Balanço das araucárias

Na minha boca só mantenho

a sua pele, os seus beijos

e as melhores e mais finas palavras

misturadas com o aroma 

do chá da macela reservada da colheita; 

E não o que desejam incutir

para nos manter desorientados;

para nos fazer distanciados.  

 

Os lábios e a carícias veneram  

tudo o que se descobre em veios

de ágata deste nosso sul brasileiro 

com o norte molhados de desejo

pelos teus lábios bonitos e capazes

de fundir com arte elevada o ródio. 

 

Porque se eu for me perder

que seja na perfeição dos teus traços,

para que o prêmio nos tornemos laços

entre trocas e voluptuosos abraços.

 

O alucinante, o arrebatador e o viciante

definirão rumo aos nossos passos.

O flerte com a imprevisibilidade,

dissolução de um no outro,

a elegância, a abertura e a multiplicação,

trazendo à tona a inevitabilidade

das polaridades em perfeita rendição.

 

No painel ordinário dos dias

escrever, pintar e desenhar,

para no cotidiano formas dar

com as nossas cores suntuosas,

inspiradoras e inesquecíveis,

para que nos sintamos incríveis.

 

O corpo e a mente merecem

a concessão de alternância

para que o amor e o auge liderem,

e a intimidade escreva bela,

reservada e totalmente protegida

ao som do balanço das araucárias.

 

Para que a hierarquia natural

de quem dá e recebe prazer seja

preservada das influências externas,

para que a reverência não se perca.

 

Da elegância e rendição existencial

alcancem a pavimentação perfeita,

para que a polaridade se afine

de forma a entender e só responder

os nossos códigos de prazer

sensoriais, secretos e sagrados.

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