Quando a alma atravessa a tempestade
Há tempestades
que não escurecem
o céu.
Escurecem
o olhar.
Chegam
sem vento,
sem trovões,
sem qualquer aviso
que o mundo
consiga perceber.
Por fora,
a vida
continua.
As horas
seguem.
As pessoas
passam.
Mas, por dentro,
tudo parece
procurar
um lugar
onde ainda exista
alguma luz.
A alma,
cansada,
questiona
os próprios caminhos.
Duvída
da própria força.
Esquece,
por instantes,
que já atravessou
outras noites.
Há momentos
em que a única coragem
possível
é continuar.
Não porque
a dor tenha diminuído,
mas porque
parar
já não parece
uma escolha.
E cada pequeno passo,
mesmo inseguro,
torna-se
um ato silencioso
de esperança.
As tempestades
não existem
para provar
que a luz acabou.
Existem
para revelar
o quanto ela
é preciosa.
Porque, depois
de enfrentar
os ventos mais fortes,
a alma
já não procura
uma vida
sem tempestades.
Procura apenas
um lugar
onde consiga
permanecer inteira,
mesmo
quando o céu
ainda está
nublado.
E é nesse instante,
quando tudo
parece permanecer
cinzento,
que nasce
a descoberta
mais delicada
da travessia:
a luz
nunca esteve
apenas
no horizonte.
Ela também
habitava,
em silêncio,
o coração
que escolheu
continuar.
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