Observo as crianças

E as vejo tão contentes

Sem importarem-se com os afazeres e compromissos da vida

Não têm a responsabilidade

Do alimento sobre a mesa

Da roupa nova para o passeio

Do calçado que irão ostentar aos colegas

 

Aproveitem bem esse período meus caros infantes

Pois chegará uma época

Em que terão saudades dessa regalia

Em que terão que tornarem-se atores no palco da vida

Terão que atuar no exigente Teatro do Labor

Em que submeterão-se a árduos e complicados trabalhos

 

Para que assim tenham como manterem-se

E poderem subsidiar os largos sorrisos de seus pequenos filhos

Que amanhã irão brincar

E vocês as olharão tão contentes

Pois essas crianças

Que amanhã serão seus filhos

 

Não se importarão com os afazeres e compromissos da vida

Não terão a responsabilidade do alimento sobre a mesa

Nem da roupa nova para o passeio

Nem do calçado que irão ostentar aos colegas

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