que enriquece gerações, pela rareza

Quedesperta o conhecimento e as torna fascinadas


04-04-2013 Maria Antonieta Matos

TERENA TERRA ONDE NASCI

Quelinda terra tu és

Velhinhaperto do céu

ALucefécit a teus pés

Éazul o teu chapéu


Casascheias de brancura

Cadapedrinha conta uma história

Umcastelo onde a luta e bravura

Temum marco aceso na memória


Teusrecantos floridos

Ruelas,igrejas e fontes

Tenspor todo o lado montes

Beloscampos coloridos

Gadopastando no verde prado

Ouvem-semurmúrios e bramidos

Ouve-seo sino lá no adro


Saborese aromas perfumados

Rosmaninho,esteva, alecrim,

Hortelã,poejo entrelaçados

Nocampo, quintais e jardim

Genteque trabalha pela calma

Queconversam pelos cantos

Quese sentam à soalheira

Paraobservarem teus encantos


Passos,parecendo castanholas

Musicandono sossego

Portadose lindas janelas

Entreelas muito apego

Recônditos,“estórias” de amor

Noteu livro escreves segredos

Paixões,medos, desamor

Páginassecretas, enredos


Brincandoa criançada

Livrementeno teu chão

Dão-tesorrisos, gargalhadas

Dãolarga à sua emoção


Ésum lugar de poetas

Apetecívelpor escritores

Tenstuas portas abertas

Parainspirares os pintores


Tenso santuário da Boa Nova

Muitoraro e muito antigo

Quefica ao longe numa cova

Numsilêncio apetecido


Cantigasde Santa Maria

Foramdedicadas a ti

Éspalco de romaria

Ninguémse esquece de ti


Ruínasde culto Endovélico

Anteriorà época romana

Deusluz, Deus maquiavélico

Umadivindade profana


MariaAntonieta Matos 03-03-2013

TEU CORPO ME ENCOSTA E TUDO SE REVELA

Teu corpo me encosta e tudo se revela,
No gesto simples, mora o infinito.
O mundo inteiro some na janela,
E o tempo cala, cúmplice e bendito.

Nos teus suspiros, nasce a minha calma,
Teus dedos sabem mais do que explicam.
Passeiam como preces pela alma,
E os medos, um por um, se justificam.

Não há segredo em nós, só confiança,
Um toque e já sabemos do que é feito:
Metade entrega, a outra é esperança.

E quando o teu silêncio beija o leito,
É como se dormíssemos criança,
Com o amor nos envolvendo, peito a peito.

Maria Antonieta Matos - 2025

TEUS OLHOS DIZEM MAIS QUE MIL PALAVRAS

Teus olhos dizem mais que mil palavras,
Quando em silêncio pousam sobre os meus,
São portos onde as ânsias mais escravas,
Se libertam, buscando os sonhos teus.

Teu riso é luz que rompe as madrugadas,
É brisa que me afasta dos breus,
Na tua pele, as horas são paradas,
E o tempo se ajoelha aos pés dos céus.

Se o mundo é vasto, em ti tudo começa,
No toque teu, meu mundo se revela,
E a vida em mim repousa e se aquieta.

Amar-te é mais que rima ou aquarela:
É ter no peito a paz que não se peça,
É ser feliz sem que o amor se impeça.

