D’AJUDA
Qualquer gole da tua fonte
Sacia a imensidão que acorre a ti
E nos lava nos degraus de degredos
Renovando nossas almas insanas
Um pingo apenas aos pés do mar
Desde quando do oceano surgiste
Sustenta-nos sobre as ondas revoltas
Envoltas pelos ventos bravios
Ou tão mansos que até tardios
Desviam-nos itinerantes
Sabes das curvas dos caminhos
Das feridas nos pés andarilhos
Do sol causticante e o destino
Que nos faz cruzar fronteiras
Entre o absurdo e a fé confidente
Embarcados nos veleiros da sorte
Navegantes desse mundo navio
Levamos nos porões da memoria
De quem sem despedidas partiu
Com os cascos marcados na espuma
Que teus pés deixaram para vir
Banhai-nos Senhora d’Ajuda
Na piedade que nos possa ungir
Sobre as águas da tua fonte
Somos também peregrinos
Eterna guardiã de nossa voz
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