O corpo que eu agora imagino estendido pelo cansaço
pelo assédio das mãos, pelo pão do desejo
incansável, cada tipo de desejo que durante toda a vida
nos persegue, nos ajuda, cada um é uma sombra
da qual precisamos para nos cansar e salvar

Eis o corpo cheio de histórias de glórias, memórias
de uma e de outra derrota no campo de batalha 
de todos os dias; eis o homem e a mulher
entretidos em buscar o melhor legume e o pão do desejo
mais fresco, ei-los, atados ao nó da Grande Busca Diária

o corpo dá medo e até se arrepia com os seus 206 ossos
e seus cinco litros e meio de sangue latente, demente
tarado feito o que há de natural, sim, o corpo sabe
das coisas: de um simples estrepe, de arrepios e
de gritos, sabe da ira, do riso aberto em leque, da ida e da volta.

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