Maria Antonieta Matos - 2025

TODO O SER (humano) É DIFERENTE

Todoo ser (humano) é diferente

Nopensar e no falar

Noagir e no tamanho

Nosentir e no olhar


Nopensar, um pensa assim

Outropensa, e, diz que não

Outronão pensa mas diz

Ehá o que a tudo diz sim


Nofalar, um é tagarela

Outroesconde-se pr’a não falar

Outrofala para se mostrar

Háo mudo que não fala

Háquem fale a cantar

Oque gagueja a falar

Eo que fala a versejar


Noagir, um diz que faz

Mesmosem agir pra fazer

Outrodiz não sou capaz

Háo que age, e, não quer dizer

Oque não quer agir, pra fazer

Eo que age, sem se aperceber


Notamanho um é pequeno

Outroé grande demais

Ehá pequeno que o tamanho

Nãodeixa que cresça mais

Outroé grande mas é pequeno

Ostamanhos são desiguais


Nosentir, um tem sentimento

Outroo sentir é maldade

Háo que não quer sentir

Háo sentir de oportunidade

Háo que não diz, sentir

Oque sente de verdade

Ehá o sentir só para rir


Umolhar, todo o tempo admira

Outroolhar, nada quer ver

Outrosonha, que está olhar

Háo que no olhar se afigura

Ehá muita arte no olhar

Háo olhar castigador

Quea todos discrimina

Eolhar vencedor

Quesó de olhar ilumina


Mastodo o ser tem seu direito

Edever para cumprir

Essaigualdade e respeito

Temostodos que admitir

Podemoster sentimentos

Podemosser diferentes 

Mas os deveres e os direitos

Sãometas intransigentes


MariaAntonieta Matos 26-09-201

TOMA-ME EM ABRAÇOS

Toma-me em abraços ternos

Junta aos meus, teus pensamentos

Sente o amor pleno mais sincero

Não te emudeças entre fragmentos

 

Bebe-me como vinho maduro

Saboreia nos sentidos a essência

Sente a bebedeira de amor puro

Grita de felicidade pela existência

 

Sente-me como um desejo

Tal qual a ânsia do dia primeiro

Que me exaltavas de gracejo

 

Prende-me aos teus momentos

Em pujante amor verdadeiro

Não deixes passar os tempos

 

Maria Antonieta Matos 15-09-2013

TROVAS AO VENTO

Ao vento, espalho as mágoas,
Que trago dentro de mim,
Porque o vento chama as águas,
Que determina que as mágoas,
No meu peito cheguem ao fim.

O vento canta e a assobia,
Tudo leva à sua frente,
Nos muros se refugia,
Desmaiado de contente.

Tão doido que é o vento,
Que desfralda as folhas no ar,
Deixando nua, a árvore ao relento,
Como se estivesse a brincar.

Não há força que te aguente,
Ó vento quando te assanhas,
Enfureces e levas rente,
Tudo aquilo que apanhas.

Com tão grande ventania,
Teus cânticos sacodem as flores,
Um sentimento de poesia,
Pelas vestes das tuas cores.

O vento leva sentado,
No selim do seu cavalo,
O corpo tremelicado,
Sem rédea para segurá-lo.

A nuvem sente nos ombros.
O peso do seu caminho,
Enchendo o céu de assombros,
Com o vento em remoinho.

No chão chiam a rodopiar,
O encanto colorido,
Que o vento faz a assoprar,
Numa sonata ao ouvido.

Com o mar brigas às vezes
Fazes tremendo chinfrim,
Que ao longe soam-me vozes,
Parecendo chamar por mim.

Vento suão que feres,
As entranhas do meu ser,
Como punhais interferes,
No corpo dorido a morrer.

Vento brando que o sol aquece,
Que beija doce o meu rosto,
Que faz sonhar, adormece,
Um sono pesado, um encosto.

Vento que folheias o livro,
Que embevecida, estou a ler,
Como se estivesse proibida,
Folheias, folheias por querer.

Com a dor tão pesarosa,
Gritam trovões a estrondar,
Dos teus olhos correm lágrimas,
Como rios a desaguar.

Maria Antonieta Matos 13-05-2016

TUA BOCA VEM LENTA, SEM DEMORA

Tua boca vem lenta, sem demora,
E acende em mim um lume sem medida.
Cada toque é desejo que devora,
Cada suspiro, um passo pra a caída.

Teus dedos traçam mapas na minha pele,
Sabem caminhos que eu nunca nomeei.
E o corpo, quando ao teu calor se apele,
É chama viva — e arde sem porquê.

Gemidos são poemas entre os dentes,
O mundo desfaz-se entre lençóis,
Num tempo onde só somos os ardentes.

E após o fim, são nossos corpos sós,
Unidos, exaustos, nus, incandescentes,
Num chão sagrado feito só de nós.

