cíclico
Cíclico.
Sempre me apego
até deixar de existir em mim.
Vivo em função de um amor,
acreditando que, dessa vez,
alguém sentiria por mim
a mesma intensidade
com que sinto pelo outro.
Mas nunca é diferente.
A história muda de rosto,
de nome,
de voz,
mas o final permanece exatamente igual.
Já aconteceu tantas vezes
que até o sofrimento parece decorado.
O meu amor cresce,
silencioso,
fiel,
quase absurdo.
Enquanto o amor do outro diminui aos poucos,
como fogo fraco
que não suporta o tempo.
Eu continuo queimando,
cada vez mais intenso,
enquanto o outro vira fumaça,
cinza,
lembrança.
Essa sempre foi a diferença entre mim e eles.
Eu amava mais a cada dia.
Eles me amavam menos
dia após dia.
E talvez o mais cruel
seja perceber que nunca foi sobre uma pessoa.
É um ciclo.
Sempre alguém indo embora
enquanto eu fico,
tentando salvar sozinho
um amor que já acabou do outro lado.
Cíclico.
Sempre igual.
Sempre eu,
me consumindo inteiro
por pessoas que me amavam só no começo.
Carlos Roque
28/05/2026
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