A poema

A poema

2026

Acróstico - JEL

Jorge E. Leal


Jeitos e trejeitos de um homem destemido
Ombudsman das letras e do direito: Respeito
Realmente vive a vida em seu esplendor
Gênio ou genioso em suas ações - Pensamentos
Extraordinários são os próprios desafios.

Eis que somos o que somos: hors - concours
Muitas luzes encenadas no palco da vida
Iluminando pela sorte de uma alma ferida
Leva sua nobreza Jorge E. Leal - Pensador
Imortalizou arquétipos de um escritor
Orquestrou sua vida com riso e glória.

Lealdade de um bom samaritano - critico fiel.
Entre o céu e o inferno JEL: Fluxo de vencedor
Ávido por novas conquistas, aventuras de viajor
Labor de mestre, intrépido autor de pura arte e valor.

 

 

Aliciante Dilema

Jorge E. Leal


Mergulhar na vida é decifrar os bajais,
Cabelos longos, silhueta saliente, problema,
Abrir um códice de matemática e seus sinais,
Perfil no olhar, poses e posições viram poema.

Teu riso me disse tudo, gestos que trilhas abriu,
Caos alimenta minh’alma, meu coração acelera,
Vinde a mim, aliciando paixão, maravilhas mil,
Jeitos e trejeitos que este celestial ser me revela.

Parada à porta, no meu caminho, uma tela,
O que seria de nós sem esses abalos,
Mostra tua graça, seus dotes, dom donzela,
É preciso coragem para enfrentá-los.

Qual seria o propósito da vida, afinal,
A vida seria monótona sem esse problema,
Viestes ao mundo para impressionar o real,
A engrenagem do mundo padece nesse dilema.

 

Amálgama

Jorge E. Leal

Se tu colares em mim,
Ou se eu te pegar por aí,
Se pra eu grudar em ti,
Então tu encosta aqui.

O que te une agrega,
De surpresa fascina,
No que me liga acolhe,
E com carinho ensina.

As sombras misturam,
Pois em ti aglutino,
Ares, odores mudam,
Sob o calor divino.

Aproximando emoções,
Desse calor humano,
Pois o frio e as razões,
Recolhem nosso plano.

Amana

Jorge E. Leal


As flores são essenciais,
Deveras tão importante.
Amores, vãs, casuais,
Fragmentos de instante.

Acalento de liberdade,
Muitos sequer sentido.
Denotando tal verdade,
No quase pouco contido.

De um olhar sem igual,
Ou em Ambas texturas,
Ao belo êxtase frugal.

Cores diversas em dores,
Desvista-se desse seu mal,
Por esse mar de sabores.



 

 

Âmbitos do Saber

Jorge E. Leal


Na escola da universidade federal,
O educando encontra o caminho.
O mestre conduz a jornada vital,
E nessa estrada caminha sozinho.

O diretor lidera com firme gestão,
Os docentes em âmbito estadual.
O supervisor apoia a nobre missão,
O professor guia a rede municipal.

O coordenador alinha o saber,
Um tutor acompanha o inicial.
O orientador atua no crescer,
O preceptor ajuda a ala ginasial.

O aluno desperta ao amanhã,
Um jovem colegial busca lugar.
O discente cultiva a mente sã,
O aprendiz dedica a se orientar.

O acadêmico estuda avançar,
Um fiel discípulo aprende a lição.
O estagiário pratica o trabalhar,
Unidos pela força da educação.

 

 

 

 

Aos 59

Jorge E. Leal


Cheguei ao palco do ápice,
Apesar dos atropelos antes.
Tudo exposto nesse acápice,
E dos desvios inconstantes.

Sem medos e ou zelos,
Um brinde a uma vida.
Que não seja de apelos,
Prazeres sem medida.

O que se tem de melhor,
Mesmo sem qualquer platéia,
E não mais importa se pior.

Comemorar mais um decênio,
Desculpas já não importam,
Diante do esquisito proscênio.

 

Célia Se Lia

Jorge E. Leal

 

O relógio na parede da sala marcava duas horas da manhã, mas o sono se recusava a vir para Célia. Aos 54 anos, com as mãos calejadas pela rotina exaustiva de cuidadora e pelos anos dedicados ao trabalho doméstico, iniciante da arte da leitura e das penas, ela olhava para o teto da casa silenciosa. Pela primeira vez em mais de duas décadas, as filhas, agora adultas, não dependiam mais dela. O ninho estava vazio.

A longa jornada como arrimo de família, enfrentando a solidão de criar duas crianças pequenas sem apoio e sob o peso de privações severas, parecia ter alcançado uma trégua. No entanto, a mente de Célia não descansava; ela habitava um território complexo de sentimentos conflitantes.

