DESCONHECIDA DE SI
Desconhecida de si, vagueia a mente,
cegada ao lume oculto das verdades,
vê sombras por espelho das cidades
e chama eterno ao instante inconsequente.
Procura no exterior, inutilmente,
o nome que dissolva as ansiedades,
mas traz no peito as próprias tempestades
e um mar que desconhece inteiramente.
Quem não aprende a olhar para o abismo
confunde a voz do mundo com destino
e vive acorrentado ao imediatismo.
Porém, no silêncio austero e cristalino,
descobre o ser, rompendo o fatalismo,
há mais realidade além do desatino.
Maria Antonieta Matos
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