não importa a relação
a quem se entrega as mãos
nem o quanto seja ou não saudável
quem convive sabe
ou deveria
há de trilhar por rotas obscuras
enxergar além da superfície
o amor é um inferno quase intocável
quase ninguém ousa alcançar a colina
percorrer por entre rios lodosos
dormir no breu das horas desgovernadas
atravessar a negra floresta
entrelaçados e certos
da impossibilidade da desunião
ante o castelo da ruína da maldade
vozes odores dores horrores
toda a agonia em um só corpo
quem ama trevosamente sabe
só há uma lei
troca-se tudo menos nossas almas
mudam-se os tempos
nunca nossas vontades
dois são um
e uma é a estrela
o sonho verdadeiro
a libertinagem infinita
faremos o que quisermos
onde está você meu amor
em que tempo nos desencontramos
na travessia.
(kátia surreal: 16/9/2026)

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