Sem Censura
Jorge E. Leal
Certa vez, um ditador inocente
Sussurrou ao censor de plantão,
Sobre o poder fiscal que também
Pertence à vil corpo-oração.
Mas que outrora o revisor tal,
Passou o crivo maior ao gran
Examinador sorridente, com total
Julgamento, sem qualquer perdão.
Enquanto a restrição se impõe e
A proibição descontrola a mente,
Parece que foi ontem toda essa
Famigerada repressão demente.
É o mais duro e vil cerceamento,
Dissimulado na reprovação, que
Apressa o julgo do cancelamento.
Até que os olhares de condenação
Determinem a mea-culpa em vão,
Disfarçados por tênue admoestação.
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