A noite acende os medos
Quando o dia se recolhe,
o silêncio cresce.
As distrações adormecem.
E aquilo que permaneceu escondido
durante horas
aproxima-se devagar.
A noite
não cria medos.
Apenas ilumina
os que o movimento
conseguia esconder.
É por isso
que algumas madrugadas
parecem tão longas.
Nelas,
o coração conversa
com tudo aquilo
que fingiu não sentir.
Mas nenhuma noite
permanece para sempre.
Até o medo
cansa de escurecer.
E quando o primeiro raio
toca a janela,
descobre-se
que muitas tempestades
existiam apenas
na imaginação.
Ainda assim,
elas ensinaram
a valorizar
a chegada da luz.
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