VIANDANTE
O primeiro beijo você não sabe onde anda, não o procure na bolsa, na boca, não tateie as coxas e nem os seios, ele não está lá, nunca saberá o que foi feito desse construtor de Nadas, não saberá quantos foram os equívocos cometidos. A gente não sabe se ele continua vivo com outro rosto, se com a atitude de sempre. a qual o distanciou de você ou de mim; dever estar com os mesmos hábitos. O primeiro beijo pode decidir o nosso futuro ? Às vezes, só o futuro imediato, insiste por algum tempo, ou durante toda a vida pode deixar sua marca, porque assim é o amor, e por isso se lhe cobrar. O mundo mudou depressa, a família mudou, está quase morta a família tradicional, os pais hoje são quase um apêndice, a gente mal os vê, de tanta coisa para darem conta, a família pequena morreu, a grande família, ou seja, a sociedade, é quem orienta todo mundo, visando principalmente em guiar a cabeça das crianças e dos jovens, cuidando para que entrem de vez na roda do consumo. Os pais são ou foram apenas a circunstância de existirem. Palavras duras, não é ?
Mãe tornou-se apenas "a mulher que me sentiu", e todo mundo fingindo-se feliz, todos sendo felizes pela metade, ou nem isso. Sabemos que é assim. Pensar dói. Muito se diz que mais do que o pai, a mãe estraga os filhos, mas essa é uma opinião perigosa, pode até ser ofensiva, e isso acontece todo dia. Algumas delas são mais severas, outras menos, mas todas lutam para que tudo esteja bem, mãe é mãe: "Tudo vai bem / tudo legal / cerveja, samba e amanhã, se acabarem com o teu carnaval ?" É o que diz a música Comportamento Geral, do Gonzaguinha.
Portanto, Amadas e Caros, basta de tristeza, de enganos, basta de filosofia e outras soluções engessadas pelas mil épocas que se seguiram desde o início de tudo. E porque hoje é sábado, amanhã será doming0. Simples assim esse diário.
Fiquemos assim à espera do próximo beijo. Ah, em tempo: "O Primeiro Beijo" é o título de um conto da CLARICE LISPECTOR.
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