O peso da culpa
A culpa
raramente faz barulho.
Ela prefere
o silêncio.
Senta-se ao lado da memória
e começa,
pacientemente,
a reescrever
o passado.
Mostra palavras
que poderiam ter sido ditas.
Escolhas
que poderiam ter sido outras.
Silêncios
que talvez devessem
ter sido rompidos.
E, pouco a pouco,
convence o coração
de que carregá-la
é uma forma
de reparar
o irreparável.
Mas o tempo
não caminha
para trás.
Nenhum arrependimento
desfaz um instante.
Nenhuma culpa
apaga uma dor.
A vida
não pede
que alguém
se torne prisioneiro
dos próprios erros.
Pede apenas
que aprenda
com eles.
Porque até as falhas
guardam sementes
de sabedoria,
quando encontram
a coragem
de serem olhadas
com honestidade
e compaixão.
Há um momento
em que soltar a culpa
não significa
esquecer.
Significa compreender
que crescer
é carregar
a lição,
e não
o peso.
Só então
o passado
deixa de ser corrente
e se transforma
em caminho.
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