GELOSIA
Paulo Sérgio Rosseto
O amor às vezes enguiça
Nos estreitos da treliça
Quando o sentimento coa
E os significados
Recobrem-se de incertezas
Todo o resto que desama
Escorre do ciúme por frestas
Inventa o que não vê nas fendas
Descompleta e desconfia
A língua não alcança
O corpo não se entrega
O olho espreita e pouco enxerga
Amor de verdade não mascara
Ele se cabe em palavra repartida
Se a frase pouco enche a boca
Se a boca se proíbe de gostos
Se os gestos escorrem feito restos
Pelo ralo da pia
É farsa distopia
Amor deve ter luz e vento
Que se esmiúçam juntos
Pelos vãos da gelosia
@psrosseto
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