biamundal

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n.  , Bergen, Noruega

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Quando o dia termina em silêncio

Há dias que chegam vestidos de promessa,
como se trouxessem nas mãos
o direito de florescer.

Mas, às vezes, a noite cai cedo,
mesmo quando o relógio insiste em dizer
que ainda é dia.

Existem datas
que não doem pela passagem do tempo,
mas pela ausência do que se esperava encontrar.

O abraço que não veio.
A presença que escolheu a distância.
A mesa posta para afetos
que nunca se sentaram.

Então, o silêncio ocupa cada canto,
e a casa parece maior
do que o coração consegue habitar.

Ainda assim,
há algo que permanece intacto.

Nenhuma indiferença
é capaz de diminuir um coração que sabe amar.

Nenhuma ausência
tem o poder de apagar uma vida inteira de luz.

Porque existem dias
que não nascem para serem felizes.

Nascem para revelar,
com a delicadeza amarga da verdade,
quais lugares já não conseguem aquecer a alma.

E, quando isso acontece,
talvez o presente escondido na dor
não seja a tristeza.

Seja a coragem.

A coragem de compreender
que recomeços nem sempre chegam sorrindo.

Às vezes,
eles apenas se sentam ao lado do silêncio
e esperam, pacientemente,
que o coração descubra
que merece voltar a ser casa de si mesmo.

 

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Poemas

27

Quando o dia termina em silêncio

Há dias que chegam vestidos de promessa,
como se trouxessem nas mãos
o direito de florescer.

Mas, às vezes, a noite cai cedo,
mesmo quando o relógio insiste em dizer
que ainda é dia.

Existem datas
que não doem pela passagem do tempo,
mas pela ausência do que se esperava encontrar.

O abraço que não veio.
A presença que escolheu a distância.
A mesa posta para afetos
que nunca se sentaram.

Então, o silêncio ocupa cada canto,
e a casa parece maior
do que o coração consegue habitar.

Ainda assim,
há algo que permanece intacto.

Nenhuma indiferença
é capaz de diminuir um coração que sabe amar.

Nenhuma ausência
tem o poder de apagar uma vida inteira de luz.

Porque existem dias
que não nascem para serem felizes.

Nascem para revelar,
com a delicadeza amarga da verdade,
quais lugares já não conseguem aquecer a alma.

E, quando isso acontece,
talvez o presente escondido na dor
não seja a tristeza.

Seja a coragem.

A coragem de compreender
que recomeços nem sempre chegam sorrindo.

Às vezes,
eles apenas se sentam ao lado do silêncio
e esperam, pacientemente,
que o coração descubra
que merece voltar a ser casa de si mesmo.

 

14

Prelúdio

Há dias em que a vida fala alto.
Em outros, sussurra tão baixo que apenas a alma consegue ouvir.

Este livro nasceu para esses dois momentos.

Não pretende ensinar caminhos nem oferecer respostas. Apenas caminhar ao lado de quem, por algum instante, precisa de uma palavra que faça companhia.

Se algum verso encontrar você exatamente quando precisava ser encontrado, então esta sinfonia terá cumprido o seu papel.

55

O Despertar

A inquietação que não tinha nome

Havia um silêncio
que não era ausência.

Era uma presença discreta,
sentada entre os dias,
esperando que alguém
lhe perguntasse o nome.

Tudo parecia permanecer
no mesmo lugar.

O relógio cumpria as horas.

As janelas continuavam abertas.

As pessoas sorriam
como sempre sorriram.

Mas alguma coisa,
impossível de apontar,
já não cabia
na antiga maneira de existir.

Nem toda mudança
chega fazendo ruído.

Algumas apenas
afrouxam lentamente
as certezas,
até que a alma descubra
que crescer
é deixar de caber
na própria pele.

39

Quando a alma atravessa a tempestade

Há tempestades

que não escurecem
o céu.

Escurecem
o olhar.

Chegam
sem vento,

sem trovões,

sem qualquer aviso
que o mundo
consiga perceber.

Por fora,

a vida
continua.

As horas
seguem.

As pessoas
passam.

Mas, por dentro,

tudo parece
procurar
um lugar
onde ainda exista
alguma luz.

A alma,
cansada,

questiona
os próprios caminhos.

Duvída
da própria força.

Esquece,
por instantes,

que já atravessou
outras noites.

Há momentos
em que a única coragem
possível

é continuar.

Não porque
a dor tenha diminuído,

mas porque
parar
já não parece
uma escolha.

E cada pequeno passo,

mesmo inseguro,

torna-se
um ato silencioso
de esperança.

As tempestades
não existem
para provar
que a luz acabou.

Existem
para revelar

o quanto ela
é preciosa.

Porque, depois
de enfrentar
os ventos mais fortes,

a alma
já não procura
uma vida
sem tempestades.

Procura apenas

um lugar
onde consiga
permanecer inteira,

mesmo
quando o céu
ainda está
nublado.

E é nesse instante,

quando tudo
parece permanecer
cinzento,

que nasce
a descoberta
mais delicada
da travessia:

a luz
nunca esteve
apenas
no horizonte.

Ela também
habitava,

em silêncio,

o coração

que escolheu
continuar.

15

A inquietação que não tinha nome

Havia algo diferente.

Não era tristeza.

Também não era felicidade.

Era apenas um silêncio
que se instalava por dentro
sempre que o mundo
ficava em paz.

Os dias seguiam iguais.

O relógio cumpria seu ofício.

As estações mudavam de roupa.

