A inquietação que não tinha nome

Havia um silêncio
que não era ausência.

Era uma presença discreta,
sentada entre os dias,
esperando que alguém
lhe perguntasse o nome.

Tudo parecia permanecer
no mesmo lugar.

O relógio cumpria as horas.

As janelas continuavam abertas.

As pessoas sorriam
como sempre sorriram.

Mas alguma coisa,
impossível de apontar,
já não cabia
na antiga maneira de existir.

Nem toda mudança
chega fazendo ruído.

Algumas apenas
afrouxam lentamente
as certezas,
até que a alma descubra
que crescer
é deixar de caber
na própria pele.

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