Dança pétrea & bulício aquático
De onde vim
as pedras cantam e dançam
para si e entre si
enormes e enigmáticas
feito os gigantes "moai"
da ilha de Páscoa
exímias em tecer faíscas
que queimam enquanto amam
numa dança sem fim
mil vezes mais diversificadas
do que a dança dos dervixes
dançarinos turcos
de onde venho
as águas são de um pasmo total
e de uma virulência letal
capazes de rir enquanto choram
capazes de retalhar um barco
e sua tripulação
e de extrair o óleo das plantas
com um mero abano da mão
de onde vim
os bichos humanos não têm vez
não são cotados para esterco
nenhum valor moral
mais espesso
do que um fio de cabelo do milharal
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