As pessoas sorriam,
planejavam,
corriam.

Mas havia uma parte da alma
que já não acompanhava
o mesmo ritmo.

Era como ouvir,
ao longe,
uma melodia
que ninguém mais parecia escutar.

Tentou dar nomes.

Chamou de cansaço.

Depois de saudade.

Mais tarde,
de medo.

Nenhum deles serviu.

Porque algumas inquietações
não nascem da dor.

Nascem do crescimento.

São sementes rompendo a terra,
raízes procurando profundidade,
asas descobrindo
que já não pertencem ao chão.

Há mudanças
que começam muito antes
de qualquer decisão.

Primeiro,
a alma deixa de caber
na vida que conhecia.

Depois,
o coração aprende
a desejar horizontes
que os olhos
ainda não conseguem enxergar.

E só muito tempo depois
a mente compreende
aquilo que o silêncio
já sabia desde o início:

a inquietação
nunca foi um problema.

Era apenas a vida
chamando,
com delicadeza,
para um lugar
onde ainda não existiam
palavras,

mas já existia
destino.

36

PRIMEIRO MOVIMENTO

O Despertar

A vida raramente muda de uma vez.
Antes da transformação, existe um incômodo silencioso.

Poemas:

  • A inquietação que não tinha nome
  • O vazio entre um dia e outro
  • Nem toda ausência faz barulho
  • Quando o coração entende antes da mente
  • A pauta invisível da alma
  • As perguntas que ninguém responde
  • A noite acende os medos
  • A beleza de continuar sem ter certeza
15

A solidão também faz companhia

Há uma solidão
que machuca.

É aquela
que chega
sem ser esperada,

ocupando
o espaço
das vozes,
dos abraços,
das presenças.

Mas existe outra.

Mais silenciosa.

Mais paciente.

Ela não afasta.

Aproxima.

É na companhia
da própria solidão

que muitas respostas
encontram coragem
para nascer.

Sem o ruído
das expectativas.

Sem a pressa
de corresponder.

Sem a necessidade
de parecer.

No começo,

o silêncio
assusta.

Depois,

ensina.

Mostra
que há uma casa
por dentro

esperando
ser habitada.

E que ninguém
pode viver nela
em nosso lugar.

A solidão
não é sempre
um vazio.

Às vezes,

é um encontro.

É quando
a própria companhia
deixa de ser
desconforto

e passa
a ser abrigo.

Então,

o que antes
parecia ausência

transforma-se
em espaço.

Espaço
para respirar.

Para escutar
o coração.

Para reconhecer
a própria voz.

Porque há um momento
em que a solidão
deixa de ser
o lugar
onde falta alguém.

E se torna

o lugar
onde finalmente
alguém

se encontra.

16

Os pensamentos que assustam sem acontecer

Nem toda tempestade
chega ao céu.

Algumas nascem
inteiras
na imaginação.

São nuvens
feitas de possibilidades,

ventos
que sopram
apenas dentro da mente.

Um pensamento
chama outro.

Que chama outro.

E, sem perceber,

o coração
já corre
de perigos
que nunca existiram.

A noite parece mais longa.

O silêncio,
mais pesado.

Cada ausência
transforma-se
em despedida.

Cada demora,
em perda.

Cada incerteza,
em destino.

Mas a vida
raramente segue
o roteiro
escrito pelo medo.

Enquanto a mente
constrói labirintos,

o tempo
continua abrindo
portas
que ainda não podiam
ser vistas.

Há um instante
em que o pensamento
se cansa
de inventar futuros,

e o presente,
paciente como sempre,

estende a mão
e lembra:

nem tudo
o que assusta
é verdade.

Algumas sombras
existem apenas
porque a luz
ainda não chegou.

E quando ela chega,

descobre-se
que o caminho
nunca esteve cercado
de monstros.

Apenas de dúvidas

esperando
que a serenidade
lhes devolvesse
o verdadeiro tamanho.

23

Nem toda ausência faz barulho

Há partidas
que não fecham portas.

Continuam morando
nos mesmos lugares.

Sentam-se
à mesa.

Dormem
na mesma cama.

Respondem
às mesmas perguntas.

Mas já não habitam
o mesmo encontro.

Nem toda ausência
vai embora.

Algumas apenas
deixam de permanecer.

E é nesse silêncio,
quase imperceptível,

que o coração aprende

que proximidade
e presença
nunca foram
a mesma coisa.

27

A beleza de continuar sem ter certeza

Nem toda estrada
oferece placas.

Nem todo horizonte
permite enxergar
o destino.

Há momentos
em que viver
é apenas dar
o próximo passo.

Sem garantias.

Sem promessas.

Sem saber
o que espera
depois da curva.

E, curiosamente,

é justamente aí
que mora
a beleza.

Porque quem conhece
o final de todas as histórias

jamais experimenta
o encanto
das descobertas.

Continuar
não é ausência de medo.

É escolher caminhar
mesmo quando
a esperança
é pequena.

A vida
raramente revela
o mapa inteiro.

Entrega apenas
o suficiente

para que a coragem
continue andando.

21

Livros

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Comentários (1)

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É... tá danado. O garoto aqui precisa de mais tempo sutil para digerir tais belezas expostas nessa vitrina: rubis diamantes esmeraldas pérolas patês rocamboles castanhas-do-pará surubins camarões lagostas pães diversos fogos-de-artifício, enfim, como disse o amigo Dostoiévski, "a beleza salvará o mundo". Bia chegou a mil. Darlan