Parecem moucos de morrer,
os homens que atravessam a existência,
levando o peso vão da indiferença
sem ver o sol nascer nem se perder.

Escutam só o eco do poder,
confundem pressa e força com ciência,
e deixam fenecer na consciência
o que os faria, enfim, compreender.

Mas fala o tempo, austero conselheiro,
na ruga, no silêncio e na partida,
lembrando o quanto é breve o nosso roteiro.

Quem fecha o coração durante a vida
descobre tarde, à beira do derradeiro,
que ouvir e amar eram a mesma lida.

Maria Antonieta Matos

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