Chuva são gotas de água
Que caiem do céu
Como uma alvorada!
São nuvens carregadas
De gotas paradas
Que quando se rompem
Saem disparadas
E molham e molham
Quem não trás chapéu
E são muitas as vezes
Que fico molhada
Porque o vento soprou, o chapéu…
Para a retaguarda!
Eu gosto da chuva
Do encanto que trás
Mas não das travessuras
Que ás vezes faz!
Gosto de olhar
Por trás da vidraça
Ouvir á lareira
O tilintar com graça.
Gosto de olhar
As flores a vibrar
De contentamento,
Vejo-as a gracejar
Quando vem o vento
Gosto de contemplar
E ficar…
No meu pensamento
Maria Antonieta Matos 07-01-2011
Pintura de meu amigo Costa Araújo

Na madrugada telintavas veloz na minha vidraça,
Para que eu ouvisse o teu canto àquela hora,
Assobiava o vento, abanava porta que dava graça,
Mas não me atrevia, embora queria,
Aquele toque pl'a noite fora.
Maria Antonieta Matos 25-03-2018
Minha ânsia parte pr' além do meu pulsar,
Meu coração não cabe dentro do peito,
Os olhos são como punhos a chorar,
Dou voltas e mais voltas, na cama onde me deito!
A dor nasce espinhosa, atormentando,
O pensamento incendiado a fervilhar,
A cabeça mais complica todo este estado,
Que mais parece a morte a querer vingar!
Mas como sofre tanta gente na solidão,
Que nem um ai … entoa tanto vazio,
Nem uma alma caridosa lhe estende a mão!
Tanta dor que abarca o medo da insegurança,
Do condenado injustiçado p'lo carrasco frio,
Apavorando a mente até à morte, sem ter esperança!
18-11-2014 Maria Antonieta Matos
Oiçoos burburinhos de gente, na rua a passar
Oestrondo duma porta que parece fechar
Obarulho da feira misturando a música e as vozes
Sintoos cheiros e o trepidar da sardinha a assar
Ocorpo e o pensamento, induz-me a desanuviar
Calcorreiona calçada até à feira, que fica a um passo
Paroe pasmo para ver a criançada a delirar
Ea gente animada, outra enjoada às voltas no ar
Opó espalha-se como uma nuvem, torvando as vistas
Apedrinha entra no sapato novo e começa a picar
Ficopressionando o pé no chão até ela se soltar
Comfolgo ainda, percorro cada exposição de artistas
Cadamostra de saberes, e engenhos me vêm mostrar
Artetendenciosa que leva sem querer no momento a comprar
22-06-2013 Maria Antonieta Matos
Ondulando a vida,
Como as ondas do mar...
Por vezes de longa saída,
Lutando sem cessar...
Não perdendo o rumo,
Para a vida ajustar!
Só, a fé e a esperança,
Percorrem o Ser,
Carecido de mudança,
Pra nada, temer!
E,
Levanta-se a força d'apetecer
Como um furacão
No rochedo a bater,
E faz tremendo safanão
Para a vida s'erguer!
São metas, caminhos,
Torpedos, desalinhos,
Ou são alegres momentos,
Suaves os ventos,
Um refletir estrelado,
Ondas derretidas,
Sorrisos estampados!
Nesse caminhar
Flutuando sem peso,
Desvanece-se o medo,
Abre-se o coração,
Sente-se o aconchego,
Vibra a emoção,
Unem-se as mãos,
É a força da vida,
Que tudo supera,
Sempre decidida,
Motivada, austera!
Maria Antonieta Matos 04-08-2015
Em cada dia que leio
Alimento o meu saber
É assim que eupremeio
A instrução quevou ter
Um dia estoumotivada
Tudo consigoaprender
Outro, não aprendonada
Pareço desaprender
Assim com pequenopasso
Um para trás doispara frente
Aprendo nestecompasso
A leitura me farádiferente
Maria AntonietaMatos 29-08-2012
À tardinha-quando o sol se deita
Sai a lua a vigiar
Os tristes que andam na rua
E os amores pra namorar
Caminha por toda a noite
Carinhosa e conselheira
E sempre os amores provoca
Para alarve brincadeira
Conversa sorri contente
Se esconde pra nos espreitar
Para que sintam saudades
Desse seu iluminar
Tem tamanha maroteira
Na forma de s’ enfeitiçar
Que surge bela e formosa
E espelha-se nas águas do mar
Caindo na sua lindeza
A chama dos seus amores
Valsa ardendo em desejo
Num âmago de sonho e fervor
Misteriosa e confidente
Traz ao colo a existência
Anuncia a sua sorte
Guia a morte e a inocência
As estrelas são suas aliadas
Enfeitando o firmamento
Entre luzes e risadas
Dos que sonham o momento
Num leito em braços de amor
Suspiram perfume da rosa
A vida ganha outra cor
Nesse alvorecer cor-de-rosa
Maria Antonieta Matos 16-07-2019
Oiço eterna luz do pensamento,
Que me envolve subitamente neste anseio,
Que desdobra em emoções e enleios,
Minhas mãos que pintam agraciado momento.
Surpreende-me e leva-me longe, tão perto,
Renasce como a fonte inesgotável,
Como ter dentro a criança inseparável,
Que emerge e se deslumbra no deserto.
Canto o amor que na tela deito,
Abro a chama que os meus olhos veem,
E encadeio os teus sem preconceito.
Toco vivamente o sentir do meu pensar,
Acordo a leveza e o rasgar das cores,
E espero de ti a loucura de gostar.
23-03 2018 Maria Antonieta Matos
Rostos que marcam uma era
Que não morrem na memória
São ecos da nossa esfera
Que acendem palcos de glória
São mitos cheios de magia
Poemas... ímpetos ao ouvido
São traços d' arte que se cria
Num dedilhar instruído
Emoções que o semblante revela
De riso, inquietação ou prazer
Que o lápis fantasiando modela
Luz que reflete no íntimo do ser
A cada retoque de beleza na tela
E fortifica a quietude e faz a saudade volver
12-04 2018 - Maria Antonieta Matos
Lá no alto da colina, junto ao largo do jardim,
Há uma casa iluminada que parece não ter fim.
Tem varandas rendilhadas, mil janelas a brilhar,
É a mansão da Mariquinhas, toda a gente a comentar.
Ai, Mariquinhas, que grande mansão,
Com lustres de ouro e fonte no salão.
Mas quem lá entra ouve esta canção:
Vale mais um abraço que toda a ilusão.
Tem piano na sala grande, tem espelhos pelo ar,
Tem cortinas de veludo e um relógio a badalar.
Mas no meio de tanta riqueza, de tão fina decoração,
Falta o riso verdadeiro que aquece o coração.
Ai, Mariquinhas, que grande mansão,
Com lustres de ouro e fonte no salão.
Mas quem lá entra ouve esta canção:
Vale mais um abraço que toda a ilusão.
Numa noite de luar claro, Mariquinhas foi pensar,
De que serve tanta prata sem alguém pra partilhar?
Abriu portas e janelas, pôs a mesa até ao fim,
E chamou toda a vizinhança para um baile no jardim.
Hoje a casa está mais viva, ouve-se gente a cantar,
Há gargalhadas pelos cantos e crianças a dançar.
Pois aprendeu a Mariquinhas, sem luxo nem condição,
Que a maior das grandes riquezas mora na união.
Ai, Mariquinhas, tua bela mansão,
Agora tem vida, calor e emoção.
Porque o verdadeiro tesouro, meu irmão,
É ter amor a morar no coração.
Com florinhas no cabelo a Mariquinhas faz furor,
Quando passa na viela, toda ela é graça e cor.
Traz um xaile azul aos ombros, leva o sol no seu olhar,
E até a lua se demora só p’ra a ver passar.
Na mansão da Mariquinhas há segredos de encantar,
Há guitarras nas janelas sempre prontas a tocar.
E ao cair de cada tarde, quando o sino dá sinal,
Já se dança e já se canta num arraial sem igual.
Ó Mariquinhas, menina de eleição,
Tens nas mãos a alegria e no peito uma canção.
Quem te vê logo suspira, sem saber bem a razão,
Se é das flores no cabelo, se é da luz do coração.
- Diz mal do trato que te faço,
Da sombra, sente ciúme,
Prende-me com um curto laço,
Trata-me com azedume.
- Diz que me amas, nessa cegueira,
Alimenta o teu estigma doentio,
Faz-me acreditar que é passageira,
E não mudes esse teu mau feitio.
- Zomba de mim, que me aquieto,
Repete!... O que faço, nada é prolífico,
Que já nasci sem horizontes e, por aqui fico,
E estagnarei na água podre, como um dejeto!
- Muda de tom, conforme o plano que te dá jeito,
Que eu moribunda e serena tudo aceito,
Como uma tola, que eternamente deve respeito!
- Mede a distância que de mim tem, o teu olhar,
Esfria o afeto que ainda tenho, para te dar,
Que tarde ou nunca,
Quando me quiseres,
me vás achar!
18-11-2014 Maria Antonieta Matos
Sem pensamento que me acuda,
Estou vazia sem pensar,
A memória anda muda,
Não me consigo achar.
Estou perdida num labirinto,
Sem encontrar a saída,
Nem sei explicar o que sinto,
Cercada na própria vida.
Em apuros esforço a mente,
Para me lembrar, me lembrando,
Esquecendo constantemente,
Palavras que não comando.
O cérebro anda cansado,
Não faz nada para dormir,
Tem o sono bem pesado,
Mas vai teimando a refletir.
Quanto mais teimoso fica,
Mais se esforça a procurar,
Pensando que s' justifica,
Levar a noite a pensar.
Maria Antonieta Matos 13-08-2015
Olho vislumbrada a natureza através da vidraça!
O pensamento rodopia exuberante,
O vento assobia e sopra… e, as plantas mostram o seu ar de graça,
Fixo as árvores num vacilar dos ramos,
O esvoaçar das aves galantes, elevando o canto,
Na paleta de cores… que cercam o horizonte,
Escorrem as gotas de água, alimento e pranto,
Da chuva intensa que se vai esgotando!
No astro, o arco íris desce à terra como um manto,
E o sol espreita a iluminar as nascentes,
Feitiço emaranhado no campo,
Um despertar de sons místicos de águas correntes!
Viajam seres caminhantes, arquitetos de traços,
Desvirtuados de gosto,
Que ferem a beleza, causam embaraços!
Ao saciar dos olhos… baços
Mas a natureza se incumbe de criar,
E a lente espelhada dos olhos a mirar,
Surpreende os sentidos sempre a divagar!
Maria Antonieta Matos 18-04-2015
Ai …! O mundo no mesmo barco
Num balançar que dá medo
Sozinhos sem um abraço
Que nos conforte tão cedo
Um pavor do invisível
Um confronto sem igual
A um vírus destemido
Tão diferente do habitual
Não escolhe pobres, nem ricos
Nem local, nem País
Na terra, ar ou mar
Não escapa gente por aí …
Há uma união mundial
Com esporádica resistência
Que aos poucos tomam consciência
Do risco fenomenal
Todos se unem pr’ o combate
Ao surto que nos invadiu
Que dispara a cada instante
Com esforços como ninguém viu
Todo o mundo se debate
Para evitar a pandemia
Onde o sobre-humano é real
No universo de assimetrias
Sem carinho sem piedade
E sem dignidade gente pr’a cova
Sem um ai que nos comova
Sem a despedida que resolva
Num tempo de ambiguidade
Com receio uns dos outros
A distância é obrigatória
Para que o vírus não se pegue
E se propague sem demora
Calem-se as armas de guerra
Centrem-se em exterminar o monstro
Que cego em qualquer caminho
A qualquer vai ao encontro
A sanidade e a economia
Estão a par nesta desgraça
Que a humanidade não previa
E que a todos ultrapassa.
Na esperança que tudo passe
Outra alma se levanta
Atentos, mas confiantes
Que outro mundo vai renascer
Mais humano, mais solidário
Todos livres para crescer
Entretanto fique em casa
Não ponha em risco ninguém
Para o bem dos nossos guerreiros
Que nos protegem tão bem
24-03-2020 Maria Antonieta Matos
Artede gerir ou manipular
Aliciandoos eleitores
Como estilo que diz governar
Sobrepondo-seaos opositores
Umaforma de alcançar
Avantagem desejada
Commeios e arte de conquistar
Podere defender sua causa
Atitudeou a orientação
Apoiadano interesse coletivo
Conhecimentoda questão
Comum conceito expressivo
Motivopolémico ou não
Educacional,financeiro
Dajustiça, comunicação
Dacultura ou interesseiro
Existeuma estreita ligação
Entrepolítica e o poder
Numos meios quer atingir
Noutro,tem autoridade e querer
Sãotão poucos os que veem
Esentem no seu coração
Daquelesque sabendo, falseiam
Sendoromânticos de ilusão
Estaforça vai cegar
Populaçõespersuadidas
Nodia que vão votar
Aeste teste são submetidas
Háum certo secretismo
Noque é verdade ou mentira
Eum certo fanatismo
Dopoder que tudo tira
Umprograma bem pensado
Doque diz implementar
Umdiscurso marcado
Comtruques para influenciar
MariaAntonieta Matos 26-11-2012
Saem-me palavras sem nexo
Vivo num mundo da lua
Ando revirada do avesso
Fico especada na rua
Penso estar num tempo antigo
Não tenho a noção do tempo
Perco-me no espaço que sigo
Não tenho um minuto assento
Visto-me e dispo-me esquecida
Repito-me a cada momento
Canso o melhor pensamento!
Soletram-me cada palavra
Como no primeiro ano de vida
E a mente gasta se "olvida"!
Maria Antonieta Matos, 04- 09-2014
A saudade é tão perversa no meu peito,
tão fatigado,
Que carrego em cada dia, o peso da eternidade...
Oiço a tua voz, sinto o teu olhar presente,
O teu reflexo, no meu viver
espelhado.
Em cada esquina, em cada lugar,
escreve-se a memória desse momento ausente,
Um sentimento em chama ardente,
que na profunda nostalgia,
meu coração quer apagar,
o que sente,
Essa dor complexa que não parte,
Que me abraça porque não esquece,
Que tropeça nos meus passos,
porque apetece...
Empoeirada num disfarce!
Vem sorrateira na noite escura e invade
A intensa saudade!
Meu Pai
Sinto-te alegre e tão brincalhão,
A mais bela cor no meu coração,
Que a saudade entristece de negação.
Assim deduzo...
Que a saudade pode ficar,
Eternamente te amar,
Mas existir em cada segundo,
Sorriso aberto para o mundo,
No mais nobre jeito de gostar!
Maria Antonieta Matos, 18-05-2017
A saudade faz viajar
A mente que nos eleva
Não importa o quê lembrar
Mas a vida tudo há-de achar
Que ao coração nos afeta
A saudade rege o olhar
Que um momento nos retrata
Seguindo o dom de criar
Nesse foco a delirar
Na mente que se desata
A saudade abre um sorriso
Daquele instante passado
Vagueando de improviso
Nas asas do paraíso
Soltando o choro salgado
A saudade abre os braços
Ao amor que nunca esquece
E deixa marca, deixa laços
Em cada ano por onde passo
Que essa loucura acontece
A saudade tem harmonia
No tom da pele a roçar
Das cores que o tempo fazia
Da chuva, do rio que corria
Das flores no campo a teclar
A saudade tem perfume
Que se entranha no sentido
Tem fogo, tem azedume
Uma paixão um ciúme
Desse sopro tão atrevido
A saudade tem sabor
Do manjar da nossa avó
Tem um quadro, uma estima
Uma canção, uma rima
Um desejo de estar só
Évora, 20-02-2022, Maria Antonieta Matos
Caem gotas escassas e brandas,
Com meiguice a beijar a vidraça,
Parecem olhinhos da ciranda,
Que o vento a traz de banda,
Oh! Chuva tens tanta graça!
Fixei-te cheia de saudade,
Que não tardei a sorrir,
A pensar com esta idade,
Nunca te senti fragilidade,
E tão custosa de parir!
Não te ausentes por mais tempo,
Que fico triste na desventura,
A lutar contra esse tempo,
Esperando-te a qualquer momento,
Mesmo que tragas loucura!
27-02-2018 Maria Antonieta Matos
Sombra que emitas os gestos,
Da pessoa que te guia,
Com passos de luz te afastas,
Em perfeita sintonia.
Me acompanhas pela vida,
Às vezes me pregas sustos,
Outras estás tão divertida,
Não despegas um minuto.
És a noite mais assombrada,
És o peso da consciência,
És a vida mal passada!
És rocha inerte ou ciência,
És tempo passado e futuro,
És mistério ou secreta maledicência!
Maria Antonieta Matos 21-07-2014
Pintura do meu amigo Costa Araújo
Escondes-meem caminhos curvilíneos, com pedras e bicos,
turbulentos,movediços, escorregadios com buracos e picos,
comtorrões, confusões, labirintos…
E vensconvencer-me a passar por aí
E eu,cega… enfeitiçada na tua lábia … por aí…caí
Queresdecidir o meu destino, falas-me de mansinho,
Estreladode promessas… e eu no triste fado, tropeço sem ti
Ah!Quantas falsas histórias, inventadas, forjadas
Comfalas entoadas me veem cativar?
Quetarde do mau sonho eu consigo acordar
Mas aí,estou arruinada, acabada,
alucinada,caída na podridão… e de ti só recebo humilhação
Compras-mecom ofertas, para saciares teus desejos,
cúmplicesde pejos, para me deslumbrar, e eu que não vejo….!
Sóconsigo ver… o que posso ganhar… o meu bem-estar!
Delicias-mecom muitos sorrisos, afagos atrevidos, ousadias,
Depoisquando me dou … tu me atrofias
Venscheio de maldade, falsidade, habilidade, que desculpo!
Porânsia deste VÍCIO que me tortura a mente….!
Soualma penada, caída prostrada sem vida sem nada
Soutroça da gente, que se diz decente, sou perigo eminente
Vivo àmargem da incompreensão, sou fraca de expressão
Nãooiço ninguém e maltrato quem me quer bem
Teiasda vida, enleios que me vejo metida, sem guarida, ferida
Na másorte prometida, mal escolhida, sem que me deixe uma alternativa
MariaAntonieta Matos, 31-03-2014
In NPE " Eternamente Poeta"
A tristeza me invade, e em ondas frias,
Espraia-se em meu peito, em noite escura;
São tantas dores, tantas nostalgias,
Que o mundo inteiro em pranto se figura.
Vejo os destinos presos às agonias,
E a luz do sol se esconde, pouco dura;
O tempo escoa em lôbregas porfias,
Sem dar alívio à dor que se segura.
Mas dentro da penumbra há resistência,
Um sopro brando insiste em me elevar,
E rompe o véu cruel da decadência.
Pois mesmo no luto se a alma ousar
É prova de esperança e de presença:
Quem sente a dor, ainda pode amar.
Maria Antonieta Matos
A vaidade quando impera, nada presta,
Que valha o motivo dessa mudança,
Porque esse enlevo tão-pouco resta,
No tempo, esse requinte também cansa.
A vaidade quase sempre é reversa,
Faz pensar o que não é,
Esconde-se na falsa modéstia,
Vive habilidosa, perversa,
Para quem usa de boa-fé.
Convencida no seu ego,
Vive em bicos de pés,
Bandeia-se de lado pr'a lado,
Com seu aspeto elevado,
Mostrando aquilo que não é
Maria Antonieta Matos 12-05-2018
Às vezes queria esconder-me numa densa fortaleza
Para enfrentar todos os medos, mágoas e tormentos
Ficar solitária a meditar para superar essa crueza
Numa briga constante com os meus pensamentos
As vezes queria ser a pedra estática indiferente
Aquela que não ouve, não se sente e nada pensa
Tão robusta e submissa às pisadas de tanta gente
Sem sentir a dor e as palavras ditas com ofensa
As vezes queria destapar toda a sombra desse véu
Mas penso ainda se resistir irei ter lugar no céu
E o tempo, tudo muda, porque tenho amor de sobra
As vezes ainda julgo que é amor, essa impiedade
Por não ter ódio nem experimentar tanta maldade
E pelas desculpas em que o amor se desdobra
18-03-2019 Maria Antonieta Matos
Não esperes colher as flores
Se não semeares o jardim
Porque perfume e cores
Vão só depender de ti
Abre teus braços à vida
Que a vida se abre em abraços
Cresce, esforça-te na subida
Não deixes perdidos teus passos
Arregaça com fervor
A autoestima de viver
Vive o presente com amor
Deixa o passado morrer
Procura na natureza
A luz que brilha e não vês
Caminha, que encontras beleza
E vive pleno, outra vez
Não cismes e não te encantes
Com estímulos imaginários
Dominadores da mente
Tão enganadores... falsários
A oportunidade se alcança
Na força de muito querer
Acelera que a esperança
É sempre a última a morrer
Não caias em tentação
Mede todos prós e contras
Porque uma má decisão
Só o tempo faz as contas
Floresce e vê as coisas
Pelo lado mais positivo
Liberta o pensar e ousa
Não amedrontes o tino
A vida fez-se para viver
A vida tem energia
Viver faz-nos mais crescer
Com prazer, paz e harmonia
Maria Antonieta Matos 21-07-2015
Abrilhanta-se o dia na minha rua,
As cores descobrem harmoniosas,
Ouvem-se melopeias e prosas,
Dançam as folhas da árvore nua.
Os pássaros procuram novo abrigo,
Num lugar mais acolhedor,
Nos beirais provocam o amor,
Dia a dia enfrentam o perigo.
De vez em quando o dia sombreia,
O sol brinca ao esconde, esconde,
A vida corre como um rio em cadeia.
Os olhos comtemplam toda a teia,
O corrupiar do vento engalanado,
Como tendo braços que a terra semeia.
Maria Antonieta Matos, 04-02-2017
Acordei com teu beijo abençoado
Abracei-te carinhosamente nos meus braços
Senti teu alento no meu colo idolatrado
Que gemia de emoção no nosso laço
A luz do sol resplandecia na janela
Oferecia maior esperança o novo dia
O amor fazia parte da nossa cela
Como um palácio luxuoso cheio magia
Um passarinho a cogitar no parapeito
Entre a vidraça transparente, tão altivo
Espreitava enternecido o nosso leito
Refletindo o seu olhar surpreso e cativo
Évora, 28-01-2022
Vítreos olhosadmirando
Ondeada serra deprata
Matiz de corespintando
Socalcam notas emcascata
Presépios povoam avertente
Corre o rio lá novale
Espelhos de águacorrente
Cai branco e azul oteu xale
Quem te vê tãosublimada
No sossego a meditar
Por ti ficadeslumbrada
Embebida a relaxar
Aromas se cruzam aperfumar
Quando sopra aventania
Enche-se o peito dear
Afaga o rosto amaresia
Os sentidosdisparados
Esculpindo a belapaisagem
Num coraçãoacalmado
Na grandiosa miragem
Maria Antonieta Matos 16-12-2013
Aguadeira do Alentejo,
Tão esbelta assim nasceu,
Que o vento atrevido, tua veste sopra,
E nesses contornos adormeceu.
Maria Antonieta Matos 31-10-2016
Ah! Pintor… poema de sulcos,
Sempre além a conceber,
Essência que só grandes vultos,
Assim riscam sem aprender.
Vem da alma tanta beleza
Rodopia o lápis certeiro
Anseia a mente com destreza
Ah! Pintor artista inteiro!
07/01/2016 Maria Antonieta Matos
Ah!Se soubessem que o sonho
Viveem cada movimento,
Nosol, na sombra, no vento
Nalua, no cultivo, no rebento
Nocalhau mais duro e tosco
Noolhar dum vidro fosco
Norio das águas correntes
Nosbicharocos, nas serpentes
Nasárvores verdes e às cores
Nasestações do ano, mil sabores
Nocolorido das casas
Naschaminés com as brasas
Nascascatas e nas fontes
Nomais belo horizonte
Hásempre um sonho a espreitar
Noflorir do imaginar!
Ah!Se soubessem que o sonho
Viveem cada pobrezinho
Nochilrear do passarinho
Noinocente menino
Nasolidão do idoso
Nodoente, no revoltoso
Nacarroça, no caminho
Naneve, com tudo branquinho
Nachuva, nas gotas de orvalho
Nasbrumas, no mar salgado
NoCéu todo desenhado
Nasnuvens do céu cavado
Hásempre um sonho a espreitar!
Ah!Se soubessem que o sonho
Viveno sentir, no olhar
Napaisagem, no viajar
Namontanha alta e baixa
Ouno vale a verdejar
Hásempre um sonho que quer
Umpoema te inspirar!
Ah!Se soubessem que o sonho
Viveem nós a perfumar
Emqualquer canto do mundo
Nocampo, no mar, no ar
Nomais belo respirar
Nomistério, na magia
Numareal fantasia
Todos podemos sonhar!
MariaAntonieta Matos 13 01-2013
In "Nós Poetas Editamos VI"
Aia crise, ai a crise
Nãohá quem lhe ponha mão
Muitosestudos e previsões
Quetremenda confusão
Cachimóniasinteligentes
Quenão trazem resultados
Pobrezinhosdeprimentes
Cadavez estão mais tramados
Aia crise, ai a crise
Jámanda o FMI
Essesé que são felizes
Comemtudo o que se ganha aqui
Vemcom grande bagagem
Masanda tudo a andar para trás
Cobramjuros impagáveis
Eo governo o que é que faz?
Andacheio de atenções
Paracom estes comilões
Quenos vendem ao desbarato
Enos levam os milhões
Eo governo anda abstrato
Aia crise, ai a crise
Paraonde vai este país
Reviradodo avesso
Estáa ver-se o mal começo
Aindavamos para Paris
Jánão temos quem trabalhe
Oque faz com que isto mexa
Sóempregam quem comanda
Tiram-nostudo sem deixa
Usamde grande retórica
Como mundo desigual
Masé tudo só teórica
Tratam-noscomo um animal
Estátudo a minguar
Atéaquilo que foi feito
Nãohá nem para remendar
Eaté nos tiram o leito
Nemque seja mau negócio
Nãoadmitem o seu jeito
Estãosempre a se desculpar
Comar muito satisfeito
Semnada para justificar
Todoo trabalho mal feito
Aia crise, ai a crise
Tudoserve de desculpa
Qualquerdia vão ver
Portugalpor uma lupa
MariaAntonieta Matos 21-04-2012
Aio estado lastimoso
Emque está este país
Andaalguém muito guloso
Quepensa ser poderoso
Acrescer-lhe o nariz
Jánão existe classe média
Professorespara ensinar
Estáa torna-se em tragédia
Aprendere estudar
Asaúde está a acabar
Opovo já está sem cheta
Comose aguenta a depressão
Seeste estado não se endireita
Pagamal a quem dá lucro
Emuito bem ao astuto
Quefaz o povo cair
Parao andar a servir
Semo mínimo de dignidade
Masonde está a humanidade?
Sóexiste falsidade…
Ailiberdade, liberdade
Acabaramcom os direitos
Consignadosna constituição
Osdireitos são defeitos
Valorizamo ladrão
Nãoo que rouba para comer
Maso que se quer encher
Quetremenda confusão
Casaisdesempregados
Comas contas para pagar
Vêm-sesem ordenados
Ecom os filhos a chorar
Ogoverno bem sustentado
Acrescentaausteridade
Nãocorta o seu ordenado
Fomentaa desigualdade
Deixafechar as empresas
Nãolhes dá estabilidade
Desesperoe incertezas
Éum poço de dificuldades
Jovenssem segurança
Apoiam-senos velhos pais
Queesticam sem a esperança
Queos filhos não precisem mais
MariaAntonieta Matos 24-04-2012
Ainda não me conheces.
Conheces o meu nome,
talvez o meu sorriso,
as palavras que escolho mostrar,
mas não o silêncio onde tantas vezes me encontro.
Ainda não me conheces.
Não sabes das tempestades
que aprendi a atravessar em silêncio,
nem das cicatrizes
que já deixaram de doer,
mas nunca deixaram de contar uma história.
Vês apenas o reflexo da superfície.
A profundidade exige tempo,
presença,
e a coragem de permanecer
quando já não há máscaras para admirar.
Ainda não me conheces.
Porque ninguém se revela inteiro
num primeiro olhar,
nem num punhado de conversas.
Somos livros escritos em capítulos,
e há páginas que só o afeto
tem o privilégio de ler.
Se um dia me conheceres,
não será por aquilo que digo,
mas pelo que faço quando ninguém vê;
não pelos dias fáceis,
mas pela forma como enfrento os difíceis.
Até lá,
não me julgues pela capa,
nem pelas sombras que possas imaginar.
Porque há pessoas
que parecem simples à distância,
mas carregam universos
que só o tempo consegue apresentar.
Ainda não me conheces...
e talvez seja precisamente aí
que começa a beleza
de um verdadeiro encontro.
De repente surge alentejana bela e jubilosa,
S’ agiganta e floresce no vítreo olhar, tela famosa,
Braçada de louro trigo enfeita o seu regaço,
Que ilumina o tempo, os dias dos meus cansaços.
Alentejana que o calor tosta e zurze tua pele como fogo,
Que a energia não falta e irradia o dia todo,
Que a par dos homens versejas e entoas essa lucidez,
E a originalidade fascina o mundo ufano outra vez.
17-02-2017 Maria Antonieta Matos
Alentejo da minh’ alma
Muito se fala de ti
Depreciando a calma
Como uma erva ruim
Penso que é a inveja
Que muito, os faz falar
Não conhecem tua grandeza
No pensamento a trovar
Se te vissem com os meus olhos
Ficavam tão deslumbrados
Que eternamente seriam
Do sossego apaixonados
Bem no meio da natureza
De olhos fechados a ouvir
Entranha paz e a leveza
No coração o sentir
Alentejo… luz, perfume,melodia…
Desabrochar da sua gente
Trovas que embalam o dia
Ao ritmo de vozes diferentes
Alentejo veste-se de olhares
Já não passa despercebido
Vai pelo mundo a cantar
Alentejo desmedido
A terra domina o sonho
Transpira o povo d’ emoção
Flui a mente e o ar risonho
Bate mais o coração
06-02-2015 Maria Antonieta Matos
Enquanto as mãos labutam, a sua mente
Entranha os momentos reveladores
Que descrevem 'estórias' de muita gente
Ensinamentos procurados por doutores
Quando o dia amanhece no Alentejo
Tantas agruras se passaram pelo campo
Homens, mulheres corajosos, nesse festejo
Relatam o sentir, a compasso, todo o encanto
Quando a tarde surge em dia quente
O corpo enfadado cai sonolento
Mas quando à noite se reúnem alegremente
Entoam cantigas naturais do pensamento
Quando no inverno o frio aperta e dói
A azáfama fricciona o corpo gelado
O calor transpira os poros… a vida mói
Mas o dia se agiganta num tom bem afinado
No silêncio apaziguador são trovadores
Semeando palavras de amor
Da terra são cientistas sonhadores
Do tempo têm olhar descobridor
05-02-2015 Maria Antonieta Matos
Alentejo é natureza,
Onde se avista o infinito,
O mar, o céu, a terra é beleza,
E o cante é tão bonito!
Alentejo a sua gente,
É contada com humor,
Pelo modo de falar,
Pela forma de expor!
Alentejo veste-se de branco,
De azul e ocre a enfeitar,
E o vermelho para alegrar.
Cada estação tem um encanto,
No inverno correm rios de pranto,
E no verão é sol e mar.
No Outono as folhas dançam,
Ao toque da ventania,
Ó vento que tanto assobias.
Pões alegre o tapete do teu chão,
Com tão harmoniosas cores,
São as folhas, mas parecem flores,
Ah! Ofereces tanta emoção!
Primavera cobre-se de colorido,
De luz e olhares curiosos,
Os pássaros cantam divertidos,
Alentejo primoroso!
Maria Antonieta Matos 29-01-2017
Alentejo inspirador
Eleva-me só de te olhar
Ao meu passar, abres cores
No campo p'ra me cortejar
Na primavera raiam flores
Entre o verde disparador
Malmequeres e papoilas
Salpicam o lindo esplendor
Pela noite a maresia
Gotas d'orvalho te afagam
Neste leito de amor
Bichinhos ali se amagam
Depois chega a alvorada
O sol dá o bom dia
Saem pássaros da ninhada
Sonidos de melodia
Num despique natural
Paz de espirito a apaziguar
Entoam cigarras e merlos
Cegarregas e grilos
Num silêncio a explanar
Para quem ouve escutar
E encantar-se a sonhar
Canta o galo no seu poleiro
Acorda a gente que dorme
E faz saltar do galinheiro
As galinhas de uniforme
A vida começa a surgir
Vem a chuva num vai, vem
Vem da alma a poesia
O sentir que a gente tem
Correm regatos e rios
Desfraldados enchendo o rego
Saciando as plantas do estio
Que o verão as seca cedo
Os animais de noite e dia
Correm o tempo a pastorear
Sob a velha copa acarram
Enquanto o sol abrasar
Vestem-se os montes de branco
Teu chão perde-se ao avistar
De azul te cobre o teu manto
Nuances, pairam a realçar
As vinhas mudam as cores
Conforme o tempo que passa
À mesa levam os sabores
Uvas,vinho ou em passa
Oliveiras e azinheiras
Azeitonas e bolotas
Os azeites de primeira
Os aromas e as compotas
Os queijos muito apreciados
Os enchidos saborosos
São pelo mundobadalados
Por embaixadores vigorosos
Alentejo musical
Entrelaçado no canto
És pintura divinal
Cresce molhares de espanto
Alentejo, não te esqueço
Mando lembranças daqui
Ouvintes de todo o mundo
Sempre Alentejo é aqui
A Rádio Solar de Londres
A quem muito agradeço
Na pessoa de Manuel Venâncio
SEMPRE ALENTEJO não te esqueço
MariaAntonieta Matos 25-09-2013
Alentejo janela aberta,
De largos e soltos horizontes,
Onde a beleza ressalta,
O sol ardente tudo abrasa,
Povoam de branco os montes.
A luz clara, o azul do céu,
O passeio dos passarinhos,
Tantos cânticos, asas ao léu,
O esplendor que adormeceu,
O sonho a vaguear caminho.
Alentejo de tradições,
De "estórias" inolvidáveis,
De poemas e canções,
De música nos corações,
De gente linda e amáveis,
Alentejo dourado mar,
Espera-te a lua cheia,
Ao lusco-fusco a bailar,
espreitando a namorar,
Os amores na sua teia.
Maria Antonieta Matos, 19-07-2017
Vejoprofunda tristeza
Nosemblante deste povo
Quenão augura certeza
Terestabilidade de novo
Erade fácil resolução
Nãohouvesse interesseiros
Queprovocam confusão
Metemmedos e receios
Háum mundo que se liberta
Dasgarras dos ditadores
Ehá outro que acoberta
Avolta dos opressores
Todoo ser tem o direito
Deviver em liberdade
Denão faltar ao respeito
Mostrare ter dignidade
11-11-2011Maria Antonieta Matos
Tudo parecia calmo e puro,
No silêncio da alvorada,
Parecia sair de um casulo,
A luz há tanto esperada.
Não se adivinhava o sono,
Estava demasiado inquieta,
A noite era de Outono,
Fiquei de janela aberta.
Voavam livres os passarinhos,
Correndo aos bandos no céu
Outros aconchegavam-se no ninho
De cabecinhas ao léu.
Num sossego de pura calma,
Olhava tal esplendor,
Não augurava vivalma,
Neste sonho multicolor.
Ouviam-se pouco a pouco,
Murmúrios de gente a passar,
E não tardou o alvoroço,
Para o pensamento molestar.
Sentia os olhos pesados,
Mas não podia dormir,
Tinha o cérebro revirado,
E o barulho a consumir.
Maria Antonieta Matos 29-09-2011
Amanhã o dia, já não será igual,
Como tantos outros, por muitos anos já passados,
Muda o pensar, mudo eu e, mudas tu o visual,
Perpetuará a história das cidades e dos estados!
Amanhã o dia, será cheio de emoções,
O tempo muda, nasce uma flor, surge um amor,
Sucumbe e nasce cada ser vivo e as estações,
Sempre na esperança que amanhã seja melhor.
Amanhã o dia, nascerá livre e cantando,
Sem amarras, como um passarinho alegre, voando,
Na estreita paz, os amantes feiticeiros de fulgor.
Amanhã o dia, não mais nascerá rude,
Porque hoje já fiz tudo quando pude,
Para que amanhã seja o dia de esplendor.
20-10-2014 Maria Antonieta Matos
Euquero amar eu quero amar a natureza
Poder sentir, a liberdade, olhar as cores
Observaro horizonte, tanta beleza
Existir,viver sentir os cheiros e os sabores
Olharas estrelas cintilando luminosas
A luamudar de face, vê-la crescer ou minguar
Percorrercaminhos, poder voar
Meaconchegar nas nuvens fofas, a sonhar
Acordara contemplar o sol nascer
Correr,saltar, ficar alegre, poder mirar
Osrios, os montes e os animais adormecer
Ouvir osom inspirador dos passarinhos
Nosramos das árvores a saracotear
Estarem silêncio escutando seus segredinhos
03-04-2013Maria Antonieta Matos
Ao olhar o azul do céu iluminado
Onde repousas de riso aberto a fantasiar
Coras a tela no universo… sempre apaixonado
Das mais lindas cores de pintar
De asas ao sol e ao vento a estremar
Na mais pura inspiração… que arrebata
O sonho eterno brinca sempre aprofundar
As cores dançam ao som da mais bela serenata
E nessa enormidade a tua alma pura
Abrilhanta a terra de formosura
Que grita de saudades de ti
Coloquei uma escada até ao céu, aqui do adro
Onde expões agora os teus quadros
Para declamar meus versos também aí
Maria Antonieta Matos 23/04/2019
Tenhoum jardim de flores
Perfumandoo meu dia-a-dia
Enfeitadocom lindas cores
Enchendo-mede alegria!
MariaAntonieta Matos 27-08-2012
Amizade amormaior, provida de cumplicidade
Fragrânciadesinteressada que não se extingue
Não conhece nossosdefeitos, exalta as qualidades
Sempre de livrevontade, sem nada que a obrigue
Amizade é umsentir de conforto amenizada na dor
Desabrochando emcada dia a alegria e a felicidade
Nada mais belo queas gargalhadas enchendo de cor
Compartilhado cadaensejo, enquanto dura a amizade
Nada faz porcaridade, não anda de mão estendida
Amor que falaverdade com confiança desmedida
Presente sempre aigualdade, reina cheia de virtude
Inteira de corpo ealma, uma ligação de bem-estar
Flor perfumada ecolorida, tem as pétalas a ressaltar
Iluminando o coraçãode grandeza e juventude
14-05-2013 Maria Antonieta Matos
Amizadeamor maior, provida de cumplicidade
Fragrânciadesinteressada que não se extingue
Nãoconhece nossos defeitos, exalta as qualidades
Semprede livre vontade, sem nada que a obrigue
Amizadeé um sentir de conforto amenizada na dor
Desabrochandoem cada dia a alegria e a felicidade
Nadamais belo que as gargalhadas enchendo de cor
Compartilhadocada ensejo, enquanto dura a amizade
Nadafaz por caridade, não anda de mão estendida
Amorque fala verdade com confiança desmedida
Presentesempre a igualdade, reina cheia de virtude
Inteirade corpo e alma, uma ligação de bem-estar
Florperfumada e colorida, tem as pétalas a ressaltar
Iluminandoo coração de grandeza e plenitude
14-05-2013Maria Antonieta Matos
Amorque um fósforo acende vigoroso
Serevela num só peito emaranhado
Verte emoções a palpitar, sonhoextremoso
Commil desejos, do sentir aconchegado
Amorenfeitiçado, que não desagarra
Seenciúma e desencanta, a outro olhar
Amordoentio, amor louco que atrapalha
Amorsincero, que nada tem para cobrar
Emtodos os amores, há uma loucura
Segredo,desavença e ternura
Temperoque a multiplicidade faz durar
Numaamizade enternecida enquanto firme
Umaatracção perdidamente a respirar
Amorse ganha pela vida a respeitar
10-10-2013- Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos V"
Amor d’uma vida inteira,
A perfumar cada etapa,
Como o vinho de primeira,
Pomada quando se destapa.
Pelos anos envelhecido,
Sempre a inovar doce, intenso,
Muda o tom, apetecido,
Fica o sabor em suspenso.
Cada vez mais envolvente,
Não passa um sem o outro,
Se um está mais deprimente,
O outro se mostra mais afoito.
Assim a vida s’ encanta,
A renovar em cada dia,
Porque males o amor espanta,
E passam os anos com alegria.
25-09-2018 Maria Antonieta Matos
Amordevia ser a chama ardente
Lume semtimidez e ressentimentos
Oculminar de agradáveis momentos
Naharmonia um amor vivo e quente
Exaltaçãoa brilhar em delírios e desejos
Enternecidono enlace da paixão
O saciaraceso no entranhar dos beijos
Gritandoamor, amor - a voz do coração
Amordevia estar de corpo inteiro
Nopensamento amor primeiro
Estarnum só corpo o mesmo sonho
Amordevia ser um sentimento puro
Viver norespeito no olhar seguro
Amordesanuviado, amor risonho
05-11-2013Maria Antonieta Matos
In " Poesia Sem Gavetas III"
Amor é chama
É desejo do outro ter
Alegria, dor, paixão é loucura
É perdão, é prazer, é cura
É um sentir de muito querer
É saborear o momento
Sem pressa, sem hora, sem tempo
Um olhar apaixonado
É união, é força, é ser amado
É amar a todo o tempo
É felicidade plena consentida
É proteção desmedida
É segredar coisas lindas
É beijar, tocar é ferida
É não ter idade, é companhia
É realização, plenitude
É ter o sol é juventude
É viver em harmonia
É um sentimento puro
É ver luz até no escuro
É natural, é fiel, é euforia
É triunfar quando tudo está perdido
É ambição, é paraíso
É saúde, é surpresa
É arrepio, é não ter nenhum juízo
É não duvidar, é namorar, é sorriso
07-01-2013 Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos VI"
Andaum barco a navegar
Àderiva no mar alto
Todoso estão a querer comprar
Porqueestá ao desbarato
Chamaram-lhePortugal
Hátremenda confusão
Unsdizem que é imoral
Maschega-se à conclusão
Seremos mesmos que lá estão
Acausarem todo esse mal
Sacodema água de cima
Paraoutro se molhar
Eo seu nariz logo empina
Paranele descartar
Hápiratas por todo o lado
Querendoo barco afundar
Tirarproveito deste estado
Pôra gentes a mendigar
Parecemmuito santinhos
Nãotem nada a esconder
Fazemdo povo parvinhos
Paratudo deles comer
Estãoa esvaziar o barco
Atirandotudo pró mar
Maslá vão enchendo o saco
Numfundo, querem guardar
Cáse fazem cá se pagam
EDeus está a mirar tudo
Semesperar há uma viragem
Edeixam de ser uns pançudos
07-01-2013Maria Antonieta Matos
Meu amor,
Espelha-me um sorriso grasso,
A gargalhada franca
que contagia o mundo,
Solta-a bem lá do fundo
Para tocar meu coração.