Naquela escuridão, a quietude pesava de outra forma. Ela se dava conta de que o sacrifício extremo de uma mãe solo raramente é acompanhado por aplausos ou reconhecimento financeiro e emocional. Sentia um vazio incômodo, uma ausência de valorização que flertava com a frustração. Como reconstruir a própria identidade quando a vida inteira foi baseada em anular-se pelo outro?

Mesmo diante do cansaço acumulado de vinte anos de renúncias, a essência interior de Célia não se movia pelo rancor, mas pela resiliência. Enquanto o cansaço físico pesava nos ombros, sua mente tecia uma prece silenciosa de esperança.

Ela se recusava a aceitar que sua história terminaria na invisibilidade do trabalho de cuidador. Havia uma certeza íntima, quase teimosa, de que o porto seguro estava próximo. Célia respirou fundo, ajeitou o lençol e, no silêncio da madrugada, reivindicou para si o direito de sonhar com a dignidade e a felicidade que tardavam, mas haveriam de chegar.

 

Colapsando

Jorge E. Leal

Amaram ar aram e...
Apagaram a luz,
Roubaram a verdade.

Analisaram a situação,
Cantaram a vitória e...
Espalharam crueldade.

Chegaram ansiosos e...
Formaram exemplares,
Disseminaram mentiras.

Anestesiaram a mente...
Endureceram corações,
E corromperam vidas.

Aniquilaram multidões,
Destruíram o mundo,
E fecharam a porta.

Dança Poética

Jorge E. Leal


O acerto em fim, acabou seu tempo, viu,
Certamente, pesei o seu caminho de ida,
Legado sombrio em prol da ingratidão vil,
De alma negra, cego sois nesta reles vida.

Cão de espírito imundo, coração ser vil,
Jaz carregado, sob a areia esquecido,
A mentira é tua veste, o tempo desfaz,
Monstro de faces mil viveu escondido.

Implora abrigo que o mundo não traz,
A máscara caiu não há mais clemência,
Resta-lhe o peso do que és, fez e faz,
Alma mordaz engole a própria essência.

E nas sombras frias agora jazes caído,
Carma em silêncio, só agonia e abandono,
Morte lenta e dolorosa, história perfeita.

A Dama da Noite em seu eterno trono erguido,
Tece sua teia e dança nesse teu legado insano,
Enfim, o profano deu retorno em sua desfeita.

 

 

Danise

 

Jorge E. Leal


Do sol ao gelo a vida desperta,

Os esquimós caçam gloriosos,
E os inuítes produzem a seta,
Os nenets parecem vigorosos.

Tuaregues o saara arquitetam,
E beduínos vão audaciosos,
Aborígenes da terra projetam,
Os povos da argila majestosos.

Bajaus mergulham fundo na fé,
Mokens se emergem nesse clima,
Havaianos deuses da maré.

Yanomamis das matas sobrevém,
Danis e mentawais olham por cima,
Bravos mongóis das planícies vêm.

 

Déjà vu


Jorge E. Leal


Nesta batalha de grande vontade,
Voam os planos da mente ao céu,
Mergulham em profunda bondade,
Buscam lealdade da vida ao léu.

Olho no olho e todo carma inspira,
No íntimo de uma alma iluminada,
Espírito de
tênue tempo se aspira,
Ao sentir sua frágil carne libertada.

Viver o passado à leitura de outrora,
Em harmonia que não se confunda,
O sol e a lua se beijaram na aurora.

Norte e sul abraçam a eterna calma,
E caminham juntos todo esse tempo,
Doce presente que cura a minh’alma.


 

E-co da Sala

Jorge E. Leal


O templo guarda o sentido,
E revela a mente mais pura,
No traço de um livro bem lido,
Deságua a vertente segura.

Não há quem se curve ao aço,
Diante dessa luz que fascina,
O tempo se perde no espaço,
A força do saber nos ensina.

Teus longos cabelos ao vento,
Desenham no ar uma história,
Maravilha emoção de momento,
Charme guardado na memória.

Sonho que fascina meu olhar,
Presença marcante e sensual,
Transforma em lição o tocar,
Em todo esse espetáculo real.

Calcula o contra senso a tempo,
Mas não foge da briga na hora,
Fazendo da sala o seu templo,
Salve-me desse problema agora.

 

 

Elo do Itajuru

Jorge E. Leal

Ponte que transita por nossa vitória,
Onde hoje, gloriosos, nos ligamos;
No vai-vem, cem anos na memória,
Tal qual Ponte de Força que Somos.

Esse aporte de gloriosa trajetória
Fez grande o suporte que amamos,
E nunca desapontou a nossa glória:
Luz, há muito tempo, que sonhamos.

Imo feliz no dia em que erguemos,
Céu sobre o mar, ora desbravados;
Íntimo dessa labuta que vencemos.