Maria Antonieta Matos - 2025

TUDO NEGA O BICHO INQUIETO

Voltaria a sonhar o sonho,
Onde as asas me levavam,
Livres com ar tão risonho,
Que de alegria choravam,
Mas não viam tal tamanho

O horizonte se mostrava,
De par em par tão ardente,
Que faminta me espraiava,
Nesse olhar confidente,
E ao seu colo desmaiava.

Voltaria a sonhar o sonho,
Que sonhei e foi tão breve,
Neste abrigo vazio tristonho,
Pelo acordar se descreve,
Mas com garras me oponho.

Voltaria a andar na rua,
Sem disfarces que sustento,
Caminhando de fronte nua,
A roçar-me ao doce vento,
E às escondidas com a lua.

Voltariam os afetos,
A reunião alargada,
A existência dos netos,
Que nesta vida parada,
Tudo nega o “bicho” inquieto.

Évora, 16-05-2020 – Maria Antonieta Matos

TURBILHÃO

Escurece o dia na terra,
flutuem ondas no céu,
Acena o verde na serra,
O vento traz armas de guerra,
E o mar enfureceu.

Ouviu-se pranto e lamúria,
Aflição e desespero,
Solidão em pedra dura,
Tão longe na mente s' afigura,
Turbilhão em destempero.

Arrasta tudo o qu' apanha,
Tresloucado a fulminar,
Carros, casas em águas idas,
Multidões num sufoco, desvalidas,
Contra o vento a devastar.

Desvanece tudo ao redor,
Não há luz a iluminar,
Escasseia o pouco alimento,
Rodopia, leva-o o vento,
Pelas ruas a boiar.

Animais numa agonia,
Enleados, esfarrapados,
Tanta agitação, emergência,
Luta-se pela sobrevivência,
Avistar apavorado.

08-09-2017 Maria Antonieta Matos

UMA FESTA

Atravésda vidraça, manifesta-se a natureza

Ovento agita as plantas, as árvores

Musicandopara que dancem, e as flores

Ospássaros esvoaçam com leveza

Océu mostra nuances de branco e cinza

Ocasario branco e vermelho, contrasta as cores

Achuva tamborilando cada nota, e os amores

Devez em quando um clarão

Eo ribombar do trovão

Osolo embriaga-se de bebida

Derramade cheio, correrem regatos

Afesta continua alta hora, destemida

Naeuforia surgem desacatos

Atéque da folia o cansaço amoleça

Eo sono caia, e sonho aconteça


07-03-2013Maria Antonieta Matos

VAI-TE EMBORA 2020

Vai-te embora dois mil e vinte
Nem saudade vás deixar
Fiquei tão sozinha em casa
Sem poder ver a alvorada
No meu Alentejo, a raiar

Senti-me morrer de tristeza
Sem saber do que me escondia
Entretinha a minha mente
E via o confinar crescente
Na ânsia que em mim crescia

Deixei de olhar o vasto campo
Pleno de flores, de muitas cores
O céu do meu Alentejo
Que só da janela vejo
Sem brisa, cheiro e sabores

Para preencher o vazio
Inventei-me a cada momento
Para afugentar a peçonha
E a saudade tão medonha
Da família que amo tanto

Sabe-se lá quando a guerra acaba?
Quando nos voltamos a encontrar?
Se temos a mesma liberdade?
Se matamos toda a saudade?
Se nos voltamos a abraçar?

Há um receio deprimente
Se essa grade não se liberta
Do vírus que nos assola
Do amor que nem consola
Do toque que não desperta

Saudar o vasto horizonte
Do meu Alentejo tão lindo
O desejo que não dispenso
O sorriso… esse alento
Que tarda e está suspenso

Meu sol que vives ausente
No sentir da minha alma
Leva as mágoas para sempre
Deixa meu coração ciente
Que em breve tudo se acalma

Évora, 04/01/2021, Maria Antonieta Matos

VALE MAIS TARDE DO QUE NUNCA

Vale mais tarde o passo que desperta,
Que cedo andar sem rumo ou direção,
Quem busca a luz, ainda que na incerta,
Descobre enfim o fruto da lição.