São os pequenos nada, que enriquecem meu viver,
A minha forma de ser,
O júbilo, o meu bem querer.
o êxtase e o prazer.
Canta-me... que eu fecho os olhos e deixo chegar o sonho,
Aquece meu peito de ânsia e calor,
Num alvoroço tamanho de amor.
Assim embriagados de gestos ternos,
Tão simples, tão belos...
Encontram-se os corações em mudas palavras,
Sentem-se trinados no peito em sintonia,
Profunda acalmia no conforto do abraço,
Em carinhoso espaço.
Maria Antonieta Matos, 30-05-2017
Antecedemomentos de pânico
Reaisou irreais
Ânsiae muito desânimo
Sensaçõescorporais
Sensaçãodesagradável
Angústia,muita aflição
Inquietude,indesejável
Cheiade grande excitação
Ossintomas de fatiga
Faltade ar ou estar sufocado
Umarrepio na barriga
Coraçãomais acelerado
Otórax a apertar
Algumatranspiração
Ea boca a começar secar
Ansiedadeé emoção
Ansiedadese acarreta
Semàs vezes saber como
Oestado biológico afeta
Provocandogrande transtorno
Ansiedadepor viver
Mudaro estado das coisas
Atéimpede de comer
Mesmosem a pessoa querer
Ansiedadepor um trabalho
Porter a família às costas
Nãoter pão e agasalho
Estaremfechadas todas as portas
Ansiedadepor um amor
Correspondidoou não
Sentira chama ou a dor
Oaperto no coração
Adoença gera ansiedade
Umestado geral debilitado
Omedo e a sensibilidade
Deixao doente amargurado
Umasituação de perigo
Oumesmo de adrenalina
Numao medo está contigo
Noutrapor gosto alinha
20-11-2012Maria Antonieta Matos
Há muito que não renovas as tuas telas,
Como fazias em cada um amanhecer,
A ouvir as vozes do Alentejo e a canta-las,
Empolgado, sorridente na pintura a renascer.
Há muito que o vazio silencia o espaço,
Que a saudade vive em cada teu lugar
Ávida de claridade, de alegria, de um abraço,
Do espelho que projetas no teu olhar.
Há muito que tuas mãos estão quietas,
Que os pincéis estão cansados de te esperar,
Nutre-se a falta do teu astro colorido de poeta.
Embora acredite que continuas a sonhar,
Que abispas o pormenor nessa janela aberta,
E eternizas esse teu amor numa noite de luar.
13-03-2019 Maria Antonieta Matos
Aparênciaé a imagem
Vistanuma perspetiva
Talqual uma miragem
Podenão estar definida
Aofixar uma pessoa
Faz-seuma radiografia
Aimpressão às vezes é boa
Ea realidade atrofia
Ajuíza-sea aparência
Osemblante não cativa
Contudoa sua essência
Sótempo a valoriza
Quandointeressa mostrar
Umaspeto convincente
Tudoserve para mascarar
Iludindoaquele momento
Estefenómeno encobre
Asábia imaginação
Quemais tarde se descobre
Quefoi tudo encenação
Avirtude ou a maldade
Nointerior anda escondida
Nãomostrando a realidade
Noseu ar logo à partida
Novestuário também é igual
Tudose confunde no belo
Porbaixo anda todo roto e afinal
Tráscasaco para escondê-lo
Encapotadosna aparência
Mostramaquilo que não é
Atémesmo na competência
Enos canudos até
Desconfieda aparência
Nãoembarque de uma vez
Mostrea sua coerência
Observetudo com altivez
08-11-2012Maria Antonieta Matos
Apesar da minha idade, continuo em aprendizagem,
como rio que segue um curso, sem perder a viagem.
Cada ruga que trago é mapa da minha vivência,
mas o saber renasce sempre numa nova experiência.
Os anos não encerram o brilho da descoberta,
nem fecham a janela aberta para o mundo.
Aprender é caminho, é chama que perdura,
é dar à própria vida mais sentido e ternura.
Ainda escuto o tempo com sede de entender,
pois há sempre um horizonte a chamar-me para crescer.
E trago esta certeza, serena e verdadeira:
quem aprende até ao fim mantém a alma inteira.
Maria Antonieta Matos - 10-05-2026
Aproxima-se a noite no dia tão negro,
Navego nas águas tão escuras de medo,
Ao longe um farol ilumina o rochedo,
E sinto arrepios na noite que é dia,
Tão gelada, tão fria,
As horas, tão cedo.
As ondas s' enfurecem na areia,
Tapam e destapam o meu leito,
Oiço o choro da Sereia,
Querendo namorar o meu amor-perfeito.
O Sol escapa-se envergonhado,
Beijando a lua à socapa,
Num momento coroado,
Que a nuvem cúmplice faz de graça.
Aconchego-me a ti, meu amor,
Pulsando meu peito que sentes bater,
Abraças-me com jeito no manto sedutor,
Que atenua o pranto no fundo do SER,
Que aquece a alma,
Tão frágil mais calma
Sempre a renascer.
Depois descobre o dia numa luz clara,
E livres ao vento voando no céu,
Trocamos olhares, sentimos desejos,
No sonho de amor vamos tu e eu.
14-01-2018 Maria Antonieta Matos
Aqui num canto esquecido,
No meu olhar mais profundo,
Vislumbro o horizonte tão belo,
Como príncipe num castelo,
Que se sente senhor do mundo.
Sorri-me o sol... hilariante,
O vento oscula... meu peito,
As estrelas brilham sem fim,
E com a lua, olham por mim,
Cobre-me a chuva onde me deito.
Pasmo com as luzes da cidade,
O sonho acompanha-me longe,
Como um pássaro em liberdade,
Voando com graciosidade,
Mas recatado como um monge.
Sou rico... tendo tão pouco,
Nada me pesa que me canse,
Tenho chão... tenho cascalhos,
Tenho o sol como agasalho,
No infinito um grande alcance.
Pensativo em cada dia,
Sou delicado e tão forte,
Vivo sem medo... de mão vazia,
Regalo o estômago de fantasia,
E os dias passam por sorte.
Nasci d'um momento de amor,
Num dia de grande fracasso,
Herdei o mundo como amigo,
A família deu-me o castigo,
Aprendo tudo quanto faço.
Maria Antonieta Matos 03-02-2018
ODuarte sempre muito atento
Aosfenómenos da respiração
Nãose cala por um só momento
Quersaber todo o seguimento
Eo que tem a ver com o pulmão
Jáme tramastes ó rapaz
Voupensar para te explicar
Nãosei se vou ser capaz
Masnada custa tentar
Ocorpo humano precisa de ar
Éessencial para viver
Tudose pode comprovar
Coma respiração a suster
Vásdizer que tens falta de ar
Ecomeças a inspirar
Encheso teu peito de ar
Senteso corpo a aliviar
Pelasnarinas entra o ar
Fluipelas cavidades nasais
Ondetem células para cheirar
Mucosase ainda mais
Ospêlos, para a poeira filtrar
Oar passeia pela faringe
Partilhadocom o alimento
Masquando o ar entra na laringe
Nãoquer nada para este evento
Aquina passagem do ar
Durantea respiração
Produzessom, vás querer falar
Aoque se chama fonação
Avócomo se chama
Oque bloqueia o alimento
Queàs vezes até nos trama
Poralgum breve momento?
Éa traqueia a seguir à laringe
Queexpulsa de passar
Oalimento, muco e corpos estranhos
Quedificultam o respirar
Depoisno tórax penetra
Bifurcando-senos brônquios
Ecomo rios à descoberta
Ramificam-senos bronquíolos
Ea seguir nos alvéolos
Queé função que vai trocar
Ooxigénio e dióxido de carbono
Pelamembrana capilar alvéolo-pulmonar
Oar se encontra nos pulmões
Como sangue circulante
Órgãosessenciais na respiração
Ospulmões são importantes
Aquiocorrem trocas gasosas
HematosePulmonar
Are sangue fazem a vida vigorosa
Tudono corpo a trabalhar
Évora,11-12-2012 Maria Antonieta Matos
Naprofundidade da terra
Asemente desabrochou
Saindopor uma cratera
Alino chão despontou
Fortaleceas suas raízes
Desenvolvea sua estrutura
Dotronco saem diretrizes
Enfeitadasde verdura
Nascemflores muito formosas
Geramos frutos apetecidos
Passampor cores preciosas
Áespera de serem colhidos
Sempreà chuva ou ao vento
Oferecea sombra quando há sol
Crescebuscando alimento
Aninhaos pássaros ao pôr-do-sol
Solidárianoite e dia
Vaidormindo sempre de pé
Suasfolhas, rodopia
Dançasem dali arredar o pé
17-08-2013Maria Antonieta Matos
Já alindei a minha árvore natal,
Ofereci-lhe um toque de magia,
Ficou alegre… e, tão especial,
Do jeitinho que eu mais queria.
Dei-lhe vida, muita saúde,
Serenidade, carinho e amor,
Um brilho de festa e virtude,
Sorrisos de cascata em flor.
Dei-lhe justiça… e, humanidade,
Uma luz brilhante celestial,
Esperança, companhia, amizade.
Dei-lhe quanta alma, podia,
Uma aspiração jovial,
E o respeito de cada dia-a-dia.
05-12-2017 Maria Antonieta Matos
Ó tempo, que trocaste teus hábitos,
Que me enganas em cada estação,
Que atormentas os povos com errada decisão,
Mas que nos trazes às vezes a luz da razão.
Eram quatro as estações do ano,
Que aprendi desde muito cedo,
Cada uma ostentava emoção,
De alegria, tormenta e medo.
No inverno intensa chuva,
Dia e noite lavravam ribeiros,
Choravam os beirais no chão,
Acenando o arvoredo.
Trovejava… gritavam luzes no céu,
Rugia o vento altivo,
Pintava-se o dia de breu,
Encharcado ficava o corpo,
Resfriado até ao osso,
Rodopiava o chapéu.
Alagada a terra frutífera,
Geminava a semente,
Lançada com mãos de “guerra”,
Um corrupio permanente.
Na chaminé estalava a chama,
O café perfumava a casa,
Os mais velhos contavam “estórias”,
Ia-se cedo para cama.
E lá vinha a primavera,
Colorida e luminosa,
Tudo era verde e florido,
A cada canto uma rosa.
Seduziam as andorinhas no céu,
Chilreando de contentes,
Olhares concebiam véus,
Traçando linhas cadentes.
Às vezes tinha chuva, tinha vento,
Tempo ameno, trovoada,
A cultura agradecia,
Nos regos, a vida surgia,
P’ la terra tão bem estrumada.
Espreitava o verão trazia chama,
O corpo exausto transpirava,
A hora da sesta só a cama,
Acalma a sonolência obstinada.
No campo o chapéu e o lenço,
Ensopavam o suor a dilacerar,
E aliviavam o sol ardente,
Tão baixo, tão eminente,
Difícil de suportar.
O outono vinha cansado,
Da secura do calor,
As árvores despiam a ramagem,
Punham o chão multicolor.
Ficava triste o outono,
De frio e nuvens cinzentas,
As noites longas de sono,
Tinham manhãs rabugentas.
Aclamava o vento e a chuva,
Com vontade de sorrir,
De mudar o seu vestido,
Num tom verde divertido,
Das suas árvores vestir.
Maria Antonieta Matos 26-01-2019
Às vezes sou a manhã que aquece o teu rosto!
Às vezes brinco como uma criança!
Às vezes me vislumbro ao olhar do sol-posto!
Às vezes sou no teu dedo, a aliança!
Às vezes sou o ritmar das ondas nas marés,
O campo florido de malmequeres e papoilas,
para ti acenando, ao sabor do vento,
O perfume da rosa rodopiando no pé!
Às vezes sou o emudecer do momento!
Às vezes sou a chuva que te canta, quando me deito,
a pomba branca que te persegue no espaço de ti sequiosa,
a lua que espreita pára te aconchegar!
Às vezes sou o clamor da liberdade para te amar!
Às vezes sou o acordar do rio tecendo quimeras!
O caminho, o desvio de muitas primaveras,
Às vezes sou o sol do Outono, o colorido da época
do romance belo, de tudo o que me cerca!
Às vezes sou a estrela que brilha ofegante e que tu não vês !
Às vezes sou tronco a florir abraçando cada mês !
Às vezes sou o envelhecer, o livro do saber!
Às vezes os netos beijo no mais formoso enternecer!
E somem as rugas e como a flor sou renascer!
Maria Antonieta Matos 30-06-2014
Sorrisos ressaltam nos teus lábios
O olhar brilha resplandecente
A face marca os traços graciosos
E a beleza flui no seu ar inocente
Como gosto dessas pétalas rosadas
Que encantam o teu rosto envergonhado
Contrapondo soltas gargalhadas
Aplaude meu coração enamorado
Vejo-te como uma luz penetrante
Cintilando o desejo emaranhado
Que me estonteia o olhar d' agrado
Assim existo no doce abraço ardente
Palpitando no teu corpo amado
Nas entranhas do prazer alucinado
05-07-2015 Maria Antonieta Matos
Há dias... que morrendo viste,
Que a vida não gira ao redor,
Que o sono se apaga triste,
Num assombro de terror.
Há dias... que o mundo pára,
Que não há gente contente,
Murcha a flor... não se repara,
Oh! Que mundo comovente!
Há dias... que o teto cai,
Na cabeça estilhaçada,
Sacudindo o que lá vai!
Há dias... a esperança que resta,
Esvaem-se prantos no caminho,
Para que se abra uma fresta!
Maria Antonieta Matos 08-08-2016
Vivo escalando até ao cimo do patamar,
Resvalo... e me declino na subida,
Embora com muito esforço para me agarrar,
Alguém me puxa, e empurra, para derrubar!
Torno a subir desempenada, decidida,
Arrepiando dissabores pelo caminho,
Virando a página com pertinácia desmedida,
Sem perder tempo, tempo...tão escasso na vida!
Tenho em mim... o sentido da liberdade,
Aquele que me faz livre de mexer... e de pensar
E não me prende áquele... que a diz dar!
E será com o respeito e a verdade,
Que se agigantam os valores da humanidade,
E nos consentem a paz e a dignidade!
31-01-2016 Maria Antonieta Matos
Nosilêncio, audaz fantasia
Produzidapela mente
Fazseguente alegoria
Vemdo coração o que sente
Tudoparecia calmo e puro
Nosilêncio da alvorada
Pareciasair de um casulo
Aluz há tanto esperada
Nãose adivinhava o sono
Estavademasiado inquieta
Anoite era de Outono
Fiqueide janela aberta
Voavamlivres os passarinhos
Correndoaos bandos no céu
Outros,aconchegavam-se nos ninhos
Decabecinhas ao léu
Numsossego de pura calma
Olhavatal esplendor
Nãoaugurava vivalma
Nestesonho multicolor
Ouviam-sepouco a pouco
Murmúriosde gente a passar
Enão tardou o alvoroço
Parao pensamento molestar
Sentiaos olhos pesados
Masnão podia dormir
Tinhao cérebro revirado
Eo barulho a consumir
MariaAntonieta Matos
Avisto a grandeza da planície
No meu Alentejo!
A simplicidade... que aos olhos encanta,
A serenidade da gente, a voz que se levanta,
A aspereza das mãos...
o silêncio que tudo movimenta!
Avisto os rios e os lagos,
Os olivais e sobreiros,
Os montes e tanto gado,
Pastando o dia inteiro.
Avisto e ouço o chilrear do passarinho,
A queda das águas descendo,
Vem o sonho devagarinho.
Avisto nos galhos das árvores, o sussurrar,
O dormitar...., o amar,
Traços no céu esvoaçando.
Avisto o solo alagado,
O fumegar do bafo,
O bafo do campo gelado,
a chuva a desabar tão forte,
o telintar... esse toque...,
O tição... a brasa quente,
O amornar que se sente!
Avisto o verão ardente... calado,
O sono tão incontrolado,
O solo dourado,queimado.
Avisto a cor da primavera,
O renascer da quimera,
A luz que brilha na terra.
Avisto o Outono tão belo,
Verde, laranja,amarelo,
espelhos de água a refletir,
pinturas … a emergir,
Avisto alabaças e acelgas,
Os poejos perfumados,
Óregãos e beldroegas,
Os espargos e saramagos.
Saindo na terra gretada,
Os cogumelos discretos,
Por caminhos rudes... dispersos.
Tantos cheios e sabores
povoando a extensa paisagem,
Nas iluminadas e lindas cores
Provocadoras de imagem.
Avisto o galo a cantar
Por cima do galinheiro,
A ovelha a berrar,
E o autoritário carneiro.
Avisto o restolhar dos seres,
pelo campo a rastejar,
Entre medos e prazeres,
Nas belas noites de luar
Avisto o nascer do sol,
Esse reluzir incandescente
Que replica a poente
E pasma o sentir, da gente
Alentejo com sotaque
Que despertas humoristas
Tanta gente a invejar-te
Pela calma que lhe suscitas
Avós,crianças de novo
Entrerisos e brincadeiras
Peranteas grandes maroteiras
Dosseus netos irrequietos
Dãocarinho, muitos afectos
Têmmuita compreensão
Nãoimporta a confusão
Dosbrinquedos espalhados
Mesmonão sendo arrumados
Pelarecusa dos netos
Dãocarinho, muitos afectos
Contamcontos de encantar
Transmitem-lhemuito saber
Ensinamcomo estudar
Oconhecimento faz crescer
Comos netos a inventar
Edar a volta aos contextos
Dãocarinho, muitos afectos
Alinhamna brincadeira
Andamtodos num virote
Ficammaçados de canseira
Mascontinuam alegrotes
Jogar,bailar e cantar
Etocar para animar
Todosos males se espantar
Sãomomentos para recordar
Osnetos não vão esquecer
Pelasua vida fora
Dasgracinhas ao crescer
Comos avós na memória
Osavós com os olhos postos
Nosseus netos, cada um passo
Envaidecem,sempre dispostos
Alhes dar fortes abraços
13-11-2012Maria Antonieta Matos
Quando o brilho dos olhos meus,
Comunicam com os teus,
Agitam-se mil sensações,
Enternecem o desejo,
o sabor dum doce beijo,
Um pulsar de corações,
Envolve a cumplicidade,
no puro amor de verdade.
Quando o brilho dos olhos meus,
Fitam de frente os teus,
Perco-me do mundo das normas,
Dou-te a alma e o coração,
Encho o peito de emoção,
Dedilhando as tuas formas.
Quando o brilho dos meus olhos,
Fita os teus olhos e me cega,
Sinto o sonho realizado,
E o tempo pára nessa entrega,
Abraço a alegria esse amor,
A explosão de tanta cor,
A felicidade que aconchega.
Quando o olhar acaricia,
Seja quem for neste mundo,
Esvai-se toda a melancolia,
Num semblante carrancudo.
12-12-2019 Maria Antonieta Matos
Vamos fazer umas quadras
Puxar pela imaginação
Brincando com as palavras
Numa completa sedução
Numa sequência de palavras
Uma rima procurar
E acabarem as quadras
No espaço que está a faltar
Desenha uma figura
Com quatro lados iguais
E vê a sua estrutura
Ela é bonita ……demais
Os ângulos são todos rectos
E o nome é um quadrado
Noventa graus são certos
Em cada vértice dos …..lados
Se desenhares três linhas
E unires os seus pontos
Puxa por uma pontinha
E observa os seus ……cantos
O triângulo tem três bicos
Uma forma original
Encontras em muitos sítios
E o ângulo pode não ser …..igual
Há a forma circular
Tal qual está cheia a Lua
Também podes desenhar
À noitinha na tua …rua
Se duas linhas de lado
Cresceram mais um bocado
Sai o rectângulo beneficiado
Fazendo inveja ao ……quadrado
Com estas formas tu podes
Fazer uns lindos bonecos
Uns magrinhos outros fortes
Ou então faz uns ……..Tarecos
Com ideias e concentração
Tens muito para explorar
Faz um carrinho ou carrão
Faz o teu cérebro …….trabalhar
funcionar
O paralelepípedo
Que nome tão estranho
Repete comigo
É fácil, não me… engano
Têm volume e forma
Faces, vértices e arestas
Há excepção à norma
São formasgeométricas
É sólido geométrico
A base é um círculo
Sobem todos os pontos
Termina num bico
O querer e atenção
Tudo se resolve
Chega à solução
E desenha o Cone
Em baixo e em cima
São círculos iguais
Desenha o cilindro
Com um pouco mais
Se num ponto fixo
À distância ligares
Um conjunto de pontos
O que podesachar?
É linda a esfera
E seus movimentos
Semelhantes à terra
Girando andamentos
É uma unidade de medida
De volume ou capacidade
Enches uma porção líquida
É o litro a quantidade
É uma unidade de medida
E contêm o seu volume
Um metro cúbito é a saída
Da encomenda do costume
Tens o metro para medir
Tudo o que é linear
Estás aqui para decidir
Os metros que quereslevar
O quilograma para pesar
É uma medida de massa
Já me estou a inquietar
Que o peso já ultrapassa
Se tiveres uma planície
E queres medires a superfície
Tens as medidas agrárias
Para resolver sem chatice
Se tiveres umterreno
E queres medires a superfície
Tens as medidas agrárias
Para resolver sem chatice
Superfície uma grandeza
E tem duas dimensões
O m2 sem surpresa
Resolve as situações
Enquanto área
É medida de grandeza
Considerada 1 número
Com toda a certeza
O metro quadrado
Unidade fundamental
Para medires ao quadrado
A área que queres achar
É uma unidade de medida
De capacidade ou volume
Se derrubares a bebida
Não tens litro que teature
Maria Antonieta Matos 08/07/2011
Vamosbrincar com as letras
Asletras do alfabeto
Semas letras não aprendes
Aler e a escrever correto
Como A, dizes Amigo
Como B, que ele é Bonito
Como C, está de Castigo
Como D, que Deprimido!
Como E, Elogiado
Como F, Festejado
Como G, foi Gabado
Como H, Hipnotizado
Como I, Incontrolado
Como J, o José
Levouo K, para o Karaté
Disseao L, és leviano
Vamosaprender outras letras
Poisquero passar de ano
OM, então Mergulhou
Como N, Namorou
Como O, se Ofendeu
Como P, se Perdeu
Como Q, Queria
Queo R, à Revelia
Trouxesseo S, Sabedor
Parao T, que é Traidor
Tero U, e Usufruir
DoV, Verdadeiro
Apagaro W, Washington
Queé letra do estrangeiro
Tocacom o X, o Xilofone
Acompanhaa letra Y, ípsilon
Epara escrita fazer sentido
Ouvebem o que te digo
Procuraligar pelo som
Asvogais e consoantes
Formapalavras a silabar
Escrevecoisas importantes
Eo alfabeto chegou ao fim
Como Z a reZingar
Porquequeria uma palavra
Como Z a começar
MariaAntonieta Matos 10-09-2012
Canta o galo lá no poleiro
Com grande satisfação
Dando ordens no galinheiro!
Disse: vou cortar-lhe já a ração!
A galinha se irritou
Fez um Plenário urgente
E o galináceo não sossegou
Manifestando-se de repente
Com cartazes bem visíveis
Sempre na linha da frente
Deram saltos imprevisíveis
Derrubando o galo indecente
Aqui e ali se levantava
Mas saiu uma brigada
Vinda doutros galinheiros
Para ajudar a bicharada
Foi uma grande embrulhada
A tirar galos dos poleiros
A união desta espécie
Co corando no megafone
Não parem que arrefece!
Ponham o bico no trombone
Virem todos à patada
Não queiram morrer à fome
Maria Antonieta Matos 13-09-2012
Olhoa escadaria iluminada e mergulho na fantasia,
Nopensamento brotam murmúrios a lampejar
Decorpo inteiro sigo a imponente fortaleza e a magia
Admirocada pedra subindo ao céu, como a um altar
Aarte e seus contrastes são inebriados até ao infinito.
A imagemfica gravada nos sentidos e no fundo da minha alma.
Docéu ao lusco-fusco observo e estremeço. Oiço surdo grito!
Absolutosilêncio reina o momento contemplador, sem vivalma!
Cismoatravés dos séculos, em outras eras, o abandono,
asmajestosas edificações, as guerras e as conquistas austeras
Povosmortos de cansaço, obedecem a altas esferas!
Cercadospor medos, experimentada miséria e leves de sono,
suplicamde mãos postas ao céu, prosperidade e paz na terra,
paraque os homens impiedosos, acabem com as guerras!
25-04-2013Maria Antonieta Matos “ In Poetizar Monsaraz II”
Vincadona personalidade
Ocarácter é temperamento
Demonstradopelo sentir
Comandadopelo pensamento
Epela forma de agir
Aimportância do que se pensa
Sobretudo o que se faz
Nafisionomia e na ética
Ocarácter é o seu cartaz
Nopoder se atesta o carácter
Bastantedifícil de perceber
Sómostra a face no perder
Jogandoo que for para tudo ter
Comconduta indestrutível
Baseadana virtude e na moral
Emcada dia irreversível
Nãofaz diferente no que é igual
Ocarácter tem grande valor
Nadefinição de cada ser
Docoração e do interior
Todosse dão a conhecer
Exteriorizaras emoções
respeitando seja quem for
Fazerdo carácter a marca
Quemais demonstre rigor
17-08-2013Maria Antonieta Matos
Deslizam as palavras em cascata,
Um rio leva-as correndo ao mar,
Entoam ondas felizes, cor de prata,
Espraiam emoções, no meu avistar.
Folheiam-se páginas na ventania,
Aromas penetram nos sentidos,
Beijam-me mil gotas de maresia,
Contam-se as histórias nos livros.
Palavras... impulsos, desabafos,
Que se movem dentro do peito,
Falas, que no silêncio guardo,
Porque ditas, não têm jeito.
Palavras desfolhadas, intenções,
Cascatas a murmurar ao ouvido,
Acalmia em letrados corações,
Um doce musical, um namoro colorido.
Cascata de palavras, chuva de escrita,
Abundantes regatos circundando em flor,
Valsa sonante que um sonho dita,
Unidas as letras espalhando o amor.
Lago renovado de lágrimas caídas,
Perfumes que contagiam preceitos,
Nas palavras sentidas e lavradas,
Que edificam um mundo perfeito.
Maria Antonieta Matos 19-11-2017
Estou cega de não enxergar, as palavras,
De não estarem claras na minha mente,
De ficar parada sem as ver, como a água
a correr ligeira, no papel á minha frente.
Vejo o vazio onde a ideia desaba,
Um silêncio que aos poucos se expande,
A sombra espessa onde a frase se acaba,
E o verso perdido num mar abundante.
Ah, fosse o verso uma flor que floresce,
Uma faísca de luz que me alcança,
Que acende o caminho onde a musa me esquece,
E traz de volta o fervor da esperança.
Mas não no breu me vejo só e, sem abrigo,
Cega de mim e, das palavras comigo.
Maria Antonieta Matos
Amanhece em ti o sol e tão graciosa!
Seguem teu corpo que serpenteia, suave,
Murmuram falas à tua pele mimosa,
No teu regaço do Alentejo tudo cabe.
Entre os trigais entoam claves musicais,
Sobe e desce a espiga entrelaçada,
Acenam chapéus em movimento de corais,
A pintar o vento cálido, na tua face rosada.
Teu traje único a realçar em dia quente,
Faz incendiar o coração de tanta gente,
Ceifeira alegre, sorridente, libertada.
Alentejo, tua quietude simboliza serenidade,
No ar tudo são cânticos e saudade,
No chão passeia a história sempre lembrada.
09-01-2016 Maria Antonieta Matos
Oh! Évora do Alentejo!
Sigo-te de longe a pensar,
E neste anseio de desejo,
Não resisto sem te sonhar.
Rodopia o lápis na tela,
Criando tudo o que vejo,
Escrevo-te a pintar a mais bela,
Ceifeira do Alentejo.
Imagino cada encanto,
Vou pincelando a sorrir,
Na sonoridade me espanto,
Sentindo a obra a surgir.
Desenhando a sua Praça,
Sala que abraça a cidade
Sento a ceifeira com graça
No auge da hospitalidade
Maria Antonieta Matos/04-11-2014
Ceifeira que o sol derrete
Nos campos alentejanos
Ceifa o trigo, ondeia alegre
Navega em grandes oceanos
Como caravela a desaparecer
Por esse mar a achar caminho
Desde a alvorada ao escurecer
Deixa marcos, outro destino
Crescem rires, gargalhadas
O amor sempre no ar
Muito suor a borrifar
Em cada mastro um bem-querer
Versos entoam para celebrar
Hino de ranchos a compassar
08-09-2015 Maria Antonieta Matos
Está caindo o céu e a Trindade,
Na terra de ódio e guerra sem piedade.
As nuvens sangram chagas de aço,
Anjos se perdem no último abraço.
O Pai cerra os olhos, cansado do clamor,
O Filho chora, crucificado em nova dor.
O Espírito vagueia, em vento calado,
Sobre campos de mortos na fé, despedaçado.
Ergue-se o homem com o punho fechado,
Sua língua é espada, seu verbo, pecado.
De templos ruídos brotam espinhos,
Orações secas, sem mais caminhos.
Na terra que exala rancor e fumaça,
A esperança tropeça, quase se esgaça.
Mas no silêncio entre um grito e um pranto,
Ainda brilha uma tocha, ténue, mas tanto.
Porque mesmo quando o céu desaba,
E a Trindade se esconde na névoa brava,
Há no coração do último justo,
Um lume frágil, porém robusto.
Que clama ao alto: “Ainda não acabou!”
E talvez, só talvez… Deus escutou.
Maria Antonieta Matos, 19-06-2025
Cheia de nada…
Faço do sonho o recheio da vida
O sol, a lua, as estrelas, a chuva, o gelo, me dão a guarida
No insano e sublime querer…
Busco alegria perdida…
E apago todas as lágrimas, riscando-as das páginas da vida
Serei o espectro que percorre a imensidão do espaço,
No romper da aurora, abrindo cores, cheiros e sabores
Erguendo-me ao vento que ao soprar, me afaga de abraços
No tom atinado, ao ouvido cochicha, me beija e desperta,
Respirando essa grandeza e fascino, que me liberta
Serei as veias correndo em cada braço de rio para o mar
Serpenteando as águas cristalinas, saltando a brincar
Sem fome, sem sede, sem dor, sem hora certa
Perfilhando cada dia, viventes do mundo, inteira para amar
18-02-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE " Sentir d'um Poeta"
Ovento soprava do sul
Océu de nuvens cavado
Ficousem a cor azul
Enchendo-sede nublado
Começoua chuva a cair
Combrandura, miudinha
Fiqueia ver e a ouvir
Pelajanela da cozinha
Nasterras ressequidas
Aságuas se entravam
Asflores agradecidas
Noseu pé rodopiavam
Relâmpagosreluziam
Serpenteavamna terra
Muitostrovões se ouviam
Láatrás daquela serra
Corriamapressadas
Pessoaspelas ruas
Malagasalhadas
Etodas molhadas
Pareciamestar nuas
Criançasdivertidas
Sapateavamnas poças
Mesmoimpedidas
Faziamorelhas moucas
Umchapéu voava
Pelaestrada fora
Aquie ali, rebolava
Erajá uma hora
Umdia poético
Umdia feliz
Umdia patético
Evocê o que diz?
Ontemouvi bem
Aforça que tinhas
Pingaseram mais de cem
Grossase redondinhas.
Óchuva que acordas
Quemestá a dormir
Tomalá cuidado
Quepartes o telhado
Coma força a tinir.
24-10-2012Maria Antonieta Matos
Chovecom muita brandura
Naterra vai entranhar
Assementes com a frescura
Começama germinar
Nãovejo o sol a espreitar
Masum cinzento no céu
Apetece-mesaltitar
Naspoças, e andar ao laréu
18-10-2012Maria Antonieta Matos
Andaa água num vai…vêm
Circulandosobre o planeta
Geravida é um bem
Nassuas diversas facetas
Umsol lindo, radioso
Evaporaa água da terra
Doestado líquido a gasoso
Condensa-sena atmosfera
Chama-seevaporação
Àprimeira caminhada
Eo nome de condensação
Quandoa água fica parada
Quandoa água fica parada
Devidoao arrefecimento
Muitasgotas ali formadas
Vãofazer o céu cinzento
Vãofazer o céu cinzento
Eo peso vai aumentar
Atéque por um momento
Estáprestes a rebentar
Estáprestes a rebentar
Ecai na superfície da terra
Podechover, granizar ou nevar
Queo ciclo nunca se encerra
Achover a bom chover
Aágua encharca o solo
Eé vê-la pró mar correr
Porbraços que a leva ao colo
Umlençol branco de gelo
Rodeiao cume da serra
Ecorre como um novelo
Ainfiltra-se na terra
Pelanoite ao resfriar
Ahumidade precipitou
Doar, caiu nas plantas
Eno solo se infiltrou
Compingos reluzentes
Eo orvalho a condensar
Bailamas plantas contentes
Escorrendopara se alimentar
Vaide forma canalizada
Paraas casas na cidade
Eem fontes localizadas
Nalgunspovos é realidade
Trêsestados a saber
Fasespor que passa a água
Líquidoé para beber
Sólidopara arrefecer
MariaAntonieta Matos 18-07-2011
Sobreiroárvore formosa
Coma copa bem alargada
Folhaverde, sinuosa
Resistênciailimitada
Semeadoe plantado
Temcopa, muito frondosa
Existegrande montado
Suasombra apetitosa
Comgrande espontaneidade
Regeneraos rebentos
Despertaa curiosidade
Alise passam bons momentos
Suafolha é persistente
Ea lande é o seu fruto
Vê-setanto gado comendo
Esteimportante atributo
Seucrescimento é lento
Elonga a sua existência
Passapor muito tormento
Mastem grande resistência
Apaisagem harmoniosa
Monumentosda natureza
Deimportância ecológica
Sãode estimada beleza
Otronco vai engrossando
Oseu casco tem valor
Eo homem vai inventando
Cadapeça com amor
Acortiça é um produto
Dequalidade comprovada
Saído sombreiro em bruto
Deutilidade variada
Osartistas vão inovando
Estamatéria preciosa
Aindústria transformando
Ea ciência meticulosa,
Esteproduto é extraído
Quandoa árvore já é adulta
Dumaforma manual
Comum machado, resulta
Ogolpe é linear
Aprecisão é de mestre
Parao casco despegar
Semferir a árvore, agreste
Esteprocesso acontece
Denove em nove anos
Aeconomia engrandece
Grandeparte, alentejanos
Eleitapara vedante
Conhecidaem todo o mundo
Preciosapara as garrafas
Conservaremo conteúdo
Passeios,para o turista
Observartodo o montado
Asaves, as flores e o gado
Emais tudo o que se avista
MariaAntonieta Matos 28-07-2012
Numconcerto sensacional
Asovelhas chocalhando
Mééé…para o ar a cantar
Comos pássaros chilreando
Aquie ali anda um grilo
Ritmandoa sonoridade
Numprado verde tranquilo
Reinagrande felicidade
Gadoovino são ovelhas
Guardadaspelo pastor
Ocão é seu grande ajuda,
Companheiroe protector
Àsovelhas cresce a lã
Noinverno sabe lhe bem
Masquando chega o calor
Atosquia é que convém
Éum trabalho feito à sombra
Poisdespende grande esforço
Ohomem fica encurvado
Queixando-sedepois do dorso
Ocorte com a tesoura
Jáficou ultrapassado
Agoraexiste uma máquina
Fazo trabalho despachado
Ovelo é bem escolhido
Comágua tépida lavado
Depoisfica a secar
Numlocal apropriado
Paradesfazer nós existentes
Ea porção ficar igual
Esguedelhare carpear
Sãoprocessos para passar
Posteriormenteé cardada
Comborrifos de azeite
Paraficar mais desenriçada
Dequalidade mais aceite
Como auxílio de um fuso
Alã é transformada em fio
Operaçãoartesanal, em uso
Ànoite ao serão te desafio
Puxandoe alongado
Torcendoe enrolando
Andade fuso em fuso
Esempre recomeçando
Finalmenteé dobada
Naforma de um novelo
Eassim fica preparada
Parafazeres o teu modelo
Podeser uma camisola
Ouentão um par de meias
Umascalças com virola
Ouo vestido que anseias
Outrocaminho a seguir
Queantecede a tecelagem
Aurdidura vem distinguir
Notear, cada fio na modelagem
Urdiduraé um aparelho
Comuma armação de prumos
Distanciadose parelhos
Emtornos fixos, em resumo
Poreles passam os fios
Einicia outro processo
Monta-seseguir o tear
Eà tecelagem tem acesso
Aquiopera o bom gosto
Ea mistura da cor
Delicias-tepressuposto
Dotrabalho inovador
Alã depois de tecida
Retiradado tear
Ficapouco favorecida
Épreciso a pisoar
Apisoagem faz-se no pisão
Engenhoartesanal
Émovido pela água
Eestá em vias de extinção
Commaços de madeira
Fortementea bater
Notecido molhado
Comágua a ferver
Destemodo vai adquirir
Atextura mais compacta
Capazde corresponder
Àaplicação exacta
MariaAntonieta Matos 25-08-2012
Alivejo crescer
Umaárvore no solo
Equem a plantou?
