Ausência

 

O inexplicável de uma dor que faz com que não se encontrem as palavras.

Dentro deste vazio, o silêncio acontece e traz o peso da ausência. É como se algo tivesse sido arrancado do lugar onde sempre esteve e deveria estar, mas não está.

Uma lacuna que esvazia a alma e abafa os ecos dos sentimentos.

A saudade é cortante e as lembranças formam feridas abertas. O aperto no peito não passa, não se distrai, não se dissolve. O desamparo, o desalento, o grito que se perde no nada. Não se sabe como seguir, onde buscar forças para combater o som mortal do silêncio.

Fogem as palavras para explicar a falta de alguém que era presença. Uma falta dolorida, uma distância que fere e queima a memória como ferro em brasas. Nada mais é o bastante. Nada nos alenta.

A ausência é grande demais para caber nas palavras e são incontidos os gestos e as noites mal dormidas que se perdem em pensamentos. Ela está dentro de nós como uma quietude que não sabemos preencher, maior que uma saudade ou a certeza de que jamais existirá um retorno, um recomeçar. O olhar insiste em procurar o que não alcança ver.

O ranger de portas trancadas, sombras que passamos a ver em cada canto da casa. Uma maré por vezes calma, por vezes, devastadora. Uma luz que não se acende e deixa no escuro os espaços que não mais reconhecemos pois agora fazem parte daquilo que fomos.

A falta que preenche espaços e faz com que nos percamos dentro de nós mesmos. O peso de uma mão invisível que pousa sobre nosso peito, e torna silencioso o grito de um nome, que por falta de forças, morre dentro de nós.

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