Jorge E. Leal

A terra a tudo acolhe e consome,
Recebe a sobra do ralo na pista.
Como um bicho, não sei o nome,
O pássaro espalha
titica à vista.

O gato na areia esconde a caca,
A criança de cocô, no pote desce.
A primeira vitória que se destaca,
No campo alimenta o que cresce.

E o solo agradece o rico esterco,
Pisa a calçada e a sorte esquece.
Grita alto sobre a
bosta do beco,
A física na vida tudo transforma.

Fica o dejeto que a água conduz,
O e
xcremento que segue a norma.
A ciência estuda o que a terra traduz,
O corpo funciona na limpeza da forma.

A expulsão de fezes é o fim do trajeto,
Atrás do biombo ou debaixo de redes.
Cumpre-se o rito nº dois bem secreto,
Dia inacabado se fecha entre paredes.

A vida até parece uma grande merda,
Lembre-se do mundo, agora renovado,
Enfim, a sobra não pode haver perda.

 

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