Foiti António
Tema folha verde
Muitopequenina
Estáa florescer
Enão está sozinha
Queroentender
Oseu crescimento
Epor isso olho
Atodo o momento
Ovento e a chuva
Sacodea flor
Ecaem as lágrimas
Parecendoter dor
Vejojá o fruto
Vestidode verde
Acrescer ao sol
Nãoacho ter sede
Deforma oval
Mudandode cor
Éazeitona
Degrande valor
Vejoa oliveira
Comcopa sombria
Vestidade luto
Cheiade maresia
Lávem o rancho
Cantandoumas modas
Cheiode energia
Acortar as podas
Trazema merenda
Paramerendar
Ebatem uma sorna (sesta)
Paradescansar
Sãopagos à jorna
Etêm que se esforçar
Porquilos que apanham
Assimvão ganhar
Vejoo olival
Eo Ti Gaspar
Coma vara na mão
Paravarejar
Batendonos ramos
Parao fruto cair
Sãoazeitonas
Queestão a bulir
Vejoo ti Toscano
Debaixoda oliveira
Aestender o pano
Comgrande cegueira
Estãoali a cortar
Oramo já seco
Eo luís a queimar
Bebendoum refresco
Subindoa escada
Estaa Henriqueta
Ripandoos galhos
Deazeitona preta
Aescolher conserva
Estáa Rita a fazer
Ea pôr na tarefa
Parao ano se comer
Estámuito sadia
Aquelaazeitona
Épara conserva
Diza Maria Joana
Mudandoa água
Àazeitona verde
Depoisde pisada
Émuito apreciada
Comorégãos e sal
Efolhas de louro
Temperodivinal
Eo conduto é ouro
Caema saltitar
Emtom musical
Epara rabiscar
Vaio ti Florival
Opano está cheio
Ajeito de ensacar
Tirama folhagem
Eestá pronto a pesar
Direitinhoao lagar
Carregadode sacos
Lávai o veículo
Cambaleandonos buracos
Segue-sea lavagem
Evai para moer
Jánão tem folhagem
Dápara perceber
Étriturada ainda
Paraa transformação
Ea prensa de seguida
Parafazer a extracção
Protegidodo calor
Éarmazenado
Emgrandes depósitos
Atéser engarrafado
Depoisé rolhado
Evem a rotulagem
Eespero que comprem
Comalguma margem
Assimse faz o azeite
Douradinhoe a brilhar
Temperabem a comida
Commuito bom paladar
Élíquido e puro
Etem caminho duro
Masé com confiança
Quese ganha no futuro
Umano leva a colher
Umasó azeitona
Eum segundo a comer
Temconduta glutona
MariaAntonieta Matos 15/07/2011
Olhaali deitada
Parater os filhitos
Aquelavaquinha
Estájá aos gemidos
Muitoapressado
Vaio Eduardo
Poiso bezerrinho
Ficouentalado
Ajudacom esforço
Emuito carinho
Avaca a parir
Parao bezerro sair
Lambendopara lavar
Dábeijos no filho
Eajuda a levantar
Paraseguir o destino
Cambaleandoe a cair
Ládá uns passitos
Ea sua mamã
Dá-lhesuns beijitos
Láestá o bezerrinho
Encostadoà teta
Prontopara mamar
Decor branca e preta
Fazgrande pressão
Nateta para mamar
Dágrande puxão
Parao leite lhe chegar
Vaiatrás da mãe
Contentee a crescer
Brincano prado
Ea mãe a proteger
Pastandosem pressa
Andaa vaquinha
Comendoo pasto
Logopela fresquinha
Cheiinhade leite
Nãoesquece a ordenha
Háhora marcada
Ninguéma detenha
Alavar a teta
Paraa ordenhar
Estáa Henriqueta
Parase despachar
Comas suas mãos
Edois dedos na teta
Puxacom cuidado
Paranão fazer greta
Jorrandopara o balde
Oleite já está saindo
Sócom habilidade
Éque vai fluindo
Aliestá a coar
Oleite que sai
Parair para depósito
Arefrigerar
Bemlavado o depósito
Pararefrigerar
Permaneceali o leite
Paratransportar
Vemali a analista
Paraanalisar
Seo leite está óptimo
Paracomercializar
Porquea higiene e a segurança
Énorma importante
Abata de cor branca
Fazparte integrante
Nãohaja um percalço
Temque haver cuidado
Ouso de calçado
Temque ser adequado
Lavarbem as mãos
Eevitar acidente
Fazparte da prevenção
Paranão ficar doente
Torna-seindispensável
Nanossa alimentação
Porisso a qualidade
Éuma preocupação
Temágua e vitaminas
Temlactose e gordura
Temminerais e proteínas
Etambém tem doçura
Hermeticamentefechado
Ebem refrigerado
Chegao transporte
Algoespecializado
Acolher o cardo
Nocampo feliz
Estálá o Ricardo
Queainda é petiz
Àsombra a secar
Aflor do cardo
Paraarmazenar
Comtodo o cuidado
Ocardo é utilizado
Paracoagular o leite
Edaí ser fabricado
Oqueijo muito aceite
Depoisdo leite ferver
Eo coalho engrossar
Ficaa arrefecer
Parao queijo moldar
Comforma redonda
Apertandocom os dedos
Osoro vai saindo
Eformam-se os queijos
Natemperatura adequada
Emestantes a secar
Vãovirando o queijo
Paranão se estragar
Desnatandoo leite
Pode-sefazer
Amanteiga de vaca
Paracom pão comer
Temum valor alimentar
Oleite comercializado
Paramais tempo durar
Éembalado e engarrafado
MariaAntonieta Matos 16/07/2011
Emmissão voando
Comtodo o esplendor
Lávai a abelha
Poisandona flor
Lávai o enxame
Comsegurança
Pousano arame
Eleva esperança
Observaos campos
Encantadose coloridos
Dirige-sesem enganos
Aospólen preferidos
Emvoo lento
Easa a flutuar
Soprando-lheo vento
Estãoa trabalhar
Carregamo pólen
Elevam alimento
Parafazer o mel
Epara seu sustento
Deflor em flor
Opólen a polvilhar
Nascemoutras flores
Eo ciclo a regressar
Parao mel armazenar
Edesenvolver a colónia
Acera é o lugar
Fixana tua memória
Dependeda campeira
Oalimento e defesa
Nãocaias na asneira
Trata-lacom rudeza
Parase defender
Espetaa ferroada
Queé de morrer
Ficaa pele inchada
Comesta maldade
Sacrificaa vida
Restaa saudade
Davida perdida
Comgrande ardor
Esuper inchaço
Sente-seuma dor
Cuidadocom o braço
Nocaso de picada
Sentiralergia
Consultaro médico
Éuma mais-valia
Paraevitar espalhar
Oveneno no corpo
Oferrão deve tirar
Coma unha sem esforço
Usadoé o ferrão
Parafins medicinais
Comresultados
Sensacionaismuito especiais
Olhaas abelhas
Muitoorganizadas
Éum gosto vê-as
Tãoatarefadas
Insetovoador
Édisciplinado
Trabalhacom fervor
Parao seu estado
Vivemem sociedade
Numacolónia
Têmuma rainha
Emuita história
Aordem na colmeia
Ereprodução da espécie
Dependerainha
Queé a abelha-mestra
Deum ovo fecundado
Nascea rainha
Temdotes especiais
Evive sozinha
Nestasociedade
Bemorganizada
Hámuita atividade
Eé hierarquizada
Existefamília
Dentroda colmeia
Segurançae vigília
Detrabalho, cheia
Cuidandoda higiene
Aabelha operária
Trabalhanessa tarefa
Commuita glória
Commuita emoção
Ea servir a rainha
Estãoas faxineiras
Comtoda a vitamina
Carregadorasde piano
Emuito motivadas
Trabalhamtodo o ano
Esão elogiadas
Aalimentar a larva
Paraas abelhas nascer
Láestão as nutrizes
Commuito saber
Produzindoa geleia
Ealimentar a rainha
Estãoas operárias
Nestagrande rotina
Promovidaa engenheira
Constróicom prazer
Osfavos e as paredes
Parao mel conter
Emvoo nupcial
Arainha a ondular
Procuraum zângão
Paraacasalar
Omacho da colmeia
Éa abelha zângão
Émaior que a abelha
Enão tem ferrão
Rodeiaa colmeia
Pr’arainha namorar
Emorre na teia
Éo preço de copular
Nãotem outra função
Epara sobreviver
Dependedas operárias
Quelhe dão comer
Quandonão há comer
Lápara o inverno
Sãoexpulsos da colmeia
Eé um inferno
Fumigara colmeia
Paraa abelha sair
Eretirar favos cheios
Demel a fluir
Parase iniciar
Naapicultura
Temque se estudar
Todaa esta estrutura
Commuita paixão
Ealguns afazeres
Éa solução
Parao sucesso teres
Alocalização
Paraa colmeia instalar
Émuito importante
Paratudo começar
Chama-seapicultor
Aocriador de abelhinhas
Envolve-secom amor
Saitudo sobre rodinhas
Sermudável o abrigo
Parafácil deslocação
Estarbem protegido
Eo clima ter em atenção
Fácilde manobrar
Todaa sua conjuntura
Serresistente para durar
Eestar perto de doçura
Ofato é fundamental
Amáscara e o chapéu
Tapartudo é essencial
Nãotenhas o corpo ao léu
Ofumigador e a alavanca
Eo levanta quadros
Ferramentasnecessárias
Paraestes trabalhos
MariaAntonieta Matos 18-07-11
Semeandoo trigo
Nocampo arado
Esem nenhum aviso
Aparecegerminado
Comchuva e frio
Láestá crescer
Depé muito esguio
Ea espiga aparecer
Encantadaa seara
Comovequem a vê
Queentretanto secara
Edourada se fez
Aseara dourada
Aosol a brilhar
Estálá já espigada
Prontapara ceifar
Láestão as ceifeiras
Levamsaia calça
Nosbraços mangueiras
Vãotodas giraças
Levamo chapéu
Paratapar o sol
Elevam o lenço
Porcausa do suor
Aatar e fazer o molho
Láestá o ceifeiro
Mexendosobrolho
Atrásdo sobreiro
Ficao restolho
Parao gado comer
Ea espiga do trigo
Lávai para moer
Vãodentro de sacos
Rumoao moinho
Quea vento resolve
Tudodevagarinho
Esfregadoe pisando
Balançaa mó
Ea saca segurando
Omoleiro muito só
Eestá a observar
Afarinha a sair
Paraensacar
Edali seguir
Vemlá o padeiro
Acomprar a farinha
Émuito certeiro
Etrabalha à noitinha
Aamassar o pão
Demãos fechadas
Estálá o João
Àsgargalhadas
Numalguidar
Láfica a crescer
Opano a tapar
AtéDeus querer
Sale fermento
Farinhae água
Amassao pão
Etende numa tábua
Oforno está iluminado
Cheiode fechas de lenha
Massó estará preparado
Quandolume já não tenha
Jáse vê ali o borralho
Quedá calor a cozer o pão
Espalha-secom o ramalho
Eestá resolvida a questão
Agoracom uma pá
Ospães entram no forno
Fecha-sea porta e zás
Eespera-se o seu retorno
Acheirar bem e quentinhos
Nãoresiste ninguém
Aprovar aos bocadinhos
Obelo gosto que tem
Umbom copo de leite
Compão quente a tiborna
Levaaçúcar e azeite
Eficas na tua melhor forma
Efica na tua memória
Acabou-seeste saber
Cheiode grandes emoções
Vamoslá a perceber
Sehá outras soluções
Estaé a roda do pão
Contadapasso a passo
Nãodeixes a tradição
Cairem fracasso
Esteé um método
Muitocaseiro
Queexplica a forma
Semmuito dinheiro
MariaAntonieta Matos 14/7/2011
Águassalinas do mar
Bombeadaspelo vento
Quesalpica a brisa no ar
Nashélices do cata-vento
Corrempor grandes canais
Commurmúrios musicais
Decantadoresas abraçam
Eas purificam demais
Crescea salinidade
Emgrau muito elevado
Deleitam-seem cristalizadores
Umprocesso adequado
Daelevada a temperatura
Aságuas vão evaporando
Deixamficar os cristais
Colossais,iluminando
Formam-selâminas de sal
Debrancura irradiante
Extraídaspor grandes máquinas
Numalabuta constante
Paraeliminar impurezas
Existemgrandes lavadores
Beneficiaa beleza
Eé referência nos sabores
Noaterro em grandes “serrotes”
Osal fica depositado
Dalivai para a indústria
Paraser refinado
Oesforço físico do homem
Necessáriosem cada processo
Queao frio e ao calor
Caminhampara o sucesso
Fornosde alta de temperatura
Sugamtoda a humidade
Osal que tempera e cura
Equando é demais, dá secura
Nocaso do sal refinado
Queé moído e peneirado
Oprato sai melhorado
Como tempero desejado
Oproduto é seleccionado
Esujeito a uma análise
Depoisé empacotado
Epassa à próxima fase
Ocontrolo é essencial
Aembalagem e o peso
Esteproduto mineral
Deixasaudades ao obeso
Procedeo enfardamento
Seguedepois para o mercado
Eespera pelo momento
Detemperar o cozinhado
Nãoexagere no condimento
Podelevantar a tensão
Ecausar um enfartamento
Atençãoao coração!
Salde grande variedade
Temperoda natureza
Sobressaia qualidade
Grossoou em flor, que pureza!
Ocheirinho a perfumar
Ogosto a saborear
Osentido a navegar
Oolho a está a mirar
Oprato que vou pegar
MariaAntonieta Matos 12.08.2012
Vamoslá a saber
Comtodo o carinho
Aplantação da videira
Atéfazer o vinho
Terem conta o solo
Ea sua preparação
Éo passo importante
Nestacondução
Éplantado o Bacelo
Naterra preparada
Eenxertado
Coma casta apreciada
Adoença prevenir
Ea vinha não sucumbir
Éutilizado o enxerto
Parase poder expandir
Nopé da videira
Cortadoao meio
Juntao enxerto
Eata-se o recheio
Cobertocom terra
Emuito bem atado
Temforça de ferro
Estábem acostado
Ocuidado é permanente
Paraevitar a praga
Queé persistente
Enão se apaga
Paraa videira rebentar
Comfruto de qualidade
Énecessário podar
Nãoligues à quantidade
Emcada nó
Estãodois rebentos
Cortao de cima
Parater mais sustento
Ficamsó dois olhos
Pararebentar
Aamarração ao arame
Chama-seempar
Sentidaa videira
Quandoo corte ocorre
Desatanum choro
Oseu galho escorre
Estaoperação
Alinhaa videira
Facilitaa manobra
Émais certeira
Nocrescimento
Ematuração
Épreciso regar
Paraa formação
Sabera acidez da uva
Aaltura de vindimar
Eo cuidado com a chuva
Tudoé preciso analisar
Oscachos a crescer
Eo verde da vinha
Vemver para querer
Paisagemtão linda
Caminhosalinhados
Parao rancho passar
Lindoscoloridos
Ébom apreciar
Verdee avermelhada
Aosol a brilhar
Regalaos olhos
Paisagemde pasmar
Comenergia e humor
Orancho a vindimar
Cantamodas ao amor
Eo tempo não vê passar
Cortao cacho para o cesto
Edepois vai para um cabaz
Étransportado ao ombro
Coma força de um rapaz
Umcarro de caixa aberta
Seguindopara o lagar
Levaa uva descoberta
Paranum tanque pisar
Comuva madura
Emuito saudável
Obtêm-seum vinho
Muitoapreciável
Calcandoas uva
Semdescansar
Estãoali uns homens
Amuito custar
Como passo certo
Emuito chegados
Caminhamem linha
Todosentrelaçados
Faz-sea trasfega
Parao vinho fermentar
Obtertodo o sabor
Quevai ficar
Separaro mosto
Paraobter o vinho
Sóa filtragem
Comcoador fininho
Existea pipa
Paraarmazenar
Demadeira com ripas
Edá bom paladar
Emgarrafa transportado
Ouembalado
Vaipara o comércio
Paraser comercializado
MariaAntonieta Matos 17/07/2011
Como eu queria ser poeta!
Tecer versos no silêncio do pensamento,
Palavras que dançam como borboletas,
Num jardim de sonhos e encantamento.
Como eu queria ser poeta!
Transformar cada dor em melodia,
Cantar as estrelas numa canção secreta,
Desvendar do coração a mais pura magia.
Como eu queria ser poeta!
Tecer rimas de esperança e amor,
Navegar no mar da alma inquieta,
E encontrar no caos um pouco de calor.
Como eu queria ser poeta!
Pintar o mundo com tinta de emoções,
Dar vida a cada folha discreta,
E libertar em palavras todas as paixões.
Como eu queria ser poeta!
Para que em cada verso eu fosse imortal,
E que em cada linha, em cada meta,
Eu deixasse minha marca, meu sinal.
Como eu queria ser poeta!
Para que, mesmo na ausência,
Minhas palavras fossem uma seta,
Guiando corações com doce presença.
MAM
Ondeestás tu consciência
Quesó vez o teu caminho
Nemsempre dás importância
Paraquem caminha sozinho
Tensum íntimo de vaidade
Falaspr’a dentro baixinho
Masvejo toda a maldade
Transparecerno teu jeitinho
Tuque tudo Compreendes
Eraciocinas com Intuição
Porquenão atribuis a eles
Umamaior precisão
MariaAntonieta Matos - 15-09-2012
Olho a escadaria iluminada e mergulho na fantasia,
No pensamento brotam murmúrios a lampejar
De corpo inteiro sigo a imponente fortaleza e a magia
Admiro cada pedra subindo ao céu, como a um altar
A arte e seus contrastes são inebriados até ao infinito.
A imagem fica gravada nos sentidos e no fundo da minha alma.
Do céu ao lusco-fusco observo e estremeço. Oiço surdo grito!
Absoluto silêncio reina o momento contemplador, sem vivalma!
Cismo através dos séculos, em outras eras, o abandono,
as majestosas edificações, as guerras e as conquistas austeras
Povos mortos de cansaço, obedecem a altas esferas!
Cercados por medos, experimentada miséria e leves de sono,
suplicam de mãos postas ao céu, prosperidade e paz na terra,
para que os homens impiedosos, acabem com as guerras!
Maria Antonieta Matos “In Poetizar Monsaraz II”

Tenho dias que sou criança!
Tenho dias que sou velhinha!
Tenho dias que apetece ouvir, os contos
De quando era pequenina.
Quem não se sente criança
Algumas vezes, na vida?
Só aqueles que nunca provaram
A doçura que se tem
Quando ela foi bem vivida!
Maria Antonieta Matos 22-11- 2010
Ogoverno que foi eleito
Compromessas de veredicto
Deixao povo agora desfeito
Trocandoo dito pelo não dito
Cadadia cria um imposto
Paraa dívida poder pagar
Ficandoo povo sem encosto
Comose vai desenrascar
Arcacom muitos encargos
Semnenhuma alternativa
Temos filhos desempregados
Sufocando-lhea sua vida
Precesde mundos e fundos
Tinhamuma nova visão
Haviasolução para tudo
Vendedoresde ilusão
Asmedidas de combate
Aesta dura austeridade
Arrasaos pobres e invade
Asua própria dignidade
Levamo tempo a perguntar
Qualé a alternativa
Masquando dicas lhes vão dar
Nãoas tomam para mudar
03-10-2012Maria Antonieta Matos
Voz do Poeta:
Ó rio antigo, de águas serenas e histórias contadas,
Que segredos guardas nas tuas profundezas veladas?
Teus murmúrios sussurram lendas de tempos passados,
E nas tuas margens, amores e lutas foram traçados
Voz do Rio Guadiana:
Sou o Guadiana, viajante do tempo e do espaço,
Minhas águas já viram o riso e o pranto no mesmo compasso.
Corro livre entre vales e planícies, sem cessar,
Levo comigo memórias que nunca se vão apagar.
Voz do Poeta:
Conta-me, ó rio, das aldeias que banhaste,
Dos campos férteis que tu alimentaste.
Vistes a primavera florescer em campos de ouro,
E nas tuas margens, a vida a emergir como um tesouro?
Voz do Rio Guadiana:
Vi a luz da manhã refletida em meus braços,
Acolhi pescadores em barcos de abraços.
Crianças brincando nas minhas margens douradas,
E os segredos dos amantes, nas noites estreladas.
Voz do Poeta:
E quanto ao futuro, o que vês adiante?
O que esperas das cidades, dos povos, dos amantes?
Tu que és eterno, que passas mas nunca partes,
Que vês na linha do horizonte, nos corações e nas artes?
Voz do Rio Guadiana:
Vejo o fluxo contínuo da vida, sem parar,
Espero que meus filhos me continuem a amar.
Que respeitem meu curso, meu espírito ancestral,
E preservem minha pureza, meu caminho natural.
Voz do Poeta:
Ó Guadiana, és testemunha e guardião,
Do passado, do presente, da terra e da canção.
Em teu diálogo eterno, de águas sem fim,
Encontro a poesia que reside em mim.
Voz do Rio Guadiana:
Poeta, continua a cantar minha jornada,
Pois na tua voz, minha essência é celebrada.
Que teu verso flua livre, como minhas águas no chão,
E juntos, seremos eternos na canção.
Maria Antonieta Matos - 08-05-2024
Conversei com o moinho de vento
num fim de tarde, quieto, quase suspenso.
As pás giravam como quem pensa devagar,
e eu perguntei-lhe: “o que é viver sem parar?”
Ele riu num rangido antigo de madeira:
“É dançar com o invisível a vida inteira.
O vento vem e vai, nunca é meu,
mas sem ele, diz-me… quem sou eu?”
Sentei-me na terra, ouvindo o seu girar,
como se cada volta fosse um segredo a contar.
“E não te cansas?”, arrisquei dizer,
“de rodar sempre, sem nunca escolher?”
“Cansa o que é preso, não o que flui,”
respondeu o moinho, firme e gentil.
“Eu não persigo o vento que passa,
eu aceito o sopro — e faço dele graça.”
O sol descia, dourando o momento,
e eu já entendia melhor o movimento.
Nem tudo que gira está perdido, afinal,
às vezes, é só a vida em estado natural.
— Moinho, porque giras sem cessar?
— Porque o vento me chama para trabalhar.
— E o que fazes com tanta voltinha no ar?
— Transformo sopros em pão por chegar.
— Não te perdes nesse rodopio constante?
— Perder-me seria ficar ignorante.
Cada volta é trigo que deixo de ser,
para em farinha o mundo poder comer.
— E quando o vento decide parar?
— Eu descanso, sem medo de esperar.
Também no silêncio há função escondida:
guardar força para a próxima vida.
— E esse ranger, parece cansaço?
— É só o tempo marcando o compasso.
Sou madeira que fala, ferro que sente,
trabalho antigo, mas sempre presente.
— Moinho, ensina-me a tua lição.
— Trabalha com o invisível na mão.
Não prendas o vento, nem fujas do chão:
faz do que passa a tua criação.
— Moinho, o que fazes com o grão que te chega?
— Dou-lhe destino na mó que não nega.
Entre pedra e tempo, num abraço certeiro,
a semente desfaz-se — e nasce o primeiro.
— Primeiro o quê, se tudo ali se parte?
— Primeiro o milagre da mudança em arte.
A mó canta baixo, num roçar contínuo,
e o trigo rende-se ao gesto mais íntimo.
— E depois dessa farinha leve como o ar?
— Vêm mãos pacientes para a amassar.
Água fermento e sal, num encontro profundo,
fazem da massa um pequeno mundo.
— E o pão, moinho, quando ganha vida?
— Quando o fogo lhe dá forma aquecida.
No forno repousa, cresce em silêncio,
até romper em aroma e pertenço.
— E quando sai, dourado, a fumegar?
— É mais que alimento, é casa no ar.
Pão quentinho, nascido do vento e da mão,
é o fim da viagem… e nova criação.
Maria Antonieta Matos
Coração empedernido
Baralhado cheio de rancor
Que faz coisas sem sentido
Demente vazio de amor
Agosto 2016 Maria Antonieta Matos
Quão coração incontrolado
Sem gerir os sentimentos
Vive à margem perturbado
Esmagando dias… momentos
Ah! Força que tudo meneias
Quando existe um abrir d’alma
Que nada, t’ impede e receias
Com amor, carinho e calma
É tão grande a emoção
A caber dentro do peito
Que festejo onde me deito
Inteira… abrasada de paixão
Combinado amor-perfeito
Coração clama refeito
25-08-2016 Maria Antonieta Matos
Coração não se controla,
Sabe lá por que razão,
De repente mata esfola,
Provocando a confusão.
Ah! Se te pudesse acalmar,
Nesse instante tão severo,
Baterias ao meu ritmo,
A dizer… tanto que te quero!
E se mais… ainda dissesse,
Um arrepio teria,
Amava-te como quisesse,
Estando os dois, em sintonia!
18/09/2016 Maria Antonieta Matos
Mariacorre
Correo santo dia
Correque morre
Detanta arrelia
Demanhã acorda
Correa cambalear
Preparaa roupa
P’ratodos vestir
Correa se lavar
Maria,Maria
Otempo não dá
Paraao espelho te mirar
Correpara o quarto
Correa se vestir
Levantao menino
Paraa escola ir
Correpara o lavar
Correpara o vestir
Correpara cozinha
Fazo pequeno-almoço
Chama-aa vizinha
Sãohoras de sair
Dápressa ao menino
Paraacabar de comer
Correa fazer as camas
Limpaa mesa a correr
Dápressa ao marido
Quenão se quer mexer
Maria,Maria
Válá perceber
Semprenuma arrelia
Pranada esquecer
Correpara sair
Levao menino à escola
Sãohoras de seguir
Correpara o trabalho
Semprea trabalhar
Encolhe-se,troca a perna
Masé uma pena
Nãopode parar
Correa almoçar
Queo trabalho aperta
Vaialiviar
Deixaa porta aberta
Correa se lavar
Sãohoras de trabalhar
CorreMaria
Quetens que acabar
Essetrabalhinho
Quete vai premiar
CorreMaria
Sãohoras de sair
Vaibuscar o menino
Tomaconta dele
Paranão cair
Correrua abaixo
Correrua acima
Correa entrar em casa
Pelasescadas acima
Sentao menino
Parafazer os trabalhos de casa
Correa fazer o jantar
Eo almoço para outro dia
Correa passar a ferro
Epõe a roupa lavar
Corre,corre Maria
Correpara arrumar tudo
Põea mesa para o jantar
Omarido é sortudo
Sentou-sea ler o jornal
Comede pé a correr
Lavaa loiça, limpa a loiça
Evai-se pôr a cozer
CorreMaria
Mariacorre
Omenino não quer dormir
Correconta-lhe uma história
Nãoresulta a correr
Quermais uma a seguir
Enão consegue adormecer
CorreMaria agoniada
Jásem forças para correr
Caina almofada cansada
Semo menino ouvir chorar
Tem pesadelos a dormir
Falaalto a ressonar
CorreMaria
Acordapela noite dentro
Levanta-seescangalhada
Correpara cama sem alento
Eleva a noite acordada
CorreMaria
Mariacorre
Jáentrou a alvorada
Corre Maria
Maria corre!
MariaAntonieta Matos 05-10-2013
Delíriopercorre meu íntimo
Numdesassossego inesperado
Ânsiapara mudar o destino
A quemvive maltratado
Criançapálida num olhar triste
Meiga efrágil sedenta de amor
Emudecidacomo jamais viste
Mas quesentida emoção de dor
Umsimples gesto a faz sorrir
Compouco, muito lhe parece
A doraquece sem nada sentir
Noaconchego se transparece
Caindo omedo que a entristece
Afagando-meterna sem resistir
25-10-2013Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas III"
Dá-me um abraço,
um abraço verdadeiro,
daqueles que calam o mundo
e falam primeiro.
Dá-me um abraço apertado,
sem margem para o medo,
que me desarme por dentro
e me guarde em segredo.
Deixa-me sem espaço,
sem ar, sem chão,
que eu caiba inteira
na tua mão.
Que seja abrigo no frio,
semente no deserto,
um silêncio cheio
de tudo o que é certo.
Dá-me um abraço
não breve, não passageiro
mas desses que ficam
mesmo depois do corpo inteiro.
Decandeias às avessas
Andao país revirado
Falhamtodas as promessas
Estácair aos bocados
Levamo tempo a magicar
Ondemais dinheiro tirar
Paraa divida se pagar
Queo certo era diminuir
Eo errado aumentar
Nãoestudaram matemática
Decertoforam maus alunos
Eem toda esta problemática
Hádesculpas e infortúnios
Mandamo povo para baixo
Andamcom os números, obcecados
Paramanterem o seu tacho
Caio país nos buracos
Dãoabraços e beijinhos
Andammuito entusiasmados
Coma Merkel aos segredinhos
Eportugueses mais tramados
Ondeestá a União Europeia?
Transformou-seem coisa feia
Deinteressados e interesseiros
Queexploram os seus parceiros
Elhes sacam todo o dinheiro
Dominamas negociatas
Nãofazem crescer o país
Senão alteraram estas temáticas
Cuidadocom os carris!!!!
07-05-2012Maria Antonieta Matos
De repente a praça enche-se de gente
E, tão só a minha alma chorosa
A extravasar o que o coração sente
Com a mente mais fervorosa
Com o mundo em sofrimento
Qual o peito sossegado
Que não bate a mil por cento
Que as lágrimas mostrem alento!
Quantos lamentos escondidos
Quantos medos sem remédio
Por carrascos e bandidos
Com o peito cheio de ódio
Quanto grito assombra o mundo
Sem respirar… sem ter folgo
Inocentes no mundo imundo
Que castiga a ferro e fogo
Quanta esperança sente a alma
Para ter um futuro risonho
E lhe cortam toda a calma
A realidade de tanto sonho
Évora, 10-11-23
Deixa que diga, que chore o coração
Deixa que a dor encontre o seu espaço,
Não cales o silêncio da emoção,
Nem feches da alma o frágil abraço.
Se a lágrima cair sem direção,
É rio que procura o seu regaço,
Palavra que não coube em oração,
Verdade que se esconde no cansaço.
Deixa que o mundo ouça sem julgar,
O peso de um suspiro mal contido,
O grito que não sabe onde pousar.
Pois quem se cala vive dividido:
É livre só quem sabe se entregar
Ao pranto doce, ao verbo comovido.
Maria Antonieta Matos - 2025
Deixava-me sempre os olhos ébrios de prazer,
Sentia a exaltação e o fascínio colorido, ao chegar,
Paisagem tão única na mente desabilitada para julgar,
Pureza, liberdade, onde o mundo novo não sabe viver!
Ainda assim descerrou clarão aterrador e, o vento espalhou,
Por serras, casarios, por tanta humilde gente,
Uma sombra escurecida, na paisagem tudo mudou,
De mãos dadas uma cadeia de solidariedade vigente.
Ah! Quanta aflição inesperada...! ninguém merece!
Tanta pobreza num desconforto, incessante.
Nesta hora de preces... porquê, todo o mal acontece?
Quanta ventura, quanta luz imaculada um coração suplica.
Que o destino surdo e cego, esquece e abomina.
E envolve nas suas malhas a angústia que não se explica!
Maria Antonieta Matos 23-10-2017
Desafioe conhecimento
Éaquilo que lhe proponho
Commuito divertimento
Emuito empenho, suponho
Aosmeninos e meninas
Vindosde todos os lados
Vamostraçar algumas linhas
Paraficarem informados
Temum castelo bem alto
Umahistória ao seu redor
DeEvoramonte é um passo
E tem marcas de valor
Vamosdescobrir um cantinho
Umcantinho de Portugal
Combonecos e pucarinhos
Umacidade artesanal
Paraassentar na cadeira
Obuinho e a palhinha
Queo povo corta na ribeira
Esão lindas p’ra cozinha
Predominandoas cores
Azul,verde, branco e castanho
S ãopintadas lindas flores
Omobiliário Alentejano
Háartistas na cantaria
Têmgosto refinado
Valiosasabedoria
Esão muito solicitados
Fazemestatuetas admiráveis
Eoutras peças, para construção
Sãolindas e agradáveis
Artecom alma e coração
Háchocalhos com muitos sons
Domaior ao mais pequeno
Ogado lhes dá os tons
Enquantocomem o feno
Hásobreiros muito antigos
Comcopas muito frondosas
Ogado fica protegido
Nassombras maravilhosas
Dotronco se tira a cortiça
Etem muita utilidade
T arros,rolhas e outras dicas
Sóo povo tem criatividade
Setira também a lande
Parao porco o seu sustento
Quefaz tenra a sua carne
Parao povo é alimento
Temvinho e tem azeites
Belasvinhas e olivais
Nasterras lindos enfeites
Deslumbraos olhos demais
Temqueijos e tem enchidos
Comsabor sem igual
Sãopor muitos conhecidos
Éproduto tradicional
Temmármore para exportação
Vemda terra tal riqueza
Temtambém a serração
Parao transformar em beleza
Fazem-sepeças de estanho
Tambémmuito apreciadas
Diversidadee tamanho
Paraeventos são gravadas
Comlindo design e cor
Aexcelente Tapeçaria
Como ponto de pé de flor
Sãobordados, é uma alegria
Oferro é trabalhado
Faz-sepeças originais
Étudo muito pensado
Começoucom castiçais
Temtambém o latoeiro
Queestá sempre a imaginar
Magicao dia inteiro
Efaz peças para encantar
Hátambém os artesãos
Quefazem brinquedos de madeira
Paraos mais pequeninos, são
Sãodanados pr’a brincadeira
Hámuita inspiração
Enão se cansam a brincar
Comempenho e coração
E o sentido para observar
M obiliáriopr’a bonecas
Reconstituiçãoda história
Miniaturasdiversas
Quenão esquecem na memória
Háanimais e carretas
Parelhase tudo mais
Nãofaltam as picaretas
Eas vestes regionais
Artesanatosobre as profissões
Eos temas religiosos
Estãolá os cirurgiões
Eos santos milagrosos
Nomuseu para a memória
Existemlindas coleções
Ficaum espólio de uma história
Contadapor artesãos
Decor vermelha e amarela
Eextraído da terra o barro
Fazem-sepeças singelas
Quandopeneirado e amassado
Depoisdo barro moldado
Ede secar no forno
Apintura é o resultado
Delindas peças de adorno
Respeitandoa tradição
R eligiosae conventual
Aameixa para confeção
Éum produto local
Sãoherança familiar
Muitasdestas profissões
Têmgosto para inovar
Epreservar tradições
Comtrabalho e motivação
Transformamas peles e os couros
Quelhe dá gosto e satisfação
Eos produtos são duradouros
Tambémprenda esta cidade
O ofício do mosaico hidráulico
Primaa cor e qualidade
Eo patrão é fantástico
Dasmatérias-primas naturais
Ea pensar em reciclar
Inventamotivos florais
Efaz quadros de admirar
Nosregistos e maquinetas
Apaixão falou mais alto
Sãolindas depois de feitas
Ede um apreço elevado
Ariqueza do Artesanato
Operauma necessidade
Umquerer imediato
Egostar de verdade
Sensaçãoextraordinária
Individualcriação
Umacompensação diária
Edá-se asas à imaginação
Ovidro também é palco
Nestemundo artesanal
Oespelho ganha um marco
Navida de um casal
Nãopercas estes valores
Poissão formas de sustento
Imaginae pinta com cores
Aarte e o teu talento
Valorizaa profissão
Edá-lhe muita importância
Serámeio caminho andado
Parao sucesso e confiança
Procuraas letras diferentes
Noinício de cada verso
Juntaum Z às existentes
Ea cidade fica a descoberto
MariaAntonieta Matos/ 2011
Alma inspiradora, desnuda de preconceitos
Sensível, irrequieta, misteriosa e irreverente
Aos olhos das gentes contam defeitos
Que tarde acordam contrariando a mente
Inteligente, incrédula, sôfrega de amor
Ligações fogosas, que cegam e se esvaem
Desabrochando poemas da alma em flor
Resvalando lágrimas que pela face caem
Pensamentos sonhadores, se perdem
Ao acordar não têm mais cor
Ilusões e desilusões que sempre sucedem
Como nascer livre, mas não lhe dar sabor
Que loucas são as gentes, que não se divertem
Que morrem contentes, sem que para viver despertem
21-03-2013 Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas"
Desconhecida de si, vagueia a mente,
cegada ao lume oculto das verdades,
vê sombras por espelho das cidades
e chama eterno ao instante inconsequente.
Procura no exterior, inutilmente,
o nome que dissolva as ansiedades,
mas traz no peito as próprias tempestades
e um mar que desconhece inteiramente.
Quem não aprende a olhar para o abismo
confunde a voz do mundo com destino
e vive acorrentado ao imediatismo.
Porém, no silêncio austero e cristalino,
descobre o ser, rompendo o fatalismo,
há mais realidade além do desatino.
Maria Antonieta Matos
Desolada, faltam-me argumentos!
Inquietam-se os nervos, sinto ansiedade,
A memória não chega ao pensamento,
E eis um vazio... um querer sem vontade!
No escuro procuro ... agito os sentidos,
Interiorizo a biblioteca, desorganizada
E acendem-se as luzes, soltam-se fluidos,
Rasgando as fronteiras do nada.
Emerge a escrita nesta invenção,
Sentimentos de alma e coração,
Eternizando o cântico, em tudo ou nada.
Os palcos dão a expressão e entusiasmo,
Com lucidez, humor ou sarcasmo,
Provocadores de tristeza ou risada.
Maria Antonieta Matos 11-10-2014
Pintura do meu amigo Costa Araújo

Despedaço-me…
Tenho dias!
Em que o coração me salta do peito
Um não sei quê me escurece a alma …
e nesse ignóbil constrangimento, me ponho a jeito
Fecha-se a cortina da alegria e na saudade, me deito
Sou espectro dum mundo vazio
Vejo a mentira crescer, o desespero e desprezo corrente
Alguém todos os dias deixa de viver
Neste quadro deprimente
E correm indefesos, rasgando caminhos tentando nascer de novo
Deixam para trás uma vida inteira de sacrifício
Um filho, um pai, uma mãe, os netos… filhos do povo
Muitos morrem deste martírio!
Família que se dispersa…
noites de alerta…
Cansaço, que não ultrapassam pelo delírio
No pensamento fica o invento do sustento
E a esperança, o transpor do novo dia…
Enquanto dura este alento!
22-02-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE " Sentir D'um Poeta"
Desperta vibrante, decidido,
Que a vida te abre os braços,
Esvazia teu peito dorido,
Não te quebres em pedaços.
Tudo tem uma razão,
Que tu próprio desvalorizas,
Dando ênfase onde não estão,
Valores, que te desmotivam.
Só o tempo aclara as coisas,
Todos temos um dia não,
Mas entre o que está bem ou mal,
Tem que ser forte a decisão,
Enche-te de ânimo, e a força vem!
Veste o coração de alegria,
Move os talentos que deténs,
Descobre o Mundo, noite e dia!
Não acalentes rancores e culpas,
Para disfarçar a questão,
Que não servem de desculpas,
Para ficares com a razão.
Valoriza mais, os bons momentos,
Inquieta-te para ser feliz,
Não te prendas em lamentos,
Que só te fazem infeliz!
Move-te, mostra coragem,
Rodeia-te de bons pensamentos,
Que a vida é uma rodagem,
Desafiando sentimentos.
Maria Antonieta Matos, 19-08-2015
Ah!Quanto vagueia o pensamento
Enquantoo dia corre atormentado
Asbrasas falam ao meu silêncio
Nachaminé salta o testo fervelhado
Adeusdia chuvoso que na calçada
Cascatas,fazes, e abraças os seus rios
Aovento que ouço aos assobios
Ringindoportas que me causam arrepios
Despeso branco do casario, enches de lismos
Tiras-lhea cor e o matizas de rabiscos
Nascemas flores em qualquer pedra ou nicho
Lacrimejao beiral contente aos salpicos
Oescuro se ilumina, as nuvens adormecem
Aspedras da calçada resplandecem estrelas
Oreflexo dos regatos alindando, agradecem
Oretorno da gente, pintando aguarelas
20-08-2013Maria Antonieta Matos
Um soldado ao cavalgar
Num dia muito invernoso
Viu um pobre a tremelicar
Num estado lastimoso
Ficou tão sensibilizado
Que o pobre foi levantar
E lembrou-se de cortar
A capa ao meio, para lhe dar
Logo repentinamente
Do dia escuro se fez luz
Ficando o Martinho ciente
Que aquele pobre era Jesus
De tanto que havia chovido
O rio começou a transbordar
Com a cheia, a ponte foi caindo
Impedindo-o de por lá passar
Por tal motivo Martinho
Foi forçado a pernoitar
Numa casa miserável
Única que pôde encontrar
O casal que lá vivia
Tinha pouco para oferecer
Senão água-pé e castanhas
Era o que tinham para comer
De ora avante neste dia
Há castanhas a assar
É dia de S. Martinho
Vinho novo para provar
E como sempre por milagre
O tempo começa a brilhar
É o verão de S. Martinho
O Santo mais popular
11-11-2012 Maria Antonieta Matos
Diapacato que amotinas meu pensamento
Numdesassossego que o silêncio propicia
Semeiasdesejos e olhares, que contemplo
Queninguém vê, nem sente, o que anuncia
Diacheio de cansaço, vazio de esperança
Invadeos neurónios à gente desprotegida
Querendoviver mas assusta-lhe a vida
Perplexade nãos, que afundam a mudança
Diasangustiados e mal-afortunados
Degritos silenciosos, sem sustento
Esbanjamentode alguns despreocupados
Diapacato sem algo feito e nada por fazer
Diacom tempo apinhado de lamento
Semse agitar, deixando-se morrer
MariaAntonieta Matos 20-09-2013
Voz do Poeta:
Ó Guadiana, rio de águas a cantar,
Que histórias trazes no teu eterno movimento?
Nos teus braços, o mundo parece se encantar,
És o guardião de cada sonho e pensamento.
Voz do Rio Guadiana:
Sou eu, o Guadiana, a corrente que guia,
Minhas águas correm, levando o tempo ao mar.
Vi nascer a aurora e a noite sombria,
E em cada curva, uma nova história a revelar.
Voz do Poeta:
Teu murmúrio é um cântico de vida e amor,
Nas tuas margens, a natureza floresce sem cessar.
Conta-me, rio, sobre o teu interior,
Que segredos guardas no teu leito a brilhar?
Voz do Rio Guadiana:
Vi reis e plebeus, lado a lado a viver,
As guerras, os amores, a paz a reinar.
Guardo em meu fundo o que ninguém pode ver,
As lágrimas e risos que me vão encontrar.
Voz do Poeta:
Teu curso é um espelho do céu tão profundo,
Refletes as estrelas e o brilho do luar.
Que sonhos alimentas nesse teu mundo,
O que esperas na tua jornada sem par?
Voz do Rio Guadiana:
Espero um futuro de respeito e cuidado,
Que minhas águas sejam sempre puras e claras.
Que o homem entenda o valor do meu legado,
E que cuide de mim, como mãe que ampara.
Voz do Poeta:
Ó rio sagrado, que corres sem fim,
Teu fluxo inspira meu coração a rimar.
Em ti, encontro a paz que há em mim,
E nas tuas águas, me quero espelhar.
Voz do Rio
Guadiana:Poeta, tua voz é música ao meu ouvido,
Nas tuas rimas, meu espírito encontra razão.
Juntos, em versos, seguimos unidos,
Eu no meu leito, e tu na tua canção.
08-05-2024 - Maria Antonieta Matos
Voz do Poeta:
Guadiana, rio de histórias e lendas vividas,
Que percorres terras de lutas e vidas.
Diz-me, correnteza, o que trazes para o mar?
Quais segredos, quais sonhos me podes contar?
Voz do Rio Guadiana:
Sou o Guadiana, filho da nascente à foz,
Trago contos e sonhos, num murmúrio de voz.
Acaricio as margens, beijos de espuma a brindar,
E nos seixos do fundo, guardo segredos de amar.
Voz do Poeta:
Nos teus meandros, nas curvas que abraças,
Que lendas sussurras, que memórias enlaças?
As tuas águas falam de um tempo distante,
De reinos e povos, de um amor constante.
Voz do Rio Guadiana:
Vi reis e rainhas à beira da minha corrente,
Vi guerreiros valentes e um povo resistente.
Mas também vi o sorriso de crianças ao sol,
E nas noites serenas, o brilho de um farol.
Voz do Poeta:
Ó rio, espelho do céu e do prado,
Que histórias guardas do tempo passado?
A tua voz é um eco que não se desfaz,
De batalhas vencidas e de paz.
Voz do Rio Guadiana:
Guardo as lágrimas de quem partiu sem voltar,
E os risos de quem encontrou o seu lugar.
No meu chão, reflete o céu azul, que procuro
E no meu leito, o segredo mais seguro.
Voz do Poeta:
E no futuro, o que esperas encontrar?
Na tua jornada contínua, o que vais levar?
Os tempos mudam, mas o rio permanece,
E cada gota tua, uma história tece.
Voz do Rio Guadiana:
Espero ver mãos que cuidam do meu fluir,
Que entendem meu canto e me deixam seguir.
Que respeitem a vida que em mim se aninha,
E saibam que cada gota é uma vida que caminha.
Voz do Poeta:
Ó Guadiana, corrente de vida e de amor,
Em ti encontro o eco do meu próprio fervor.
Que a tua voz nunca se cale, eterno rio,
E que na tua jornada, encontre sempre o brio.
Voz do Rio Guadiana:
Poeta, nas tuas palavras, meu ser se revela,
E na tua canção, minha alma se liberta e exala.
Juntos, em verso, fluiremos sem fim,
Na poesia das águas, onde tudo tem início e fim.
04/05/2024 - Maria Antonieta Matos
Osdias vão passando preocupados
Nadaacontece, nem as árvores já agitam
Nasestradas, os trabalhos estão entrevados
Notrabalho, as gentes não acreditam
Odesencanto d’ um país que vai morrendo
Noseu encanto que se escusa a envelhecer
Osol incandescente a vida faz renascer
Comsua força vivamente sempre lutando
Oh!País, que dia e noite irradias multicores
Estaçõeste adornam no teu lindo esplendor
Porquete molestam atrasando os teus valores?
Quemte habita vive vivendo, enterrado sem vigor
Assujeitadoaos maus juízes ameaçadores
Quelhe carrega a vida amontoada de dissabores
03-10-2013Maria Antonieta Matos
Dizem gostar dos meus versos
Penso ser pra m’ agradar
Porque ao lê-los na dor imersos
Muitas vezes fico a chorar
Falo o que vejo e o que sinto
E em mágoas ando perdida
No enredo d’ um labirinto
Onde a saída é proibida
Canto neles o que vai n’alma
As injustiças do mundo inteiro
Todo o podre que ninguém fala
Canto o sonho, o amor, a natureza
Revivo o meu beijo primeiro
E o coração exalta essa nobreza
12-11-2019 Maria Antonieta Matos
É inútil definir osofrimento,
O sentir a solidão, oisolamento
Não há expressão quecomente,
Esse lamento...!
É inútil definir asatrocidades
Homens que desculpasdão... por inverdades!
