VELHA INCOMPREENDIDA

Na dobra da manhã ficou sentada,
com mãos de tempo e olhar de maresia,
ninguém escuta a voz já enfraquecida,
que outrora foi centelha iluminada.

Passam-lhe ao lado a pressa apressada,
o mundo surdo à sua travessia,
cada ruga é memória que alumia,
uma existência inteira atravessada.

Chamam-lhe velha — como se a idade,
roubasse à alma o fogo e a lucidez,
ou apagasse o brilho da verdade.

Mas há nos seus silêncios altivez,
quem muito amou conhece a eternidade
e aprende a suportar a solidão de vez.

Maria Antonieta Matos, 2026

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