Quando o coração entende antes da mente
Há verdades
que não pedem licença.
Chegam silenciosas,
ocupam um espaço antigo
e transformam tudo
sem mover uma única parede.
A mente insiste
em construir explicações.
Revê lembranças.
Calcula possibilidades.
Procura respostas
onde já não existem perguntas.
Mas o coração
não conhece argumentos.
Reconhece apenas
o que floresce
e o que já secou.
Antes que os olhos percebam,
ele já sabe.
Antes que a voz confesse,
ele já silencia.
Há despedidas
que começam por dentro
muito antes
de alcançarem o mundo.
E talvez essa seja
a mais delicada das sabedorias:
aceitar que o coração,
às vezes,
chega primeiro.
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