No ignóbil estar depensamento,
Ferem sem dó,suscetibilidades!
É inútil definir arevolta,
a dor que a mesma provoca,
Em cada corpo, em cadaalma,
Sensação acumulada quesufoca!
É inútil definir umacriança,
Prostrada no chão semesperança,
O seu olhar enigmático...não amada,
a fome no seu corpomostrada!
É inútil definir tantogrito,
O bracejar tão aflito,
Belas palavras pintar,
Sem resolução doconflito!
É inútil definir opoema,
Que envolve o mundo deteimas,
Ferido de gargalhadas eesquemas,
Coberto por muitasalgemas!
08-08-2014 Maria AntonietaMatos
Partibuscando a ventura
Deixeipara trás o meu lar
Leveisonho e bravura
Àespera da vida mudar
Tinhaum brilho no olhar
Comum ar de candura
Oparaíso esperava encontrar
Mas,ah! Isso era loucura
Eraamor que eu queria ter
Eesse amor não encontrava
Amavasem perceber
Queera a miragem da alma
Doquando o peito sonhava
Numamor de tanto querer
Quesem querer me enganava
Subio alto do monte
Toqueias nuvens no ar
Vio mundo o horizonte
Osrios o mar e as fontes
Ouvipássaros a chilrear
Vinatureza maltratar
Vicidades e muitas gentes
Soberbosa enganar
Numfalso jeito de amar
Via injustiça governar
Ea maldade prevalecer
Vipobres pedinchar
Paraaos filhos dar de comer
Vilá muito sofrimento
Olharesde indiferença
Osvelhos no esquecimento
Lutandosós na doença
Vicrianças sem esperança
Como futuro ameaçado
Vifamílias sem segurança
Todoo povo maltratado
Detanto que caminhei
Osmeus pés estão gretados
Eo amor, não encontrei
Nestemundo despedaçado
Emtão grande caminhar
Mateios sonhos e sorrisos
Aomeu lar quero voltar
Omeu único paraíso
Querocontinuar a sonhar
Enchendode esperança o futuro
Comamor o mundo mudar
Paravoltarem os sorrisos
31-01-2013Maria Antonieta Matos
Enclausurada por amor,
Entre quatro paredes frias,
Fugindo ao oculto terror,
A deixar morrer meus dias.
Por amor nego a liberdade,
Disfarçada a vencer o medo,
Rodeada de muita saudade,
Na esperança d’ abraçar mais cedo.
Receio esse distanciamento,
A perda de tantos afetos,
Aquietados em frios momentos.
Vamos dar amor à vida,
Aos valores que nos distinguem,
E que mais alento sobreviva.
Maria Antonieta Matos 14-06-2020
Haviauma linda escola
Numavila bem bonita
Vouconta-lhe esta história
Daprofessora Rita
Haviaalunos muito aplicados
ecom dotes para escrita
Criatividadenão lhe faltava
ecomeçaram a pensar
paraaprender e estudar
Podiamfazer uma visita
Umdia a professora disse:
Meninos,vão falar com seus pais
Paraautorização lhes dar
Vamosfazer uma viagem
Porquevocês estão a par
Detoda a matéria dada
Éuma viagem mistério
Evão ter que adivinhar
Vãoescrever num caderno
Tudoo que pensam achar!
Voudar pistas em voz alta
Têmque estar com atenção!
Paraadivinharem cada palavra
Épreciso inspiração
Àvolta deste mistério
Vamo-nosdivertir muito
Amemória, a imaginação,
Edescoberta, ficam à prova
Pararesolver a solução.
Numdia maravilhoso
Ecom grande animação
Saíramde autocarro
Olhavamo campo formoso
Cheiode flores coloridas
Animaisa pastar
Naquelaspaisagens lindas
Iammuito enigmáticos
Echeios de energia
Pensandoa todo o momento
Omotivo da magia
Derepente a professora
Forneceuuma pista
Existemem todo o lado
Sãopequenas e grandes
Masas que quero, são pequenas
Temnome de uma sopa
Ea terra tem uma arena
Adivinhem:Começa pela letra P
Comalgazarra queriam
Todoseles pronunciar
Calculandocada um
Pensandoir adivinhar
Oque lhes veio à memória
Depoisde alguma tentativa
Umaerrada outra certa
Diziaum : É uma Pedra
Certo!Disse a professora Rita
Vamosagora à segunda pista
Eutenho aqui uma lista
Émuito promissora
Quandoelas são trituradas
Formam-sepequenas partículas
Quepodem ser utilizadas.
Comovêem, vai ser fácil
Vamoslá decifrar
Sãoas Pedr…Pedrinhas
Dizemtodos a balbuciar
Orabem, meus meninos
Quandose tem atenção
Emuita motivação
Facilitaadivinhação
Vou-lhesdar a outra dica
Todosde ouvido a escutar
Nocampo e por todo o lado
Existeterra com cores
Nascemdaí as flores
Emuitas outras culturas
Háterra que dá para moldar
Ea cor é vermelha
Efaz-se daí a telha.
Oh!Diz um, adivinhei!
Éo Barro, sim ou não?
Poissim, diz professora
Aquiestá o que pensei!
Aviagem é compensadora
Desafiandoa memória
Eesforço de ser melhor
Dosfracos não reza a história
Disseum grande pensador
Entãoestá quase alcançado
Omistério da viagem
Estácom o Barro relacionado
Háuma roda para fabricar
Peçaslindas de encantar
Oque será a actividade?
Dequem faz as obras de arte
Tentemlá adivinhar!
Suspiramtodos de alívio
Efalavam ao mesmo tempo
Felizesde contentamento,
Doprivilégio que iam ter
Moldarnuma roda de oleiro
Criarpeças ao seu gosto
Epor no forno a cozer.
Iaser muito animada
Enunca iam esquecer
Estaviagem e actividade
Quelhe dava muito prazer
Fizeramuma visita
Atoda a olaria
Eviram umas cantarinhas
Quelhe avivaram a memória
Poistinham as tais pedrinhas
Queeram enigma da história.
Noautocarro de regresso
Cadaum trazia um regalo
Feitoscom grande perícia
Paradar aos seus pais
Queteriam um agrado
Daproeza pelo filho feita
Eseria uma delícia
Eguardaram para sempre
Aquelarecordação
Quemuito gosto lhes deu
Moldaro Barro na mão
Rodandoa roda com o pé
Efazer a sua transformação!
MariaAntonieta Matos 2011
Estepaís desgovernado
Semcabeças para pensar
Tirao ganho ao desgraçado
Quejá anda penhorado
Atépara ir trabalhar
Nãopode pagar transporte
Nãopode nem almoçar
Seestá doente mais um corte
Ondevai isto chegar?
Papagueandoversões
Doque lhe interessa mudar
Ogoverno faz confusões
Paraos seus não molestar
Diziaque tudo faria
Quandoera oposição
Agorasim que … podia!
Aopovo lhe tira o pão!
Medepela mesma bitola
Asclasses deste país
Apontauma pistola
Aopovo… corta a raiz
Nãohá justiça que opere
Nãohá saúde que cure
Ocorte em tudo interfere
Nãohá governo que se ature
Andampara cá e para lá
Comas contas baralhadas
Desculpasa quem não está cá
Paraocultar trapalhadas
Quemestudou está de partida
Procurandoum novo rumo
Porquenão tem alternativa
Nestepaís sem arrumo
Estudarjá não é para todos
Nestenosso Portugal
Repletode desempregados
Sofrendotodos os males
12-10-2012Maria Antonieta Matos
Estou tão triste, de tristeza,
Que até a palavra duvida
E no espelho da certeza,
A esperança sente-se perdida.
Estou tão triste, de tristeza,
Que até o vento me desdiz,
E o sol, por mais que acene,
Não alcança o que já fiz.
Tudo à volta me contamina,
A flor, que era cor, definha,
O riso alheio fere-me,
E a manhã já não caminha.
É como se a alma chorasse
Ao toque frio da paisagem,
E cada sombra que nasce
Soprasse a mesma mensagem.
Não sei se é mágoa ou ausência,
Ou o tempo que me encerra.
Só sei que um silêncio em mim
Grita, sem dar-me espera.
Maria Antonieta Matos, 25-07-2025
Caminhei p'lo mundo lado a lado,
Contigo subi ruas e montanhas,
De tanto ter pedalado,
Tenho mazelas tamanhas,
No meu coração nas entranhas.
Vi um mundo desigual,
Furiosos, descontentes,
Desfeitas casas de gente,
Por guerra descomunal,
Refugiados ensopados,
Revirados, aflitos,
Crianças e mulheres aos gritos,
Odiosos os conflitos,
Pergaminhos, ouro derramando,
Aos pobres nada sobrando,
A terra estéril gretada,
O mar enfurecido a rugir,
Furações, tudo a explodir,
Tanta gente sem mudar,
A sua forma de achar,
Que o mundo parco de amor,
Só comenta o que há de horror!
Porquê não mudar o esquema?
Onde sorrir seja o tema!
Para parar esse desamor!
Ah! Tanto choro, tanto pranto,
Que a outros olhos dão quebranto,
E aos corações dão tremor,
A cada baque murcha a flor,
Desabitada, na loucura de morrer,
Sem ímpeto para renascer!
Se lhe dessem um alento,
O trilho, o brilho do talento,
Se não houvesse injustiça,
Deixa andar... a preguiça,
O pensamento inquieto,
Se todo o mal, o levasse o vento,
Se houvesse asas no convento,
Sons melódicos num mundo liberto,
O livro a ensinar aberto,
Largueza de horizontes, em vez de agonia,
Crianças a brincar sem nenhuma fobia,
Amor enternecido em cúmplice festejo,
O perdão sentido no abraço e no beijo,
O respeito, a verdade, um turbilhão de desejo,
Porque a vida é ensejo!
Maria Antonieta Matos - 15 de Janeiro de 2017
Talvez no correr dos anos vás esquecer
Os momentos felizes no verde campo, contigo
Á sombra da oliveira, com o sol a derreter
Entre olhares comungava meus ensejos contigo
Talvez os anos sejam o foco da lembrança
Que nós os dois temos sempre em mente
Por serem sorridentes num mar da esperança
Eternizamos nossos instantes para sempre
Talvez ainda velhinhos de mãos dadas
Com olhar provocador e matreiro, aconchegados
No nosso manto em fogo, até à alvorada
Talvez a vida não se esqueça de nós dois
E os anos passem eternamente apaixonados
Sempre ardentes como amantes, mesmo depois
Talvez emaranhados como livros velhos
Abraçados em estantes cobiçadas
Escorregando nas casas como novelos
Em castiçais sem luz, as suas laudas
Talvez o fogo que ateia de boca-em-boca
No ermo verde, apinhado de flores enraizadas
Sopre aos berros como uma cabra louca
A fantasia, a explosão das cinzas, e já não resta nada!
Évora, 14-01-2022
Quando os teus olhos tocam os meus
Soltam-se os rios no meu corpo
Correndo frenéticos rumo aos teus
Desencadeando fantasias, jubilosos piropos
Ah! Como dançam nossos corpos cálidos
Cegos de paixão, sequiosos de desejo
De nuvens cobertos, em concha aninhados
No brilho das estrelas, no céu em festejo
Eu gosto de te sentir tão meigo
quando nós dois caminhamos como um todo
Que tudo à volta é magia e os teus beijos
São perfumes que inalo e sabores que almejo
Eu gosto de ouvir tua voz
de sentir o som dos teus passos
Dos momentos enamorados a sós
Da ternura dos abraços
Eu gosto da tua ousadia ... de expressão
Dos trocadilhos que lhe fazes
Da sensibilidade da emoção
De amares ... e não esqueceres as amizades
04-12-2014 Maria Antonieta Matos
Eu, queria ser ... o foco teu,
Para mirares meus olhos pretensiosos,
Eu queria ... que fosses o espelho meu,
Para sentir o olhar dos teus, tão amorosos.
Eu queria ser... o imenso mar,
Rolando de alegria no teu rosto,
Eu queria ver... os teus olhos a brilhar,
Saboreando o sal na tua boca a gosto.
Eu, queria ser ... o roçar do violino,
Para ouvir bater teu coração,
Eu, queria ser ... a mais leve pena,
Para escrever ao vento, tanta emoção.
Eu, queria ser ... o êxtase da flor,
Espalhando perfume como a açucena,
Eu, queria ser ... o rio deslizando em teu corpo,
Para te acariciar e encher de cor amena.
Eu queria ser ... o sol nascente,
Para te beijar com fervor ardente,
Eu, queria ser ... o doce abraço,
Quando a saudade se sente.
Eu, queria ser ... o desassossego,
Que agita o medo inquietante,
Eu, queria ser ... o efémero torpedo,
Que liberta o mundo deprimente.
09-02-2016 Maria Antonieta Matos
Eu sei que tu sabes dos sonhos meus,
Dos segredos guardados no meu peito,
Das noites em claro, do amor-perfeito,
Que nasce e renasce nos olhos teus.
Eu sei que tu sabes dos passos teus,
Que seguem os meus num caminhar estreito,
Nas trilhas da vida, num só conceito,
Unindo destinos, abençoando os céus.
Eu sei que tu sabes da força imensa,
Que nos une e sustenta cada dia,
E nos faz enfrentar qualquer tormenta.
Eu sei que tu sabes que a alegria,
Floresce em nós com alma tão intensa,
E faz do nosso amor uma poesia.
Maria Antonieta Matos
Eu sei e tu sabes,
que a vida é passageira,
Que o tempo voa e deixa na memória
As marcas doces de uma velha história,
Os risos e as lágrimas na ribanceira.
Eu sei e tu sabes,
que o amor é chama,
Que aquece o peito e ilumina a estrada,
Mesmo quando a noite é fria e pesada,
O calor persiste e jamais se inflama.
Eu sei e tu sabes,
que o vento sussurra,
Segredos antigos nas folhas ao vento,
Que o coração guarda com tanto alento
As palavras doces que a brisa murmura.
Eu sei e tu sabes,
que o mar é imenso,
E cada onda é um sonho a navegar,
Rumo ao horizonte onde vamos buscar
O infinito azul de um amor tão intenso.
Eu sei e tu sabes,
que a vida é breve,
Mas que cada segundo vale uma eternidade,
Pois na simplicidade há felicidade,
E o agora é tudo que se recebe.
Eu sei e tu sabes,
que o nosso destino
É trilhar caminhos de mãos entrelaçadas,
Enfrentando juntos, as curvas as estradas,
Num amor sereno, puro e cristalino.
Eu sei e tu sabes,
que o mundo é pequeno,
Para o que sentimos no peito a pulsar,
Porque eu sei e tu sabes que amar
É o que dá sentido a tudo que temos.
Maria Antonieta Matos
Eu sonharei esse dia… tão docemente
Aquele que regressa a liberdade merecida
Correndo o campo de flores sorridentes
Agradecidas por me ver enlouquecida
Eu cantarei ao mar imenso, iluminado
O amor que as ondas trazem deste mundo
Depois do longo período conturbado
A união de todos terá valores mais profundos
Eu sinto o peito repleto de esperança
Que o mundo será mais solidário, como irmão
Que acabará a guerra e encontra na paz, resiliência
Que reconstruir será o mais forte elo, de mudança
Com generosidade e humildade no coração
Ultrapassando adversidades com alegria e persistência
06-04-2020, Maria Antonieta Matos
No palco da praça, ao cair da tarde,
falei para Évora — serena e sem alarde.
— “Ó Évora, cidade branca ao sol dourado,
porque teu silêncio parece tão sagrado?”
E ela respondeu, com voz de muralha:
— “Guardo o tempo
onde a memória não falha.
Nas pedras romanas ainda vive o verão,
e cada janela conhece cada canção.”
— “Teus sinos parecem rezar devagar,
como quem ensina o céu a escutar.”
— “São ecos antigos do povo alentejano,
que planta saudade na palma da mão.”
— “E as ruas estreitas, por onde vão?”
— “Levam sonhos lentos ao coração.
Quem anda comigo jamais anda só;
trago lua nas fontes e vinho no pó.”
— “Cidade de mármore, calma e poesia,
de onde vem tua melancolia?”
Ela sorriu sob a noite crescente:
— “Do canto da cigarra e do vento quente.
Sou feita de tempo, de pedra e esplendor,
sou Évora inteira bordada de amor.”
E eu, já rendida ao encanto dela,
vi estrelas nascerem através da janela.
Então disse baixo, para ninguém ouvir:
— “Há cidades bonitas…
e há cidades que sabem sentir.”
Maria Antonieta Matos
Extremosomodo e cristalino justo
Falandohoje o que amanhã não disse
Numatrapalhada politicando insulto
Paratransparecer o que afinal disse
Nãose molestem com o poder singelo
Queo pequeno não está guarnecido
Intentandocertos, que o cegam no gelo
Selevanta o ódio no meio destemido
Encham-sede promessas blindadas
Verdadespor inverdades a justificar
Atése ver que não passam de cantadas
Movamobstáculos pr’a passagem dificultar
Quea viva força de repente pode acordar
Eo mais possante assento pode vergar
16-10-2013Maria Antonieta Matos
In " Nós Poetas Editamos V"
Seja qual for a tua dor
Não desprezes a tua vida
Vai à procura de amor
Não te metas na bebida!
Neste mundo há muita gente
Que desencaminha o destino
Quando na pior se sente
Refugia-se no vinho
Não perturbes o teu cérebro
Com irreal lucidez
Que o estado de se estar ébrio
È um estado de nudez
È falsa essa alegria
E a raiva transmitida
Nada disto alivia
A resolução da tua ferida
29/01/2012
Maria Antonieta Matos
Aminha audaz fantasia
Levouo meu pensamento
Aoencanto e à magia
Ea viver este momento
Ouçoo bramido do mar
Comose fosse aqui perto
Sintoa frescura do ar
Eo sol bem descoberto
Vejotodo o horizonte
Vejoo prado, vejo o deserto
Vejoali um grande monte
Vejoum caminho incerto
Ouçoo som da ribeira
Esigo todo o seu percurso
Contemplotudo ali à beira
Numsilêncio absoluto
Ouçoo som dos passarinhos
Numchilrear de melodias
Vejoas cegonhas nos ninhos
Vejono bico o que trazem
Pr’aalimentar os filhinhos
Vejoos desenhos que fazem
Noar quando eles voam
Equando os filhos se perdem
Asmães logo apregoam
Vejoas nuvens contrastando
Napaisagem colorida
Eo sol vem se mostrando
Parao crescimento da vida
Vejomuitos animais
Comendono verde prado
Vejomuitos olivais
Evejo o trigo dourado
Vejoos peixinhos do mar
Deslizandoalegremente
Edou comigo a navegar
Numaaventura delirante
Sintoo vento levemente
Comoquem brada por mim
Mostrando-mealegremente
Todaa paisagem sem fim
Vejoos vales e montes
Evejo tudo de branco
Vejogeladas as fontes
Corrotudo sem descanso
Depoisde muito caminho
Océu começa a chorar
Ebalbuciou-se baixinho
Souchuva, vou te molhar
23-06-2011Maria Antonieta Matos
Os sonhos guiam-me os passos,
Os passos orientam-me a vida,
A vida é o caminho que faço,
Sempre pronta, decidida.
Decidida, palavra de força,
Força que me vence o medo,
Medo da insegurança,
Que transporto em segredo.
Segredo que a vida leva,
Leva para além do caminho,
Caminho fechado nas trevas,
Sem volta e sem destino.
Destino que espreita a vida,
Vida repleta de sonhos,
Sonhos que sonho ainda,
Afastando os mais tristonhos.
Tristonhos são os dias,
Que escurecem de repente,
A chorar de monotonia,
Da tristeza que a gente sente.
Sente o frio sem um teto,
O pobre desamparado,
Vive em campo aberto,
À sorte do próprio fado.
Fado melancólica canção,
Ao som de guitarra e viola,
Tem em Portugal o coração,
E ouve-se à luz da vela.
Vela que irradia o romance,
Romance história de amor,
Amor emoção e suspense,
Suspense de afeto e fulgor.
Maria Antonieta Matos 22-06-2016
Afelicidade não tem preço
Sai da alma e do coração
Vê-senos olhos docemente
Sente-sefervor e emoção
Felicidadeé um sentimento
Quese sente profundamente
Daalma sai sem tormento
Norosto sobressai alegremente
Condiçãode plenitude
Equilíbriofísico e mental
Satisfação,alegria, juventude
Semprecom ótimo astral
Grandepaz interior
Tudoé maravilhoso
Nanatureza no amor
Naamizade no piedoso
Felizao defender uma causa
Convicçãopara a alcançar
Mesmovivendo sem uma pausa
Temmuito ânimo para lutar
Felicidadeé um estado de alma
Umaagradável emoção
Comprimidoque acalma
Satisfazendoo coração
Encheo peito de sensação
Jubilandocomo magia
Semqualquer imaginação
Felicidadeé primazia
Nãose deve ter vergonha
Demostrar com vivacidade
Felicidademove a montanha
Serfeliz com simplicidade
20-12-2012Maria Antonieta Matos
O que fazer neste tempo,
Para contentar este povo?
O que um quer, outro não quer,
Sempre contra ao que há de novo.
Muito lento a perceber,
A cada medida implantada,
Faz ouvidos de mercador,
Sem responsabilidade de nada.
E o vírus vai inflamando,
O corpo de cada um,
Replicando acomodado,
À espreita dos descuidados,
Sem distanciamento nenhum.
Sem máscara descontraídos,
Perfilados na loucura,
Contrariando a evidência,
Que o vírus ateia a fervura,
Que a festa e a negligência,
É bom…! Mas pouco dura.
Fica em casa, resguardado,
Lava as mãos repetidas vezes,
Não ponhas as regras de lado,
Olha a vida o teu passado,
Não percas os dias e meses.
Maria Antonieta Matos 11-02-2021
Passeei meus passos na areia,
Fiquei a olhar o mar,
Para saber o que dizia,
O que dia e noite fazia,
Sem tempo para descansar.
Entre danças e melodias,
Vi cores, nas águas mudar,
Vozes doces, fortes gemidos,
Chega a saudade de entes queridos,
Que de mim vieste afastar.
Aromas me trouxe o vento,
E notícias de desgraça,
Respirei teu paladar,
Oh deserto e infinito mar,
Que às vezes tudo ultrapassa.
Fazes-me sentir tão criança,
Quando tua brisa me beija ao sol
Que fico mole, adormecida,
Sobre tua areia caída,
No embalo do teu lençol.
É misterioso o teu canto,
Vem o sonho lentamente,
Afundo as ondas desse mar,
Que se estende a navegar,
E se perde completamente.
Gaivotas voam em festa,
Pintam-se barquinhos a remar,
Cores salpicam as arribas,
Que abraças às escondidas,
E tanto as fazes chorar.
À noite escondes o sol,
Que cora a face intimidado,
Ao ver o encanto da lua,
Estremunhada ainda nua,
A erguer-se do outro lado.
Espreita confusa o teu mar,
Faz a ronda incessante,
Descobre vultos perversos,
Nesses caminhos adversos,
Que entristece o seu olhar.
05/07/2017 - Maria Antonieta Matos
Fiz uma aterragem
Num campo selvagem
Encontrei a cegonha
No ninho deitada
Com os seus filhos
Numa matraqueada
Encontrei o macaco
Nas árvores a baloiçar
E dentro de um buraco
A cobra a sonhar
A pastar a vaca
O pasto fresquinho
E em cima da fraca
Estava um passarinho
Entretida a ver
Os cisnes no lago
Sem me aperceber
Senti um afago
Beijou-me o macaco
Depois deu um salto
Um salto tão alto
Fiquei em sobressalto
Que me arrepiei
Se caísse em falso
Muito descontraída
Por entre os sobreiros
Dormi protegida
Sob os seus sombreiros
Depois do descanso
Vi o pónei manso
O camelo e a zebra
Olhando uma lesma
Fugindo indefesa
Escondeu-se no solo
E vi o canguru
Com o filho ao colo
Gritei-lhe cucu
E piscou-me o olho
Passava o Chital
Com ar elegante
Arfava, arfava
E parou um instante
Entretanto o Gamo
Com o corno entalado
Num grande ramo
Ficou rodeado
De gente a mirar
Mas muito concentrado
Conseguiu-se soltar
Passava o perú
Com leque elegante
Arrufava, arrufava
E parou um instante
Entretanto a fraca
Com linda casaca
Desfila aprumada
E ficou cercada
De público a olhar
Seu trajo invulgar
Num silêncio absoluto
E a pestanejar
O crocodilo, muito astuto
Põe-se a rastejar
Ali a tartaruga
Virando a cabeça
Saía a espreitar
Fazendo das suas
Para mergulhar
Grande desafio
Saltando e brincando
Cabras num redopio
As folhas trincando
De olhos fechados, a avestruz
Voava e sonhava
Não viu onde estava
E truz catrapus
Espantou o papagaio
Pousado no chão
E grita sabichão,
A olhar de soslaio
Ai, ai que eu desmaio
No prado a ovelha
Branquinha de neve
Coça a orelha
Por causa da guedelha
Tão enroladinha
Saiu uma bolinha
Muito bem feitinha
Despistado o porco-espinho
Que corria sozinho
Fez um alvoroço
Ao bater com o focinho
No pé da azinheira
Entretém-se a comer
Com grande cegueira
Nem dá por chover
De orelha fitada
Observando tudo
A lebre revirada
Com o olho num canudo
E a cria a mamar
A puxar pela teta
Não pára de brincar
Parece uma vedeta
Faço um intervalo
E fico a ressonar
Surpreende-me o galo
A cantarolar
Mas que belo canto
Para eu acordar
Um tenor, um espanto
Para harmonizar
Nesta fantasia
Estão belas chitas
E tenho a primazia
De ver as mais bonitas
Vejo lamas na cama
Com pijama às listas
A passear o elande
Com muito aparato
É deveras grande
Mas não parte um prato
Lémures fantasiados
Macacos a macaquear
E se forem bem mirados
Canguru parecem achar
Nandus desfilando
Numa linda passadeira
Com o pescoço girando
E o corpo à maneira
Ornamentados os Axis
Têm coroa avantajada
Quando estão a namorar
Por um triz, ai por um triz
Não fica a coroa engatada
Cervicapras cabriolas
Com feitio engraçado
Saltam e pulam no montado
Em jeito de sapateado
No final toca orquestra
E há muita animação
A burrica é a maestra
Ouve-se grande ovação
E eu acordei do sonho
A cantar uma canção
No campo Selvagem
Prima a natureza
Faz uma viagem
Para ver a beleza
Caminhando desprendido
Envolvendo os sentidos
Os sons e os cheiros,
O ver e o tocar
Animais protegidos
Convivendo com a natureza
Saltitando aqui e ali
Esta visita é com certeza
Um momento muito feliz
Vamos ver os animais
Ao parque do campo Selvagem
Conhecê-los por demais
Como brincam e o que fazem
Olha ali, o lindo Pavão
Com seu leque colorido
Come os bichinhos no chão
E é muito atrevido
Olha as cabritas anãs
Tão divertidas que estão
Brincam com as suas irmãs
Fazem muita confusão
Ciumento com sua dama
Com beleza a cortejar
Ecoa com muita chama
Dia e noite sem parar
Convivendo com a natureza
Ao ar livre e muito feliz
Passeando com certeza
Por aqui e por ali
O Perú todo enrufado
Abre o leque gracioso
Na quintinha destacado
Por se mostrar tão airoso
Maria Antonieta Matos 07-12-2011
Flores de todas as cores
Como um arco-iris
Flores para todos os amores
Que estão a florir
Flores que dou e recebo
Colorindo amizade
Enfeitando a vida
De felicidade.
Maria Antonieta Matos 02-11-2010
Sinto desejo de ter, na mesma hora,
Esse fogo de outrora que me ardia,
Chama febril que em sonhos me consumia,
Luz que do peito em ânsias se evapora.
Era loucura, sim, que me devora,
Delírio doce em febre que me guia,
A mesma chama que o tempo desafia,
E que a razão, vencida, ignora e chora.
Oh labareda antiga, vem, retorna,
Acorda em mim a fúria tão perdida,
Refaz em chamas a alma que se deforma.
Pois sem o teu calor não há mais vida,
E o coração, sem fogo, se transforma
Num frio mármore em sombra endurecida.
Maria Antonieta Matos
Fui à fonte beber água,
Unimos as nossas bocas,
Abalou a minha mágoa,
Que de sede estava louca.
A fonte não se esgotou,
E voltei a ter loucura,
Da minha boca ter sede,
Da tua, que mata a secura.
Não sacio a minha boca,
Receio que a fonte s’ esgote,
E a nascente já não volte.
Com este tempo de seca,
E o calor tão resistente,
Não há fonte que s’ aguente.
Maria Antonieta Matos 23/09/2016
Numaperturbada pressão o vento se enfurece
A chuvadesenfreada se enrola sem dar espera a inocentes
Rebentamportas e partem-se vidros das janelas
Arrancam-seas casas levando tudo com elas
Desesperadas,mães agarram contra si os filhos, impotentes
E gritamsem forças no rastro da morte torturante
Tantadevastação que palmilha o espaço, repentinamente
Estradasinundadas e casas despedaçadas, boiando
Aqui eali uma mãe que dá luz, nos destroços
Mesmo aolado a morte de familiares e gente chorando,
E oescuro que atormenta a descoberta de corpos
Daquelesque se perdem encalhando com os mortos
No moverde assaltos de aproveitadores que sacam sem dó
Multidãofaminta, sem comunicação, no escuro só
Desprotegidose feridos nesse martírio, caem aos poucos
Nopranto do silêncio e no desvario de loucos
Enquantoas sirenes das ambulâncias, afligem o coração
De quemdesesperadamente se refugia na oração
Levanta-sea força pela sobrevivência e faz renascer a energia
Numalabuta, não têm sono, nem de noite nem de dia
Limpandotudo e construindo o viver do novo dia!
12-11-2013Maria Antonieta Matos
In NPE " Sentir D'um Poeta"
Vives obstinada sufocada,
Aprisionada em teus sonhos,
Na ganância assoberbada,
De mãos cheias regalada,
Sempre de portas trancadas,
Na desconfiada abastança.
Trazes o coração endurecido,
Estático sem horizontes,
Teu pensamento é cegueira,
Só vê prata, só vê ouro,
Vive da caça ao tesouro,
E a esconder toda a sujeira.
De mão sempre disponível,
Para tudo açambarcar,
Humilha e pisa sem estima,
Com elevada autoestima,
E aveludada voz a cobrar.
12-05-2018 Maria Antonieta Matos
Rir,rir, rir, até chorar
Ah!Ah! Ah! Contagiante
ContinuaAh! Ah! Ah! A gargalhar
Mesmode forma desconcertante
Todosos estímulos descontrair
Quecoisa tão engraçada
Ah!Ah! Ah! Rir a bom rir
Masque bela gargalhada
Nãoparo de me divertir
Nãoligo aos preconceitos
Ah!Ah! Ah! Rir a bom rir
Orir não tem defeitos
Estamostodos de boca aberta
Eh!Eh! Eh! Ah! Ah! Ah!
Tantossons à descoberta
Épara rir que aqui está
Sóexiste felicidade
Nãohá sorriso amarelo
Abraa boca de verdade
Provoqueo riso singelo
Estedia é colorido
Ésó rir sem mais parar
Tudoestá descontraído
Osorriso vai disparar
Ah!Ah! Ah! Oh! Meus amigos
Ah!Ah! Ah! Que gente feliz!
Ah!Ah! Ah! Tantos sorrisos!
Ah! Ah! Ah! Que dia feliz!
25-10-2012Maria Antonieta Matos
Cessem de se empolgarem dos feitos
Numa sonância sublime enganadora
Que a mentira se desfaz por conceitos
Que tarde ou cedo, se afirma reveladora
Gracejem lá do alto com olhares cegos
Em comunhão na zombaria gloriosos
Acostumai-vos a sugar todos os servos
Com estranhos jeitos miraculosos
Deitem abaixo um país erguido
Que o presente e futuro vê protegido
Arrependam-se amanhã que já tarda
Deitem-lhe fogo que depois de já ardido
O generoso ânimo bem-sucedido
Fraqueja, temeroso, mas não resta nada
11-10-2013 Maria Antonieta Matos
In "Poesia Sem Gavetas III"
- Voz do Poeta:
Guadiana, rio que corres sem parar,
Que segredos escondes na tua canção?
Nos teus braços, vidas vão a navegar,
E no teu curso, encontro a inspiração.
- Voz do Rio Guadiana:
Sou eu, o Guadiana, a corrente que fala,
Levo histórias de amor e de guerra.
Minha voz ecoa entre a montanha e a vala,
E minha presença se faz sentir pela terra.
- Voz do Poeta:
Tua água espelha o sol e a lua,
Tua jornada é longa e sem fim.
Conta-me, rio, o que vês na tua rua,
Que memórias carregas dentro de ti?
- Voz do Rio Guadiana:
Vi reinos surgirem e depois se perder,
A luz do amanhecer nas margens brilhar.
A vida, com pressa, sempre a correr,
E os sonhos de quem se vem espelhar.
- Voz do Poeta:
Tua voz é um canto de eterna magia,
Um murmúrio constante, um sussurro sem igual.
Que esperança leva na tua melodia,
Que futuro desejas no teu final?
- Voz do Rio Guadiana:
Quero ver as margens preservadas com zelo,
Povos que saibam o valor do meu ser.
Que me tratem com carinho, sem desvelo,
Para que eu possa, sempre, a vida trazer.
- Voz do Poeta:
Ó rio sábio, que corres sem demora,
És a alma da terra, o coração a bater.
Na tua companhia, encontro a aurora,
E nos teus versos, me deixo perder.
- Voz do Rio Guadiana:
Poeta, nas tuas palavras me vejo,
Tua voz é um eco do meu fluir.
Que tuas rimas sejam meu doce ensejo,
E juntos, possamos sempre existir.
Há palavras...
que ganham asas ao soprar do vento,
Permanecem estáticas e mudas ditas em silêncio,
Carinhosas e cristalinas num nobre sentimento,
E tão rudes quando se erguem em tom violento.
Há palavras...
sábias esculpidas em papiros e inventos,
Permanentemente remexidas num tamanho vicio,
Às vezes meditadas num satírico momento,
Em cenário lúdico de consagrado argumento
Há palavras...
Que trazem emoção e gestos, no mudo discurso,
Apinhadas de colo, em abraços certos,
E engradecem a alma em cada percurso.
Há palavras....
Unidas num seio laureado de alento,
E outras injustas e deprimentes de afetos,
Que rasgam a alma num sórdido desalento.
Há palavras...
Difíceis de esquecer e cruéis de ver,
Desventradas, manipuladas em sombras e medos,
Que estalam no corpo em rasgos do ser.
Há palavras...
De chuva, de vento, de pó, de pedras, e folhas caídas no chão...
De noites sombrias, sem leito, nem pão,
De nuvens cinzentas, tristes e agoirentas,
De pombas brancas, de lírios e cores de limão,
De luzes e estrelas guiadas pelo céu,
Estro de poemas, de livros e toques
Que nunca se vão.
08-12-2018 Maria Antonieta Matos
Há um vazio que me chama
nas dobras do fim da tarde,
Como brasa que não inflama,
Como flor que já não arde.
Os dias passam sem rosto,
Tão iguais, tão sem medida,
Carrego o tempo no bolso
como quem esquece a vida.
As palavras me escaparam,
Como pássaros de medo,
e os sonhos que ficaram
adormecem sem enredo.
Fico à margem de mim mesmo,
Como espelho em nevoeiro,
Procurando algum alento
num céu sempre derradeiro.
Mas ainda resta um fio,
Uma trémula esperança,
Que resiste, mesmo fria,
Como o fim de uma criança.
Évora, 25-07-2025 - Maria Antonieta Matos
Agradeçoo acolhimento
Eatenção privilegiada
Nãovou esquecer o momento
Namemória ficou gravada
Foimuito especial
Vertodo o ciclo do queijo
Numprocesso artesanal
Quehá anos eu já não vejo
Aomeu neto poder mostrar
Àsfazes e transformação
Doinício ao finalizar
Doqueijo à rotulação
Poderobservar o campo
Comprazer e imaginação
Esentir o seu encanto
Esquecendoa solidão
MariaAntonieta Matos 08-04-2012
Hoje caem pétalas chorando,
Por uma rosa que murchou,
Tão extremosa, muito amando,
Aqueles por quem ela... passou.
Aprimorava de cor o seu jardim,
Repleta de luz, tanto carinho,
Tinha um perfume sem fim,
Na solidão do caminho.
Hoje contando a tua "estória,"
Todos juntos fazendo juízos,
Surge a saudade na memória.
É tão dura e triste ausência,
Num destino de escura sorte,
Sem nenhuma complacência.
Maria Antonieta Matos 28-01-2018
Ohumor faz tanto rir
Comofaz muito chorar
Muitodifícil definir
Formade arte e pensar
Humoré um estado animado
Comgrande grau de disposição
Debem-estar consagrado
Deelevada emoção
Éfeito de ironia
Destróimuitos paradigmas
Misturadona zombaria
Fazrir com muita alegria
Acomédia também é aliada
Daboa disposição
Degente bem-humorada
Abstraídade preocupação
Dependeda interpretação
Dapersonalidade de quem ri
Sãomomentos de distracção
Ficandodescontraído e feliz
Deuma forma divertida
Paramelhorar situações
Asátira é muito atrevida
Denunciandoaberrações
Humoristaconverte em riso
Tudoo que se diz e se faz
Dear superior, destemido
Namanga o humor trás
Fazmuito bem à saúde
Comprimidode bem-estar
Aproveiteesta virtude
Enada os vai molestar
22-11-2012Maria Antonieta Matos
Quando adormeço, foge-me o corpo pr’a lugares imaginários,
A mente prende-se tão real ao sono, e ao sonho tamanho!
Não sei se algum dia lá vivi… porém é tão estranho!
Que ao acordar me interrogo a reviver o ilusório cenário!
Segue-se um confronto de ideias sem explicação…!
Porquê alguns sonhos me provocam carpido, dor e turbulência?
Porquê outra noite não me importo ficar, em alegre complacência?
Porquê em consciência no sonho, pressinto que viajo em vão?
Algumas vezes sinto-me estranha, nessa cidade desconhecida,
Não tenho a memória que me reporte a tão sombria solução,
Vejo parentes, amigos, mas na hora de me achar há sempre um senão!
Outras, sinto a etérea felicidade e o despertar me invade de seguida,
Sem conseguir que a mente analise por lúcidos momentos, essa ilusão,
Talvez transportada, por confusas passagens, que são registos de vida.
Maria Antonieta Matos, 13-10 2017
Imaginei ser poetisa cá na terra,
Aquela que pensa e escreve na perfeição,
E toda a gente aplaude e venera,
Por levar a cada SER, plena emoção.
Imaginei que os meus versos declamava,
E o meu livro circulava de mão em mão,
E que toda a humanidade nele se achava,
Por profundo sentimento e exaltação.
Imaginei meu livro aberto de par em par,
Num estudo intenso sempre a interpretar,
A enormidade de cada tema do meu verso.
E neste sonho aéreo, sublime e distante,
Algo me desperta de repente,
E confronto a insignificância dum sonho cego.
Maria Antonieta Matos 18-02-2019
Imagino-te um farol de luz, Alentejo,
Incomensurável oceano terreno,
Refrescando o ar quente sereno,
Nas ondas loiras a festejar em cortejo.
Imagino-te um porto d' abrigo,
Onde se aconchegam os navios,
Povoadores de desafios,
Por esse mar de cores sem perigo.
Imagino-te um recôndito aprazível,
Para confiar meus pensamentos,
E desabrocharem ao sabor, os argumentos,
Imagino-te um céu aberto,
Onde as asas voam em liberdade,
E no teu regaço, o sopro do cante e a saudade.
16-11-2016 Maria Antonieta Matos
Por sofrer constrangimentos,
Numa guerra descomunal,
Deixam o país e a terra,
Colocam um ponto final!
Caem no conto do vigário,
Ganham esperança, querem voar,
Num barco abarrotado de gente,
Deixam-se levar pelo mar,
Num sufoco a arder,
Vivem a cabo das tormentas
Para tentar sobreviver!
Vejo crianças naufragadas,
Túmulos prostrados no chão,
Tanta gente abalroada,
Num pavor a multidão!
Baloiçam corpos de inocentes,
Depois de longa viagem,
Muitos, cansados e doentes,
Não lhe faltando a coragem!
Têm sede de liberdade,
Sentem fome de mudança,
Movem-se pela dignidade,
Repletos de fé e esperança.
Buscam conhecimento para criar,
Construir quimeras, um ideal,
Querem estabilidade e ficar,
Na Europa racional.
Aqui constroem-se os muros,
Para evitar entrada em excesso,
Mas o amargo rasga furos,
Para permitir o acesso!
Lutam e enfrentam novo perigo,
Perfilham da solidão,
Tomam a rua como abrigo,
Sem saber para onde vão!
Nesta Europa civilizada,
Que tantos anseiam estar,
Das pessoas anda afastada,
Se desmente tem que provar!
Maria Antonieta Matos 31-08-2015
Injustiçaao nascer
Oberço é desigual
Unscomeçam logo a sofrer
Semainda fazer mal
Aocrescer ainda criança
Andaa pedir para comer
Exploradopela ganância
Semo adulto nada fazer
Aobrincar é discriminado
Porser pobre ou diferente
Semprea ser injustiçado
Deuma forma indecente
Emadulto suas qualidades
Sãode importância menor
Nomeio de falsidades
Éescravo cheio desamor
Quantosse dizem ser amigos
Parao outro cativar
Cheiosde muitos sorrisos
Ea faca estão a cravar
Ofraco sem grande margem
Parase poder manobrar
Ésufocado pela ordem
Dumque o queira desgastar
Najustiça se não tiver bens
Queo possam absolver
Culpadofica refém
Semninguém para o proteger
Opoder é perverso
Subjugao subordinado
Quefaz tudo que é complexo
Commuito pouco ordenado
Comtodos os trocos contados
Asaúde não é prioritária
Doentesandam esforçados
Numainexistência diária
Ocarimbo que se aplica
Aqualquer pessoa de bem
Sópor má-fé se justifica
Equem não quer ver, também
Maltratarum idoso
Oupessoa pela cor
Absolverum criminoso
Éinjusto seja onde for
07-11-2012Maria Antonieta Matos
A mente cansada já tem horas…
Contudo a insónia não se dá por vencida,
Espreito a janela e o vazio afora,
E nem uma estrela me fala atrevida.
