FACTÍVEIS
Paulo Sérgio Rosseto
A poesia precisa do plausível
Ainda que não sirva para nada
Dentro do factível ela se faz coexistir
Respira em migalhas sobre a mesa
No passo que não leva a lugar nenhum
Na linha de costura que dependura o botão
Não resolve boleto vencido
Nem a falta ou sobra de sal
Nem o choro que vem do olho ao lado
Mas fica ali entre a mala e a parede
O sim e o não ainda calado
Entre o que coube e transborda por exceder
São esses restos quase invisíveis
Esse caber dentro do possível
Que a torna essencial
Se além disso o mais deixa de ser
@psrosseto
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