SILÊNCIO OCULTO
Deixa-me só, num campo invisível, a chorar por dentro.
Deixa o céu escurecer, para não assistir ao meu pranto;
deixa-me
ser apenas sombra entre sombras,
eco perdido onde o vento já esqueceu o meu nome.
Não acendas as estrelas esta noite.
Elas não precisam de aprender a tristeza
que floresce sem cor no peito de quem ama
e, ainda assim, permanece sem abrigo.
Que a terra receba as lágrimas sem perguntas,
como recebe a chuva de um tempo invernoso.
Que cada gota se esconda nas raízes profundas,
alimentando flores que jamais verei nascer.
Não me procures enquanto o silêncio me veste.
Há dores que só encontram descanso
quando nenhum olhar lhes pede explicação,
quando nenhuma voz lhes exige esperança.
E se um dia o amanhecer insistir em chegar,
que venha devagar, sem promessas grandiosas.
Talvez descubra que, entre os escombros da noite,
ainda pulsa um coração cansado, mas inteiro.
Até lá, deixa-me só,
neste campo que ninguém vê,
onde o mundo continua a respirar
e eu aprendo, em segredo, a sobreviver neste vazio.
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