Entranha-se o frio no corpo despido,
Embora os olhos persistam abertos,
Erram na noite num ver sem sentido,
Embalando o tempo tão pouco dormido.
As pálpebras pesam… o dia amanhece,
O pensamento desfeito já não tem alento,
O som dos passarinhos do nada desvanece,
A insónia teimosa chocalha meus olhos,
Que se prendem ao sono sem nenhum encanto,
Por momentos, vem sonho infernizando o sobrolho.
Maria Antonieta Matos 29-01-2019
Capacidadede raciocínio
Localizadana mente
Faculdadecrítica e domínio
Desenvolvidospelo que sente
Entendimentoaguçado
Paradecifrar uma ideia
Oudocumento escriturado
Terconhecimento encadeia
Ainteligência apreende
Asideias mais complexas
Todoobstáculo transcende
Emsituações adversas
Inteligênciatenta aclarar
Eorganizar um conceito
Outramente, o pode melhorar
Ounem pensar desse jeito
Noabstrato vê formas
Difíceisde compreensão
Mastem capacidade notória
Defacilitar a explicação
Aprofundae amplia
Acomplexidade no mundo
Detudo que o rodeia
Tendojustificação para tudo
Reconhecesentimentos
Evocandoas emoções
Presenteem todos os momentos
Pararesolver as situações
Inteligênciana relação
Comoforma de bem-estar
Ouo computador com expressão
Quandoestá algo a pesquisar
Évora,28-11-2012 Maria Antonieta Matos
Um olhar que pesa sem tocar,
um silêncio que corta como lâmina.
A palavra não dita,
mas já gravada no corpo,
um aviso disfarçado em sombra.
A presença invade o espaço,
sem mover paredes,
sem erguer muros
mas constrói um cárcere invisível
onde o ar se torna espesso.
A intimidação não grita,
ela sussurra em nós:
“Não ultrapasses, não resistas, não te ergas.”
É o peso do medo mascarado,
um gesto pequeno que ecoa enorme.
Mas também é frágil,
porque basta um passo firme,
um olhar que não baixa,
uma voz que se ergue
e a muralha desmorona.
Maria Antonieta Matos
INVEJA, que maltratas edominas,
Sem complacência o mérito alheio,
Cobiças tudo e o ódio germinas,
Vives num infernodeinveja cheio.
Consomes os dias matutando,
Para dificultar quem tem sucesso,
Fazes grande o que é pequeno,
INVEJA pecas por excesso.
TuINVEJA és tão perversa,
Não deixas medrar ninguém,
Mordes discreta, não te confessas,
E assim, tu não medras também.
Já não tocas meu amor
As teclas do meu piano
Estão estragadas, desafinadas
De o tocares há tantos anos
Mesmo o toque desafinado
O som é tão divertido
Que sorrimos entrelaçados
A zombar do ocorrido
O amor é perfumado
Melhora a cada etapa
Sempre intenso e aconchegado
O amor, sobe a escada da idade
E fica mais ternurento
Na mais doce cumplicidade
Évora, 23-11-2023 - Maria Antonieta Matos
Já tanto os meus olhos viram…
Contentes a encher a alma
Sorrindo imponentes a doce calma
Da merecida paisagem… a cintilar riram
Já tanto os meus olhos viram…
Entusiasmados, penetrantes
Desejosos que não passem
Esses instantes deslumbrantes
Já tanto os meus olhos viram…
Amargos, chorosos a reclamar
Do mundo aflito que desaba
Num vulcão a mergulhar
Já tanto os meus olhos viram…
Despedaçados sem luz
Ao ver incandescente rio
Descer o monte bravio
Carregar o medo e a cruz
Já tanto os meus olhos viram…
Já tanto os meus olhos viram…
Vi dentar o cume das árvores
Pelas águas revoltas da tormenta
Arrancarem por onde passam
As casas e a terra sangrenta
Vi veículos desorientados
Em correria sem tréguas
Galgarem barreiras como fardos
Tombarem em algares a léguas
Vi muita ansiedade e dor
Calamidades, suplício
Um sufoco emaranhado
Uma vida de sacrifício
Vi mulheres maltratadas
Como se fosse uma coisa
Sem direitos… Humilhadas
A um pequeno espaço, confinadas
Vi muita desumanidade
Sem vergonha… nem compaixão
Matar sem escrúpulos ou piedade
Por mitos de religião
Vi a natureza revoltosa
Por defesa de extinção
Zangar-se com a humanidade
Vestida de furacão
Vi a terra a estremecer
Cadáveres por toda a parte
Dos escombros, muito sofrer
Agonia, desespero, desastre
Vi a terra comer o mar
Um braseiro imparável
Uma cratera a fulminar
Na vastidão vulnerável
02-10-2021
Lá longe... descubro o Alentejo perto,
Uma vontade de descrevê-lo nessa planura,
Para matar a saudade que liberto.
Lá longe… o lápis desliza com lisura,
Em segmentos torneados e perfeitos,
Poema de mulher que move ternura.
Lá longe… experimento o mar que navego,
Pinto o desejo na memória esculpida,
Instantes… Dum sentimento cego.
Lá longe… a luz brilha no firmamento,
Há um entusiasmo que nunca adormeceu,
E que me leva a pintar cada momento.
18-12-2016 Maria Antonieta Matos
Labirinto colorido,
Aventuras fascinantes,
Olhos abertos perdidos,
Por terra e mar ressequidos,
Num delírio excitante!
Povoar,edificar, educar,
Dominar apetecido,
Febre do mundo conquistar,
Tanta dor, gente a sangrar,
Por locais desconhecidos!
Perdem-se vidas no mar,
Pela ganância assoberbada,
Barcos sem espaço, sem ar,
Levam esperança de mudar,
Na bagagem… carregam nada!
Iludidos,lotados de sonhos,
Vivem momentos de terror,
Por rotas, caminhos medonhos,
Gélidos,pálidos e, olhares estranhos,
Indiferentes sem amor!
02-05-2015 Maria Antonieta Matos
Lágrimas caem dos beirais
Em pranto as almas perdidas
Que voam aos tombos aos ais
No céu em longas corridas
Ilumina-se o céu e a terra
Ouvem-se estrondos tamanhos
Sai tristeza atrás da serra
Num véu escuro muito estranho
Mete medo o horizonte
Apagaram-se todos os sois
Ruge o vento no mudo monte
Surge um perfume no ar
Da terra molhada guiam faróis
Os pequenos barcos a navegar
13-11-2019 Maria Antonieta Matos
Emcada dia que leio
Alimentoo meu saber
Éassim que eu premeio
Ainstrução que vou ter
Umdia estou motivada
Tudoconsigo aprender
Outro,não aprendo nada
Pareçodesaprender
Assimcom pequeno passo
Umpara trás dois para frente
Aprendoneste compasso
Aleitura me fará diferente
MariaAntonieta Matos 29-08-2012
A minha primeira edição!
Havia um gato
Muito molengão
Que comia, dormia,
Dormia, dormia,
Ao som do João
De dia dormia
Dormia, dormia,
Com barulho ou não
Era um castigo
Porque não comia,
Uma qualquer refeição
Era branco e preto
E muito gostava
Do amigo João
Às vezes brincava
Saltava-lhe para cima
Era um amor
a sua paixão
Á noite não dormia
Só queria folia
Á socapa fugia
Para caçar bichinhos
Que lá pelo telhado
No escuro sempre via
Comia, dormia, fugia
Só queria folia
Uma vez perdeu-se
Na grande cidade
O João estava triste
E muito sofria
De saudade morria
Por pensar que já não via
O seu lindo gato
Que comia, dormia
À noite fugia
E gostava de muita folia.
Maria Antonieta Matos, 28-02-2023
A pedido do meu neto Afonso
Na mão trago comigo
Os livros que hoje escolhi
Para ler em qualquer sítio
E pensar no que aprendi
Recomendo ao amigo
E amiga hoje a leitura
Leve o livro sempre consigo
Valorize mais a cultura
Se gostar, pode sonhar
Se não gostar critique
Ocupe a mente a pensar
Parado é que não fique
Divagar pela leitura
Com alma e o coração
Poder viver a aventura
Só com um livro na mão
Gostar muito de sonhar
Ou ter outra sensação
No livro pode mergulhar
Para resolver a solução
A leitura é ascensão
Aprender para saber
Reforça a compreensão
Traz sempre um livro para ler
Num diálogo permanente
Aprendendo a ver mundo
A leitura enriquece a mente
Fazendo luz no escuro profundo
Procurar sempre para ler
Um livro que nos cative
Que tenha essência e, ter
A instrução que se precise
Aprender em cada dia
Crescer de espírito aberto
Semear letras de alegria
E dizer o que achar correcto
Na busca de conhecimento
Se edificam as ideias
Formando no pensamento
As criações que incendeias,
Maria Antonieta Matos 29-08-2012
Pinturas de meu amigo Costa Araújo

Perguntei ao Alentejo,
O que o vestia tão belo?
Respondeu-me muito seguro:
- Um sem fim de multicores...
Serpenteiam brancas flores,
Vermelhas, também azuis,
A combinar anda o verde,
O laranja e o amarelo!
Movimento colorido,
A dançar águas sorrindo,
Reflexos e estrelas contentes,
Um arco-íris a pintar,
O céu, a terra, o mar...
Vive o sonho e o sossego...
Em toques e cânticos de amar,
Nos caminhos e arvoredos!
Levanta-se o dia cedo,
Há fantasias e sinais
A pastar os animais,
Sobem foguetes alegres,
Muita gente em arraiais!
Vislumbra o largo horizonte,
Desde aurora ao sol-pôr,
Anda a chuva, o vento, o sol quente,
E a lua em fases de amor,
A assomar atrás do monte.
Embarcações a remar,
Histórias que passeiam as praças,
Construções a murmurar,
Livros comidos, pelas traças!
A planície se descobre,
Há fragrância, sons, emoção,
Num binoculo cristalino,
Respira-se o enorme chão!
Maria Antonieta Matos 16-03-2016
Um passarinho esvoaça
Num galho de oliveira
Com harmoniosa graça
Numa linda brincadeira
Assobia porque está contente
Salta o ramo saracoteando
Olha pró céu incessante
Com a cabecinha rodando
Voa, voa livre pelo ar
Admira todo o horizonte
Vê o mundo a girar
Bebe na mais bela fonte
Faz o ninho embevecido
Cria e cuida com carinho
Ensina e traz protegido
Dá comida pelo biquinho
21-04-2013 Maria Antonieta Matos
Como livro eu converso
Esinto as emoções
Aescrever o sonho começo
Criaçãode sensações
Suportede conhecimento
Deaventura ou ilusão
Nãose perde por um momento
Éfonte de sedução
Deforma correcta ou não
Ajuíza-setodo o texto
Criamosopinião
Oque enriquece o contexto
Aohomem trás plenitude
Aleitura é intelecto
Grandezaesta atitude
Aprende-sea escrever correcto
Exercíciopara o espírito
Éfonte inesgotável
Emoçõesde dor e sorriso
Aleitura inseparável
Querde noite, quer dia
Palavrascorrem na mente
Anotaré muito urgente
Eassim nasce a semente
Nãose consegue parar
Surgesempre argumento
Andamna mente a girar
Criativopensamento
Ficapara a eternidade
Oespólio das cachimónias
Paraaprender a verdade
Eestudar todas as histórias
Relatandocada momento
Sentimentose acção
Levaao leitor conhecimento
Ea muita imaginação
MariaAntonieta Matos 19-09-2011
Umlivro também tem vida
Nascee aprende a falar
Amigosou não, convida
Semprepronto ensinar
Temlongo ou curto percurso
Tudodepende da estimação
Daimportância no seu uso
Oude quem o tem na mão
Noseu espaço vive discreto
Àespera de ser consultado
Outrasvezes sempre aberto
Educandopor todo o lado
Livrode arte ou técnico
Deciência, ou matemática
Trágicoou então cómico
Deleitura ou de gramática
Dediversão ou de sonho
Etambém de fofoquice
Livrode conteúdo medonho
Eaté de malandrice
Compilandoem cada dia
Oque se observa no mundo
Fazerda escrita magia
Semearlivros para estudo
Assimse aprendem saberes
Emcada um minuto
Unscontribuem a escrever
Ea tirar proveito o astuto
18-11-2012Maria Antonieta Matos
Minhamãe mesmo velhinha
Nãose cansa nem um minuto
Cuida,protege, acarinha
Tudofaz sem contributo
Ativa,doce, criança
Semprepronta a ajudar
Sonha,enche-me de esperança
Nadaa afecta para amar
Sehá algo que me atormenta
Émotivo para não dormir
Seme zango, não se apoquenta
Emsilêncio me sabe ouvir
Argumentasabiamente
Cadadia a ensinar
Observaatentamente
Cadapasso do meu andar
Adivinha-meo pensamento
Abdicado seu bem-estar
Sorri-mea cada momento
Osseus olhos, vejo brilhar
Percorreulongo caminho
Noseu ventre fui protegida
Sofreuas dores com carinho
Comenergia desmedida
Tensos cabelos branquinhos
Peleenrugada do tempo
Adorasos teus netinhos
Vivescada acontecimento
Surpreendestodos os dias
Mesmocom a mão a tremer
Tudofazes com ousadia
Disfarçaspara ninguém perceber
Querespara todos o melhor
Sonhascom esperança o futuro
Minha mãe és a maior
Amaior mãe do mundo
MariaAntonieta Matos 14-02-2013
Mãe conta-me uma história… para eu sonhar,
Que tenha bonecas… para eu vestir,
Que tenhas barquinhos… para navegar,
Que tenha carrinhos de brincar,
Que tenha um amor de encantar.
Canta-me baixinho… para eu dormir,
Para embalar a noite… para não sentir,
A insónia que insiste os meus olhos abrir.
Ensina-me cada letra… para que possa aprender
Ensina-me a contar… para saber viver,
Dá-me esse sorriso que me faz prender,
Mostra-me como fazes… para eu entender,
Afaga meu rosto, senta-me no colo e deixa-me morrer.
Estilhaços explodem no ar,
Um espetáculo aterrador!
Gritos…
Choro…
Separação… tanto medo
A qualquer hora, tarde ou cedo
Sem refúgio acolhedor.
Olhos de espanto… inocentes,
Desorientação que dá dó,
Crianças que ficam só,
Entregues à própria sorte.
Improvisam-se hospitais,
Sem recursos, tudo aos ais,
Impotência…
Indiferença…
Desprezo empacotado,
A estranheza passa ao lado,
Por interesses tão banais.
Tão simples seria a vida,
Se houvesse compreensão,
Humanidade muito amor,
E o sentir do coração.
14-12-2018 Maria Antonieta Matos
Segredos têm na alma,
Escondidos num escuro, imenso,
A sua boca nada fala,
Sofrendo silêncio, intenso.
Solidão amarga, fome, dor, desprezo,
Um sem fim de almas penadas,
Têm a vida do avesso,
Vivem de portas fechadas.
Tudo dão sem nada em troca,
Do que têm ao seu alcance,
Sorriem para quem os provoca!
Outros, sem sangue nas veias,
Gritando os feitos bem alto,
Escondem em falsas entremeias,
Puros rasgos...do asfalto.
Fugindo à regra existem...!
Pessoas cheias de luz,
Desvendando cada segredo,
Aliviando a sua cruz.
Mãos solidárias, criativas,
despidas de preconceito,
vão à luta derretidas,
Pondo a alma sempre a jeito!
Mar que enrolas n' areia,
Me fazes espantar de emoção,
Oiço teu canto quando espraias,
Sinto-te na palma da mão.
Não resisto ao teu olhar,
Trago o sonho bem guardado,
Para no livro mostrar,
O momento impressionado.
Maria Antonieta Matos 19-01-2014
Olho-te ó mar frenético nas rochas a bater Vejo crescer tuas águas de espuma e salpicos
Vejo-te entranhar nas fissuras, vejo cores nascer
Emudeço-me e pasmo no mais belo acontecer!
Maria Antonieta Matos, 23-01-2014
Inalou nos meus sentidos,
O cheiro de terra molhada,
E vi regatos refletidos,
Nas pedrinhas da calçada.
Casas de pedra marcadas,
Com as cores deprimidas,
Casas de branco, caiadas,
Pela chuva escurecidas.
Saudosas da velha gente,
Que os tempos viram passar,
Triste rua descontente.
Esperando os filhos para brincar,
Que se ocupam aferrolhados,
Deixando a vida passar.
Maria Antonieta Matos
In Poetizar Monsaraz Vol. II
Inalounos meus sentidos,
Ocheiro a terra molhada,
Evi regatos refletidos,
Naspedrinhas da calçada.
Casasainda inacabadas,
Comsuas vestes despidas,
Casasde branco, caiadas,
Pelachuva escurecidas,
Saudosasda velha gente,
Queos tempos viram passar,
Tristerua tão descontente,
Esperandoos filhos para brincar,
Quese ocupam aferrolhados,
Deixandoa vida passar.
22-08-2013Maria Antonieta Matos “ InPoetizar II”
Diz mal do trato que te faço,
Da sombra, sente ciúme,
Prende-me com um curto laço,
Trata-me com azedume!
Diz que me amas, nessa cegueira,
Alimenta o teu estigma doentio,
Faz-me acreditar que é passageira,
E não mudes esse teu mau feitio!
Zomba de mim, que me aquieto,
Repete!.... - O que faço, nada é prolífico,
Que já nasci sem horizontes e, por aqui fico,
E estagnarei na água podre, como um dejeto!
Muda de face, conforme o plano que te dá jeito,
Que eu moribunda e serena tudo aceito,
Como uma tola, que eternamente deve respeito!
Mede a distância que de mim tem, o teu olhar,
Esfria o afeto que ainda tenho, para te dar,
Que tarde ou nunca,
quando me quiseres,
me vás achar!
Véu tombando p'la face, na penumbra,
A beleza confunde a silenciosa solidão,
O desprezo consentido, não vislumbra,
O prazer do amor, a cadeado, sem coração.
Trancados no conceito de felicidade
No esfriamento intocável do seu par
Vivem em túmulos, a sonhar, sem liberdade
Na mais estranha forma de gostar
Afugenta-se o desejo, p'lo ciúme
Cai a máscara na cegueira fulminante
Solta-se o ódio desvairado e o azedume.
E na perplexidade inconstante
No meio de estouros e queixumes
Caminha repousante o "inocente".
17-02-2015 Maria Antonieta Matos
Caminho penosa pela estrada
Sentido o peso da solidão
Que o sentimento me abrasa
Nas pisadas do meu chão
Já não tenho lugar algum
Onde o meu ar me sorria
Encontro tudo tão comum
Que me deixa sem magia
Às vezes sofro com isso
Tenho as mágoas à flor da pele
Mais parece ser feitiço
Sentir da alma, tão cruel
Évora, 25-05-2023
Maria Antonieta Matos
Amemória é o registo
Gravadoao longo da idade
Seme esqueço não desisto
Ponhoa mente em atividade
Disponhotanta energia
Namente para recordar
Quea memória atrofia
Sendoimpossível pensar
Amemória já me atraiçoa
Comas palavras que idealizo
Epara não pensar à toa
Aescrever as memorizo
Absorveconhecimento
Paragerar nova ideia
Usadano pensamento
Emtudo o que planeia
Aescrever ao pormenor
Ainformação que faz história
Ficapara muitos ao dispor
Emlivros para a memória
Hádiscos para armazenar
Conteúdosmuito importantes
Tambémeles podem esgotar
Amemória nuns instantes
Umafoto para a história
Recordacada momento
Sejamau ou de vitória
Nãocaem no esquecimento
Aidade e a memória
Entramem contradição
Sea palavra não sai na hora
Esó sai atrapalhação
15-11-2012Maria Antonieta Matos
Desgrenhado,corres as ruas da cidade
Todoste rejeitam pelo ar de podridão
Enquantohá quem te roube, na impunidade
Vãocamuflados e fingidores te dar a mão
Sofresno silêncio, tuas lágrimas, engoles
Empedernido,ao relento disfarças que dormes
Lençóisde calor e vento, com que te cobres
Calandoas dores por pensamentos nobres
Humilhas-tepedindo na serenidade
Questionasos dias se tens para comer
Sete olham nos olhos com olhos de ver
Precisasum pouco de carinho e dignidade
Umsorriso, um gesto, uma mão amiga
Proteçãode quem pode, que a pedir te obriga
15-07-2013Maria Antonieta Matos
Aquisem espaço na vida
Naimensidão do espaço
Ondetudo se olvida
Durmo deitado ao relento
Flutuandoao sabor do vento
Telintandoregelado
Encharcadono triste fado
Paraaquecer o coração
Caloas dores a beber
Vivouma vida de cão
Pedindopara comer
Semforças caio especado
Dentrode muitos farrapos
Emqualquer chão… revirado
Olham-mecom desprezo ou pena
Securvam para dar um trocado
Vivolouco despedaçado
Na minha vida terrena
Aquifaço o sonho viajar
Vejouma beleza Infinda
Façoversos a cortejar
Amais bela rapariga
Aquio sorriso me contenta
Sintoa dádiva no carinho
Pensogrande … pobrezinho
Deixoo que mais me atormenta
Doucomigo a falar sozinho
MariaAntonieta Matos 07-01-2014
In " Nós Poetas Editamos VI"
Logo p'la madrugada,
Saio acelerada
Às vezes sem ver!
Na memória guardada,
Levo lista que passo,
Minutos a rever,
Por muito que pense,
Há um bloqueio na mente,
E fico a cismar,
Não há memória que aguente,
Não há memória que aguente,
Para tudo fixar!
Vou perdendo o tino,
E parte da lista,
Já não a domino!
E enquanto caminho,
Falando baixinho,
De soslaio olho a montra,
E só aí me dou conta,
E enxergo o casaco,
Do avesso revirado.
Coro de vergonha,
Sigo os olhares,
Para o casaco mudar,
Para quê tanta pressa?
Se a mente travessa,
Cansada de pensar,
Fica baralhada,
E por muito que se esforce,
Não consegue acalmar.
24-11-2015 Maria Antonieta Matos
Por ti, Alentejo...
Descerram a deslizar oliveiras
e sobreiros,
por encostas enraizadas,
Enviesados correm ribeiros,
Das tuas margens enamoradas,
Vão alargando os seus braços,
Deitam-se a descansar
nos ombros teus,
Beijam-te... e, te dão abraços,
Entranha o Sol de Deus.
A luz brilha e se reflete,
E dá azos ao olhar,
Que fica pasmo, inerte,
E põe a mente a pensar....
Ceifando o trigo a ceifeira,
Com a foice engalanada,
De soslaio canta sorrindo,
De malícia estimulada.
A não querer ficar atrás,
O seu par repica a cantar,
E num despique assaz,
Ficam todos gargalhar.
O pastor,
encostado ao seu cajado,
Ouvindo os sons no conforto,
Ordena o cão, atrás do gado
Num assobio bem solto.
O gado num restolhar de fumo,
A chocalhar p'lo campo,
À sombra encontra o arrumo,
De baixo dum sobreiro amplo.
O bafo paira no ar,
No verão abrasador,
Tudo dorme pelas sombras,
Desmembrado pelo calor.
Mulher do meu Alentejo,
És tão forte e calorosa,
De beleza inconfundível,
Tuas faces cor da rosa.
Corres o campo florido,
Descobres tanta emoção,
Que não há nada mais lindo,
Que caiba no coração!
02/ 01/2016, Maria Antonieta Matos
O teu sorriso contagia,
Tua força eleva o meu ego,
Tua simplicidade é magia,
Meus olhos por ti andam cegos.
Quero-te por gostar de ti,
Não te prendo ao meu sentir,
Fica se gostas de mim,
Vai se o amor, não persistir.
Gosto quando sorrimos os dois,
Numa franca brincadeira,
E nos confortamos depois,
Quando... nada, corre à maneira.
A verdade nos fortalece,
Assim se passam os anos,
Recordando o que acontece,
Transpondo este mundo insano.
Com muita força e esperança,
E a motivação que não falta,
Vive-se sempre em mudança,
Com a criatividade em alta.
06-01-2016 Maria Antonieta Matos
Meu amor é companheiro
Nas viagens que fazemos
Não temos muito dinheiro
Mas vontade sempre temos
Damos voltas reviravoltas
Para ver tudo que nos rodeia
Tiramos mil e uma fotos
Partimos de memória cheia
Sentimos muita alegria
Descobrimos novos trilhos
Levamos sabedoria
Na bagagem muito brilho
Visitamos monumentos
Que nos falam da sua história
E os olhos espelham momentos
Que foram feitos de glória
É bom aproveitar a vida
Fazer dela uma festividade
Torná-la mais divertida
Como crianças sem idade
Contemplamos a natureza
E a sua diversidade
Disfrutamos tanta beleza
Com muita cumplicidade
Conhecemos nova gente
Saboreamos pratos regionais
Somamos mais uns amigos
Porque amigos não são demais
Évora, 05-06-2019, Maria Antonieta Matos
Meu amor, quero perder-me,
No teu corpo, desnudo, macio,
Caminhar como um novelo,
Enleada a move-lo,
Num dócil e cálido arrepio.
Meu amor, quero achar-me,
Mergulhada no teu peito,
Escutar o bater perfeito,
Desse mar onde me deito.
Meu amor, quero derreter-me,
Na espuma das tuas vagas,
Para curares as minhas chagas,
Com os sorrisos que me afagas.
Maria Antonieta Matos, 12-11-2016
Com meucanto direi coisas
Que nopeito trago apertadas
Quandotão injustas palavras, ousas
Com aspessoas descriminadas
Sentes-tepoderoso sem mácula
Cortando…cínico e desvairado
Sonhos easas vindo arranca-las
A genteque nasceu no triste fado
Gentehumilde labutando em vão
Enquantotu… tens tudo à mão
Em doceleito te deitas descansado
Criançasque maltratas e apregoas
findarseu sofrimento… palavras boas
Apenaspr’a te mostrares abençoado
MariaAntonieta Matos 30-11-2013
Espero-te de braços abertos,
A cada tua recaída,
Ensino-te os passos certos,
Para te defenderes na vida.
Trago-te no meu regaço,
No sentir do coração,
Onde tenho todo o espaço,
Oh! Meu filho, meu irmão.
Quero-te contemplar a sorrir,
E a caminhar p'lo teu pé,
Num futuro que há de vir.
Em paz sonhar os teus sonhos,
E teus voos de lés-a-lés,
Com os olhos bem risonhos!
28-08-2015 - Maria Antonieta Matos
Os meus olhos, de amor calado,
No brilho suave a chama se revela,
É lume terno, doce e delicado,
Que em cada olhar mais fundo se modela.
Na sombra oculta um gesto apaixonado,
Que o coração em segredo atrela,
E quando em ti repousa enamorado,
A alma inteira em silêncio se desvela.
Se a voz me falta, o olhar me denuncia,
Pois nele mora a essência do sentir,
A chama pura, a luz que não se esfria.
E mesmo quando o tempo me fugir,
No espelho eterno dessa melodia,
Verás meus olhos sempre a te seguir.
Maria Antonieta Matos
Veem de longe, de muito longe,
Pelo mar desconhecido,
Agitados, cheios de esperança,
Deslocam um punhado de nada,
Veem sofrendo nessa estrada,
Empilhados sem segurança,
Trazem os filhos, as mulheres grávidas,
Fogem da guerra, da triste ventura,
No peito uma agonia tão dura…
Sua reação serena e impávida.
A fome, o frio, a falta de amor os faz mais fortes,
A secura a doença, a morte não se lh’ figura,
Mas a ânsia de mudar essa amargura,
Supera tudo e almejam toda a sorte.
No desconhecido o sonho perdura,
A saudade corre-lhe nas veias,
Carregam a história da terra, da sua aldeia,
Um desejo breve que só o tempo cura.
Muitos não conseguem experimentar o sonho,
As ondas agitam bravas a embarcação,
O medo e o cansaço lhe cria ilusão,
E apaga-se a vida num grito medonho.
Outros o seu olhar encontra outro caminho,
Às vezes tão sinuoso, íngreme e escorregadio,
Mas não desistem sempre em frente, por um fio,
Resistindo e desafiando cada etapa do seu destino.
14-12-2019 Maria Antonieta Matos
Minhas mãos dormentes, encarquilhadas
Mostram-me o caminho da idade
A murmurar ressaltam pintas desajeitadas
Num jardim em festa ao fim da tarde
Minhas mãos meigas a pintar teu corpo
E a enternecer teu coração
Vão perpetuando esse doce mosto
Como o dedilhar do terço na oração
Minhas mãos falam-te delicadas
Tateando entrelaçadas no amor
Tocando sentimentos à pele arrepiada
Não há idade que impeça o sonho
As minhas mãos têm a cura para dor
Nos afagos que disponho
25-02-2021 Maria Antonieta Matos
O vento sopra agressivo,
Fecha-se a noite à tardinha,
Arrastam-se novelos na rua,
Desata a chuva miudinha.
O coriscar ilumina o céu,
Soa o ribombar do trovão,
Chora o beiral em ladainha,
Soltam-se as nuvens de breu.
Veem as cheias assoladas,
Assombram o momento agitado,
Correm as mãos apressadas,
Para limpar o triste estado.
Rolam pedras desprotegidas,
Pela ribanceira a beijar,
Ficam estradas entupidas,
Impedindo por lá passar.
Rosto do tempo, que muda,
O dia, a noite, o pensar,
As vestes, a luz que fecunda,
A semente a germinar.
Maria Antonieta Matos, 01 de Abril de 2016
Se o pensamento se envolve
a rebuscar outros tempos,
o sentimento se comove
ao reviver tais momentos.
Belos risos, gargalhadas,
sonhos de amor, mil desejos,
muitas tristezas marcadas
lágrimas, saudades e beijos.
E cismo na lembrança de ter,
Essa lucidez de outrora,
O novo olhar de hoje ver!
E embora os olhos de agora,
Chorem mesmo sem querer,
Mostram-me uma nova aurora!
26-09-2014 Maria Antonieta Matos
Pintura do meu amigo Costa Araújo

Monsaraz vila lindíssima
Tudo se vê ao redor,
É arte para o artista
Deslumbramento maior.
Ao olhar aqueles campos
Lá do alto surpreende,
E faz bater o coração
O Alqueva dali distante.
Parece estar ali à mão
Vê-se todo o horizonte,
Como se estivesse no céu.
O olhar descobre as pontes
E admira os lindos montes,
É uma dádiva de Deus.
Maria Antonieta Matos
In 'Poetizar Monsaraz Vol. I'
Ah…Quantoelevado se sente o pensamento
Quandoo dia, lá fora corre atormentado
Noaconchego, as brasas falam ao silêncio
Faúlhasme fazem ver o céu estrelado
Adeusdia chuvoso que na calçada
Cascatasfazes e abraça os teus rios
Aovento que ouço aos assobios
Ringindoportas que me causam arrepios
Enchesde lismos, despes o branco do casario
Tiras-lhea cor e o matizas de rabiscos
Lacrimejao beiral contente aos salpicos
Oescuro se ilumina, cessa o vento e o frio
Oreflexo dos regatos alinda a calçada de xisto
Floresnascem na rua, entre pedras e nichos
II
Monsarazde ruas estreitas perfumadas
Deboa gente que te quer conhecer
Quese prende por muito bem te querer
Nosteus olhares se sentem enfeitiçadas
Paisagensque cegam de grandeza
Enchemde inspiração a alma de artistas
Queacolhem o visitante de gentiliza
Nopalco divino em que és protagonista
Ruassingelas, pedras de xisto a fascinar
Otempo longínquo que se sente a rodear
Emcada pedra em cada canto um desejo
20-08-2013Maria Antonieta Matos
Avisto terras de Espanha
Um horizonte sem igual
O Alqueva que abraça e entranha
Belas vilas de Portugal
Fascínio para os artistas
Pintores,poetas, escritores
Um encanto para os turistas
Um recanto para os amores
Monsaraz tem a seus pés
Natureza inspiradora
As cores, os sons e até
Tranquilidade apaziguadora
Maria Antonieta Matos
In 'Poetizar Monsaraz Vol I'
Quem te criou, mulher?
Mulher doce, olhar meigo, sabor de beijos,
Mulher que os filhos entranhas em desejos,
Mulher sonhadora, criadora de formas,
Inteligente,gentil, pele acetinada, cabelos em flor,
És canção, música és cor!
Mulher que escondes no sorriso, segredos da alma,
Que despertas no teu par, o amor que acalma,
Mulher sensível que perdoa,
Que desculpas quem te magoa,
Mulher madura, perfume da rosa,
Rugas de epopeia, de prosa!
Mulher lenda, sensual, desejada,
Conto de fadas!
Mulher, quem te pintou?
Maria Antonieta Matos 08-07-2014
Pintura do meu amigo Costa Araújo
Nosilêncio a ouvir a música
Deixandoos sentidos vibrar
Acalma entra no espírito
Ecomeça-se a sonhar
Artede combinar sons
Encadeadacom a pausa
Gostardepende dos tons
Dasensibilidade e da causa
Amúsica também se sente
Sema música estar a tocar
Nosentido fica aderente
Ficandoo corpo a bailar
Quemvê, acha que é louco
Quandoo vê a gesticular
Pornão ouvir nem um pouco
Amúsica que outro ouve a tocar
Amúsica faz parte da alma
Édifícil de exprimir
Ouve-secomo uma fala
Quequeremos transmitir
Emoçãoà flor da pele
Osacordes num concerto
Nãohá sofrimento que impere
Amusicalidade do excerto
Artesempre à descoberta
Denovos ritmos e revelações
Oprazer de quem interpreta
Fazunir as multidões
Amúsica é representação
Éespetáculo é sintonia
Culturae composição
Técnicae muita harmonia
Unsgostam de sons melodiosos
Outrosde sons a bombar
Unssão silenciosos
Outrosservem só para excitar
13-11-2012Maria Antonieta Matos
O silêncio cisma replicado
Neste cenário de domingo e fim de Agosto
Só os passarinhos me cantam do telhado
E o sol iluminado me provoca mais afoito
O olhar balança estonteado
Cai em mim a paz do mundo, a serenar
o sentir do coração, tão elevado
No pensamento, linda pintura a desenhar
Estou entre mim e Deus, no céu
Num refletir alucinado no apogeu
Nada mais quero... tudo dou
Porque nesta vida, nada sou...
mais do que eu!
Uma miragem que logo passa
Uma lembrança em qualquer dia
Uma virtude que se desfaça
Até o meu nome de Maria
Maria Antonieta Matos 31-08-2014
PINTURA DO MEU AMIGO COSTA ARAÚJO
O sonho desabrocha a vida
Como a flor abre tão bela,
A retina avista a luz infinda,
Acreditar, descobre uma janela.
A alma alimenta o sonho,
Que o pensamento escreve,
A força tem peso e tamanho,
Tornando o sonho mais breve.
Ousa e sente nascer a alvorada,
Imagina em cada dia,
Realiza teu sonho, acordada,
Para sentires essa magia.
Não deixes morrer a esperança,
Onde mora qualquer sonho,
Veste o íntimo de confiança,
Vive o mundo mais risonho!
Maria Antonieta Matos 27-02-2016
Não desistas de viver,
De abrires o teu coração,
De escancarares teu sorriso,
De esqueceres um mau juízo,
Que seja a vida a solução.
Que amanheça em cada dia,
Um raiar em teu olhar,
Que brote a flor mais linda,
Que te mostre o sonho, ainda,
Sempre em ti a desabrochar.
Não desistas do amor,
Onde habita serenidade,
Que exalta dentro do peito,
Sinfonia no teu leito,
Canção, paz e dignidade.
Não te quebres por artifícios,
Nunca cedas a tentações,
Que vão mudar a tua vida,
Para sempre ficar destituída,
E não passam de ilusões.
Não desvies o teu caminho,
Por rotas que não conheces,
Desfruta na terra... a vida,
Ninguém ganha com a partida,
Nem nós, nem tu a mereces.
Há um sol que nos aquece,
E nasce a lua com muitas faces,
Mas a inteligência que temos,
Serve para ler o que vemos,
Sem s' envolver em disfarces.
03-09-2017 Maria Antonieta Matos
Nãofales meu amor, não digas nada
Deixa osilêncio no nosso amor penetrar
Abraça-meao teu peito bem apertada
Aquece-mea boca e o coração com teu beijar
Deixap’ra lá tudo aquilo que não presta
Que nosfaz sofrer nesta vida dura
Faz umapausa que é tudo o que nos resta
Paraacalmar a euforia que não cura
Vibraentrelaçados com olhar cego
Mergulhandoneste desvario vero
Sente omeu olhar dizer que te quero
Saboreiao momento neste aconchego
Como seo paraíso fosse esse deleite
Deixaque o pensamento em mim se deite
MariaAntonieta Matos 31-10.2013
In " Poesia Sem Gavetas III"
Não me enganes, meu amor, que leio o teu pensamento,
Porque teus olhos falam aos meus, cada um teu sentimento.
Quando em silêncio te vejo, o que dizes sem palavras,
Desvendas em teus olhares segredos, sem máscaras ou travas.
É no brilho do teu ser que encontro teu firmamento,
Não me enganes, meu amor, que leio o teu pensamento.
Teus olhos são como espelhos, refletem tua alma nua,
Num encontro de almas, revelas-me tua verdade crua.
Cada olhar é um poema, escrito com puro alento,
Porque teus olhos falam aos meus, cada um teu sentimento.
Quando te vejo ao longe, meu coração se apressa,
Busco nos teus olhos a certeza que não se confessa.
Neles encontro o caminho, onde não há esquecimento,
Não me enganes, meu amor, que leio o teu pensamento.
E assim, nas trocas mudas, compreendo-te por inteiro,
Cada olhar é um verso, num poema verdadeiro.
Em teus olhos descubro o amor, em cada suave momento,
Porque teus olhos falam aos meus, cada um teu sentimento.
Maria Antonieta Matos
Não quero guerras, não quero conflitos,
quero mares calmos e ventos benditos.
Quero o riso solto das crianças na rua,
e o brilho sereno da noite com lua.
Não quero gritos nem fúria em punho,
quero o abraço… esse doce cunho
que sela promessas e cura feridas,
dando sentido às horas vividas.
Não quero ódio, nem muralhas frias,
quero pontes feitas de alegrias.
Quero o pão partilhado à mesa,
onde a paz é simples, mas pesa.
Não quero guerras, nem armas erguidas,
quero histórias de mãos unidas.
Pois se o amor for o nosso fardo,
o mundo será leve, e será mais tardo.
Não quero guerras, não quero conflitos,
quero caminhos limpos, passos convictos.
Quero o sol inteiro nas manhãs claras,
e a paz nas vozes que outrora foram raras.
Não quero ferros, nem grilhões humanos,
nem ódios velhos, nem enganos.
Quero a esperança em flor nas janelas,
e os corações abertos como estrelas.
Não quero tronos de poder vazio,
quero o labor humilde, o pão macio.
Quero a canção que o campo murmura,
e o tempo manso que a alma cura.
Maria Antonieta Matos
Não sei o que me deu, nem sei dizer,
há um peso em mim difícil de entender.
Um cansaço estranho, fora do normal,
como se o corpo travasse, num silêncio total.
O dia passa lento, sem brilho, sem cor,
e até o que era leve parece ter dor.
Procuro em mim a razão, algum sinal,
mas só encontro esse vazio desigual.
Talvez seja o tempo, talvez confusão,
talvez seja a alma pedindo atenção.
Só sei que hoje em mim tudo parece parar,
e o peito, cansado, só quer descansar.
Não sei o que me deu, nem consigo explicar,
há um peso no peito difícil de afastar.
Um cansaço tão fundo, tão fora do normal,
como um céu carregado antes do temporal.
Os passos vão lentos, sem rumo, sem chão,
e tudo parece fugir da minha mão.
O riso se esconde, o brilho se desfaz,
e a alma em silêncio já não pede mais.
Talvez seja só nuvem, prestes a passar,
um instante escuro antes de clarear.
Mas hoje carrego esse sentir desigual,
um vazio cansado, estranho e brutal.
Maria Antonieta Matos
05-05-2026
Vem, vem por aqui!
– Dizes-me tu, com olhar meigo,
extravasando de emoção, camuflando teus segredos,
Injustiçando meu porto seguro, com muitos medos
Vem, vem por aqui!
E eu cansada e angustiada te dou a mão, levando o sonho e
acreditando, que a sorte pode mudar!
Mostras-me a vida colorida… iluminada… glorificada.
E eu sem nada... te dou a mão!
Levo a esperança e a tua força que agarrei
e me deixei ir por aí!
Pus-me ao caminho, no empolgado destino
e no teu fraseado caí.
Depois cortas-me em pedaços a minha raiz,
Num arrastar de lama que nunca quis!
Atormentados dias e noites que não previ!
Não, não vás com falinhas mansas!
Desconfia dessa abastança
E não, não vás por aí!
09-02-2014 Maria Antonieta Matos
In Nós Poetas Editamos VI"
Sentimento à flor da pele,
Dores, num amargo fel,
Arrepios que a vida tece,
Muita fome, que o dia esquece,
Pedra fria,
Gelo e maresia,
A manta que não aquece,
Alegria, mordomia,
Muitas luzes a brilhar,
Um sem fim, a desperdiçar,
Outro sem fim, sem um lar,
Sem uma pia de despejos,
A céu aberto,
Em qualquer lugarejo,
Numa tristeza sombria,
Sem apetite, sem magia,
Natal, uma longa noite fria,
Natal da saudade,
Do nascer e do morrer
Do sofrer na enfermidade,
Natal do ódio,
Do subir ao pódio,
Natal do amor,
Da família,
Da homilia,
Do frenesim, do festim,
Da solidariedade,
De parecer verdade,
O doce Pai Natal,
Que a chaminé invade,
Que deixa presentes,
Na madrugada quente,
Quando tudo descansa,
Em sonhos de esperança!
Maria Antonieta Matos, 09-12-2015
Procuro na natureza
Todo o encanto que tem
E esta mensagem traz
A felicidade também
Traz-nos tranquilidade
E o sol a iluminar
Todos nossos corações
Num sentir da liberdade!
Maria Antonieta Matos 16-11-2010
Nas celas frias, sem nome ou bandeira,
Na revolta da noite sua dor inteira.
Grades não prendem o que arde na mente,
Nem matam o sonho do insurgente.
Silêncio imposto por farda e por aço,
Mas dentro pulsa um mundo no compasso.