Ali nós fizemos nossa escapatória,
Nos tantos caminhos conquistados...
O belo marco dessa nossa História!

 

Emílio: Das letras ou Direito

Jorge E. Leal

Fruto da educação, ser predestinado,
Cidadão que acordou para a vida ver,
Ser um dia útil ou tão desvalorizado,
Compreende o mundo e o próprio ser.

Incompreendido, sem o devido valor,
A natureza perfaz e cumpre seu papel,
Não vive nas sombras, ante seu temor,
Reluz em Oilíme, sob o manto do céu.

Pensa, age e vive conforme sua mente,
Sendo homem pleno, frágil e imperfeito,
Resume-se em sua fé e segue em frente,
Ressurge das feridas um digno sujeito.

Trilhou caminhos difíceis entre montanhas,
Ciclo vital que se renova a cada instante.
Nunca se abate em suas duras campanhas,
Firma-se sempre rumo ao futuro brilhante.

 

Entropia

Jorge E. Leal

O mundo é caótico e traumático,
em que me parecia confortável
acordar desse sonho reles e vil.

Vi-me numa realidade nua e crua,
de desejo e sedução inebriante,
relação fantasiosa em tênue tez.

Que nos permita viver o melhor,
uma vida digna, às vezes obscura;
então faça o seu pior, se puder.

O tempo todo é de intensa guerra,
e quase sempre de pura tristeza,
em crônicas de lutas perdidas.

Legado importante dessa história,
para uma morte doce e sombria,
mas lenta e dolorosa o bastante.

Nos arrefece e encerra o destino...
ou em algum lugar de minha alma,
ainda me resta uma esperança.

Êxtase ViVe

Jorge E. Leal

As curvas do Inhoá Velha Guarda a cantar,
Nas décadas de 70, 80 e 90 época de viver.
Nos tempos antigos começam a relembrar,
Resenha raiz que o tempo não vai esquecer.

Entre lendas da noite e copos pro ar,
Bar do Getúlio e Bar do Zé, o papo fluía.
Histórias de Vila Velha vamos brindar,
No Cabeça e Bar do Brás, quanta alegria!

Bar dos Meninos, Britz e o velho Carioca,
Tem Defume’s, Bar Botequim, Vila Quitanda.
Da Dulci e do Magrinho, a saudade sufoca,
Brisamar e o Vila Botequim na mesma banda.

Cerveja gelada no DiMarino e no Mangue Beer,
Na Cervejaria Bigstep ou no Butteco's Vitalino.
Black Rock, Emmabier, Marlin Azul a interagir,
Fechava a rodada no Jojo's Petiscaria o destino.

Quem curte um som atual este é o sinal,
Do Nook Beach Club ao Mahai e Bombar.
Five Sport Bar e o Blackjack sem igual,
No Parque da Prainha a noite via acabar.

Bambara chamava, Peruggias Lounge vem,
Os grandes salões faziam a cidade vibrar.
Hood Tap Bar trazia o chope que faz bem,
E o Clube Atlético punha o povo a dançar.

O Albatroz, o Libanês e o Olímpico a ferver,
Na pista da Blow Up e Casa Velha agitação.
Club do Glória e ARCI o baile ia amanhecer,
Correria Music Bar era só um na pulsação.

Villa Bohemia e Cafe de la Musique só glória,
A madrugada pedia bis no destino secreto.
Trap Club e Mansion Pop marcaram a história,
Absinto Club e Sayonara não eram só afeto.

Ibiza Hotel Club, Night Club House a acolher,
Pelos caminhos do amor em total discrição.
Star Drinks, Lady Laura a noite preencher,
As cortesãs tão livres viram pura tentação.

Privê Las Vegas ou Yes com seu fulgor,
Gente, encontros ou cantos e noite viva.
Se Kza ou no silêncio do Tipiti sela amor,
E na alma capixaba não fica sem diva.

São memórias de ouro fincadas no coração,
De uma Velha Vila boêmia, eterna tradição.

 

Faces do Amor

Jorge E. Leal

O amor são duas almas em sintonia,
Em estágio de puro reconhecimento.
Sem recompensa, sistema que se avia,
De amizade, lealdade em pura philia.

Paixão e desejo do mais puro eros,
Segurança e beleza sob esse viés.
Natureza de plena convicção, sinceros,
Ou que traz, no tacanho e vil, o revés.

E isso quebrou tantas coisas em mim,
Equilíbrio de uma vida que foi invertida.
Tão autossustentável, que chegou ao fim.

O que se quer? Almas de todo o mundo:
Amor e emoções, uma trincheira sem igual.
Em êxtase, o sentimento mais profundo.

 

Fênix Nau

Jorge E. Leal

A liberdade é uma leda ilusão e triste,
Prende-nos neste mundo imensa dor,
Pois em verdade revela que não existe,
Em cabos tensos se preso o corpo for.