Não conta a idade, mas o coração,
Que ousa crescer com força sempre aberta,
Aprender faz da vida renovação,
E vence a noite a esperança desperta.

Jamais é vão recomeçar a estrada,
Pois cada dia encerra um novo ensejo,
De erguer o sonho e dar-lhe nova voz.

Quem aprende transforma a caminhada,
E encontra, em cada humilde bom desejo,
Que mais vale aprender... ainda após.

Maria Antonieta Matos

VAMOS AFINCAR O DENTE

Vamos afincar o dente 

A quem parece demente

E não se importa com a gente

E só se mostra indiferente


Levam o tempo com desculpa

Uma desculpa esfarrapada

Mas o povo vai à luta

Que está a ficar sem nada


Vamos afincar o dente

Até que muito lhe doa 

Verem o que a gente sente

Para não fingirem na boa


Seu interesse salvaguardo

Docemente há argumentos

Pensam que o povo é tapado

E esticam-se em inventos


Vamos afincar o dente

Sem ter dó nem piedade

O mesmo fazem com a gente

Ao tirarem a liberdade

Maria Antonieta Matos 19-10-2011

VAMOS BRINCAR - VAMOS FAZER UMAS QUADRAS

Vamos fazer umas quadras
Puxar pela imaginação
Brincando com as palavras
Numa completa sedução

Numa sequência de palavras
Uma rima procurar
E acabar as quadras
No espaço que está a faltar

Desenha uma figura 
Com quatro lados iguais
E vê a sua estrutura
Ela é bonita ……demais  

Os ângulos são todos rectos
E o nome é um quadrado
Noventa graus são certos
Em cada vértice dos …..lados

Se desenhares três linhas
E unires os seus pontos
Puxa por uma pontinha
E observa os seus ……cantos

O triângulo tem três bicos
Uma forma original
Encontras em muitos sítios
E o ângulo pode não ser …..igual

Há a forma circular
Tal qual está cheia a Lua
Também podes desenhar
À noitinha na tua …rua

Se duas linhas de lado
Cresceram mais um bocado
Sai o rectângulo beneficiado
Fazendo inveja ao ……quadrado

Com estas formas tu podes
Fazer uns lindos bonecos
Uns magrinhos outros fortes
Ou então faz uns ……..Tarecos

Com ideias e concentração
Tens muito para explorar
Faz um carrinho ou carrão
Faz o teu cérebro …….trabalhar
                                      funcionar
O paralelepípedo
Que nome tão estranho
Repete comigo
É fácil, não me… engano

Têm volume e forma
Faces, vértices e arestas 
Há excepção à norma
São formas geométricas

É sólido geométrico
A base é um círculo
Sobem todos os pontos
Termina num bico

O querer e atenção
Tudo se resolve
Chega à solução
E desenha o Cone

Em baixo e em cima
São círculos iguais
Desenha o cilindro
Com um pouco mais

Se num ponto fixo
À distância ligares
Um conjunto de pontos
O que podes achar?

É linda a esfera
E seus movimentos
Semelhantes à terra
Girando andamentos

É uma unidade de medida
De volume ou capacidade
Enches uma porção líquida
É o litro a …quantidade

É uma unidade de medida
E contêm o seu volume
Um metro cúbito é a saída
Da encomenda do.. costume

Tens o metro para medir
Tudo o que é linear
Estás aqui para decidir
Os metros que queres levar

O quilograma para pesar
É uma medida de massa
Já me estou a inquietar
Que o peso já ultrapassa

Se tiveres uma planície
E queres medires a superfície
Tens as medidas agrárias
Para resolver sem chatice

Se tiveres um terreno
E queres medires a superfície
Tens as medidas agrárias
Para resolver sem chatice

Superfície uma grandeza
E tem duas dimensões
O m2 sem surpresa
Resolve as situações

Enquanto área
É medida de grandeza
Considerada 1 número
Com toda a certeza

O metro quadrado
Unidade fundamental
Para medires ao quadrado
A área que queres achar

É uma unidade de medida
De capacidade ou volume
Se derrubar a bebida
Não tens litro que te ature

Maria Antonieta Matos -08/07/2011

VAMOS BRINCAR COM AS LETRAS

Vamos brincar com as letras,
Soltar vogais pelo chão,
Fazer danças com consoantes
No compasso da imaginação.

