Dança Poética
Jorge E. Leal
O acerto em fim, acabou seu tempo, viu,
Certamente, pesei o seu caminho de ida,
Legado sombrio em prol da ingratidão vil,
De alma negra, cego sois nesta reles vida.
Cão de espírito imundo, coração ser vil,
Jaz carregado, sob a areia esquecido,
A mentira é tua veste, o tempo desfaz,
Monstro de faces mil viveu escondido.
Implora abrigo que o mundo não traz,
A máscara caiu não há mais clemência,
Resta-lhe o peso do que és, fez e faz,
Alma mordaz engole a própria essência.
E nas sombras frias agora jazes caído,
Carma em silêncio, só agonia e abandono,
Morte lenta e dolorosa, história perfeita.
A Dama da Noite em seu eterno trono erguido,
Tece sua teia e dança nesse teu legado insano,
Enfim, o profano deu retorno em sua desfeita.
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