Lá fora, a história dorme ou se esquece;
Aqui, cada lágrima é o que acontece.
O grito abafado entre os muros cresce,
É ênfase que corta, é chama que aquece.
Nem tortura apaga o traço do ideal,
Nem medo apaga o que é visceral.
Escrevem em paredes com sangue e poeira
poemas de luta, justiça, bandeira.
Por cada ferida, um povo desperta,
Por cada calabouço, uma porta aberta.
Pois mesmo acorrentado, o peito é clarão,
A verdade não morre em nenhuma prisão.
Se a voz não ecoa no dia que amanhece,
O tempo gritará por quem não esquece.
23-06-2025 - Maria Antonieta Matos
Olhaste-menum dia de festa
Nosentido te acompanhei
Seguro,pensaste que era desta
Queencontraste a cara certa
E na tuaprosa me enamorei
Ausentepor outras paragens
Vi asaudade a fulminar
Recebicartas com mensagens
Sentiperto teu respirar
Eratanto o nosso amor
Cresciano sentir do sofrer
Sonhavadesabrochando em flor
Contavaos dias para te ver
Tu àsaudade não resistias
Emborapoucos, aqueles dias
Tu paramim sempre corrias,
Evoltavas com mais saudade
Começamosa viver
Comtristeza de morrer
Nessesonho de felicidade
Aguardandoo teu regresso
Paravivermos em liberdade
Pensamoslogo em casar
Nãoestávamos um, sem o outro
E depoisno nosso lar
Osfilhos começaram a chegar
Um,dois, três e mais os netos
Derretemo-nosem afetos
Comalegria a transbordar
10-11-2013Maria Antonieta Matos
Obicho entrou no país
Minacada um ser vivo
Cortatudo pela raiz
Temum poder destrutivo
Nãohá remédio que cure
Adevastação interior
Nemmédico que se segure
Pulandode dor em dor
Nãohá ensino que resista
Aiprofessor, professor
Tensque ser malabarista
Comtanta criança ao dispor
Estáscheio de desempregados
Comtanto que há para fazer
Masanda tudo baralhado
Eponham-se daqui a mexer!
Osimóveis já não são teus
Fogemsem nada valer
Tudoestá a encarecer
Enão há cheta para comer
Osbancos estão diminuir
Adívida está a aumentar
Osdinheiros estão a fugir
Ea esperança a terminar
Obraspúblicas arruinadas
Depoisde muito gastar
Asterras ficam revoltadas
Incapazesde por lá passar
Privatizam-seserviços públicos
Parao povo ter que pagar
Quevê tudo por canudo
Incapazde lá chegar
Semacesso à saúde gratuita
Aconsulta sempre adiada
Osmales são uma constante luta
Semorrer… não vale nada!
Osvelhos são despejados
Emlares sem condições
Afamília gasta os trocados
Efica cheia de aflições
Noshospitais quem lá cai
Esperahoras aos ais
Operaçõesfazem-se série
Semse ver o médico, mais
Jánão há humanização
Andamtodos em correria
Osrecursos são invenção
Deinteresses e engenharia
Deixoude haver qualidade
Temque se fabricar dinheiro
Paraessa austeridade
Queenche os bolsos aos parceiros
MariaAntonieta Matos 26-09-2012
Briosasflores luminosas, embalando o sonho pairando no ar
Noaconchego, cânticos resvalam esculpindo a paisagem
Asonoridade e odores embriagam os sentidos a desvairar
Nagrandeza do céu azul que as nuvens o pincelam, de passagem
Monsarazfeiticeira, retina contempladora de olhares
Farol,proliferando os tons, os dons e os sentimentos
Decifrandomistério do encanto, enamorando os pares
Ficandoa saudade de quem por ti passa, bondosos momentos
Noalto, imponente fortaleza mantendo o vigor através do tempo
Terodeiam casas branquinhas agarrando a estrutura e graciosidade
Desejoda gente hospitaleira, embevecida de agrados e generosidade
Ladeandoos muros, desencadeias sublimes pinturas ao sabor do vento
Oscliques dos retratos sucedem em cada dia, para o mundo conhecer
Namemória guardas o saber e o anseio de quem contigo quer aprender
27-06-2013Maria Antonieta Matos “ In Poetizar II”
Briosas flores luminosas, embalando o sonho pairando no ar,
No aconchego, cânticos resvalam esculpindo a paisagem,
A sonoridade e odores embriagam os sentidos a desvairar,
Na grandeza do céu azul que as nuvens o pincelam, de passagem.
Monsaraz feiticeira, retina contempladora de olhares,
Farol, proliferando os tons, os dons e os sentimentos,
Decifrando mistério do encanto, enamorando os pares,
Ficando a saudade de quem por ti passa, íntimos momentos.
No alto, imponente fortaleza mantendo o vigor através do tempo!
Te rodeiam casas branquinhas agarrando a estrutura e graciosidade!
Desejo da gente hospitaleira, embevecida de agrados e generosidade.
Ladeando os muros, desencadeias sublimes pinturas ao sabor do vento!
Os cliques dos retratos sucedem em cada dia para o mundo conhecer!
Na memória guardas o saber e o anseio de quem contigo quer aprender.
Maria Antonieta Matos
In' Poetizar Monsaraz Vol. II'
Presa ao meu pensamento
Sentada a um canto do café
Olho, quem toma o café de pé
Apressado não tem tempo
Tempo para saborear o momento
Que a muitos, tempo lhes sobra, até!
O café é poesia;
É momento de leitura;
É conversar;
É companhia;
É escrita;
É olhar;
É fotografia;
É reunião;
É namorar;
É negócio;
É amizade;
É família;
É remansear;
É silêncio;
É saborear;
É pensamento;
É pintura;
É musicar;
É alegria;
É sentimento;
É escultura;
É cantoria;
É refúgio;
É debate;
É discussão;
É desculpa;
É distracção;
É humor;
É riso;
É emoção;
É relíquia,
É modernidade;
É fantasia;
É ansiedade;
É gargalhada;
É o momento de magia!
E que outro olhar, mais diria?
Maria Antonieta Matos 16-09-2013
Itinerante
Coma forma circular
Todoo espectáculo é montado
Muitagente a trabalhar
Muitaalegria para dar
Ea seguir ser desmontado
Músicapela rua da cidade
Eum megafone entoando
Gentede qualquer idade
Pára….fica delirando
Norecinto até à bilheteira
Segueuma fila de gente
Unsquerem lugares de primeira
Paraficarem bem à frente
Poucoa pouco ficam sentados
Obar do circo a funcionar
Vendealgodão doce, pipocas, gelados
Enquantoo público está aguardar
Oapresentador anuncia
Oespectáculo vai começar
Hápalhaços, acrobacia
Surpresas,para encantar
Numassombro hilariante
Cheiode cor e magia
Desfilamartistas a cada instante
Éo circo é fantasia
Nopúblico muitos sorrisos
Muitagente a gargalhar
Coma música e improvisos
Dospalhaços a magicar
Naarena entoam palmas
Exaltaçãode muito agrado
Artistasdão sua “alma”
Numespectáculo humorado
Passamcavalinhos mestrados
Oartista dando instrução
Ficao público embasbacado
Dasintonia e precisão
Trabalhamo cérebro e os músculos
Andamcom a mala às “costas”
Partilhama arte do mundo
Juntamculturas, gente bem-disposta
Sealgum mal lhe acontece
Nãoo demonstram na pista
Eo público a rir tudo esquece
Enchendode ânimo o artista
07-02-2013Maria Antonieta Matos
Ó inverno pareces doente
Já não choras como outrora
Nem o frio é persistente
Tudo é diferente agora
Não digo que não goste disso
Mas inquieta o ambiente
A cultura muito sente
E todos pagamos com isso.
Maria Antonieta Matos 05-02-2019
O João meio sonolento
Sai da cama a cambalear
Dormitando o pensamento
Leva o tempo a resmungar
Pensa que o dia é noite
E a noite que é dia
Anda com os sonos trocados
Sem tempo numaeuforia
Pensa que o dia é noite
E a noite que é dia
Se lhe falo criticando
Num tom mais afunilado
Rabuja ainda sonhando
E temos o caldo entornado
Cai o Céu e a trindade
Ai jesus que digo eu
Mas acorda para realidade
Finalmente amoleceu
Maria Antonieta Matos 28-08-2013
Dedicado a Isabel Santos Moura
pelo seu livro “O Anjo Gabriel, o Miguel e o livro de papel”
Ohomem por não ter tempo
Viveo tempo a complicar
Ocupandotodo o seu tempo
Emtempo para inventar
Reduz-sea um cantinho
Comtudo ali à mão
Pelamáquina sente carinho
Pelohomem ingratidão
Vivenum mundo virtual
Nadase apalpa nem se vê
Comoum mundo espiritual
Emociona-se,em tudo crê
Noano de dois mil e cem
Emque tudo é eletrónico
Aspessoas não se conhecem
Sãomáquinas amor platónico
OMiguel muito preguiçoso
Passavadias a jogar
Naescola ficava ansioso
Semgosto para estudar
Sóexiste o computador
Ondese joga lê ou estuda
Maso cientista inventor
Criaum pequeno, mais promissor
Paranão carregar quem o usa
Todaa gente foi comprar
Oe-book assim chamado
Ondelivros se podiam guardar
Como maior espaço pensado
Eera fácil de transportar
Nodia do aniversário
OMiguel recebeu de presente
Ume-book revolucionário
Queo fez pular de contente
Erao seu melhor amigo
Levava-opara todo o lado
Viahistórias de encantar
Passavao dia ligado
Umdia com muita alegria
Aover uma grande aventura
Oe-book não cedia
Miguelfica triste, numa amargura
Opai passou a explicar
Queo muito uso o enfraquecia
Queera preciso carregar
Parater de novo energia
Masuma vez não teve volta
Estavamesmo avariado
Tevemesmo que ir para loja
Paraaí ser concertado
Noseu quarto com tristeza
Emsilêncio e sem querer comer
Nacama dava voltas de incerteza
Seo fim da história iria saber
Portudo o que aconteceu
Umnovo e-book pedia
Quefosse amigo e fosse seu
Quenão carregasse a bateria
Derepente um anjo aparece
OAnjo da guarda Gabriel
Queseu espirito amolece
Deixandoa paz ao Miguel
Parasatisfazer o seu desejo
Oanjo sorri-lhe e não fala
Enum remoinho de luz a voar
Vaicair numa grande sala
Erauma grande biblioteca
Queo Miguel desconhecia
Porqueos livros da sua época
Nãotinham tanta magia
Olhoutodo o colorido
Tirouum livro, ansioso
Eraaquele o preferido
Queabriu e folheou curioso
Eraum livro de papel
Quenão ia avariar
Estavaà mão do Miguel
Apenastinha que o estimar
Assimo Anjo Gabriel
Deuum livro de papel
Aonosso amigo Miguel
Muitobem escrito pela Isabel
05-01-2013 Maria Antonieta Matos
Sei... que sei muito-pouco,
Que aprendo todos os dias,
E até mesmo no mundo louco,
Guardo lições de sabedoria!
Esqueço algo que aprendi,
Como um livro já esquecido,
Parecendo que nunca li,
Desperto mais o sentido!
Vou calcorreando a sentir,
O movimento, que vislumbro,
E com experiência me cubro!
O futuro afirmará triste ou a sorrir,
Lendo cada página escrita,
No livro que abraça a vida!
01-10-2015 Maria Antonieta Matos
Gostava de ter nascido
Perto dessa imensidão
Nunca teria sentido
Um só minuto, solidão
Me deitava na areia
Ondas me vinham tapar
Olhava à noite as estrelas
Ficava sempre a sonhar
Com os peixinhos brincava
Conversava com a lua
O sonho me aconchegava
Meu amor, seria tua
03-09-2012 Maria Antonieta Matos
Tens uns olhos muito expressivos
Fazes humor a gargalhar
Ficas sério, crítico e apreensivo
Quando de injustiças ouves falar
Tens sentido da responsabilidade
Embora muito pequeno
Falas com muita habilidade
Com teu ar muito sereno
Raciocínio inteligente
Estás em constante desafio
Pões à prova a tua mente
Projectas casas, carros, navios
Tens ideias que surpreendes
Conversas muito requintadas
Fazes lembrar pessoa grande
E me deixas atrapalhada
Metes conversa com as pessoas
Sejam elas de que país for
Cativas e te prontificas na boa
Com soluções e amor
Sempre pronto para aprender
Saber da palavra o significado
Na matemática não quer perder
Na dificuldade está interessado
Quer ser Guarda-florestal
Para defender a floresta
Não quer ninguém a fazer mal
Por ser o bem que nos resta
Criança muito extrovertida
Gosta de brincar em conjunto
Apresenta os pontos de vista
Discute qualquer assunto
18-08-2013 Maria Antonieta Matos
Tomás,teu rosto é ternura
Tuaboca esvai-se em sorriso
Tuasmãos a diabrura
Entrerisos de improviso
Brincalhãode olhos matreiros
Forteme abraças com doçura
Nãoresisto aos teus encantos
Ficocega de brandura
Tuavoz misteriosa
Douvoltas para te entender
Sempreencontro forma airosa
Parao que dizes perceber
Inteligente,dás-me a volta
Coma tua psicologia
Quandoqueres alteras a rota
Edeixo-me levar p’la magia.
18-08-2013Maria Antonieta Matos
Na moldura discreta do meu olhar,
cabe o vasto oceano e a planície,
um céu que se inclina sobre o mar
e a brisa que à distância me acaricie.
O vidro é fronteira sem se fechar,
onde o longe se torna o que me viste;
nas ondas do vento posso viajar
e ser quem sonha e nunca desiste.
Cada raio de sol é um novo cais,
cada sombra um segredo que desperta;
no instante, cabem mundos e seus sinais,
pois vivo onde a alma se liberta.
Assim, sem sair, por dentro navego,
janela aberta, ao infinito me entrego.
O neto que já eu sinto
No ventre de minha filha
Já está no meu coração
E do afecto já partilha
Ainda não sei o teu nome
Mas um estará destinado
Pouco interessa por agora
Porque já és muito amado
Já vai dando os seus sinais
Mostrando a sua gracinha
Assim comunica com os pais
Faz tum, tum na barriguinha
Os irmãos muito emotivos
Para nada lhe faltar
Já fazem preparativos
Querem roupinha para o tapar
Já distribuíram as tarefas
Para aliviar mais os pais
Fica tudo simplificado
Estão contentes por demais
A massagem faz o Duarte
Para ficar descontraído
Já aprendeu essa arte
E já está tudo definido
A fralda muda o Miguel
Já está muito determinado
Tem um saco cor de mel
Com tudo bem arrumado
A Verónica lhe dá afectos
E o adormece à noitinha
Para ficar mais relaxado
Canta-lhe uma cantiguinha
Deixem depois os contos
E os mimos p’rós avós dar
Pois os pais os filhos educam
E os avós podem ajudar
Todos os netos são iguais
Todo o bem lhe quero dar
No coração tenho mais
Cantinhos, para os amar
18-08-2013 Maria Antonieta Matos
Ó noite… tão longínqua me pareces
Quando o pensamento se recusa a dormir
Tudo vem à memória… que nada esquece
E ainda acrescenta tudo aquilo que pensa vir
Ó noite acordada que sempre trazes reboliço
Na alma, no coração, no cansaço dos meus ais
No corpo dorido, revoltado, quebradiço,
E aos olhos aflitos que não se querem fechar mais
Ó amanhecer que já não te ouço, nem te vejo
Tinha planeado o meu dia de esplendor
Mas apaguei os sentidos e nada mais almejo
A sombra ficou em mim suspensa, sem nenhuma cor
Esqueci o sorriso, o nome e o desejo
Sucumbi no sono e fui à busca do sonho de amor.
15-03-2019 Maria Antonieta Matos
Cegoao olhar do encanto
Emudeço-mede pasmar
Oiçodos pássaros, o canto
Aromasme querem cheirar
Nocampo brilham as cores
Nomar também é assim
Nocéu as estrelas são flores
Queà noite riem pr’a mim
Quandoclareia o sol me ilumina
Parao dia passar bem
Sechove o tempo me fascina
Pelossentires que tem
MariaAntonieta Matos 23-09-2013
O pensamento na sombra frenético,
Quão embriagado em secreto norte,
Deslumbrando deleite devaneia a sorte,
Ansioso e voluptuoso a cogitar herético.
No sonho e em loucura petulante,
Crucificado no ensejo engalanado,
Imagina o amornar da luz distante,
No fundo d' alma no céu entranhado.
A mente possessiva domina a jeito,
É astro da estória fulminando o prazer,
E ama perdidamente sem desvanecer.
A meditar faz baloiçar o peito,
Como a antemanhã na primavera florida,
Que ao timbre vibrante s' ilumina a vida.
13-11-201 6 Maria Antonieta Matos
Que seja o poema o alerta
Quando escurece em ti a alma
Que seja uma porta aberta
ou o comprimido que acalma
Seja o desabafo corrente
A emoção que em ti brota
Uma lição permanente
A semente que não se esgota
Seja a colorida borboleta
A poisar no campo em flor
O passarinho quando canta
Belas serenatas de amor
Que seja o poema a crítica
Que a voz não faz ouvir
Mas que no pensamento fica
E a consciência vai perseguir
Que o poema saiba entranhar
O sentimento desmedido
Na voz de quem declamar
E de pé ser aplaudido
Que seja o poema a liberdade
Que se expressa sem olhar a cor
Que grite a desumanidade
A injustiça e o desamor
Que seja o poema a memória
Do livro que se faz ouvir
Em muitos séculos de história
Sempre, sempre a intervir
Maria Antonieta Matos 26-06-2014
https://www.facebook.com/notes/maria-antonieta-matos/o-poema/761195230567325
O poeta não tem dia,
Para ordenar ao pensamento,
Que apreciada poesia,
Desponte a cada momento.
O poeta de olhos fechados,
Há noite quando se deita,
Tem o cérebro revirado
Com tanta ideia escorreita.
Se não se levanta e escreve,
Tudo aquilo que criou,
O sono voa tão leve,
Que sem querer tudo enjeitou.
O poeta vive o sonho,
Sente a dor e a injustiça,
Almeja um mundo risonho,
Livre de agir, sem cobiça.
O poeta é clave de melodia,
Cobre as palavras de sentimentos,
Remexe e sente o dia-a-dia,
De olhos e ouvidos atentos.
O poeta contempla as coisas,
Tão perto da emoção,
Que as multiplica e ousa,
Na mais bela criação.
Fantasia uma pedra,
Ou uma flor encarquilhada,
Um temporal que descerra,
Numa serra arborizada.
Vive a tristeza e a alegria,
O amor e o desamor,
Faz nascer com ousadia,
O poema que faz clamor.
11-10-2016 Maria Antonieta Matos
Envergonhada, e a voz se calava,
Sem dizer o que sentia,
Mas minha ânsia, por tua boca chamava,
E quando me apertavas, fugia.
O corpo se arrepiou, descontrolado,
Ansioso por te beijar,
Os olhos suspiraram como uma cola,
Embriagados a pedir esmola,
Na loucura de te desejar.
Estremeceu o corpo febril,
Os olhos choraram de alegria,
Tua boca me matou a sede,
Que já estava em agonia.
Renasceu uma alma nova,
E impaciente por querer mais,
E a tua boca me saciava,
Com doçura, me desejavas,
E agora os beijos são virais.
O que somos cada um de nós?
Talvez um misto de ilusórios disfarces
Que a cada momento se denota e invade
No pensamento lúcido ou perverso
Do ser humano em qualquer idade.
Será que nascemos formatados
Sem princípios, sem moral
Por vezes mal-educados
Sem carácter racional
Será que nascemos inocentes
Com um propósito na vida
Afirmando-nos puros, inteligentes
Para iludir a razão emotiva
Porquê ressalta tão alto
A maldade, o ódio e a agressão
E a dignidade em sobressalto
Sem castigo, sem ação?
14-02-2019 Maria Antonieta Matos
O que sou hoje,
nunca saberei amanhã
Quando se apagarem as luzes
Na alvorada da nova manhã
Em que o pensar em todos urge
Entrarei no esquecimento
Ou no juízo de cada um
Em momentos de lamento
Ou no alívio de alguns
O que sou hoje
Nada tenho para lembrar
Uma obra, uma herança para deixar…
Que solte o prazer do povo
para com júbilo celebrar
Resta-me viver na esperança
Pedir à lua bonança
Ao sol iluminação
Às nuvens sua emoção
À chuva esse alimento
Que agite os ramos e a direção
O que sou hoje, ninguém sabe
Mas deixa-me pensar que há-de,
Chegar o sonho, parecer real
Nascer a obra mesmo já tarde
Maria Antonieta Matos 07-09-2021
Ó Rio que não te cansas,
de correr desenfreado,
quando as nuvens ficam tristes
e caem lágrimas sobre ti,
Fazes lençóis de água bordados,
nos seixos encarquilhados,
que o vento com sua fala,
sementes por tudo espalha,
e, o sol resplandecente
faz nascer mais sorridentes,
lindas flores por aí.
Mas o tempo às vezes rebelde,
Seca tua boca de febre,
desvanece a cor que te cerca,
e até esse correr de atleta,
Que te dá vida e, o olhar acorda...
Ao entoar sapateado galante,
com saltos por vezes gigantes
Para deslumbrar quem te vê.
Ó Rio que afagas as vertentes,
que se riem de contentes
Quando o sol dá o bom dia,
Navegam seres arreigados,
Esvoaçam insetos malogrados
Nesses campos de alegria...
Espreitam cegonhas do alto,
as rãs por ti dão o salto,
em sublime sinfonia.
Ó Rio que penduras gotas de água,
o sol te cruza, aquece e toca,
e no prazer um clímax desagua,
no céu, muitas cores em meia lua,
e o sentir do olhar te foca
Maria Antonieta Matos 27-02-2017
Soprei-te ao ouvido um segredo
Sem quereres deixaste-o escapar
Arranjaste-me tremendo enredo
Que para sempre vou relembrar
Correu o mundo num ai
Fiquei, ah! de boca aberta
Segredo que da boca sai
Sai coscuvilhice pela certa
Sem contarem o que ouviram
Alterou o seu conteúdo
As pessoas confundiram
Ando nas bocas do mundo
Mesmo não querendo ligar
Sinto um tormento no fundo
Tenho o coração a saltar
De andar nas bocas do mundo
Nunca mais conto em segredo
Vou contar sem segredar
Porque o gosto dum segredo
É ser o primeiro a contar
O segredo alimenta curiosidade
Sente-se ansiedade para espalhar
Quer exaltar inverdade
Com intuito de se mostrar
O segredo tarde ou cedo
Acaba por se revelar
A não ser alguém por medo
Que leve para o túmulo guardar
Há segredos quando revelados
Prejudicam os negócios
São a sete chaves guardados
Longe de parceiros ou sócios
Fórmulas e grandes descobertas
Muito cobiçadas pelas nações
Guardadas por portas secretas
Segredos que valem milhões
Maria Antonieta Matos 22-03-2013
Teu manto azul te destapa à alvorada
Saem espreitando os teus olhos irradiados
De mil beijos te cobre a lua enfeitiçada
Que engravida de muitos sóis enamorados
Do teu cabelo caem madeixas coloridas
Tua felicidade contamina multidões
Que te admiram em cada dia enternecidas
Com teu o calor que iluminas seus corações
A lua sonha por muitas noites de amor
O sol pisca-lhe o olho à tardinha
Na timidez do encontro brilha fervor
Teu manto azul difunde raios de alegria
Tens aposentos que te acolhem como rainha
Ó Lua que encantas a noite toda nessa acalmia
04-07-2013 Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos VI"
Observo inquietude desmedida, no meu olhar
Um mundo em euforia, que desconheço
Retórica sombria, revoltas a aclamar
Abrindo espaço a um despertar avesso
Guerra súbita, que aos excessos dá valor
Que veda os olhos ao humanismo e à paz
Que engana sem respeito nem amor
Que cinzenta a verdade no engodo assaz
Vejo a lucidez transviada numa agonia
A pobreza que há muito tempo não via
Uma doença que nos consome
Vamos deixar… esse sono profundo
Unir as mãos com resiliência em todo mundo
Conciliar, construir, acabar com a fome
Évora, 26-01-2021 – Maria Antonieta Matos
Oh! Cruel guerra que não tem limites
Que espuma a cólera na ferida profunda
Que se esconde em disfarces e palpites
Que devora tudo que na terra abunda
Num muro de dor como lobos encurralados
Sem dó nem consciência num plano hostil
Circunda o louco no seu trono confortado
Furioso, mascarado no maneio subtil
Vai explodindo rancor por tanta ambição
Agiganta o vexame e o golpe transmite
Que frieza humana que não bate coração
Que as veias são negras de tanto apetite
Vagueia nas tréguas o espírito a chorar
O olhar desconstrói o atroz inimigo
Mergulha a esperança da gente a amar
Enquanto a alma grita: - vá lá, eu consigo!
E o mundo livre não para de gritar:
- Queremos a paz, esse horror exterminar
- Queremos o louco no hospício para mudar
- Queremos liberdade e todos amar
17-03-2022 Maria Antonieta Matos
Oh! Princesa do Alentejo,
A calma te faz trigueira,
Palpitas por mil desejos,
Graciosa e linda ceifeira!
07-02-2016 Maria Antonieta Matos
Oh! Riso... és tão bonito,
Que me enches de alegria,
Fazes invejas aos sisudos,
Que andam sempre macambúzios,
Projetando antipatia.
Oh! Riso tens tanta graça,
Que contagias o mundo inteiro,
A tristeza ultrapassas,
Divertes os dias que passas,
Mas que riso verdadeiro!
Oh! Riso não tens fronteiras,
Andas na boca do mundo,
Com saúde de primeira,
Nunca perdes a estribeira,
Nesse sorriso profundo.
O riso faz bem à alma,
Não entra onde há tristeza,
Vive feliz e contente,
Dá sorriso a tanta gente,
Sentimento de grandeza.
Ria... nunca desista,
De sorrir alegremente,
Viva em festa cada dia,
Dê aos outros alegria,
Sinta paz constantemente.
22-08-2017 Maria Antonieta Matos
Quandovejo o teu olhar
Fixono meu sem parar
Leioo que neles me dizes
Semuma palavra me dares
Seestás triste ou contente
Setens ódio ou se me amas
Tudoo que o teu coração sente
Nosteus olhos se inflama
Quandovejo a natureza
Numsilêncio interior
Desfrutoaquela beleza
Numolhar mais sonhador
Oque mata um jardim
Éa indiferença do olhar
Ainconsciência sem fim
Dumaflor deixar murchar
Quandovejo olhar o umbigo
Semnada ver ao redor
Umdistanciamento é sentido
Pornele ver ambição maior
Háo olhar como um som
Expressivorevelador
Mostrao que alma projectou
Nummomento inspirador
Olharsábio que vê distante
Tudopode descobrir
Realizarcoisas importantes
Mesmosem estar a agir
Umolhar diz uma coisa
Outracoisa diz outro olhar
Porquea diferença da coisa
Estáno olhar a pensar
Umolhar atencioso
Vaifazer toda a diferença
Numdoente ou no idoso
Peloato da deferência
21-01-2013Maria Antonieta Matos
Daaboboreira a observar,
Densocampo de carvalhos
Embrenhei-mecomo a sonhar
Porentre gotas de orvalho
Perfumesque respirei
Nesteambiente tão natural
Ninhosde águias, admirei
Commochos, esquilos falei
Empuro meio ambiental
Vilobos e vi libelinhas
Vimorcegos, formiguinhas
Corujas,cobras a rastejar
Muitospássaros a voar
Musicandopr’a me saudar
Frondosasárvores centenárias
Imponentese lendárias
Amieiros,salgueiros, freixos
Exemplaresde azevinho
Aquise aninham os passarinhos
Ocuco, o pisco, a cotovia
Andorinas,rouxinóis
Sobemàs plantas caracóis
Nestapaz e sintonia
Háromance, muita magia
Onoitibó sai pelo escuro
Nanoite vai disfarçado
Oseu ninho fica seguro
Nochão por folhas tapado
Sealimenta de mosquitos
Felizsempre a saltitar
Pelamata de carvalhos
Levaa noite a festejar
Omocho em grande estilo
Saida toca para cear
Como fato de abas de grilo
Parao grilo ouvir cantar
Sobrefolhas a deslizar
Alebre passa de repente
Fugindoduma serpente
Quese estava a aproximar
Eficou serenamente
Delonge a observar
Esterefúgio cheio de cor
Asombra é grandiosa
Focosde luz irradiam
Aquelavegetação viçosa
Omilhafre e o açor
Esvoaçampelo ar
Orio Ovil por ali passa
Abraçandoeste esplendor
Nassuas margens, as lontras
Melro,chapim, perdiz
Tranquiloslivres, os encontras
Numambiente muito feliz
Nãofaças mal à floresta
Quenos prima de beleza
Cheiade ar puro, mãe natureza
Saúdaa vida sempre em festa
22-08-2013Maria Antonieta Matos
Florescemversos, estranhos pensamentos
Aquecemas lágrimas beijando o rosto
Batimentosfortes, grandes tormentos
Dançamos sentidos repletos de desgosto
Amorimperfeito e incompreendido
Sequiosoamor na mente primorosa
Viveruma vida como se a tivesse vivido
Ideiascontroversas à época, penosas
Olhosmisteriosos perseguindo o destino
Reclamandodireitos de forma ousada
Testemunhosescritos em cada caminho
Agitandoa razão, sempre determinada
Sensibilidadesarrastando enredos
Dandoà felicidade outro descaminho
Escondendoem casulos os segredos
Queaos ouvidos lhe sopram baixinho
19-03-2013Maria Antonieta Matos
Afronta-se a alma de tristeza
Espraiam-se os olhos descontentes
O coração brada de incerteza
Numa emoção de dor permanente
O pensamento quebra-se perplexo
Perdido na magnitude do espaço
Que confunde o tempo sem nexo
Prezo num verdadeiro embaraço
Nasce a flor vigorosa a sorrir
Eternizada no amor apaixonado
Mas o desfolhar apaga o sentir
E o desprezo amarga o triste fado
23-11-2015
Olhos nos olhos, vi tão claro fogo,
que a alma, sem querer, ficou cativa;
ardeu em mim a chama sempre viva,
que vence o tempo, o medo e o desafogo.
Vi num só olhar o doce jogo
com que Amor faz a vida mais altiva;
e a razão, de si mesma já esquiva,
rendeu-se inteira ao seu ditoso rogo.
Se o Céu, por dura lei, nos apartasse,
nem por isso o querer se extinguiria,
que mais se acende quanto mais fugisse.
Porque quem viu tal luz, se a não seguisse,
vivera em noite, e em vã melancolia,
perdendo o bem que a vida lhe mostrasse.
Os meus dias vão morrendo
Na soidade das palavras
Que me faltam… remexendo
Há que tempo confinadas
Onde estão as palavras de ternura?
Que os meus amores me diziam
Às vezes, não com tanta frescura
E que agora me apeteciam
Preciso do toque delas
Revestidas de emoção
Dessa sensação que só elas,
Perto aquecem… meu coração
Estou receosa que se percam
Não tenham o mesmo sabor
Que vão continuar distantes
E aos meus olhos percam a cor
Até quando este vazio
Das palavras sempre em festa
Que acalentavam o frio
Até na casa cheia de frestas
05-03-2021 Maria Antonieta Matos
Onde estás tu consciência,
Que só vez o teu caminho?
Nem sempre dás importância,
Para quem caminha sozinho!
Tens um íntimo de vaidade,
Falas pr’a dentro baixinho,
Mas vejo toda a maldade,
Transparecer no teu jeitinho!
Tu que tudo Compreendes,
Reflectes com Intuição,
Porque não atribuis a eles,
Uma maior precisão?
Ciente do teu desígnio,
Desenvolves a tua mente,
Segues muitos raciocínios,
Do passado ou do presente!
Existes,és pensamento,
Tens toda a sabedoria,
A honestidade te assiste,
Não a uses na rebeldia!
MariaAntonieta Matos - 15-09-2012
DESENHO DO MEU AMIGO COSTA ARAÚJO 09-07-2014
Ai o estado lastimoso
Em que está este país
Anda alguém muito guloso
Que pensa ser poderoso
A crescer-lhe o nariz
Já não existe classe média
Professores para ensinar
Está a torna-se em tragédia
Aprender e estudar
A saúde está a acabar
O povo já está sem cheta
Como se aguenta a depressão
Se este estado não se endireita
Paga mal a quem dá lucro
E muito bem ao astuto
Que faz o povo cair
Para o andar a servir
Sem o mínimo de dignidade
Mas onde está a humanidade?
Só existe falsidade…
Ai liberdade, liberdade
Acabaram com os direitos
Consignados na constituição
Os direitos são defeitos
Valorizam o ladrão
Não o que rouba para comer
Mas o que se quer encher
Que tremenda confusão
Casais desempregados
Com as contas para pagar
Vêm-se sem ordenados
E com os filhos a chorar
O governo bem sustentado
Acrescenta austeridade
Não corta o seu ordenado
Fomenta a desigualdade
Deixa fechar as empresas
Não lhes dá estabilidade
Desespero e incertezas
É um poço de dificuldades
Jovens sem segurança
Apoiam-se nos velhos pais
Que esticam sem a esperança
Que os filhos não precisem mais
Maria Antonieta Matos 24-04-2012
Ontem sentia-te disparada,
Teclando as pedras no chão,
E apurei o meu ouvido,
Só pr’a ouvir tua canção.
Espreitei-te p’la janela, fria,
O meu sentir te avistou,
Há muito que não dormia,
Tanta falta que fazias,
Que meu coração s’ aclamou.
Estava escuro e o chão brilhava,
Abracei-te para agradecer,
Aos beijos tu me molhavas,
E eu contente ali ficava,
Com saudade de tanto querer.
Havia tanta energia,
Namoramos p’la noite fora,
O instante apetecia,
O vento doido corria,
Pareciam as noites d’ outrora.
Chorava o beiral de contente,
Lençóis de água a rebolar,
Sintonia comovente,
Numa noite bem diferente,
Musicalidade a pairar.
02-03-2018 Maria Antonieta Matos
Hoje, que a vida passou,
Que não tenho o folgo d’outrora
Tenho pressa de viver…
Aprender... tudo dizer…
Nada, quero perder agora.
Dantes, quando podia…
Não tinha força, não queria,
Desperdicei o meu tempo,
Tempo, que o vento levou, numa tremenda euforia…
E o pouco tempo me restou…
Agora que quero ter, esse tempo,
Já com alguma sabedoria!
O vento sem dó, me assobia
Vivo com pressa o momento
E a memória me atrofia.
Maria Antonieta Matos 15-02-2014
In NPE " Sentir d'um Poeta"
Não me quero deixar levar
Por este presságio infindo,
Que veio de mansinho torturar
Meu corpo na dor fingindo.
Por vezes não acredito,
Que os anos têm degraus,
Subindo a enorme ritmo,
Carregando o bom e mau.
Não há volta que evite,
O que o destino reserva,
Nem lição que s’ confisque,
Mas a renascer redobrada
Há uma luta interior,
Que não deixo morrer por nada.
Maria Antonieta Matos 18-07-2020
Nos dias silenciosos…
Os olhos abrem portas ao pensamento,
Vivem a utopia duma amargura e solidão,
Um desencanto, uma sombra, um espectro cinzento,
E as lágrimas acontecem em dia de negação.
Os dias silenciosos….
São dias de guerra comigo,
De recusa e castigo,
De reflexão e de grito,
De engasgo aflito,
De medo nesse vazio, sem sentido,
Uma vontade, sem vontade,
Uma ansiedade louca que m’ invade,
Um fosso escuro, temido.
São dias…
Mas há tantos dias…
Cheios de esperança
que a emoção se levanta
que a luz do olhar s’ encanta
que o coração se entrega
que e amor irradia
E que um triste momento
Na mente morria
Nos dias silenciosos…
Miro meu espelho íntimo,
Que me enche de imagens,
Que vagueia por inúmeras estradas,
Que me mostra o sorriso,
O afeto sincero e preciso,
O toque que m’ anima,
E surge uma aurora rasgada,
A fala ternurenta e bizarra,
A força que move montanhas,
Sem desistir de tudo, por nada.
Nos dias silenciosos…
Louvo o céu, a lua e as estrelas
E canto à terra… adormeço os mares
Dou ao vento um lindo ar
Ponho no sol todo o seu brilhar
E sinto as flores a desabrochar
Nos dias silenciosos…
Vislumbra alegre a eterna liberdade
Em consonância toda humanidade
Os rancores, postos de parte
Num lindo jogo de arte
Ladeia a franca amizade
O universo um arco-íris
Não há dor não há gemido
Há uma completa união
E um planeta protegido.
Maria Antonieta Matos 08-09-2019
Os meus olhos, de amor mensageiros,
De vossa luz se nutrem docemente;
E em raios puros, claros e certeiros,
Mostram no peito o fogo que se sente.
Se a voz se cala em silêncios primeiros,
A vista fala, ardendo tão presente,
Que mais revelam olhos verdadeiros
Do que palavras vãs de frágil mente.
Ó doce causa de minha ventura,
Se em vós repousa a glória do viver,
Deixai que o olhar declare a formosura.
Pois quem deseja em versos vos dizer,
Apenas logra imitar tal candura,
E nos olhos acha o modo de querer.
Maria Antonieta Matos
Os olhos do meu amor tocam ao meu coração,
como estrelas a brilhar na calma da escuridão.
Têm o brilho das manhãs, o mistério do luar,
e no silêncio do seu olhar fazem minha alma cantar.
Quando pousam sobre mim, param o tempo e a razão,
fazem festa no meu peito, acendem cada emoção.
São abrigo, são caminho, são ternura e direção,
um universo inteiro preso numa só visão.
Neles mora a primavera, mesmo em dias de inverno,
há promessa de carinho, doce e simples, tão eterno.
E se um dia me perder na poeira da ilusão,
basta olhar nos seus olhos para encontrar salvação.
Maria Antonieta Matos - 08-05-2026
Caem sobre o chão as folhas mortas,
Desencadeiam um matizado de pasmar,
Outono de ventos, de águas tortas,
Tuas árvores tristonhas, a desnudar.
Dias cinzentos, mar encrespado,
Silêncios que cismam ao olhar,
Morre o sol num disfarce acanhado,
Morrem os dias num comovente chorar.
Do ar soam toques de piano,
Um dedilhar fantasiado a murmurar,
Pautando notas a sonar ao oceano.
As noites crescem e cansam o pensar,
Neste silêncio intimo insano,
Desabrocham cânticos a proclamar.
Maria Antonieta Matos 30-09-2014
Cheiode carinho e de humor
Encantavastodos nós
Esforçavas-tepara conseguir
Oque sem falar a viva voz
Sentiase davas a sorrir
Tenhopresente o teu sorriso
Astuas preocupações
Ralhavasquando era preciso
Eapaziguavas nossos corações
Fosteum pai sempre presente
Bommarido e terno avô
Muitoamigo do seu amigo
Ensinaste-meo que sou
Pai,recordo-te com carinho
Nãome esquecerei de ti
Daquimando um abracinho
Umdia estarei aí
MariaAntonieta Matos 19-03-2013
Tu que me deste o ser,
me afagaste quando insegura
e me fazias renascer com a mais doce brandura
Eras força, eras ternura, eras sorriso
Estavas sempre onde era preciso!
Mostravas o teu amor… à mãe sempre dizias,
Que a amavas todos os dias!
Brincavas e ensinavas, eras bom a matemática
Tu comigo desenhavas, contavas histórias de enfeitiçar
Ao teu colo eu ficava com a mana a cantarolar
As vezes … também te zangavas,
Quando estávamos na zombaria…
E aí te afirmavas…
Não querias rebeldia.
Sempre muito preocupado, com o nosso bom pensar
Sonhavas e muito trabalhavas para nada nos faltar
Aos teus netos davas carinho, fazias muitas piadas
Era tudo uma gracinha no meio de gargalhadas
Não desprezavas ninguém,
E em casa recebias bem
Os amigos ou conterrâneos
Todos te recordam e me falam do Gaspar
Que Deus tem
Estás no nosso coração
Em cada lugar és lembrado
Sinto tua mão na minha mão
Quando passeava a teu lado
19-03-2014 Maria Antonieta Matos
In NPE "Eternamente Poeta"
Paira a resmungar a cegarrega
No meu ouvido… que ensurdece, saturado!
Até me ausento do mundo, por que me cega
O remoinho nos sentidos, penetrado
Preenches o pensamento que me nega
Qualquer ideia que tenha planeado
Sempre o ruído uma peta me prega
Distraindo o plano no tempo adiado
Quando me deito e o espirito sossega
Lá te oiço mais intensa e perversa
E faço um apelo… e por mais que te peça
Surge teu sinal em mim sempre alerta.
Há palavras que fecundam e rolam como rios
num culminar de emoções intensas!
Há palavras que nos cantam ao ouvido,
como mel derretido!
Há aquelas que rodopiam e choram por dentro,
moendo os sentidos,
Outras que iluminam o escuro, numa chama de fogo,
Que explodem ensinando cada mundo novo!
Há palavras que se fecham em sombras e degredos,
Que temem soltar-se num mundo de medos!
Há palavras que em surdina sofrem e atrasam a hora para serem ditas,
Palavras incisivas que matam e esfolam com tanto dissabor,
Num peito tão ferido sem nenhum amor!
Há palavras que formigam nos dedos em volúpias escritas,
Como cordas roçando os acordes pela primeira vez,
Que ecoam altivas... e alguém nunca fez!
Há palavras gritantes... birrentas... grosseiras, malditas,
Que consomem o siso de tão insensíveis!
Há palavras livres que sonham correr,
que libertam a gente proibida de ver!
Há palavras ambíguas com injustos fins,
Para enredar as palavras dizendo Não ao Sim!
Há palavras excitantes que abrilhantam o ego,
Que nos deixam sonhar num mirar cego!
Também se fica sem palavras e há palavras sem nexo,
Na mudez de um assombro ou na nudez de reflexo!
Maria Antonieta Matos 26-11-2017
Parecem moucos de morrer,
os homens que atravessam a existência,
levando o peso vão da indiferença
sem ver o sol nascer nem se perder.
Escutam só o eco do poder,
confundem pressa e força com ciência,
e deixam fenecer na consciência
o que os faria, enfim, compreender.
Mas fala o tempo, austero conselheiro,
na ruga, no silêncio e na partida,
lembrando o quanto é breve o nosso roteiro.