O A abre asas no ar,
O E esconde-se a sorrir,
O I, imenso, põe-se de pé, valente,
O O ousado, começa a fugir 
O U, único, dá voltas no vento,
Sempre pronto a descobrir.

O B balança no ramo,
O C, cínico, faz de meia-lua,
O D, desenha e sonha em segredo,
O F, fugaz, voa na rua.
O G, dá gargalhadas
Com o H que continua.

Juntos criamos palavras,
Pontes feitas de sons,
Como se o mundo inteiro
Coubesse dentro de tons.

E no fim da brincadeira,
Com as letras todas na mão,
Fazemos versos e histórias
Vindas do nosso coração.

BRINCAR COM O ALFABETO

A andorinha azul voa no céu,
Brinca o burro junto ao carrossel.
Cães correm livres pelo campo,
Dançam folhas num outonal encanto.

É o eco que vibra na serra,
Fala o vento, murmura a terra.
Gatos vigiam da janela o luar,
Hienas riem num sonho a pairar.

Irrisório parece o tempo a passar,
Junto ao rio, vejo barcos a atracar.
Kms de sombra sob o sol,
Lágrimas brilham num velho farol.

Mares enunciam mistérios do sul,
Nuvens navegam num tom de azul.
Órbita vaga do olhar que se perde,
Pássaros cantam em liberdade verde.

Quimeras dançam no canto da mente,
Risos ecoam de gente contente.
Serpenteia o rio num ziguezague lento,
Tocas de vida escondem sentimento.

Um universo em vogais e consoantes,
Ventos varrem vales vibrantes.
Waffles, talvez, num lanche ideal,
Xailes voam num vento outonal.

Yogas no campo, paz a nascer,
Zelam os dias por nos fazer crescer.

Évora, 24-07-2025 - Maria Antonieta Matos

VELHA INCOMPREENDIDA

Na dobra da manhã ficou sentada,
com mãos de tempo e olhar de maresia,
ninguém escuta a voz já enfraquecida,
que outrora foi centelha iluminada.

Passam-lhe ao lado a pressa apressada,
o mundo surdo à sua travessia,
cada ruga é memória que alumia,
uma existência inteira atravessada.

Chamam-lhe velha — como se a idade,
roubasse à alma o fogo e a lucidez,
ou apagasse o brilho da verdade.

Mas há nos seus silêncios altivez,
quem muito amou conhece a eternidade
e aprende a suportar a solidão de vez.

Maria Antonieta Matos, 2026

VENDAVAL

Numzunido inesperado

Batemportas e janelas

Umescuro no céu nublado

Fazparecer estar numa cela

Tudocomeça a voar

Ventoe chuva desvairados

Levampessoas a cambalear

Empostes estão encostados

Umremoinho no ar

Muroscaídos e estruturas

Gentesestão em amargura

Árvorese carros a nadar

Asruas estão inseguras

Ascasas a destelhar

Vejoum dia pavoroso

Pontescaídas, muita lama

Cheiasque levam as camas

Otrovão se ouve bombar

Orelâmpago luminoso

Umaárvore está a rachar

Ea faísca a incendeia

Nadaestá a restar


Assirenes alertam o perigo

Andatudo em alvoroço

Porquemerece este castigo

Agente que tem tão pouco?


Sãoos menos protegidos

Osque mais pagam na vida

Numinferno sempre metidos

Lutandosem saldar a dívida


23-01-2013Maria Antonieta Matos

VENTO SUÃO

Domina-te oh! Vento Suão,
Não me estrague o meu dia,
Que a cabeça fica em vão,
Nos olhos pega um nevão,
No ouvido uma agonia.