Mantenho resiliência sempre a postos,
Se no caminho muitas dores enfrentei,
Olhar firme aos temporais antepostos,
E nas aventuras possíveis que triunfei.


Enquanto o vento a minha vela soprar,
Singrarei o mar revolto sem algum temor,
Pois sei que após a noite o dia vai chegar,
E na fonte da alma beberei qualquer dor.


E das frescas cinzas eu me reerguerei,
Para um glorioso voo de eterna vitória,
Mesmo se sangrar, com força continuarei,
A fincar meu respeito ao longo da história.


Ao final desta rota frente à última fronteira,
E findar seu curso a valente nau, a jornada,
O barqueiro espera à margem derradeira,
Darei as caras duas moedas pela entrada.



 

Florilégio

 

Jorge E. Leal

Tempo das flores, perfumes e odores,
Mina flor de lótus, viva a lira singela,
Doce flor de maio, espelho de cores,
Última flor do Lácio, inculta e bela!

És, Flor de cera, aborígene brilhante,
Sabor na flor de sal doce, como ouro,
Flor de maracujá, passiflora da paixão,
Tens na flor de plástico, a durabilidade.

Flor de São Miguel, trepadeira constante,
Flor de lis, nobre esplendor, um tesouro,
Flor da pele, em sensual e tensa emoção,
Flor da idade, és a juventude e liberdade!

Haicai


Jorge E. Leal

Finjo no verão,
Não ver outras estações,
Curto as nuances.

 

Incógnita

Jorge E. Leal

Por que as nossas palavras são assim?
Nem melhores, nem piores do que as
dos outros, e não se sabe ao certo…

Talvez porque escrevamos para nós
mesmos, a fim de preencher o nosso
próprio ego e, quanto aos outros…

Escrevemos simplesmente para agradar
ou mesmo impressionar a quem nós
subestimamos, sem nos preocuparmos

realmente com a opinião alheia...
Tolice! Que pena... E continuamos vazios.
Mas a vaidade não mostra a sua face.

A arte de escrever nasce pequena, mas
verdadeira, e se aprimora com o tempo,
face aos desgastes emocionais da vida.

Ou no papel se aceita tudo sem medo
ou razão de ser, e deixamos apenas
uma simples sandice por nós ocorrer.

 

Inconteste


Jorge E. Leal


Se me vires por aí,
nua e crua prótase,
vento no rosto caí,
voando em êxtase.

Com olhares me vê,
em teus sonhos mil,
ainda que tu não crê,
deixais saudade, viu.

Mesmo diante da tua,
iconóstase blindada,
saiba que te vejo nua,
musa de alma sagrada.

Num piscar

Jorge E. Leal
04.06.26

A olhos vistos vimos,
Os olhos da cara nus.
Olhos nos olhos rimos,
Alguns têm olhos jus.

Olhos claros que são,
Fecham os olhos para...
No olho por olho então,
Comer com os olhos sara.

Aos olhos do poder vim,
Olhares atentos veem.
Num piscar de olhos, sim,
De olhos abertos creem.

Aos próprios olhos visto,
Olhares brilhantes se vão.
Crescer muitos olhos nisto,
Visto com bons olhos não.

Nesse eterno vai e vem,
Na trilha da vida caminhar.
De olhos fechados além,
A vida passa num piscar.

 

Ode ao Caos

Jorge E. Leal


Brilha estrela vermelha da ganância,
Queima sementes nos campus elísis.
O ódio enterra a raiz da intolerância,
Ceifa-se o que é bom da terra brasilis.

Rouba-se a construção dessa história,
Apagando-nos ainda o que nos resta.
Não ficando nada em nossa memória,
Só há ressignificação que não presta.

Então acaba o povo sem tua aliança,
Falsas promessas e suas glórias anãs,
Abatem nossa espirituosa esperança.

Enforcam vossa entorpecida liberdade,
Alardeiam um melhor futuro no tempo,
E tudo volta ao normal no céu da cidade.

 

 

 

 

 

 

 

Oia Helena

Jorge E. Leal


O eu ou dessa poesia que sou,
Ora uma flor bela és meu porvir.
Sei não se hoje nem eu me vou,
Para talvez o amanhã dessa partir.

Do ontem o refém me revela,
Imagens ou sons de um sim.
Pintados a mão tua aquarela,
Ânsia que contém o meu jardim.

Cenário de um quadro tão – Oia,
Santo em doces lembranças vãs,
E nos olhos de Helena uma Joia.

Um sapo em ato de rebeldia espraia,
Gritou alto e o choro de velhas anciãs,
No tempo em que a voz valia a vaia.

