biamundal

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n.  , Bergen, Noruega

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Quando o amor não encontra abrigo

Tudo foi feito por amor.
Cada espera, cada gesto,
cada silêncio engolido,
cada tentativa de permanecer.

Onde havia cuidado,
chegou a indiferença.
Onde havia entrega,
nasceu a distância.

É estranho quando o coração oferece abrigo
e encontra tempestade.
Quando estende as mãos
e recebe o vazio.

Mas o amor verdadeiro
não se mede pelo que voltou.
Revela-se pelo que foi capaz de oferecer
sem deixar de ser amor.

Há perdas que não diminuem quem ama.
Apenas revelam
que nem todos sabem acolher
o que receberam.

E chega um tempo
em que o amor deixa de insistir
não por ter acabado,
mas porque compreendeu
que também merece repousar.

Então, em vez de continuar pedindo morada
onde nunca houve espaço,
segue seu caminho em silêncio,
levando consigo
a dignidade de quem amou
e a liberdade de voltar a pertencer a si.

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Poemas

7

A pauta invisível da alma

Todos os dias
a vida escreve
uma pauta invisível.

Não sobre compromissos.

Nem sobre horários.

Mas sobre aquilo
que realmente importa.

Há dias
em que o exercício
é perdoar.

Outros,
é partir.

Às vezes,
é permanecer.

Em silêncio.

Às vezes,
é aprender
que descansar
também é coragem.

A alma
raramente grita.

Prefere pequenos sinais.

Uma inquietação.

Uma paz inesperada.

Um encontro.

Uma lágrima
que nasce
sem motivo aparente.

Quem aprende
a ouvir essa linguagem

descobre
que a vida inteira
sempre esteve
tentando ensinar
a mesma canção.

1

Quando o coração entende antes da mente

Há verdades
que não pedem licença.

Chegam silenciosas,
ocupam um espaço antigo
e transformam tudo
sem mover uma única parede.

A mente insiste
em construir explicações.

Revê lembranças.

Calcula possibilidades.

Procura respostas
onde já não existem perguntas.

Mas o coração
não conhece argumentos.

Reconhece apenas
o que floresce
e o que já secou.

Antes que os olhos percebam,
ele já sabe.

Antes que a voz confesse,
ele já silencia.

Há despedidas
que começam por dentro
muito antes
de alcançarem o mundo.

E talvez essa seja
a mais delicada das sabedorias:

aceitar que o coração,
às vezes,

chega primeiro.

1

Nem toda ausência faz barulho

Há partidas
que não fecham portas.

Continuam morando
nos mesmos lugares.

Sentam-se
à mesa.

Dormem
na mesma cama.

Respondem
às mesmas perguntas.

Mas já não habitam
o mesmo encontro.

Nem toda ausência
vai embora.

Algumas apenas
deixam de permanecer.

E é nesse silêncio,
quase imperceptível,

que o coração aprende

que proximidade
e presença
nunca foram
a mesma coisa.

2

O vazio entre um dia e outro

Existe um instante
entre o ontem
e o amanhã

em que a vida
não sabe
se termina
ou recomeça.

É um lugar
sem placas.

Sem respostas.

Sem promessas.

Apenas um espaço
onde tudo parece suspenso.

É justamente ali,
naquilo que parece vazio,

que a esperança
começa a criar raízes
sem fazer barulho.

3

O Despertar

A inquietação que não tinha nome

Havia um silêncio
que não era ausência.

Era uma presença discreta,
sentada entre os dias,
esperando que alguém
lhe perguntasse o nome.

Tudo parecia permanecer
no mesmo lugar.

O relógio cumpria as horas.

As janelas continuavam abertas.

As pessoas sorriam
como sempre sorriram.

Mas alguma coisa,
impossível de apontar,
já não cabia
na antiga maneira de existir.

Nem toda mudança
chega fazendo ruído.

Algumas apenas
afrouxam lentamente
as certezas,
até que a alma descubra
que crescer
é deixar de caber
na própria pele.

3

Quando o amor não encontra abrigo

Tudo foi feito por amor.
Cada espera, cada gesto,
cada silêncio engolido,
cada tentativa de permanecer.

Onde havia cuidado,
chegou a indiferença.
Onde havia entrega,
nasceu a distância.

É estranho quando o coração oferece abrigo
e encontra tempestade.
Quando estende as mãos
e recebe o vazio.

Mas o amor verdadeiro
não se mede pelo que voltou.
Revela-se pelo que foi capaz de oferecer
sem deixar de ser amor.

Há perdas que não diminuem quem ama.
Apenas revelam
que nem todos sabem acolher
o que receberam.

E chega um tempo
em que o amor deixa de insistir
não por ter acabado,
mas porque compreendeu
que também merece repousar.

Então, em vez de continuar pedindo morada
onde nunca houve espaço,
segue seu caminho em silêncio,
levando consigo
a dignidade de quem amou
e a liberdade de voltar a pertencer a si.

Quando o dia termina em silêncio

Há dias que chegam vestidos de promessa,
como se trouxessem nas mãos
o direito de florescer.

Mas, às vezes, a noite cai cedo,
mesmo quando o relógio insiste em dizer
que ainda é dia.

Existem datas
que não doem pela passagem do tempo,
mas pela ausência do que se esperava encontrar.

O abraço que não veio.
A presença que escolheu a distância.
A mesa posta para afetos
que nunca se sentaram.

Então, o silêncio ocupa cada canto,
e a casa parece maior
do que o coração consegue habitar.

Ainda assim,
há algo que permanece intacto.

Nenhuma indiferença
é capaz de diminuir um coração que sabe amar.

Nenhuma ausência
tem o poder de apagar uma vida inteira de luz.

Porque existem dias
que não nascem para serem felizes.

Nascem para revelar,
com a delicadeza amarga da verdade,
quais lugares já não conseguem aquecer a alma.

E, quando isso acontece,
talvez o presente escondido na dor
não seja a tristeza.

Seja a coragem.

A coragem de compreender
que recomeços nem sempre chegam sorrindo.

Às vezes,
eles apenas se sentam ao lado do silêncio
e esperam, pacientemente,
que o coração descubra
que merece voltar a ser casa de si mesmo.

 

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