Não sei quem te deixa assim,
Tão enraivado correndo,
E vens descarregar em mim,
Cheiros, dores e afins,
E os sentidos me vás moendo.

Levas-me às cegas voando,
Secas as flores lá no campo,
Vens como alma penada,
Tudo cortas de rajada,
Onde passas... há desencanto.

28-04-2017 Maria Antonieta Matos

VI VOAR UMA BORBOLETA

Vi voar uma borboleta,
De flor em flor no jardim,
Tão bela, colorida, de orla preta,
Dançando as asas sem fim.

Estava reinando feliz
No seu mundo glorioso,
Respirando olor da Liz,
Pousando um ar curioso.

Num sol muito iluminado,
Mais a cor resplandecia,
Nos meus olhos regalados.

Beijava a flor saciada,
E nessa quietude morria,
Dessa essência inebriada.

17-06-2020 Maria Antonieta Matos

VIAGEM DOS ALIMENTOS

Amente incomodada

Pelossabores da comida

Fazos órgãos agitar

Paraa refeição ser servida

AsMÃOS a levam à BOCA

OsDENTES a vão triturar

Coma saliva e a LÍNGUA

Acomida vai enrolar

Passadepois pela FARINGE

Fechandoa porta à laringe

Pormedo de se engasgar

Assimempurra para ESÔFAGO

Quetem os NERVOS a controlar

Conduzindoo alimento

Comseu músculo aglutinar

Eescorrega para o ESTÔMAGO

Quetudo vai separar

ABILÍS entra ao serviço

Coma água a misturar

Eescolhe o que é preciso

Parao CORPO se alimentar

OSANGUE todo contente

Correnas VEIAS sem cessar

Crescesmais em cada dia

Tudomexe com energia

Todoo corpo a funcionar

Atépronto para procriar


Depoisde muito trabalhar

OESTÔMAGO vai canalizar

PelosRINS e INTESTINOS

Tudoo que do dele restar

Indodos RINS por canal fino

NaBEXIGA vai ficar

Àespera de encher o saquinho

Eter peso para despejar

Outro,sai dos INTESTINOS

Umdelgado outro mais grosso

Atéa BARRIGA avisar

Queo ÂNUS quer defecar


Évora,05-12-2012 Maria Antonieta Matos

VIVO CATIVA EM TEU CORPO

Vivo cativa em teu corpo 
Meu peito bate incessante 
Ansiosa dos teus beijos
Ancorada em desejos
Revoltos d´ abraços ardentes

Vivo a caminhar nos teus passos
Como uma sombra bailando
Esvoaçando nos teus laços
Entre toques meigos que de faço 
No teu corpo baloiçando 

Vivo… tua companheira eterna
Como o orvalho na flor ao amanhecer 
E à noite sempre a luz duma lanterna
No horizonte o perfume numa caverna
Ouvir nossa canção na nudez acontecer

Vivo na dor, no prazer, na tristeza n´alegria 
Sempre a considerar a mudança 
Uma cura inquieta porém oso sabedoria
No amor… condimentos, euforia
A cada ano, a cada dia, inundada d’ esperança

14-10-2021 Maria Antonieta Matos

VOU PROIBIR A TRISTEZA!

Vou proibir a tristeza
De sonhar no pensamento
Vou ser forte, fortaleza
Para acabar com o sofrimento

Vou proibir que haja trancas
Onde se esconde a solidão
E abro rios de águas mansas
A correr de chão em chão

Vou proibir a doença
Que amarra qualquer pessoa
O não acreditar na esperança
Consentir o que magoa

Vou proibir que exista a dor
Que a tristeza vem consumir
Vou abrir campos de flores
Quero ver todos a sorrir

Vou proibir que haja fome
O abandono de crianças
A injustiça que não dorme
A maldade e a ignorância

Vou espalhar a alegria
Vou abrir todas as portas
Vou dar largas à magia
A tristeza me revolta!

Maria Antonieta Matos 20-07-2015
Pintura: Costa Araújo
PLANÍCiES DO VAGAR · Maria Antonieta Matos
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