Quem fecha o coração durante a vida
descobre tarde, à beira do derradeiro,
que ouvir e amar eram a mesma lida.
Maria Antonieta Matos
Parem loucos… desvairados,
Sem nenhuma complacência,
A “jogar” sempre inflamados,
Sem pensar nas consequências.
Parem… para pensar um pouco,
Dominem os maus pensamentos,
Não façam o mundo mais louco,
Só feito de horríveis momentos.
Parem… supliquem ajuda,
Não entranhem essa loucura,
Num instante de crise aguda.
Parem… com tanta tortura,
Que ninguém têm culpa de nada,
Não façam a vida dura.
Parem… Que mundo é tão belo,
Sonhem façam castelos,
Amem…! Que o amor tudo cura.
Parem… busquem a luz que mais brilha,
Concebam dias de partilha,
Tenham momentos de aventura.
Não entrem em desespero,
Deem à vida doce tempero,
Caminhem na boa ventura.
06-02-2019 Maria Antonieta Matos
Encandeio-me de tanto olhar a luz
Os olhos fecham-se empoeirados e secos
Mesmo assim teimo olhar o céu que me seduz
E nascer de novo como num começo
Os ossos cansam meu sustento
Já não tenho a agilidade d’ outrora
Mas a dormência num corpo sonolento
E os ouvidos assobiam a toda a hora
Perco-me a cada um segundo
Repito as palavras esquecidas
E os nomes já confundo
Risco um presente da mente
Vivo num passado perdida
Caminhando mais oscilante
Évora, 22-01-2021 - Maria Antonieta Matos
Perco dias sem sentido,
circundada de afazeres,
Podendo pintar tão lindos,
Dias plenos de sorrisos,
Sustenidos de prazeres.
Perco horas à procura,
De banalidades banais,
Ficando mais pobre a mente,
Que pela inconstância se sente,
Sem valores adicionais.
Assim vai passando o tempo,
Que voa sem ter regresso,
Perdendo pelo caminho,
Um vazio miudinho,
Que não vaticina sucesso.
O tempo passa tão rápido,
Que não se vê a passar,
Quem muito dorme, nada aprende,
Acorda tarde o que sente,
Mas já não há volta a dar.
Pinte o seu tempo de cores,
Para sentir satisfação,
Não se deixe deprimente,
Enjoado, sempre ausente,
Sem momentos de emoção.
26-04-2017 Maria Antonieta Matos
— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o poder que embriaga,
Ou a cobiça que envenena a terra?
— O mundo em seu sussurro,
Respondeu com voz de dor:
"São corações que se perdem,
No labirinto do terror."
— Mas como podem esquecer,
Que o amor é o caminho?
Que a paz é o verdadeiro
Abrigo no desatino?
— "Há quem confunda força
Com a espada que fere,
E esqueça que a verdadeira
Vem do amor que se aufere."
— Então, o que resta ao coração,
Senão a esperança renascer?
Que o mundo se cure,
Que a guerra deixe de florescer?
— "Resta a ti ser a voz
Que planta sementes de paz,
E lembrar ao mundo inteiro
Que o amor jamais se desfaz."
— Assim, seguirei caminhando,
De mãos dadas com a fé,
Pedindo ao mundo que ouça,
A canção que a paz é.
— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o ódio semeado,
Ou a sombra que assola a terra?
— O mundo então me disse,
Com um suspiro de pesar:
"São aqueles que se perdem,
Sem saber o que é amar."
— Mas como podem ignorar
O clamor do sofrimento?
Por que buscam a destruição,
Em vez de um só momento?
— "Há quem veja na violência
Um caminho para vencer,
Esquecendo que a vitória
É o que o amor pode tecer."
— Então, como desfazer
Esse ciclo tão cruel?
Como abrir os olhos
De quem vê a guerra como um troféu?
— "Sejas tu a luz na escuridão
A voz que clama pela paz,
Mostra que a verdadeira força
É aquela que o amor traz."
— Assim, vou seguir plantando
As sementes da esperança,
Para que um dia o mundo entenda
Que a paz é nossa herança.
Maria Antonieta Matos
— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o poder que embriaga,
Ou a cobiça que envenena a terra?
— O mundo em seu sussurro,
Respondeu com voz de dor:
"São corações que se perdem,
No labirinto do terror."
— Mas como podem esquecer,
Que o amor é o caminho?
Que a paz é o verdadeiro
Abrigo no desatino?
— "Há quem confunda força
Com a espada que fere,
E esqueça que a verdadeira
Vem do amor que se aufere."
— Então, o que resta ao coração,
Senão a esperança renascer?
Que o mundo se cure,
Que a guerra deixe de florescer?
— "Resta a ti ser a voz
Que planta sementes de paz,
E lembrar ao mundo inteiro
Que o amor jamais se desfaz."
— Assim, seguirei caminhando,
De mãos dadas com a fé,
Pedindo ao mundo que ouça,
A canção que a paz é.
— Perguntei ao mundo inteiro,
Por que alguns querem a guerra?
Será o ódio semeado,
Ou a sombra que assola a terra?
— O mundo então me disse,
Com um suspiro de pesar:
"São aqueles que se perdem,
Sem saber o que é amar."
— Mas como podem ignorar
O clamor do sofrimento?
Por que buscam a destruição,
Em vez de um só momento?
— "Há quem veja na violência
Um caminho para vencer,
Esquecendo que a vitória
É o que o amor pode tecer."
— Então, como desfazer
Esse ciclo tão cruel?
Como abrir os olhos
De quem vê a guerra como um troféu?
— "Sejas tu a luz na escuridão
A voz que clama pela paz,
Mostra que a verdadeira força
É aquela que o amor traz."
— Assim, vou seguir plantando
As sementes da esperança,
Para que um dia o mundo entenda
Que a paz é nossa herança.
Maria Antonieta Matos
Véus de multicores caindo do céu, deslumbrando o olhar
Pintura concebida pela natureza se descobre no pensamento
O olhar alucinado estimula sensações nos sentidos, a meditar
Um sentir de festa, de prazer, de paz, marcando parco momento
Murmurando o vento beija e balança as folhas das árvores
Que esvoaçam felizes pincelando e colorindo o teu chão
Entrançando o desenho do tapete original e inspirador
Perante a luz do sol que ilumina e espreita tal perfeição
Quadro divino que nasce e cresce que se veste de cores
Que inala de desejo e enfeitiça o passeio dos amores
Tornando inesquecível e acalentador o sensível coração
Musicando os pássaros se acolhem nos galho e nas flores
Rastejando bicharocos, os grilos à noite fazem serenatas
Dançam os ouvidos através dos sons do rio e das cascatas
Maria Antonieta Matos 11-04-2013
Pintaso sonho tão lindo
Devialei poder ser
Amorcor do colorido
Ascores que pintas, haver
Pintorque pintas o sonho
Domais belo colorido
Pintao mundo mais risonho
Atendeeste meu pedido
MariaAntonieta Matos 22-04-2013
Mulher poderosa, de coração frágil,
Interessante, bonita,
Tímida, perigosa, ágil
Mulher submissa, solitária, esquisita
Corpo escultural, mãos de fada
Mulher serena, sedutora, sonhadora
Mulher pintura, do pintor sonhada,
Mulher alegre de repleta esperança,
Mulher triste, solidária,
Mulher de mudança!
Mulher que não dorme
Mulher experiente
Mulher doente
Mulher com fome,
Mulher que a dor sente,
Que às vezes mente,
Mulher que ama, inundada de chama,
Que também reclama,
Mulher mundana,
Mulher de emoções,
Que derrete corações!
És o hino do intenso olhar,
És fruto do amor maior,
És crescimento,
Sabedoria, sentimento,
És o florir duma rosa,
O enleio d' um abraço, o anseio de momento,
A inspiração d'um poema, d'uma prosa,
No teu ventre crescente,
Dos nove meses ardentes,
Mulher mãe, que o filho entrança,
Paciente, inteligente,
Mulher criança,
Mulher carente,
Mulher idosa, carinhosa,
Teu beijo conforta,
Mulher sofrida,
Desprezada na vida,
Privada de conforto,
No calcorrear da partida!
09-11-2015 Maria Antonieta Matos
O Natal está a chegar
Vem cheio de amor e carinho
Mas não contemplas os sozinhos
Cheios de frio, e sem nada
Já nem lhe cai uma lágrima
O pouco que têm, os consola
Um sorriso lhe faz bem!
Mas há muitos que tudo têm
E resmungam, quero mais
Não sabem o que fazer
Porque são coisas demais!
Que o espírito do Ano inteiro
Seja de distribuição
Que haja muita satisfação
Ninguém pense no supérfluo
Estejam todos em união!
Maria Antonieta Matos
Para enfeitar o natal
Duas velas iluminadas,
Flores e cores avermelhadas,
Com muitas luzes brilhando
Nos corações do mundo,
Cheios de amor profundo.
Haja comida no prato,
Para todas as criaturas!
Deus proteja e encaminhe,
Quem por diversas razões,
Não sabe o que é sorrir!
Não tem, onde dormir!
Nem um pouco de carinho
Vive no Mundo sozinho!
Para todos os infelizes
Que a vida lhe sorria
Tenham o que lhes faz falta,
Em cada dia.
E que possam experimentar
De muitas e muitas alegrias!
Um Bom Natal com muita paz e amor.
Maria Antonieta Matos 20-12-2010
Avisto terras de Espanha
Um horizonte sem igual
O Alqueva que abraça e entranha
Belas vilas de Portugal
Fascínio para os artistas
Pintores, poetas, escritores
Um encanto para os turistas
Um recanto para os amores
Monsaraz tem a seus pés
Natureza inspiradora
As cores os sons e até
Tranquilidade apaziguadora
Maria Antonieta Matos
In "Poetizar Monsaraz"
Esconde-seo sol, desce ao leito
Maisum dia a terminar
Sorrindo,por tudo ter feito
Pintade cores o céu e o nublar
Encantandopor um momento
Quemda terra o contemplar
MariaAntonieta Matos 30-12-2012
Zanguei-me com o pensamento,
Por me atraiçoar um dia,
Tive crises num momento,
Nem onde estava sabia.
Pensei que estava demente,
Sem saída, num lugar estranho,
Labutava arduamente,
Naquele vale de enganos.
Quanto reais... são os sonhos,
Que nos emperram a noite,
Em caminhos tão medonhos!
Quanto medonha é a vida,
Que crava espinhos nos sonhos,
Estorvando a livre corrida!
Maria Antonieta Matos 24-09-2015
Por ti Guadiana,
Escrevi cartas a navegar
Nas tuas águas perdidas,
Com devoção a rezar.
Pelos perigos perseguida.
Confiava no teu colo,
E ia narrando a nossa história,
Tudo me servia de consolo,
Nesta vida tão inglória.
Com a lua a brilhar, as sombras espiava,
E no murmúrio medonho, as tuas águas,
Escondiam o tráfico que tanto pesava,
E serenava meu peito cheio de mágoas.
Nas noites de breu, as barcaças dançavam,
E os fantasmas no sossego a segredar,
As vidas furtivas que por ti navegavam,
Desafiando o perigo para se alimentar.
No vale do silêncio, os olhos atentos,
Os passos na margem, o peso do ouro,
Guardam o que podem, segredos e lamentos.
O tabaco e o café como se fosse um tesouro.
No contrabando há dor e há esperança,
Entre Portugal e Espanha, um elo traçado,
Um jogo de riscos, uma eterna dança,
Nas águas do rio um destino marcado.
Por cada curva do rio, um pacto selado,
A vida num fio, a coragem à prova,
Entre a escuridão e o sonho falhado,
Guadiana profundo, onde a lei se renova.
Mas o rio guarda tudo, histórias e mágoas,
As almas que cruzam, nas suas águas,
E à alvorada, quando a luz se avista,
Guadiana sorri a banhar suas margens.
24/05/2024, Maria Antonieta Matos
Do meu amor sinto saudade,
Quando se ausenta por um dia,
Tenho o coração p'la metade,
Sou como um anjo que o guia.
O pensamento a caminhar,
Imaginando os seus passos,
Vamos os dois a levitar,
Aos beijinhos e aos abraços.
Fala mais alto o silêncio,
Incendiando o gelo inseguro,
Libertando o amor puro!
E assim num só raciocínio,
Na ausência e no destino,
Namorar sentir divino!
09-11-2014 Maria Antonieta Matos
Aoescurecer, no horizonte
Quedeslumbrante aguarela
Nocéu do meu Alentejo
Osol pede um desejo
Parater a noite mais bela
Piscao olho sorridente
Paranos dar de presente
Emcada dia uma tela
Poucoa pouco adormece
Omanto matiz do céu, aquece
Sonhacom lua, fantasia com ela
MariaAntonieta Matos 01-01-2013
Porque me olhas assim,
A espreitar p’la fechadura,
Parece não confiares em mim,
Com esse ciúme sem fim,
Doentio cheio d’ amargura.
Querias ver-me a escorregar,
Isso vive em teu pensamento,
Na tristeza desse olhar,
Que turva a cada momento.
Não digas que não sei amar,
Que me dou levianamente,
Porque há jeitos de gostar,
E meu peito por todos sente.
24-01-2018 Maria Antonieta Matos
Porque te queixas tanto do que vês,
Se a vida é feita de luz e de sombra?
O mesmo chão que hoje te fez cortês
Amanhã pode ser o que te assombra.
Há dor no trigo no tempo da geada,
E há fruto doce depois da estação,
Não há colheita sempre assegurada,
Nem dia claro sem noite de escuridão.
Mas tu reparas só na pedra fria,
No espinho duro que te fere a mão,
E esqueces a flor que o vento abria.
E assim te prendes numa solidão,
Sem ver que em cada queda do teu dia
Se esconde ainda uma nova ascensão.
Maria Antonieta Matos
Numdiálogo permanente
Aprendendoa ver mundo
Aleitura enriquece a mente
Fazendoluz no escuro profundo
Abrenovos horizontes
Dáazos à imaginação
Descobretodas as fontes
Absorveessa inspiração
Océrebro fica iluminado
Ramifica-sede saberes
Falasfluido encantado
Dosassuntos compreenderes
Despertamuita curiosidade
Vêo que pensam escritores
Críticacom honestidade
Destacaos teus valores
MariaAntonieta Matos 31-08-2012
Eles que decidem por nós
Controlam nossos destinos
Cortam voos a meninos
Sonhos de amor desvanecem
Dia a dia, o medo tecem
Em segredo, planeiam tudo
Fazem o povo, confuso
Eles que tiram e fingem dar
Que desumanizam e dizem amar
Eles que sem dó deitam na lama
Gente ingénua imaginando a fama
Eles que roubam a alegria
Ao elo familiar
Chutando em cada dia
Filhos e pais para emigrar
Sem tostão e sem trabalho
Escravos sem agasalho
Lutam despidos de amor
Sem teto embrulhados em cartão
Deitados gelados no chão
Com a trouxa sempre às costas
Caiem em vícios andam as voltas
Chantageados, drogados
Por aquelas ruas tortas
Correm à sopa dos pobres
Mendigando alguns cobres
Muitos estão aprisionados
Por malvados são maltratados,
Humilhados,
Não há paz, não há futuro
Gente triste, em apuros
Gente idosa
Mão carinhosa
Que divide o pouco que têm
Para nada faltar aos filhos
E aos seus netos também
Quando chegam dias festivos
Ah! Correm todos p’ra se mostrar
Aos beijinhos e aos sorrisos
Para a data assinalar
São os presentes de Natal
Num só dia, desigual
Maria Antonieta Matos 03-12-2013
Promessas são fios de vento,
que o coração ousa tecer,
palavras que brilham no tempo,
mesmo sem nunca acontecer.
São laços de fé e ternura,
que os olhos deixam escapar,
um eco suave na alma,
uma súplica a nunca calar.
Prometer é plantar esperança,
mesmo em solo a fraquejar,
pois quem promete acredita,
no amanhã que há de chegar.
E ainda que o tempo as desfaça,
como ondas que voltam ao mar,
há promessas que ficam guardadas,
sem nunca deixar de brilhar.
Maria Antonieta Matos
Quando fores ao Alentejo Leva vagar de sobejo
Para os olhos descansar
No farol do longo beijo
Com o tempo demorado
Caminha no horizonte
Foca-te na linda miragem
E no sossego de cada monte
Quando fores ao AlentejoVai a passo descansado
Para mergulhar nesse mar

Leva o relógio atrasado
Ouve o som dessa acalmia
Não leves pressa a andar
Absorve essa alegria
Com o Alentejano a cantar
E com tempo que ainda resta
Na sombra de uma azinheira
Repousa dorme uma sesta
Que te afaga a soalheira
Leva saudade, memórias
Nessa hora de abalar
Leva calma, leva sossego
Leva o tempo para chegar
Leva liberdade e apego
E crescente o teu olhar
Quandoeu morrer
Sereipalco de grande festa
Contratareiuma orquestra
Querover todos a sorrir
Comprazer a assistir
Eouvir grandes poetas
Querover lá muitos pintores
Aescrever muitos escritores
Nãotolero gente indigesta
Nãoquero que haja tristeza
Querojá ter essa certeza
Deser uma grande festa
Querotodos a cantar e a vibrar
Lágrimassó de contente
Queroo campo cheio de gente
Emoçõesde alegria
Nãoquero ver antipatia
Nemninguém por bem parecer
Queroque estejam por prazer
Paranão esquecerem esse dia
Nessepalco quero ficar
Semnada para me tapar
Empaz ficarei a assistir
Nosilêncio a ouvir
Porquesó se morre um dia.
MariaAntonieta Matos 29-06-2013
Quandomorrer,
Nãoquero ver
Essamaldade
Doshomens, para tudo ter,
Queimpedem sem dignidade
Outroshomens de viver!
Comopode florescer
Estemundo a morrer
Eseus filhos a apodrecer
Semnada que os deixe crescer
Doentiospelo poder
Ficamcegos pela ganância
Mentemcom todo o prazer
Eà mentira dão relevância
Escondem-sepor trás duma capa
Eapregoam, tudo mudar
Quandolá estão, mudam de casaca
Econtinuam a tramar
Estãoa vender o país
Poruma triste bagatela
Temolhos no nariz
Ea cabeça onde está ela?
Andapor aí a dar voltas
Parasacar cada bocado
Parao povo dar cambalhotas
Eficar aniquilado
MariaAntonieta Matos 05-08-2012
Quandotu não estás
Corro à janela,
Olho pela fresta
Ali fico àespera ....
Seca a primavera,
Secam os ribeiros
Só vejosequeiro,
A alma desespera
Mal passa um ruído,
O coraçãosentido
Bate muito forte,
Pressinto a morte
Quando tu nãoeras.
Falosozinha
Soltogemidos
Nadase avizinha
Tristezaminha.
Aolonge alaridos
Nadame aconchega
Quandotu não chegas
MaiaAntonieta Matos 27-12-2013
Quando uma lágrima cai,
Lampejam os olhos, iluminados,
Vertem gotas de emoção e, ais,
Por íntimos despedaçados!
Quando uma lágrima cai,
Nem sempre se vê sofrimento,
Mas também... um sorriso que sai,
Nos mais divertidos momentos!
Quando uma lágrima cai,
A tristeza alivia,
Onde o ar não cabia!
Quando uma lágrima cai,
Na derradeira gargalhada,
Abre-se boca rasgada!
19-11-2015
Quantas vezes me tiram osonho?
A liberdade de viver,
Ver o mundo mais risonho,
No mais belo florescer.
Quantas vezes me tiram osono?
A vida sem dignidade,
O dinheiro cheio devaidade,
O mais ignorante império,
Camuflados cheios demistério,
A injustiça que soa,
Neste mundo numa boa!
Quantas vezes me tiram osonho?
Os dissabores do destino,
Tanta gente sem um ninho ,
Que abarca as doressozinhas,
O frio no corpoentranhado,
O calor que os fazmirrados,
A fome que os mingua,
O seu ar estonteado,
A submissão de meninos,
Torturados, manipulados,
Quem lhes cria estedestino?
Quantas vezes me tiram osono?
Ao ver gente escarnecida,
Que dorme na rua ferida,
Sem um mísero tostão,
Vivendo do beija mão,
Esperando a dura partida!
Quantas vezes me tiram osono?
Ver multidõesdesesperadas,
Caminhando sem um teto,
Num profundo campo aberto,
Prostradas em lugarincerto,
Estoiradas por fria terra,
Em valas a descoberto,
Deixam amargo, indigesto,
Túmulos da injustaguerra!
Maria Antonieta Matos11-07-2014
Pintura do meu amigo Costa Araújo.
Que fúria é esta, que assola o mundo,
Onde luz o ódio, a injustiça, o imundo?
Mentira se veste de nobre verdade,
E a agressão desfila com naturalidade.
Os gritos não cessam, são hinos da dor,
As mãos, já cerradas, esquecem o amor.
Erguem-se muros, queimam-se pontes,
A esperança se oculta em distantes montes.
Os olhos se fecham à fome do outro,
O tempo apodrece num ciclo roto.
Deuses são mortos em nome da fé,
E a vida é vendida por migalha ou café.
Quem nos roubou a alma primeira?
Quem fez da criança um cão de trincheira?
O riso virou crime, a ternura, fraqueza,
E a paz, só palavra em velha aspereza.
Mas entre os escombros do coração,
Uma brisa murmura: ainda há mão.
Uma mão que cura, que ainda se estende,
Que toca o abismo e não se rende.
Que fúria é esta? É nossa, é nascida
do medo, da dor, da alma partida.
Mas se ainda resta um gesto, um olhar,
Há esperança do mundo recomeçar.
Maria Antonieta Matos - Junho de 2025
Que mal é este que me arrasa
Que remexe no meu corpo, tão dorido
Que não pára de gritar… ao meu ouvido
Que assusta o meu caminho em brasa
Que mal é este, que ditou o meu destino
Que me priva de viver, esta viagem
Que agora tinha tempo, como em menino
Mas o corpo só me diz, para ter coragem
Assim vão passando os dias
Em protesto o pensamento
A suplicar por folia
Como a esperança nunca morre…
A alma às vezes se alegra
E a tristeza se consome
10-09-2023 Maria Antonieta Matos
Que me serve o sonho, que não realizo
Com a ansiedade que me leva e mata
Sempre à procura e, sempre me escapa
Por teimosia da mente, tão insensata
Que me serve o sonho, o brilho que tem
Se quando desperto todo o sonho cai
Se o mundo conspira e a esperança s’ esvai
E a vida debanda… nem um grito, nem ai
Que me serve o sonho sempre a imaginar
E meus olhos tristonhos em pranto
Com escassos recursos, p’ra poder mudar
E de repente o olhar distante, o sonho achou
E o brilho dos olhos, em sorriso amplo
Quando a flor se abriu e uma asa voou
Évora, 17-04-2019, Maria Antonieta Matos
Que o futuro prospere no anseio da vida,
Com valores, determinação e superação,
Que os dias sejam a alegria mais vivida,
No experimentar de cada coração.
Que se encontre a paz em cada momento,
Com o diálogo numa voz franca,
Que o amor seja o mais puro sentimento,
Como a inocência patente duma criança.
Que se afugente o medo, que o leve o vento,
Que respire livre, o olhar da esperança,
Que leve pareça, o pesado tormento!
Que se rasguem sorrisos na doce mudança,
Que nunca se acabe o solto momento,
Correndo uma fonte emergindo confiança!
Maria Antonieta Matos 25-10-2015
Que te leva amigo, irmão... ?
A enveredar por caminhos sinuosos,
A mutilar inocentes que lhes mentes e, não sentes,
A celebrar a injustiça sem ouvires o perdão,
A viver amargurado sem que haja razão,
A agitar as loucuras no momento dum não,
Que em momentos de fraqueza só penses no mal,
Que esqueças a vida e acordes, como irracional,
Sem escutares a tua imperfeição!
Que te leva amigo, irmão... ?
A não ter a força de prosseguir a vida,
Quando comigo trocaste momentos de sonho,
Quando brincamos juntos em sorriso tamanho,
Que pensamos em mudar o mundo num habitar sereno,
Que projectávamos ser construtores activos,
Que tínhamos pejo de injustos motivos,
Que tínhamos a coragem de dialogar num ambiente ameno,
Sem nunca ponderar maldosos juízos!
Que te leva amigo, irmão... ?
A não acreditar no mundo,
Onde existe o mar, a terra e um sol fecundo,
Que está à mão de ti, para plantares o fruto,
Que alimenta a vida com teu contributo!
Que te leva a amigo, irmão... ?
À perene destruição do universo,
À ilusória consciência que te prende e limita no conceito de afeto,
O não sentir comoção da lágrima que cai,
O não nutrir a liberdade que se esvai,
O não dormir noite e dia, por sonho pesado de veto!
Maria Antonieta Matos 20-12-2016
Incentivando a cultura
A Biblioteca de Baião
Trouxe à Quinta da Leitura
O “Cágado” em vias de extinção
Sensibilizadas as crianças
Na leitura “O Cágado Gaspar”
Fizeram com muita ternura
Os "cágados" multiplicar!
Maria Antonieta Matos 06.09-2012
Recolhi-me para pensar,
Já correu um certo tempo,
Não me voltas pensamento!
Sinto inquietude em meu estar,
Já lá vão dias que tento!
Maria Antonieta Matos 02-06-2014
Pintura de meu amigo Costa Araújo


Oacumular de situações
Semnenhuma objetividade
Provocaramrebeliões
Nagente duma cidade
Cérebrosde muito pensar
Nãodescansavam há dias
Ecomeçaram a agitar
Numagrande rebeldia
Asbocas em alvoroço
Gritavamquanto podiam
Veiasengrossavam no pescoço
Queas vozes já não lhes saíam
Contentesestavam os ouvidos
Datremenda barulheira
Ede acordo todos os sentidos
Pornão ser uma brincadeira
Osolhos controlavam tudo
Tinhamessa grande missão
Nãoacertasse dedo pontiagudo
Vindodo meio da rebelião
Nomeio desta embrulhada
Osnarizes, conferiam odores
Eserviam como espada
Nacara dos exploradores
Comgrande fúria as mãos
Desataramà paulada
Queterríveis confusões
Acidade estava tomada
Eratanta a rebeldia
Queos ossos estavam a desencachar
Omatemático corria
Paratodos numerar
Veioo médico de urgência
Eos maqueiros com as macas
Cirurgiõescom as facas
Nomeio de muitas ameaças
MariaAntonieta Matos 27-10-2012
À beira do Guadiana, rio sereno,
O sol se deita sobre águas douradas,
Nas margens verdes, um cenário amado,
Onde a alma encontra paz nesse reino.
Como um velho lenço, são teus segredos,
Que escondem histórias de tempos idos,
Brincas ao esconde-esconde pelos arvoredos
E por entre os ramos… teu canto sigo
Oh! Guadiana… que rio tão querido,
Teus afluentes guardam mil segredos,
Em cada curva, um sonho renasce.
Que tuas águas sigam sempre fluindo,
E em tuas margens, em versos ledos,
O amor pelo caminho contigo emudece
Maria Antonieta Matos
Nas curvas do Guadiana, doce rio,
O sol reflete em suas águas calmas,
Entre as margens, um sonho em desafio,
Onde a natureza tece suas palmas.
Tuas águas fluem suaves e serenas,
Num eterno bailado de poesia,
E nas tuas margens, histórias amenas,
Contam segredos de pura magia.
Oh rio Guadiana, afluente amigo,
Em tuas águas, a vida se renova,
E o tempo é um verso, um doce abrigo.
Que teus mistérios sigam pela terra,
E que sempre em teu curso se comova,
A alma que em ti encontra sua serra.
Maria Antonieta Matos
Nas curvas do Guadiana, doce rio,
O sol reflete em suas águas calmas,
Entre as margens, um sonho em desafio,
Onde a natureza tece suas palmas.
Tuas águas fluem suaves e serenas,
Num eterno bailado de poesia,
E nas tuas margens, histórias amenas,
Contam segredos de pura magia.
Oh rio Guadiana, afluente amigo,
Em tuas águas, a vida se renova,
E o tempo é um verso, um doce abrigo.
Que teus mistérios sigam pela terra,
E que sempre em teu curso se comova,
A alma que em ti encontra sua serra.
Maria Antonieta Matos
Oriso ressalta da alma
No“goto” cai uma graça
Espontâneodo sério resvala
Reagindopela chalaça
Éo riso mais natural
Omais sentido no ser
Aqueleque vai contagiar
Nafeição se pode ver
Háo sorriso amarelo
Amanifestar grande maçada
Sendopossível sabe-lo
Pelacara angustiada
Umsorriso é revelador
Docarácter duma pessoa
Osincero é merecedor
Ocínico não se perdoa
Osorriso abre caminho
Conquistao mal-humorado
Quenão resiste ao “choradinho”
Dumsorriso tão engraçado
Osorriso cura o mal
Suavizaa solidão
Umremédio natural
Libertadopela expressão
Osorriso é boa-disposição
Éamar tão simplesmente
Umefeito de sedução
Saida alma naturalmente
Évora,30-11-2012 - Maria Antonieta Matos
Oh! Rosto que enrugas no caminho turbulento,
Que desenhas na pele experimentada emoção,
Que como rios que ondeiam ao te beijar o vento,
Mostram as marcas que desenganam a razão.
Rugas, brisas de sabedoria que empolgam a alma,
Sulcos de intempéries que ensinam o amor,
Memórias estremadas que o coração acalma,
No sentir duma criança que se abre em flor.
Doçura no olhar enigmático do sonho breve,
Embora complexo o folhear das páginas da vida,
Ressalta a beleza que o sorriso descreve.
A serenidade descortina o semblante diligente,
Movido de esperança e ânsia perseguida,
OH! Rosto que enrugas e que a idade sente.
Maria Antonieta Matos; 13-12-2016
Escondeu-sea paz em qualquer planeta
Tudoadormeceu esquecido no tempo
Rasgadosos sonhos no fio da baioneta
Noescuro o maltrato, luta contratempo
Quãodiferença faz a algibeira vazia
Omalfadado destino a ti preordenado
Osfarrapos e indigências que te cria
O maistriste tempo ensanguentado
Tantadesumanidade imponderada
Emboratu não queiras te é arrancada
Vives dovento como alma penada
Fazemmorrer o contentamento vivo
Parindoas dores do sofrimento e castigo
Quesatanás no fogo do inferno lavra
05-11-2013Maria Antonieta Matos
In " Nós Poetas Editamos V"
Ruainativa esquecida
Dovai vem da população
Antigamentecheia de vida
Diae noite de animação
Dasrodas das ”bailaradas”
Dosjogos da rapaziada
Nomeio de tanta algazarra
Dosrisos e das fisgadas
Doschorincos entre topadas
Dosbelos contos de fadas
Erammuito… pequenos, nadas
Subiamàs árvores a brincar
Caiamde lá e voltavam
Ochorar era a chorincar
Eq ando se cortavam
Aagulha e a linha serviam
Emcasa que os golpes se cosiam
Eera ao ar que eles saravam
Sentadosno portado ao serão
Vozesaltas soavam no negro
Entoavaum pregão
Noescuro que arrepiava de medo
Levantavam-sesempre cedo
Musicandoas cardas no chão
Chaminéssempre a fumar
Coma panela de barro ou ferro
Acomida a perfumar
Acuriosidade de quem passa
Apetitenão faltava
Porquede tudo se gostava
Ocolchão mexido e remexido
Paraum bom acordar
Semprebranco era o tecido
Dolençol de renda e bordado
Coma colcha de cadilhos
Esticadapara nada ser notado
Nasribeiras sempre cantar
Aosom da água a correr
Lavavama roupa, punham a corar
Enos arbustos iam estender
Àcabeça o alguidar
Numtroço que o equilibrava
Caminhavama conversar
Ea dor se suportava
Eramas cruzes assim diziam
Dorpela posição curvada
Seestendiam e se torciam
Nomeio de muita risada
Iamà fonte carregando cântaros
Àcabeça e ao quadril
Emqualquer dia do ano
Bebiampor um cocho ou barril
Numcopeiro, havia um copo
Comum napperon bem tapado
Aolado do poial dos cântaros
Cadaum bebia e era lavado
Oaguadeiro corria as ruas
Quemquer água fresquinha?
Traziao copo numa mão
Ena outra a cantarinha
Emcasa se alumiavam
Comcandeeiros a petróleo
Aolusco-fusco as mulher bordavam
Faziamo enxoval de renda
Vestidoscheios de folhos
Eas meias que calçavam
Faziamrodas a cantar
Pause tampas a musicar
Ospais e os vizinhos
Sentadospara os apreciar
24-08-2013Maria Antonieta Matos
A saudade que se sente
É desejo desesperado!
Por alguém que está ausente
Do querer ver, ali ao lado
E dizer o que não se disse
Mas quando volta, depois
para quê palavras...tristes
Amam-se muito os dois
E a saudade não persiste!
Maria Antonieta Matos 22-11-2010
Se a dor se mostra em névoas tão pesadas,
Também desponta o lume da esperança;
As sombras passam, breves, mal lembradas,
E o coração na luz de novo avança.
Nas lágrimas florescem madrugadas,
E o pranto rega o sonho que se lança;
Do chão ferido nascem alvoradas,
E a vida insiste, eterna, na sua dança.
Assim, da dor se ergue a claridade,
Um canto brando rompe a escuridão,
Chamando à vida a força da verdade.
Pois quem resiste, e guarda a compaixão,
Descobre em si o brilho da bondade:
Um sol que mora oculto no coração.
Maria Antonieta Matos
Se a dor se mostra em névoas tão pesadas,
Também desponta o lume da esperança;
As sombras passam, breves, mal lembradas,
E o coração na luz de novo avança.
Nas lágrimas florescem madrugadas,
E o pranto rega o sonho que se lança;
Do chão ferido nascem alvoradas,
E a vida insiste, eterna, na sua dança.
Assim, da dor se ergue a claridade,
Um canto brando rompe a escuridão,
Chamando à vida a força da verdade.
Pois quem resiste, e guarda a compaixão,
Descobre em si o brilho da bondade:
Um sol que mora oculto no coração.
Maria Antonieta Matos
Se eu fosse o vento, ia ao teu ouvido
levar segredos feitos de luar,
e em cada rama, leve a sussurrar,
diria o nome teu, enternecida.
Se eu fosse o mar, profundo e comovido,
vinha aos teus pés em ondas descansar,
e ao ver teus olhos claros a brilhar,
ficaria eterna, meiga e repartida.
Se eu fosse estrela, à noite acenderia
um fogo doce sobre a tua estrada,
para afastar de ti qualquer tristeza.
Mas sendo apenas verso e poesia,
ofereço-te esta alma desarmada,
que te ama em silêncio e singeleza.
Maria Antonieta Matos
Sete lembrasses de mim, meu amor?
Quandoa solidão me devasta o peito,
Novazio da cama onde me deito,
Eo espírito vagueia há horas, desfeito.
Sete lembrasses de mim, meu amor?
Quandomeus olhos choram tristes,
Naprocura dos teus e não me viste,
Emeu coração bate forte a pedir-te.
Seriaso aconchego brando, desse dia,
Aestrela que ilumina a noite escura,
Osol que aquece a alma de ternura.
Seriaso meu esquecer a noite fria!
Oforte abraço que eu mais queria!
Oincendiado beijo que tudo cura!
MariaAntonieta Matos 27-07-2014
Pintura do meu amigo Costa Araújo
Sei-te presente meu amor
Mesmo quando fecho meus olhos cristalinos
Na calada percorro em ti cada caminho
Tal como a leveza que toca uma flor
Esvoaçando na brisa alumiada de cor
Derretida de essência e desejo
Adivinho na sombra o rosto que beijo
Emaranhada em teu corpo de amor
Meu peito pulsa ao mesmo ritmo do teu
Tuas mãos me prendem neste apogeu
E em sintonia somos tu e eu
Como um poema de muito bem-querer
E o perfume do lírio que encanta o prazer
Dedilham momentos que entranham o ser
Maria Antonieta Matos 28-03-2017
Riamde mim… que gosto!
Expressemtodo o sentimento
Riamdos versos que posto
Da pontuação que não pontuei
Dapalavra que destoa
Daqueletermo que usei
Doerro, que não se perdoa
Dosentido que lhe dei
Queao ouvido, a nada soa
Riam…do pouco que sei
Riam…que o riso faz bem
Ea escrever continuarei!
Nãose inibam por um momento
Barafustemdo meu dizer
Sejamcríticos do meu saber
Sejamfelizes a ler!!!!
MariaAntonieta Matos 31-08-2013
Alentejotua gente
Sente cada teu olhar
Escreve-te insistentemente
Pondoo coração a falar
MariaAntonieta Matos 05-10-2013
Entre o velho e o idoso
Só o rosto pode diferenciar
O idoso com um espirito fabuloso
Só as rugas tem para mostrar
O velho pode não ter vivido
O tempo para se enrugar
Mas o espirito envelhecido
A idade vai buscar
Ser velho ou ser usado
Longo o caminho, percorrido
Uma história, um passado
Sábio incompreendido
Sem ninguém, vive sozinho
Lutando no seu cantinho
Tanto dá mesmo velhinho
E não recebe um só carinho
Desprezado vive o presente
Deixando a sua experiência
Uma roda permanente
Sem nenhuma complacência
Não perca com idade a alegria
Não deixe a alma desgastar
Com conhecimento e sabedoria
Viva a vida a comunicar
A experiência adquirida
E ciência que já tem
Senão fizer pela vida
Da vida recebe desdém
Tem os netos para ensinar
E contar muitas histórias
Os amigos, para conversar
Tenha momentos de glória
Não queira ser velho tonto
À espera de compaixão
Pois há quem deia o desconto
Confundindo ser ilusão
Maria Antonieta Matos 01-10-2012
Mudo,sem um sequer pensamento
Nemruído por companhia
Tombadonum sono lento
Semqualquer arritmia
Hásilêncio que dá medo
Quandonão há comunicação
Porquemais tarde ou mais cedo
Poderesultar na decepção
Quantapessoa está caída
Nosilêncio por opção
Porquea voz não é fluída
Epode causar impressão
Nacalada do escuro da noite
Nemvivalma se augura
Pormedo não há quem se afoite
Enquantoo silêncio perdura
Osilêncio é oração
Émúsica para os ouvidos
Équerer estar em comunhão
Comos seus próprios sentidos
Sentira forma tão terna
Dosilêncio de um olhar
Quemudo diz coisas tão belas
Impossívelnão amar
Osilêncio reacende
Abusca de conhecimento
Aescrita dele depende
Desteprecioso momento
Àsvezes quero respostas
Osilêncio não me ouve
Atéme vira as costas
Pornão querer que o estorve
27-10-2012Maria Antonieta Matos
Deixa-me só, num campo invisível, a chorar por dentro.
Deixa o céu escurecer, para não assistir ao meu pranto;
deixa-me
ser apenas sombra entre sombras,
eco perdido onde o vento já esqueceu o meu nome.
Não acendas as estrelas esta noite.
Elas não precisam de aprender a tristeza
que floresce sem cor no peito de quem ama
e, ainda assim, permanece sem abrigo.
Que a terra receba as lágrimas sem perguntas,
como recebe a chuva de um tempo invernoso.
Que cada gota se esconda nas raízes profundas,
alimentando flores que jamais verei nascer.
Não me procures enquanto o silêncio me veste.
Há dores que só encontram descanso
quando nenhum olhar lhes pede explicação,
quando nenhuma voz lhes exige esperança.
E se um dia o amanhecer insistir em chegar,
que venha devagar, sem promessas grandiosas.
Talvez descubra que, entre os escombros da noite,
ainda pulsa um coração cansado, mas inteiro.
Até lá, deixa-me só,
neste campo que ninguém vê,
onde o mundo continua a respirar
e eu aprendo, em segredo, a sobreviver neste vazio.
Grita umbraço Grita o outro
Acompasso ritmado
Aosestalidos anda o corpo
Numbramir angustiado
Umaperna que coxeia
Ocoração que muito anseia
A cabeçaatrapalhada
Amemória gaga, falhada
Os olhospiscam sem ver
O ouvidoanda a zumbir
Ai, ui,ah, sempre a doer
Grita avoz para se ouvir
Seránevrite no braço?
Nosossos a falta de cálcio?
Na pernatalvez a ciática
Com estafalta de estética
Peadaaos ais a manquejar
Na ruanão se pode andar
Ai, ai,ai, esta falta de ar
É atiróide a falhar
Anda amorte a rodear
Dor noestômago, enchimento
Pedrasno rim a saltar
Nestagrande sinfonia
Anda ocorpo a musicar
Prisãode ventre, anemias
Glaucomae otites
Um semfim de alergias
Nabexiga uma cistite
Na bocasão as nevralgias
Nabarriga uma enterite
Tanta,tanta, patologia
E corpocheio de sintomas
Micoses,viroses, comichões
Toda aespécie de Infecções
Vem osnervos infernizar
Muitostoques e contusões
Anda ocorpo sempre aos ais
Condenadoa aguentar
Instrumentandoao despique
Para aorquestra começar
25-10-2013Maria Antonieta Matos
Sinto o rolar das águas puras nesse mar,
Que mata a sede à terra tão gretada,
Sinto a brisa e o roçar das folhas a bailar,
Beijando a minha pele de ti agraciada.
Sinto o salpicar da chuva miudinha,
O bafo morno que se solta a embaciar,
Sinto os aromas no ar, a ladainha,
No agitar do dia tão cinzento a chegar.
Sinto as beiras a trautear na calçada,
Plangentes duma magia iluminada,
Deslizando tantos regatos excitantes.
Sinto o crescer das plantas a regalar a vida,
O sentir da gente agradavelmente entretida
O pender do dia para a amar a lua, sua amante.
07-12-2016 - Maria Antonieta Matos
Meu coração bate acelerado
Sinto ofegar o fôlego inquieto
O peito quase explode disparado
Tocam-me as palavas de afeto
Sinto o palpitar do coração
O beijo caloroso que me prende
A carícia doce da tua mão
O fogo, que em nós acende
Maria Antonieta Matos 05-07-2015
O teu sorriso desprende o meu,
Numa enorme gargalhada,
Fito os meus olhos nos teus,
E coro envergonhada.
Mas é tão belo o que sinto,
Nesse momento de encanto,
Que desejava que o Mundo,
Fosse sorrisos de espanto.
Quando uma lágrima cai,
No teu rosto meu amor,
O meu semblante se esvai,
Como a murchar uma flor.
