O dia em que a esperança quase desistiu

Houve um dia

 

em que a esperança

ficou em silêncio.

 

Não foi embora.

 

Apenas

se recolheu,

 

como quem,

depois de tanto esperar,

 

já não sabia

em que direção

olhar.

 

Os sonhos

pareciam distantes.

 

As respostas

não chegavam.

 

O caminho,

antes tão claro,

 

perdia-se

na neblina

das incertezas.

 

Havia um cansaço

 

que não vinha

do corpo,

 

mas da alma.

 

Um peso

feito de tentativas,

 

de expectativas,

 

de portas

que nunca

se abriram.

 

Foi então

que a dúvida

se aproximou,

 

sussurrando

que talvez

fosse mais fácil

desistir.

 

E, por um instante,

 

até a esperança

acreditou.

 

Mas existe algo

que ela conhece

melhor do que ninguém:

 

a escuridão

jamais consegue

convencer

o amanhecer

a não nascer.

 

Por menor

que seja,

 

a esperança

sempre encontra

algum lugar

onde permanecer.

 

Às vezes,

 

vive apenas

em um gesto.

 

Em uma respiração

mais funda.

 

Em um passo

dado sem certeza.

 

Em um coração

que, mesmo cansado,

 

continua.

 

Porque há dias

em que vencer

não significa

sorrir.

 

Nem acreditar

com toda a força.

 

Significa apenas

 

não fechar

a última janela

por onde

a luz

ainda pode entrar.

 

E talvez seja isso

que mantém

a vida acesa:

 

a delicada coragem

de continuar,

 

mesmo quando

a esperança,

 

por um breve instante,

 

quase desistiu.

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