PanDemônio

Jorge E. Leal

 

O escuro do quarto me abrânda,
No silêncio do sono se corrompe,
E um eco do mundo te comanda.

Não há mais o sopro do vento,
Ou se sobrou mentira alguma,
Sem carne, nem corpo ou alento.

Sinuosa esteira do caminho,
O largo da vida nos consome,
Essa ladeira que trilho sozinho.

O sonho na poeira se assentou,
Sobram doces detalhes da vida,
E uma crua verdade que restou.

Para a porta do mundo se abrir,
Além dessa disputa nada sobrou,
No fim a vida sedenta caminhou.



 

Plectro

Jorge E. Leal


O Poeta Poetizou novamente,
Ou não se o poema foi mais,
De uma poesia ao meu amor.

Se mesmo poemisar a mente,
Poética fez do mundo um cais,
A poetizar ou seja lá como for.

Musa que a palavra não sente,
Nesse eterno poesiar como tais,
Poesias ou sentimentos de dor.

O poeta não se contenta e faz,
Mais uma obra continua mente,
Acordou a reciprocidade da flor.



 

 

Socó-Ema

Jorge E. Leal


Voando, leash firme na canela,
Sentindo o vento e sua direção.
Gracioso mar desenhado na tela,
Espumas ao vento, ritmo do coração.

Remada forte, todo corpo se levanta,
De pés firmes na prancha de leve.
A força das ondas que a todos encanta,
Deslizando rápido pelo tempo em breve.

A quilha morde as ondas com precisão,
Surfando os mares em gran velocidade.
Quebrando o rumo diante da imensidão,
O surfista perde o medo para a liberdade.

A força da manobra que rasga o azul,
Na crista da onda, dança o momento.
O surf espalha beleza de norte a sul,
A rabeta manda seu recado violento.

E nessa manobra feita com firmeza,
O surfista e o mar, numa só realidade.
Surfe o momento, retome com destreza,
A queda que puxa de volta da eternidade.



Verdades

Jorge E. Leal


Verdade que disfarça,
verdade que se cria,
Verdade real. Verdade vazia,
Verdade do Homem.

Verdade que buscamos,
Verdade que vivemos,
Verdades diferentes,
Verdade que aprendemos.

Verdade que sonhamos,
Verdade que queremos,
Verdade é uma só.
Todas variadas!

Verdades e verdades,
Conforme valores,
Emoções e sentimentos.
Verdadeira, verdade plena!




Vícios na Sala

 

Jorge E. Leal


Eu confio em todo mundo,
Mas não confio no demônio,
Que habita aí por dentro, deles.

Pois com o tempo emergem neles,
Nesse horizonte do tempo babilônio,
Em um eterno sonho real e profundo.

Nenhum de vós está aí muito seguro,
Nem tampouco alguns entre nós,
Nesse templo em que máscaras caem.

De volta à cena da vida, carpe diem,
E seguindo desconfiado a trilha veloz,
A confiança foi abatida em ar puro.

 

Zum-zum-zum

Jorge E. Leal


Riu a vizinha ao armar esse quiprocó,
Que envolveu o povo em pleno tralalá.
A paz que reinava foi pro beleléu sem dó,
E o samba-lelê embalou aqui e acolá.

O barraco armado acabou em fuzuê,
Gente e confusão virou um salseiro lá.
E nesse sanhaço escalonou o bunda-lelê,
Mas ninguém quis saber desse bafafá.

Pode até esquecer a dor dessa pindaíba,
Sabendo que a vida não é só lero-lero.
Não fica feito uma songa-monga caída,
E correu livre o menino serelepe, espero.

Quem colocou esse bode na sala viu,
Que linda é a mulher brasileira enfim.
Dona do balaco-baco me olhou e riu,
E com orgulho me disse: aqui é assim!

 

Ana Lej Grama

Jorge E Leal

O tecelão oculto de Runas,
Arquimago de alta linhagem,
Guardião das palavras unas,
Elementos de luz e coragem. 

Bola de fogo em dura virtude,
Sopro desse gelo ancestral,
Cósmica de sutil magnitude,
Força, justiça e verdade real.

Conexão espiritual mística,
Celestial ser de aura bruta,
Crônica de tradição artística.

Jelael Gore em dias dominantes,
Um ancestral de pura resiliência,
Sopro vital das vogais marcantes.





 

 

Bushido

 

Jorge E. Leal

Vaidade e orgulho ao sonho agita,
A ira de um samurai cega essa luz.
Lasciva suruba, carne humana habita,
E o código da lascívia luxúria seduz.

A avareza insana soma ao sorobã,
A preguiça que isola, o peito esfola.
A gula consome a amarga manhã,
A inveja nua nasce, uma queixa rola.

Olhando a gueixa de alma submissa,
O brilho da glória selvagem sucumbiu,
O kamikaze voa alto nessa premissa.

