Rumores de uma Prece

Nos rumores de uma prece dilui-se e
chocalha-se este silêncio tão ágil e volátil
Agita-se a voz num imenso burburinho de
palavras distintas, peremptórias e versáteis
Enquanto nos céus se ajoelha um aguaceiro
de lamentos triturados e sempre mui estrondosos
um eco mui frágil, esfrega-se no patim do tempo junto
a este proverbial olhar gemendo escandalosamente vibrátil
Alimentada por uma entropia de silêncios tão imutáveis
escorrega a luz pelas frestas maliciosas da solidão estável
Num cochicho sentido e sereno o dia com apreço irriga todos
os neurónios onde circulam as ramificações de um afago insaciável
Frederico de Castro
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