FIQUEI A OLHAR O MAR
Passeei meus passos na areia,
Fiquei a olhar o mar,
Para saber o que dizia,
O que dia e noite fazia,
Sem tempo para descansar.
Entre danças e melodias,
Vi cores, nas águas mudar,
Vozes doces, fortes gemidos,
Chega a saudade de entes queridos,
Que de mim vieste afastar.
Aromas me trouxe o vento,
E notícias de desgraça,
Respirei teu paladar,
Oh deserto e infinito mar,
Que às vezes tudo ultrapassa.
Fazes-me sentir tão criança,
Quando tua brisa me beija ao sol
Que fico mole, adormecida,
Sobre tua areia caída,
No embalo do teu lençol.
É misterioso o teu canto,
Vem o sonho lentamente,
Afundo as ondas desse mar,
Que se estende a navegar,
E se perde completamente.
Gaivotas voam em festa,
Pintam-se barquinhos a remar,
Cores salpicam as arribas,
Que abraças às escondidas,
E tanto as fazes chorar.
À noite escondes o sol,
Que cora a face intimidado,
Ao ver o encanto da lua,
Estremunhada ainda nua,
A erguer-se do outro lado.
Espreita confusa o teu mar,
Faz a ronda incessante,
Descobre vultos perversos,
Nesses caminhos adversos,
Que entristece o seu olhar.
05/07/2017 - Maria Antonieta Matos
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