Que erro humano é um bordel sublime,
Que o tempo cobra e nada perdoa,viu?
Que o vazio pecado deixa o seu crime!



 

Cego Delírio

 

Julian Lael (J.E.L)

Enquanto alvorecia o sol, os loucos e alucinados observavam urubus comendo alface debaixo da sombra de uma árvore. Não esperavam, contudo, que caísse do céu um pássaro ferido. Assim que tocou o chão, a ave foi logo consumida pela ânsia de voar. Entorpecidos, os loucos não paravam de sonhar e os alucinados nada entendiam, pois os urubus ali se serviam. E os relógios escorriam pelas paredes sem parar. No fim, acordaram em meio a um lixão, e a realidade os abateu na miséria da vida, sem beneplácitos da mãe natureza querida. Sejam bem-vindos à tribo Taruê Hau-Hau.

Dança Das Oito

Jorge E. Leal

 

O tempo certo a cada hora,
Combate feroz, eterna dança.
O
tatame treme e melhora,
No muay thai a vida avança.

O cruzado esquenta a batalha,
Com jab rápido rasgando o ar.
O uper furando a guarda falha,
No
direto forte para nocautear.

O tip afasta um perigo iminente,
Com prajied só honra e glória.
O
chute baixo cala o oponente,
No
chute alto sobrevoa vitória.

O Cotovelo com corte navalha,
Com ciclo eterno ataque defesa.
O
Joelho duro não deixa falha,
No guerreiro sua real grandeza.

O embalo da guerra dita passo,
Com olhos de águia fita o alvo.
O soco tailandês não tem espaço,
No movimento ninguém é salvo.

O verdadeiro campeão sabe chegar,
Com garra o falcão prende atenção.
O salto
de um tigre a tudo acabar,
No rol frieza, disciplina e emoção.

Livre Saber

Jorge E. Leal

O livre saber não ocupa espaço,
Muito além vai, ajuda a nossa lida.
Não importa pensar no curto passo,
Mas o que se faz de útil nesta vida.

Livros não aceitam sequer fracasso,
De uma prisão escura e esquecida.
O saber deve ser nosso livre abraço,
Uma lição sublime, nobre e merecida.

Por isso, fui um menino que buscava,
Nas páginas amor e o nosso respeito,
E a luz de cada obra ali ele guardava.

A inteligência foge desse vil conceito,
De umas palavras eruditas que trava,
Nessa sábia ação mostra o seu efeito.

 

Lógica Interna

 

Jorge E. Leal

Vilipendio isso, fi-lo porque vi-lo.
Nisso, qui-lo porque li-lo.
Disso, di-la porque ouvi-la.
Ou que, tru-la porque cuida-la?

Isto, fi-lo porque a vi.
Nisto, di-lo porque a ouvi.
Disto, comprei-a porque a quis.
Po
is, trá-la-ei porque a amo?

Nessa, fito-a porque aguardo.
Dessa, busc
o-a porque a quero.
A qual, livro-a porque a prezo!

Nestas, temem-na porque a tesa.
Destas, sentem-na porque as vivem.
Eis que, canto-as porque as amo!



Miscelânea Pan

 

Jorge E. Leal

 

Viajando Em Manhattan, Sonhei,
Nos Braços De Margarita, Inebriante.
Senti O Calor Do Sex On The Beach,
Vi, E Minha Alma Ficou Piña Colada.

Nessa Disputa Acirrada,
Negroni Logo Peguei.
O Espresso Martini No Toque,
De Sex And The City.

Cosmopolitan Em Pura Festa,
Pensei No Calor De Bloody Mary.
Sei Que Foi Muito Hanky Panky,
Tipo Old Fashioned, Amei.

Quando Percebi, O Mojito Estava,
A Reboque Do Aperol Spritz.
Desde Então, O Dry Martini Se Foi,
Rangendo Os Dentes Desta Mescla.

Imortalizando Momentos,
Daiquiri... Não Se Sabe Ao Certo.
Qual Momento, Mistura De Cenas,
Kit Dos Deuses.

On The Rocks,Yeah!
Somos Todos Dry Martini:
É O Que Resta. Disformes.
Lembranças Vãs Da Vida Bio-Tônica.

Cor Do Gosto Amargo, Ou Dor,
Grito Desmedido, Moscow Mule.
Revolta De Uma Vida, De Fases,
Gostar Dessa Sangria.



Muitas Cores E Sabores,
Nesta Manhã Uma Caipirinha.
A La Rabo De Galo, Pressinto,
As Misturas Se Vão... Sobriedade.



E A Vida Continua, São.





Moldura Infinita

Jorge E. Leal

Tão natural, a foz que o rio clama,
Abre-se a tela em viva aquarela.
Desvela o mundo seu panorama,
E brilha o olhar da tímida donzela.

