Dá-me um abraço,
um abraço verdadeiro,
daqueles que calam o mundo
e falam primeiro.

Dá-me um abraço apertado,
sem margem para o medo,
que me desarme por dentro
e me guarde em segredo.

Deixa-me sem espaço,
sem ar, sem chão,
que eu caiba inteira
na tua mão.

Que seja abrigo no frio,
semente no deserto,
um silêncio cheio
de tudo o que é certo.

Dá-me um abraço 
não breve, não passageiro 
mas desses que ficam
mesmo depois do corpo inteiro.

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