Acusação de Ekklesia contra Elliott

Oh meritíssimo juiz,

Quão perfeita é sua justiça!

Trouxemos-te este jovem aqui,

E precisamos de uma sentença.


Recebemo-lo quando tinha onze anos,

De fato, não vimos nele nada de especial.

Vimos apenas um rapaz entusiasmado,

Um espírito sedento por competição.


Quão aplicados eram os jovens do seminário,

Achavam textos sagrados igual a algorítmos.

Olhavam e riam-se daquele garoto de onze anos,

Com desejo de entregar seu corpo, alma e espírito.


Por pouco tempo seu orgulho intelectual foi anulado.

Cortou-se renovos do orgulho no coração enraizado.


O tempo passou, dia e noite ele perseverou,

Embora criança, não soube o que aquilo lhe causou.

Mas nós vimos aquela alma sendo devorada,

Pouco a pouco, o legalismo tomava conta da coitada.


O jovem cresceu e o inevitável aconteceu,

Fiéis foram magoados, e a muitos enfureceu.

Matou a moral alheia, sim, ao Rob desfaleceu,

Quantas vezes a Emy, seu coração aborreceu!


Caçoava horrívelmente dos pecados dos outros,

Anunciando o amor, mas sempre teve amor próprio.


Sempre quis provar com textos,

Nunca quis provar com práticas.

Nunca admitiu seus medos,

E nem as feridas causadas pelas sátiras.


Oh meritíssimo juiz,

Quão perfeita é sua justiça!

Trouxemos-te este jovem aqui,

E precisamos de uma sentença.

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Comentários (1)

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P. Chris Autor
2026-09-01

Sobre o poema: Julgamento Moral é uma alegoria. Elliott é um jovem acusado diante de um Juiz perfeito por três personagens que representam os ambientes que participaram da sua formação. Didaskaleion (??das?a?e???) representa a escola, que conhece seu comportamento social. Ekklesia (?????s?a) representa a igreja, que conhece sua vida religiosa. Oikos (?????) representa a casa, que conhece aquilo que ele faz em privado. As acusações não são necessariamente falsas: Elliott realmente errou e feriu pessoas. Porém, no fim, o Juiz mostra que os acusadores também são imperfeitos. Quando olha para Elliott, encontra nele alguns dos próprios pecados deles. Por isso, a sentença não é apenas para Elliott: "Arrependam-se, todos vocês são culpados." A ideia central é simples: podemos reconhecer corretamente os erros de alguém e, ainda assim, não ter o direito de nos considerarmos moralmente superiores a essa pessoa.