Sem título
Das montanhas do absurdo eu desci, e encontrei-me sonhando por entre vapores de amor e loucura, ocultado de mim mesmo pelo nevoeiro da dúvida e da ignorância.
Longo foi o sonho do qual não tenho memória de ter nunca despertado, e o que vejo agora é uma pálida memória do que então vi.
Mas o amor parece transcender tudo, projectando sombras de colinas sobre a imensa vastidão, através de uma luz que arde mais brilhante do que as mais brilhantes estrelas.
Através da ignorância e da ilusão, de algum modo eu entendo a essência das coisas, disfarçada de contorcidas faces de loucura, erro e ódio irracional. A minha febre confunde a minha consciência até ao último limite, até que o doce descanso do sono vence o paroxismo de pensamentos desordenados, num voo etéreo que limpa e purifica o meu espírito.
E através da noite sobrevivo, esquecendo que sou imortal, circundando tempo e espaço, para retornar por fim ao meu precário corpo como o sol retorna a uma nova alvorada, um novo jardim de esperança.
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