A solidão também faz companhia

Há uma solidão
que machuca.

É aquela
que chega
sem ser esperada,

ocupando
o espaço
das vozes,
dos abraços,
das presenças.

Mas existe outra.

Mais silenciosa.

Mais paciente.

Ela não afasta.

Aproxima.

É na companhia
da própria solidão

que muitas respostas
encontram coragem
para nascer.

Sem o ruído
das expectativas.

Sem a pressa
de corresponder.

Sem a necessidade
de parecer.

No começo,

o silêncio
assusta.

Depois,

ensina.

Mostra
que há uma casa
por dentro

esperando
ser habitada.

E que ninguém
pode viver nela
em nosso lugar.

A solidão
não é sempre
um vazio.

Às vezes,

é um encontro.

É quando
a própria companhia
deixa de ser
desconforto

e passa
a ser abrigo.

Então,

o que antes
parecia ausência

transforma-se
em espaço.

Espaço
para respirar.

Para escutar
o coração.

Para reconhecer
a própria voz.

Porque há um momento
em que a solidão
deixa de ser
o lugar
onde falta alguém.

E se torna

o lugar
onde finalmente
alguém

se encontra.

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