Na moldura que vislumbra a bela,
A cena ganha vida e nos chama.
Eterno quadro d'alma de Cinderela,
Cenário de luz à tarde esparrama.

Um espetáculo que o peito anseia,
A cada episódio que o tempo tece,
Desse grande ecrã a mente clareia.

O mundo aplaude e a noite acontece,
As sete maravilhas surgem em cena,
Momentos da vida faz mise-en-scène.

Multifacetada Face

Jorge E. Leal

O graal sagrado não tem nome,
O ombudsman flutua no além,
Vórtice cósmico o tempo consome,
Por éter na mente cura e faz bem.

O espaço derrete o som do quadrante,
Buscando a verdade na luz do senhor,
Visto a capa daquele representante,
Das almas perdidas sou procurador.

A lente de vidro reflete o calor,
Desvela segredos, a noite ocultou,
Atrás do neon evapora o ouvidor,
Olhar sagaz, o investigador, captou.

O raio laser que quebra a barreira,
Projeta na mente que o medo cegou,
O feroz defensor desfaz a fronteira,
Ecoa gritos que o delator libertou.

Jovens alucinados, um cabisbaixo,
Céus derretidos, o ácido se quis,
Procuram nexo, no avesso abaixo,
A viagem psicodélica encontra raiz.

De pé na jaca, observam urubus,
Dançam no galho da árvore, nuance,
Enquanto comem alface, sábios anus,
No ápice insano, jaz delirante romance.

As cores giram, piso flutuante,
As linhas de luz, o vento levou,
A mente viaja, transe constante,
O sonho psicodélico enfim terminou.

 

Nobre Ofício

 

Jorge E. Leal

Do altar o saber erige nobre missão,
O sábio explicador esclarece a mente,
Em classe, semeia e planta o coração,
A arte de um fiel e dedicado regente.

Ao corpo discente essa jornada revela,
Ser lecionador sempre com eloquência,
Um guia de almas no mundo em tela,
Atento, o preceptor elabora a ciência.

De grande educador ao heroico mestre,
Visão de instrutor, técnico ou catedrático,
Marcas no tempo, esse caminhar adestre.

Da nobreza o tutor orienta o rumo exato,
Diz o bravo orientador ao mentor prático,
Vá, professor, desvendar esse nó abstrato!

Obscuridade bem-vista

Jorge E. Leal

Eu gosto do escuro, da noite,

Da escuridão amiga, escassez,

E não consigo ver este afoite,

Na ausência de luz, a clareza.

Pois sei, não se pode ver nada,

E também não posso ser visto,

Alguns o por do sol não agrada,

Resta a pura ousadia na certeza.

Eis que se pode enxergar o sonho,

Tez de um iconoclasta bem quisto,

O universo encontra seu tamanho,

Estimulo ao crepúsculo da beleza.

Parado o tempo das coisas a mil,

Sua expansão se deve a altivez,

Dessa inconstante cena de perfil,

No silêncio da noite uma tristeza.

A saudade encontra o caminho,

O tempo chora seus espinhos,

Realidade de volta ao escurinho,

E a vida continua com sutileza.

 

Pardieiro

Jorge E. Leal

As paredes de uma casa do cão
contam sempre uma vil história,
façanha vivida nesse prédio vão,
em mil pedaços de pobre memória.

Uma pequena viagem que destoa,
ingratidão desse tempo por dentro,
para uns, uma pura bobagem ecoa,
 a outros, grandioso frágil momento.

Das lembranças que viram lenda,
se espalham cinzas livres ao vento,
em nada ajudou o mito nessa tenda,
muito desnecessário para o momento.

E ou se um dia teve algum brilho,
hoje a saudade jaz, virou reles pó.
De amanhã não passará ao trilho,
nesse caminho estreito e tão só.

 

Punk Pra Sempre

Jorge E. Leal

Mundo em que a batalha não é justa,
Jaqueta podre cara a cara da burguesia,
Há o lamaçal e cicatriz, em nada custa,
Ecoando em uma grande e vã agonia.

Rasgando o véu de toda hipocrisia,
Coturno que chuta o mundo inteiro,
Nem o som ecoa tão rápido, certeiro,
Da bota bosta que sepulta a simpatia.

Corpos unidos nojentos, em protesto,
Cospem o ódio contra os governantes,
Fazendo o caos seu alimento indigesto.

O nojo é real se a distância se encurta,
Na miséria habita o terno que sacaneia,
Cidade fria que na ganância nos surta.



 

Redenção

 

Jorge E. Leal

Deixar a minha herança é favor,
Nem toda perda é uma tragédia,
Abri as portas para o novo amor,
Deus quebra toda a antiga rédia.

