AVENTUREIRO
Paulo Sérgio Rosseto
Vislumbro sem saber o que sinto
Talvez alguma névoa sem corpo
Ou qualquer sopro que nevoa
Algo que enfim me perpassa
No limiar de toda coisa
Por si nem má nem boa
E quando a tento agarrar
Desfaz-se no que pressinto
Tenho medo desse ímpeto
Porque o ademais se apregoa
E esse a mais me desapega
Pois todo apego é um peso
Ah que me lesa a leveza
De nem ir além nem ficar
Que o sentir é uma viagem
De onde nunca se volta ileso
Mesmo que experimente remar
E eu sou só o que está na proa
Desse barco - e à minha volta
Há uma gota e ao redor esse mar
Pena eu não saber nadar
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