Obscuridade bem-vista
Jorge E. Leal
Eu gosto do escuro, da noite,
Da escuridão amiga, escassez,
E não consigo ver este afoite,
Na ausência de luz, a clareza.
Pois sei, não se pode ver nada,
E também não posso ser visto,
Alguns o por do sol não agrada,
Resta a pura ousadia na certeza.
Eis que se pode enxergar o sonho,
Tez de um iconoclasta bem quisto,
O universo encontra seu tamanho,
Estimulo ao crepúsculo da beleza.
Parado o tempo das coisas a mil,
Sua expansão se deve a altivez,
Dessa inconstante cena de perfil,
No silêncio da noite uma tristeza.
A saudade encontra o caminho,
O tempo chora seus espinhos,
Realidade de volta ao escurinho,
E a vida continua com sutileza.
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