E o que importa é se confiamos,
Um romper de laços do velho tédio,
Segue a coragem que mui amamos,
E a nova vida encontra o remédio.

Jornada que a alma então trilha,
E velhos medos ficam para trás,
Sonhos ganham força que já brilha.

Uma superação que gera paz,
Só doado a quem hoje é família,
Ao monte que o destino nos traz.

Roma Enila

Jorge E. Leal

E ela passa por um momento,
Penso na força do seu olhar.
Alma boa que ignora o vento,
Vejo-a serena a vida desnudar.

Oba! O mundo ganha mais cor,
Ela segue firme em seu papel.
É imparável o seu grande valor,
Como uma estrela brilha no céu.

Ali caminha Enila, pura beleza,
Né, sua silhueta desenha o luar,
Graciosa na sala da natureza.


Veste um véu de noiva comigo,
Ao mundo cedo o encanto com fé,
E carrego o tempo do amor amigo.



 

 

 

Sem Censura

 

Jorge E. Leal

Certa vez, um ditador inocente
Sussurrou ao censor de plantão,
Sobre o poder fiscal que também
Pertence à vil corpo-oração.

Mas que outrora o revisor tal,
Passou o crivo maior ao gran
Examinador sorridente, com total
Julgamento, sem qualquer perdão.

Enquanto a restrição se impõe e
A proibição descontrola a mente,
Parece que foi ontem toda essa
Famigerada repressão demente.

É o mais duro e vil cerceamento,
Dissimulado na reprovação, que
Apressa o julgo do cancelamento.

Até que os olhares de condenação
Determinem a mea-culpa em vão,
Disfarçados por tênue admoestação.

 



 

Sobra da Vida

Jorge E. Leal

A terra a tudo acolhe e consome,
Recebe a sobra do ralo na pista.
Como um bicho, não sei o nome,
O pássaro espalha
titica à vista.

O gato na areia esconde a caca,
A criança de cocô, no pote desce.
A primeira vitória que se destaca,
No campo alimenta o que cresce.

E o solo agradece o rico esterco,
Pisa a calçada e a sorte esquece.
Grita alto sobre a
bosta do beco,
A física na vida tudo transforma.

Fica o dejeto que a água conduz,
O e
xcremento que segue a norma.
A ciência estuda o que a terra traduz,
O corpo funciona na limpeza da forma.

A expulsão de fezes é o fim do trajeto,
Atrás do biombo ou debaixo de redes.
Cumpre-se o rito nº dois bem secreto,
Dia inacabado se fecha entre paredes.

A vida até parece uma grande merda,
Lembre-se do mundo, agora renovado,
Enfim, a sobra não pode haver perda.

 

Tempo Sem Dono 

Jorge E. Leal

O tempo corre e nunca nos espera,
Ele não é de escolha sua ou minha,
Ninguém controla sua eterna esfera,
Não cansa, não recua, não definha.

Não está a nosso dispor nesta era,
Ninguém para ou muda sua linha,
E quem o subestima desespera,
Em rápida fração não se alinha.

Pode-se até estimar quanto ele tem,
O tempo corre célere, sem parar,
E teu prazo já findou muito aquém.

Não mude o passo para o esperar,
Pois o teu tempo já passou além,
Enquanto a vida tece o caminhar.



 



Tempos de Guerra

Jorge E. Leal

Primeira guerra, conflitos ancestrais,
Guerras médicas, combates e atritos,
Segunda guerra, batalhas mundiais,
Terra queimada, silêncio e detritos.

Guerra de mil dias, caos e escudos,
Carne e sangue contra o frio metal,
Fome severa em terras de Canudos,
Lama e trincheira, horror sem igual.

Velhos impérios em brigas e lutas,
Púnica, fria, imersas em sangue real,
Saxões ou persas nessas disputas,
Erguem-se gritos da terra mortal.

Guerra terrorista, puro estopim,
Suja, nuclear, é flagelo infernal,
Luzes apagadas, eclipse
no fim,
Terceira guerra o inferno astral.



Tempos de Guerra IV

Jorge E. Leal

Primeira guerra, conflitos ancestrais,
Guerras médicas, combates e atritos,
Segunda guerra, batalhas mundiais,
Terra queimada, silêncio e detritos.

Guerra de mil dias, caos e escudos,
Carne e sangue contra o frio metal,
Fome severa em terras de Canudos,
Lama e trincheira, horror sem igual.

Velhos impérios em brigas e lutas,
Púnica, fria, imersas em sangue real,
Saxões ou persas nessas disputas,
Erguem-se gritos da terra mortal.

Guerra terrorista, puro estopim,
Suja, nuclear, é flagelo infernal,
Luzes apagadas, eclipse do fim,
Terceira guerra é o inferno astral.



A poema · Julian Lael · 2026
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