A tristeza me consome,
No mais fundo da minha alma,
E o pensamento não dorme,
Só um sorriso me acalma.
Ah! Triste.. tristeza que mata,
O nosso carente coração,
Que bate mais forte e desata,
A lágrima que rola em vão.
04-11-2015 Maria Antonieta Matos
Amanheçao dia com o sol radioso
Cortem-setodos os males pela raiz
Floresçaa alegria num alvoroço
Resplandecendoa paz com ar feliz
Morramas injustiças e as ambições
Sintam opensamento a harmonizar
Acalentemde amor os corações
Sintamcorrer calmo o rio, a trautear
Prendamo olhar nas flores a crescer
Ochilrear dos passarinhos a penetrar
Levantemos olhos, para ver e admirar
As coresno horizonte transparecer
Orastejar e andar, a lindeza de cada ser
Emudeçam-seem aromas a contemplar
30-10-2013Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos V"
SOLIDÃOanda sozinha
Semvivalma andar por perto
Nemsombra se avizinha
Comoparecendo um deserto
SOLIDÃOnão tem amigo
Vivelonge de um olhar
Comose estivesse de castigo
Nãose querendo libertar
Osilêncio e a SOLIDÃO
Juntosformam um par
Andamsempre de braço dado
Noescuro gostam de estar
Ouvindoo barulho do mar
Ea ideia tão longínqua
Sente-seo espírito a relaxar
Ea SOLIDÃO é profícua
Abstraídado mundo
Mesmono meio da multidão
SOLIDÃOé sobretudo
Liberdadepor opção
Àsvezes perde-se da vida
Porser rebelde e cruel
NaSOLIDÃO fica protegida
Suaamiga mais fiel
Tambémpode ser agradável
ASOLIDÃO por companhia
Tornando-seaconselhável
Mudarsempre de moradia
Quandose quer inspiração
Paraas ideias nascerem
Refugiando-sena SOLIDÃO
Viráas palavras tecerem
Paranão sentir SOLIDÃO
Naidade da velhice
Inventedo que tem à mão
Vivaa vida sem chatice
Sehouver mais a dizer
Estouaqui para ouvir
Ese quiser contradizer
Nãose prive para intervir
30-10-2012Maria Antonieta Matos
Escondo-me na solidão envergonhada
Nem o sol, o campo verde, me consola
Sinto-me desfalecer nesta abrigada
Perante o saque que me fazem, sem ter nada
Sem asas, esquecida, proibida d' aqui morar
Rasgam-me o ventre, tiram-me o sono e o sonho
Arrancam-me os filhos e os netos para emigrar
Tudo é longínquo, tudo é dor, tudo é medonho
Aqui no escuro levo meu sentido a desorientar
"Vivo" acabada, tiritando e a saudade não tem fim
Espero noite e dia por um carinho, para acalmar
Aguardo a esperança, que não vislumbra em mim
Aqui desesperada vejo as flores, a desgostar
Os lagos, os rios, em silêncio sem me bradarem
Nenhuma brisa, não sinto a alma, cega o olhar
Estou sem ninguém, a perecer, olhos a fecharem
Maria Antonieta Matos 10-01-2014
In NPE " Sentir D'um Poeta"
Rasgas-me o peito… solidão
Ao ver-te num dissimulado alento,
Sempre no escuro, vexando o ego,
Carregando o estigma, desvairado e cego,
Num repousar sem brio, nem movimento!
Acomodas-te no silêncio do tormento,
Sem o brilho do sol, o respirar de cada canto,
O desmaiar e o murmúrio das águas puras, correntes,
O colorido das folhas das árvores, cadentes,
O saborear da maresia, o beijar do vento,
As pinturas das nuvens ondeando céu,
O mar que enrola na areia, num amor só seu,
O luar e as estrelas que a noite oferece,
Para contemplar o amor, que a ti solidão te esquece.
Falo-te na beleza da vida,
Nos desabafos que podias ter,
Na companhia com outro ser,
Na alegria e no prazer,
No sonhar…
no mais sublime olhar…
Compartilhando a vida, no seu livro escrever,
Não te prendas na sombra, ergue-te como a alvorada!
Que vazia e só, não te leva a nada!
08-02-2014 - Maria Antonieta Matos
In "Nós Poetas Editamos VI""
O mundo em constante viragem, exige do ser humano uma permanente adaptação, de tal forma que, muitos não conseguem ultrapassar as dificuldades, pelos variados fatores e diferenças!
Muitas famílias vivem sem o mínimo de conforto e subsistência, isoladas da sociedade!
Pela sua insegurança, sem forças para lutar, perante a enorme carga, assiste-se a uma degradação e desinteresse pela vida, que choca e revolta os mais sensíveis!
Atentos a tudo quando nos rodeia, de alma e coração, nas mãos, muitas pessoas partilham com sabedoria, os meios que têm ao seu alcance, para fazer os outros felizes!
A solidariedade surge como uma nova luz de esperança, de confiança e de oportunidade para um novo começo... mais digno!
Solidariedade sente-se como o acordar mágico “Ao encontro de um abraço”.
Bem hajam, os abraços solidários!!!
Maria Antonieta Matos
06-01-2015
Fechoos olhos que cegam perante o olhar divino
Vejouma fulgente luz que se apressa a esconder
Absorvoos cheiros e mergulho no sonho repentino
Oiçono silêncio os passos a musicar, sem entender
Ossentidos envolvem-se e abraçam cada momento.
Magicandointerrogo-me … o porquê? Da injustiça
Da ganância em que oter, vale mais do que o ser
Destruindosaberes e valores, absortos pela cobiça
Aterra fica assombrada e triste e o céu cora de vergonha
Depoisas cores se esbatem e o sol começa a esmorecer
Naesperança do mundo mudar e a felicidade acontecer
Ficariainternamente penetrada no teu belo olhar, risonha
Masa felicidade, essa era primordial, todos tinham que ter
Eunidos e enlaçados muitos sóis-postos, haveríamos de ver
20-04-2013Maria Antonieta Matos
Declinadasobre a mesa, numa manhã em que o dia acaba de nascer,
minhaalma chora!
A tristeza invade-me e o sonho prega-me partidas …
Osolhos se humedecem, não há paladar, cheiro, carinho, canto, quedecifre o momento.
Láfora o sol está radioso, mas gelado este dia … Apagou-se em mim aluz, deixei de ver e ouvir as árvores, os passarinhos e tudo o queos olhos dizem, noutro dia …
Ontemouvi uma reportagem sobre tráfego de pessoas e doeram-me asentranhas!
Pergunto-meonde chegam estas mentes perversas, doentes, ambiciosas, temerárias,que morrendo de medo quando estão por baixo, subjugam o seusemelhante a tremendas atrocidades….
Aohomem, à mulher à criança que indefesos, desesperados,discriminados, atraiçoados, manipulados, massacrados, presos, sãoprivados de seguir os seus sonhos, do carinho da família, dosamigos….
Estranhojeito de amar, de presentear de se mostrar doce mas tão amargo …
Ocoração sai-me do peito a um ritmar gritante, ofegante …
Morraa maldade, a escuridão, o sofrimento, os maus pensamentos….
Avida concede oportunidades todos os dias para mudar!
VIVERA VIDA FELIZ!
MariaAntonieta Matos 29-12-2013
Somos estranhos na casa tão cheia,
Cada qual guarda o silêncio em capela,
E da janela, o vento nos incendeia,
Levando beijos à noite mais bela.
O riso ecoa, mas logo se rareia,
Sombra discreta em cortina singela,
E a saudade que o peito semeia
Cresce e se perde na lua amarela.
Mas, se distantes, os corpos se calam,
Nos corações ainda há centelha,
Chamas ocultas que nunca se apagam.
E nesta casa, que o tempo aconselha,
Mesmo estranhos, os sonhos se embalam:
Beijos voando de cada janela.
Maria Antonita Matos
Elesque sonham despertos
Revirandoo pensamento
Tantoscaminhos abertos
Sãopercorridos num momento
Veemo mundo fantasiado
Arquitetamargumentos
Concebendomuito floreado
Iluminadospensamentos
Navegampelo desconhecido
Numaaventura hilariante
Noamor embebecidos
Enfeitiçama sua amante
Muitasvezes infelizes
Pelarealidade intransigente
Nãocuram as cicatrizes
Porqueo sonho é diferente
26-10-2012Maria Antonieta Matos
Ouçoo bramido do mar
Comose fosse aqui perto
Sintoa frescura do ar
Eo sol bem descoberto
Vejotodo o horizonte
Vejoo prado, vejo o deserto
Vejoali um grande monte
Vejoum caminho incerto
Ouçoo som da ribeira
Esigo todo o seu percurso
Contemplotudo ali à beira
Numsilêncio absoluto
Ouçoo som dos passarinhos
Numchilrear de melodias
Vejoas cegonhas nos ninhos
Vejono bico o que trazem
Pr’aalimentar os filhinhos
Vejoos desenhos que fazem
Noar quando eles voam
Equando os filhos se perdem
Asmães logo apregoam
Vejoas nuvens contrastando
Napaisagem colorida
Eo sol vem se mostrando
Parao crescimento da vida
Vejomuitos animais
Comendono verde prado
Vejomuitos olivais
Evejo o trigo dourado
Vejoos peixinhos do mar
Deslizandoalegremente
Edou comigo a navegar
Numaaventura delirante
Sintoo vento levemente
Comoquem brada por mim
Mostrando-mealegremente
Todaa paisagem sem fim
Vejoos vales e montes
Evejo tudo de branco
Vejogeladas as fontes
Corrotudo sem descanso
Depoisde muito caminho
Océu começa a chorar
Ebalbuciou-se baixinho
Souchuva, vou te molhar
Acordeide contentamento
Porquegosto de me molhar
Sentiro belo momento
Evi sementes a germinar
Oscampos estavam floridos
Pintadoscom lindas cores
Esussurravam zumbidos
Numnamoro às flores
Poisaramabelhas de mel
Coloridasborboletas
Rastejavambicharocos
Nasflores indefesas
MariaAntonieta Matos
Ai que saudades eu tenho
Dos contos de encantar!
Que meus pais me contavam
Eu ficava a imaginar...
Pareciam ser bem reais
Como eu acreditava!
Depois de um...queria mais
Era a sonhar, que me deitava.
Maria Antonieta Matos 20-04-2011
Ondasharmónicas ou ruído
Naturaisou artificiais
Algunsferem o ouvido
Outrosagradáveis de mais
Ochilrear do passarinho
Nosilêncio combinado
Dápara ver o seu jeitinho
Edecifrar o palavreado
Ocorrer do ribeirinho
Numtom muito afinado
Saltaa rã nada o peixinho
Ficao som acompanhado
Maso rugido do portão
Aoabrir ou a fechar
Aoouvido faz confusão
Eno corpo faz arrepiar
Eo estrondo de uma bomba
Uique força e medo dá
Estoirogrande de arromba
Queextermina tudo o que há
Otrovão som semelhante
Causaum grande respeito
Emboranão tão gigante
Nocéu estala esse efeito
Osom do sapateado
Fazmexer todos os sentidos
Osnerónios acalmados
Comomúsica para os ouvidos
Utilizadosna comunicação
Paramusicar ou alertar
Noambiente também estão
Outrossão para matar
Ossons mais apreciados
Sãoos que fazem vibrar
Masos mais harmonizados
Sãomelhores para acalmar
31-10-2012Maria Antonieta Matos
Sorrir é flor que se abre na madrugada,
perfume leve a erguer-se pelo vento,
A luz doce, no gesto tão atento,
que faz da dor um nada em mais que nada.
É chama branda, estrela delicada,
a desfazer da noite o desalento;
e em cada riso, em cada sentimento,
a vida torna-se mais abençoada.
Quem ri sem medo espalha primavera,
faz renascer o sol em cada olhar,
e a alma canta livre e mais sincera.
Sorrir é ponte, é dádiva, é luar,
milagre simples, chama que liberta,
que se abre ao mundo inteiro numa oferta.
Maria Antonieta Matos
Oh! Ninguém compra um sorriso...!
Dá-se livre e espontânea vontade,
Com a emoção que o instante invade,
Espraia o olhar enérgico, tão vivo...!
Ah! Quão meu peito gritava de alegria,
Se esse sorriso rasgado um dia viesse,
Embora sabendo que isso, não quisesse,
Confortava o espírito que avesso morria.
Esse sorriso, que é deleite, que enfeitiça,
Que entoa a paz no mais triste coração,
E irradia o sol no rosto, que outro, cobiça.
Sonho dos mágicos, abertos sorrisos,
A fortuna da vida, que se tem à mão,
Sorrisos dão-se...! Sempre que precisos!
Maria Antonieta Matos, 10-10-2017
Humedecidado calor tórrido
Dou-teo meu amor terra ressequida
Omeu labor que te prolonga a vida
Paraque não sejas um lugar mórbido
Caemsobre ti os meus afagos
Minhasmãos te dão o alimento
Chuva,sol, vento são os teus magos
Etu superas todo o meu sustento
Cobresdescendo o azul do teu véu
Omar imenso de tamanho colorido!
Aquecesas gentes com a luz do teu vestido!
Esvoaçampássaros alegres, neste apogeu
Caminhoslibertos, libertando insetos
Animais,de campos repletos
MariaAntonieta Matos 07-07-2014
Sou feito de tolerância
O que digo é discutível
Não quero um "MAS" entalado
Que se perde engasgado
Num pensamento sensível
Sou feito de tolerância
Não me amordacem a voz
Que me grita o pensamento
Revolto a cada momento
Com a garganta cheia de noz
Sou feito de tolerância
Tenho as palavras ao rubro
Quero expressar-me livremente
Sem as letras entre dentes
No meu "eu" mais profundo
Sou feito de tolerância
Dou asas ao sentimento
Que a mente desenvolve
Criativa tudo absorve
Na ânsia a cada momento
Maria Antonieta Matos 05-01-2018
Sou mundo numa janela aberta,
respirando mares que nunca vi,
onde o vento me toca e desperta,
os sonhos guardados dentro de mim.
Sou estrada de passos invisíveis,
sou ponte lançada sobre o ar,
um mapa de rotas impossíveis
que só o coração sabe traçar.
Sou voz de manhã e de horizonte,
sou luz que dança na cortina,
sou montanha, sou rio, sou fonte,
sou a viagem que nunca termina.
E mesmo que o corpo permaneça,
o olhar atravessa o mar e a serra —
sou mundo numa janela que começa
a caber inteira dentro da terra.
Maria Antonieta Matos
Cortaram-me as asas,
Deixei de voar,
E o meu ar de graça,
Fechou-se a chorar!
Cortaram-me a raiz,
Deixei de florir,
Sinto-me infeliz,
Incapaz de sorrir!
Cortaram-me o ar,
Sinto uma aflição,
Deixei de respirar,
Ai o meu coração!
Cortaram-me o pensamento,
Deixei de agir,
Sou cabeça de vento,
Não tenho sentir!
Sou pedra… rochedo,
Que ao toque não mexe,
Sou fruto do medo,
Que ainda permanece!
Maria Antonieta Matos, 29-04-2015
Sou árvore vigorosa, solta
Minhas estirpes me sustentam
São os dentes e a minha boca
Que fazem crescer meus braços
Frondosos que tudo aguentam
Com amor dou flores e frutos
O sol me aquece e roça
A chuva me acaricia e escuto
O sopro da ventania
Que às vezes me arrepia
E ao toque, meu corpo dança
Sou pranto de mágoa intensa
Sou aconchego no ninho
Sou sorriso rasgado, vida
cama e mesa, alma perdida
Solidão, silêncio e espinho
Sou fogo, tristeza, dor
Sou esqueleto ignorado
Sou joguete que muda a cor
Sou um susto, o adamastor
Sou refúgio no triste fado
Sou lenda decorativa
Em palavras de saudade
Sou o rosto embasbacado
Nesse tecer emaranhado
Que desperta ansiedade
Sou a grade do cativeiro
Que não deixa nada passar
Preso sem boca, nem dinheiro
Para um qualquer usar
Sou folha caindo aos poucos
Da árvore que sustenta a vida
Sou baile, euforia de loucos
Para a etérea partida
Sou tudo, e não sou nada
Quando sou luz ou me desligo
Que mereça quando há falha
Que precise e nada valha
Que prevaleça o castigo
21-04-2018 Maria Antonieta Matos
Subi ao alto da montanha
Sucumbindo de tristeza,
Dos meus olhos caíam lágrimas
Falei com a alma mais estranha
E contei-lhe as minhas mágoas
Ignorou o que contei
E eu sentida mais chorava
Tinha o mundo a meus pés
Mas o mundo não enxergava
Cansada da indiferença
Vi um esplendor de beleza
Estava só em mim suspensa
E quis superar toda a tristeza
Mas vi tanto desalento
uma infinita demência
Gente pobre sem sustento
E em delírios a ganância
Atropelos, muita vaidade
Gente que está de partida
desolada desprotegida
Sem nenhuma alternativa
Ouvi que nasçam crianças!
Enquanto açoitam os pais
E vi muitas de mudança
E eram pequenas demais!
Vi quem tinha vida estável
Uma família, um teto
E quem sem dó irreparável
Separa os membros afetos
Subi aoalto da montanha
Sucumbindode tristeza
E vitanta coisa estranha
Só me alegrou a natureza.
Maria Antonieta Matos 05-10-2014
Tão luxuosa e atraente vai certa dama
Na passarela perfumada de vermelho
Sisuda e emproada no olhar da fama
Imaginando-se a bailar refletida ao espelho
No seu íntimo carrega uma patranha
Que a leva enigmática na jogada musical
Solitária parece que um anjo a acompanha
Na pegada assombrada e infernal
Ao vê-la, enche a sala de cobiça e sorrisos
Num murmúrio entranhado e caloroso
Andante silhueta com toques tão precisos
Desliza seu corpo nu, alongado e decoroso
Enquanto dura luminosa aquela chama
Tudo são brocados, diamantes e ilusão
Mas a caixa de pandora abre-se e reclama
E todas as dores e desgraças ali estão
Évora, 15/ 01/2022
Tão longe que vejo, sem ver,
Atinando no meu sentir,
Que às vezes me leva a querer,
Que o sentido está a ouvir.
Tão perto parece tão longe,
Quando reina a indiferença,
Que nem o isolado monge,
Nutre tamanha diferença.
Tanta gente que existindo,
Não existe... desmoralizada,
Por alguém que está partindo!
Tanta criança sem ter nada,
Entregue ao próprio destino,
Com a vida amedrontada!
Maria Antonieta Matos 24/09/2016
Tédio,anda por mim a girar
Diz-semuito meu amigo
Estádoidinho para cá ficar
Ficade gracejo comigo
Nãotenho tempo pró aturar
Emnova arte me abrigo
Otempo passa a voar
Tédiojá anda aborrecido
Játentou vir disfarçado
Maslogo me apercebi
Peloseu jeito enfastiado
Parade vez sair daqui
Alvitrei-lheum álibi
Emandei-o para o diabo
04-09-2013Maria Antonieta Matos
Corripor ti, caminhos não desbravados
Brinquei,cantei, chorei e sorri alegremente
Vibreibailando, aqui ficámos enamorados
Nãoesquecerei pedaços de nós na minha mente
Emcada passo cambaleando fui descobrindo
Cadapassagem, cada nome emaranhado
Umagracinha para a família, enternecida
Quando balbuciava cadapalavra, distorcida
Àluz da candeia contando histórias, me encantei
Nosilêncio cantavam grilos na noite de breu
Palmilheilugares sonhando a realidade que criei
Ouamedrontada no leito rebolava ansiosa
Temendodo sonho que o momento teceu
Sonolenta,soluçando, acordava duvidosa.
22-06-2013 Maria Antonieta Matos
Olhandoa paisagem infinitamente bela
Doalto do monte, debruçada de espanto
Ocastelo e a muralha é a grande janela
Dagente que delicia sublime encanto
Umhorizonte vasto emergindo a natureza
Quererabraçar o silêncio nos próprios sentidos
Einspirar de arte, de tranquilidade e nobreza
Momentosvítreos que nunca serão esquecidos
Osilêncio dos tempos de medos guardados
Ouvir,sentir em cada pedrinha na maior profundeza
Enredose segredos de gentes guerreiras e arrojadas
Osilêncio da memória em livros escriturados
Oespólio do povo que enriquece gerações, pela rareza
Quedesperta o conhecimento e as torna fascinadas
04-04-2013 Maria Antonieta Matos
Quelinda terra tu és
Velhinhaperto do céu
ALucefécit a teus pés
Éazul o teu chapéu
Casascheias de brancura
Cadapedrinha conta uma história
Umcastelo onde a luta e bravura
Temum marco aceso na memória
Teusrecantos floridos
Ruelas,igrejas e fontes
Tenspor todo o lado montes
Beloscampos coloridos
Gadopastando no verde prado
Ouvem-semurmúrios e bramidos
Ouve-seo sino lá no adro
Saborese aromas perfumados
Rosmaninho,esteva, alecrim,
Hortelã,poejo entrelaçados
Nocampo, quintais e jardim
Genteque trabalha pela calma
Queconversam pelos cantos
Quese sentam à soalheira
Paraobservarem teus encantos
Passos,parecendo castanholas
Musicandono sossego
Portadose lindas janelas
Entreelas muito apego
Recônditos,“estórias” de amor
Noteu livro escreves segredos
Paixões,medos, desamor
Páginassecretas, enredos
Brincandoa criançada
Livrementeno teu chão
Dão-tesorrisos, gargalhadas
Dãolarga à sua emoção
Ésum lugar de poetas
Apetecívelpor escritores
Tenstuas portas abertas
Parainspirares os pintores
Tenso santuário da Boa Nova
Muitoraro e muito antigo
Quefica ao longe numa cova
Numsilêncio apetecido
Cantigasde Santa Maria
Foramdedicadas a ti
Éspalco de romaria
Ninguémse esquece de ti
Ruínasde culto Endovélico
Anteriorà época romana
Deusluz, Deus maquiavélico
Umadivindade profana
MariaAntonieta Matos 03-03-2013
Teu corpo me encosta e tudo se revela,
No gesto simples, mora o infinito.
O mundo inteiro some na janela,
E o tempo cala, cúmplice e bendito.
Nos teus suspiros, nasce a minha calma,
Teus dedos sabem mais do que explicam.
Passeiam como preces pela alma,
E os medos, um por um, se justificam.
Não há segredo em nós, só confiança,
Um toque e já sabemos do que é feito:
Metade entrega, a outra é esperança.
E quando o teu silêncio beija o leito,
É como se dormíssemos criança,
Com o amor nos envolvendo, peito a peito.
Maria Antonieta Matos - 2025
Teus olhos dizem mais que mil palavras,
Quando em silêncio pousam sobre os meus,
São portos onde as ânsias mais escravas,
Se libertam, buscando os sonhos teus.
Teu riso é luz que rompe as madrugadas,
É brisa que me afasta dos breus,
Na tua pele, as horas são paradas,
E o tempo se ajoelha aos pés dos céus.
Se o mundo é vasto, em ti tudo começa,
No toque teu, meu mundo se revela,
E a vida em mim repousa e se aquieta.
Amar-te é mais que rima ou aquarela:
É ter no peito a paz que não se peça,
É ser feliz sem que o amor se impeça.
Maria Antonieta Matos - 2025
Todoo ser (humano) é diferente
Nopensar e no falar
Noagir e no tamanho
Nosentir e no olhar
Nopensar, um pensa assim
Outropensa, e, diz que não
Outronão pensa mas diz
Ehá o que a tudo diz sim
Nofalar, um é tagarela
Outroesconde-se pr’a não falar
Outrofala para se mostrar
Háo mudo que não fala
Háquem fale a cantar
Oque gagueja a falar
Eo que fala a versejar
Noagir, um diz que faz
Mesmosem agir pra fazer
Outrodiz não sou capaz
Háo que age, e, não quer dizer
Oque não quer agir, pra fazer
Eo que age, sem se aperceber
Notamanho um é pequeno
Outroé grande demais
Ehá pequeno que o tamanho
Nãodeixa que cresça mais
Outroé grande mas é pequeno
Ostamanhos são desiguais
Nosentir, um tem sentimento
Outroo sentir é maldade
Háo que não quer sentir
Háo sentir de oportunidade
Háo que não diz, sentir
Oque sente de verdade
Ehá o sentir só para rir
Umolhar, todo o tempo admira
Outroolhar, nada quer ver
Outrosonha, que está olhar
Háo que no olhar se afigura
Ehá muita arte no olhar
Háo olhar castigador
Quea todos discrimina
Eolhar vencedor
Quesó de olhar ilumina
Mastodo o ser tem seu direito
Edever para cumprir
Essaigualdade e respeito
Temostodos que admitir
Podemoster sentimentos
Podemosser diferentes
Mas os deveres e os direitos
Sãometas intransigentes
MariaAntonieta Matos 26-09-201
Toma-me em abraços ternos
Junta aos meus, teus pensamentos
Sente o amor pleno mais sincero
Não te emudeças entre fragmentos
Bebe-me como vinho maduro
Saboreia nos sentidos a essência
Sente a bebedeira de amor puro
Grita de felicidade pela existência
Sente-me como um desejo
Tal qual a ânsia do dia primeiro
Que me exaltavas de gracejo
Prende-me aos teus momentos
Em pujante amor verdadeiro
Não deixes passar os tempos
Maria Antonieta Matos 15-09-2013
Ao vento, espalho as mágoas,
Que trago dentro de mim,
Porque o vento chama as águas,
Que determina que as mágoas,
No meu peito cheguem ao fim.
O vento canta e a assobia,
Tudo leva à sua frente,
Nos muros se refugia,
Desmaiado de contente.
Tão doido que é o vento,
Que desfralda as folhas no ar,
Deixando nua, a árvore ao relento,
Como se estivesse a brincar.
Não há força que te aguente,
Ó vento quando te assanhas,
Enfureces e levas rente,
Tudo aquilo que apanhas.
Com tão grande ventania,
Teus cânticos sacodem as flores,
Um sentimento de poesia,
Pelas vestes das tuas cores.
O vento leva sentado,
No selim do seu cavalo,
O corpo tremelicado,
Sem rédea para segurá-lo.
A nuvem sente nos ombros.
O peso do seu caminho,
Enchendo o céu de assombros,
Com o vento em remoinho.
No chão chiam a rodopiar,
O encanto colorido,
Que o vento faz a assoprar,
Numa sonata ao ouvido.
Com o mar brigas às vezes
Fazes tremendo chinfrim,
Que ao longe soam-me vozes,
Parecendo chamar por mim.
Vento suão que feres,
As entranhas do meu ser,
Como punhais interferes,
No corpo dorido a morrer.
Vento brando que o sol aquece,
Que beija doce o meu rosto,
Que faz sonhar, adormece,
Um sono pesado, um encosto.
Vento que folheias o livro,
Que embevecida, estou a ler,
Como se estivesse proibida,
Folheias, folheias por querer.
Com a dor tão pesarosa,
Gritam trovões a estrondar,
Dos teus olhos correm lágrimas,
Como rios a desaguar.
Maria Antonieta Matos 13-05-2016
Tua boca vem lenta, sem demora,
E acende em mim um lume sem medida.
Cada toque é desejo que devora,
Cada suspiro, um passo pra a caída.
Teus dedos traçam mapas na minha pele,
Sabem caminhos que eu nunca nomeei.
E o corpo, quando ao teu calor se apele,
É chama viva — e arde sem porquê.
Gemidos são poemas entre os dentes,
O mundo desfaz-se entre lençóis,
Num tempo onde só somos os ardentes.
E após o fim, são nossos corpos sós,
Unidos, exaustos, nus, incandescentes,
Num chão sagrado feito só de nós.
Maria Antonieta Matos - 2025
Voltaria a sonhar o sonho,
Onde as asas me levavam,
Livres com ar tão risonho,
Que de alegria choravam,
Mas não viam tal tamanho
O horizonte se mostrava,
De par em par tão ardente,
Que faminta me espraiava,
Nesse olhar confidente,
E ao seu colo desmaiava.
Voltaria a sonhar o sonho,
Que sonhei e foi tão breve,
Neste abrigo vazio tristonho,
Pelo acordar se descreve,
Mas com garras me oponho.
Voltaria a andar na rua,
Sem disfarces que sustento,
Caminhando de fronte nua,
A roçar-me ao doce vento,
E às escondidas com a lua.
Voltariam os afetos,
A reunião alargada,
A existência dos netos,
Que nesta vida parada,
Tudo nega o “bicho” inquieto.
Évora, 16-05-2020 – Maria Antonieta Matos
Escurece o dia na terra,
flutuem ondas no céu,
Acena o verde na serra,
O vento traz armas de guerra,
E o mar enfureceu.
Ouviu-se pranto e lamúria,
Aflição e desespero,
Solidão em pedra dura,
Tão longe na mente s' afigura,
Turbilhão em destempero.
Arrasta tudo o qu' apanha,
Tresloucado a fulminar,
Carros, casas em águas idas,
Multidões num sufoco, desvalidas,
Contra o vento a devastar.
Desvanece tudo ao redor,
Não há luz a iluminar,
Escasseia o pouco alimento,
Rodopia, leva-o o vento,
Pelas ruas a boiar.
Animais numa agonia,
Enleados, esfarrapados,
Tanta agitação, emergência,
Luta-se pela sobrevivência,
Avistar apavorado.
08-09-2017 Maria Antonieta Matos
Atravésda vidraça, manifesta-se a natureza
Ovento agita as plantas, as árvores
Musicandopara que dancem, e as flores
Ospássaros esvoaçam com leveza
Océu mostra nuances de branco e cinza
Ocasario branco e vermelho, contrasta as cores
Achuva tamborilando cada nota, e os amores
Devez em quando um clarão
Eo ribombar do trovão
Osolo embriaga-se de bebida
Derramade cheio, correrem regatos
Afesta continua alta hora, destemida
Naeuforia surgem desacatos
Atéque da folia o cansaço amoleça
Eo sono caia, e sonho aconteça
07-03-2013Maria Antonieta Matos
Vai-te embora dois mil e vinte
Nem saudade vás deixar
Fiquei tão sozinha em casa
Sem poder ver a alvorada
No meu Alentejo, a raiar
Senti-me morrer de tristeza
Sem saber do que me escondia
Entretinha a minha mente
E via o confinar crescente
Na ânsia que em mim crescia
Deixei de olhar o vasto campo
Pleno de flores, de muitas cores
O céu do meu Alentejo
Que só da janela vejo
Sem brisa, cheiro e sabores
Para preencher o vazio
Inventei-me a cada momento
Para afugentar a peçonha
E a saudade tão medonha
Da família que amo tanto
Sabe-se lá quando a guerra acaba?
Quando nos voltamos a encontrar?
Se temos a mesma liberdade?
Se matamos toda a saudade?
Se nos voltamos a abraçar?
Há um receio deprimente
Se essa grade não se liberta
Do vírus que nos assola
Do amor que nem consola
Do toque que não desperta
Saudar o vasto horizonte
Do meu Alentejo tão lindo
O desejo que não dispenso
O sorriso… esse alento
Que tarda e está suspenso
Meu sol que vives ausente
No sentir da minha alma
Leva as mágoas para sempre
Deixa meu coração ciente
Que em breve tudo se acalma
Évora, 04/01/2021, Maria Antonieta Matos
Vale mais tarde o passo que desperta,
Que cedo andar sem rumo ou direção,
Quem busca a luz, ainda que na incerta,
Descobre enfim o fruto da lição.
Não conta a idade, mas o coração,
Que ousa crescer com força sempre aberta,
Aprender faz da vida renovação,
E vence a noite a esperança desperta.
Jamais é vão recomeçar a estrada,
Pois cada dia encerra um novo ensejo,
De erguer o sonho e dar-lhe nova voz.
Quem aprende transforma a caminhada,
E encontra, em cada humilde bom desejo,
Que mais vale aprender... ainda após.
Maria Antonieta Matos
Vamos afincar o dente
A quem parece demente
E não se importa com a gente
E só se mostra indiferente
Levam o tempo com desculpa
Uma desculpa esfarrapada
Mas o povo vai à luta
Que está a ficar sem nada
Vamos afincar o dente
Até que muito lhe doa
Verem o que a gente sente
Para não fingirem na boa
Seu interesse salvaguardo
Docemente há argumentos
Pensam que o povo é tapado
E esticam-se em inventos
Vamos afincar o dente
Sem ter dó nem piedade
O mesmo fazem com a gente
Ao tirarem a liberdade
Maria Antonieta Matos 19-10-2011
Vamos fazer umas quadras
Puxar pela imaginação
Brincando com as palavras
Numa completa sedução
Numa sequência de palavras
Uma rima procurar
E acabar as quadras
No espaço que está a faltar
Desenha uma figura
Com quatro lados iguais
E vê a sua estrutura
Ela é bonita ……demais
Os ângulos são todos rectos
E o nome é um quadrado
Noventa graus são certos
Em cada vértice dos …..lados
Se desenhares três linhas
E unires os seus pontos
Puxa por uma pontinha
E observa os seus ……cantos
O triângulo tem três bicos
Uma forma original
Encontras em muitos sítios
E o ângulo pode não ser …..igual
Há a forma circular
Tal qual está cheia a Lua
Também podes desenhar
À noitinha na tua …rua
Se duas linhas de lado
Cresceram mais um bocado
Sai o rectângulo beneficiado
Fazendo inveja ao ……quadrado
Com estas formas tu podes
Fazer uns lindos bonecos
Uns magrinhos outros fortes
Ou então faz uns ……..Tarecos
Com ideias e concentração
Tens muito para explorar
Faz um carrinho ou carrão
Faz o teu cérebro …….trabalhar
funcionar
O paralelepípedo
Que nome tão estranho
Repete comigo
É fácil, não me… engano
Têm volume e forma
Faces, vértices e arestas
Há excepção à norma
São formas geométricas
É sólido geométrico
A base é um círculo
Sobem todos os pontos
Termina num bico
O querer e atenção
Tudo se resolve
Chega à solução
E desenha o Cone
Em baixo e em cima
São círculos iguais
Desenha o cilindro
Com um pouco mais
Se num ponto fixo
À distância ligares
Um conjunto de pontos
O que podes achar?
É linda a esfera
E seus movimentos
Semelhantes à terra
Girando andamentos
É uma unidade de medida
De volume ou capacidade
Enches uma porção líquida
É o litro a …quantidade
É uma unidade de medida
E contêm o seu volume
Um metro cúbito é a saída
Da encomenda do.. costume
Tens o metro para medir
Tudo o que é linear
Estás aqui para decidir
Os metros que queres levar
O quilograma para pesar
É uma medida de massa
Já me estou a inquietar
Que o peso já ultrapassa
Se tiveres uma planície
E queres medires a superfície
Tens as medidas agrárias
Para resolver sem chatice
Se tiveres um terreno
E queres medires a superfície
Tens as medidas agrárias
Para resolver sem chatice
Superfície uma grandeza
E tem duas dimensões
O m2 sem surpresa
Resolve as situações
Enquanto área
É medida de grandeza
Considerada 1 número
Com toda a certeza
O metro quadrado
Unidade fundamental
Para medires ao quadrado
A área que queres achar
É uma unidade de medida
De capacidade ou volume
Se derrubar a bebida
Não tens litro que te ature
Maria Antonieta Matos -08/07/2011
Vamos brincar com as letras,
Soltar vogais pelo chão,
Fazer danças com consoantes
No compasso da imaginação.
O A abre asas no ar,
O E esconde-se a sorrir,
O I, imenso, põe-se de pé, valente,
O O ousado, começa a fugir
O U, único, dá voltas no vento,
Sempre pronto a descobrir.
O B balança no ramo,
O C, cínico, faz de meia-lua,
O D, desenha e sonha em segredo,
O F, fugaz, voa na rua.
O G, dá gargalhadas
Com o H que continua.
Juntos criamos palavras,
Pontes feitas de sons,
Como se o mundo inteiro
Coubesse dentro de tons.
E no fim da brincadeira,
Com as letras todas na mão,
Fazemos versos e histórias
Vindas do nosso coração.
BRINCAR COM O ALFABETO
A andorinha azul voa no céu,
Brinca o burro junto ao carrossel.
Cães correm livres pelo campo,
Dançam folhas num outonal encanto.
É o eco que vibra na serra,
Fala o vento, murmura a terra.
Gatos vigiam da janela o luar,
Hienas riem num sonho a pairar.
Irrisório parece o tempo a passar,
Junto ao rio, vejo barcos a atracar.
Kms de sombra sob o sol,
Lágrimas brilham num velho farol.
Mares enunciam mistérios do sul,
Nuvens navegam num tom de azul.
Órbita vaga do olhar que se perde,
Pássaros cantam em liberdade verde.
Quimeras dançam no canto da mente,
Risos ecoam de gente contente.
Serpenteia o rio num ziguezague lento,
Tocas de vida escondem sentimento.
Um universo em vogais e consoantes,
Ventos varrem vales vibrantes.
Waffles, talvez, num lanche ideal,
Xailes voam num vento outonal.
Yogas no campo, paz a nascer,
Zelam os dias por nos fazer crescer.
Évora, 24-07-2025 - Maria Antonieta Matos
Na dobra da manhã ficou sentada,
com mãos de tempo e olhar de maresia,
ninguém escuta a voz já enfraquecida,
que outrora foi centelha iluminada.
Passam-lhe ao lado a pressa apressada,
o mundo surdo à sua travessia,
cada ruga é memória que alumia,
uma existência inteira atravessada.
Chamam-lhe velha — como se a idade,
roubasse à alma o fogo e a lucidez,
ou apagasse o brilho da verdade.
Mas há nos seus silêncios altivez,
quem muito amou conhece a eternidade
e aprende a suportar a solidão de vez.
Maria Antonieta Matos, 2026
Numzunido inesperado
Batemportas e janelas
Umescuro no céu nublado
Fazparecer estar numa cela
Tudocomeça a voar
Ventoe chuva desvairados
Levampessoas a cambalear
Empostes estão encostados
Umremoinho no ar
Muroscaídos e estruturas
Gentesestão em amargura
Árvorese carros a nadar
Asruas estão inseguras
Ascasas a destelhar
Vejoum dia pavoroso
Pontescaídas, muita lama
Cheiasque levam as camas
Otrovão se ouve bombar
Orelâmpago luminoso
Umaárvore está a rachar
Ea faísca a incendeia
Nadaestá a restar
Assirenes alertam o perigo
Andatudo em alvoroço
Porquemerece este castigo
Agente que tem tão pouco?
Sãoos menos protegidos
Osque mais pagam na vida
Numinferno sempre metidos
Lutandosem saldar a dívida
23-01-2013Maria Antonieta Matos
Domina-te oh! Vento Suão,
Não me estrague o meu dia,
Que a cabeça fica em vão,
Nos olhos pega um nevão,
No ouvido uma agonia.
Não sei quem te deixa assim,
Tão enraivado correndo,
E vens descarregar em mim,
Cheiros, dores e afins,
E os sentidos me vás moendo.
Levas-me às cegas voando,
Secas as flores lá no campo,
Vens como alma penada,
Tudo cortas de rajada,
Onde passas... há desencanto.
28-04-2017 Maria Antonieta Matos
Vi voar uma borboleta,
De flor em flor no jardim,
Tão bela, colorida, de orla preta,
Dançando as asas sem fim.
Estava reinando feliz
No seu mundo glorioso,
Respirando olor da Liz,
Pousando um ar curioso.
Num sol muito iluminado,
Mais a cor resplandecia,
Nos meus olhos regalados.
Beijava a flor saciada,
E nessa quietude morria,
Dessa essência inebriada.
17-06-2020 Maria Antonieta Matos
Amente incomodada
Pelossabores da comida
Fazos órgãos agitar
Paraa refeição ser servida
AsMÃOS a levam à BOCA
OsDENTES a vão triturar
Coma saliva e a LÍNGUA
Acomida vai enrolar
Passadepois pela FARINGE
Fechandoa porta à laringe
Pormedo de se engasgar
Assimempurra para ESÔFAGO
Quetem os NERVOS a controlar
Conduzindoo alimento
Comseu músculo aglutinar
Eescorrega para o ESTÔMAGO
Quetudo vai separar
ABILÍS entra ao serviço
Coma água a misturar
Eescolhe o que é preciso
Parao CORPO se alimentar
OSANGUE todo contente
Correnas VEIAS sem cessar
Crescesmais em cada dia
Tudomexe com energia
Todoo corpo a funcionar
Atépronto para procriar
Depoisde muito trabalhar
OESTÔMAGO vai canalizar
PelosRINS e INTESTINOS
Tudoo que do dele restar
Indodos RINS por canal fino
NaBEXIGA vai ficar
Àespera de encher o saquinho
Eter peso para despejar
Outro,sai dos INTESTINOS
Umdelgado outro mais grosso
Atéa BARRIGA avisar
Queo ÂNUS quer defecar
Évora,05-12-2012 Maria Antonieta Matos
Vivo cativa em teu corpo
Meu peito bate incessante
Ansiosa dos teus beijos
Ancorada em desejos
Revoltos d´ abraços ardentes
Vivo a caminhar nos teus passos
Como uma sombra bailando
Esvoaçando nos teus laços
Entre toques meigos que de faço
No teu corpo baloiçando
Vivo… tua companheira eterna
Como o orvalho na flor ao amanhecer
E à noite sempre a luz duma lanterna
No horizonte o perfume numa caverna
Ouvir nossa canção na nudez acontecer
Vivo na dor, no prazer, na tristeza n´alegria
Sempre a considerar a mudança
Uma cura inquieta porém oso sabedoria
No amor… condimentos, euforia
A cada ano, a cada dia, inundada d’ esperança
14-10-2021 Maria Antonieta Matos
Vou proibir a tristeza
De sonhar no pensamento
Vou ser forte, fortaleza
Para acabar com o sofrimento
Vou proibir que haja trancas
Onde se esconde a solidão
E abro rios de águas mansas
A correr de chão em chão
Vou proibir a doença
Que amarra qualquer pessoa
O não acreditar na esperança
Consentir o que magoa
Vou proibir que exista a dor
Que a tristeza vem consumir
Vou abrir campos de flores
Quero ver todos a sorrir
Vou proibir que haja fome
O abandono de crianças
A injustiça que não dorme
A maldade e a ignorância
Vou espalhar a alegria
Vou abrir todas as portas
Vou dar largas à magia
A tristeza me revolta!
Maria Antonieta Matos 20-07-2015
Pintura: Costa Araújo

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PLANÍCiES DO VAGAR · Maria Antonieta Matos
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