“Na Terra de Santos e Pecadores”

Na terra de cadáveres encaixotados caminho,

Ao passar pelos muros do destino

Um buraco no ar surge e eu designo

Uma paz de espírito, aproximando-se sem sentido


Tudo tão mágico e sem explicação

À medida que atravesso o branco refletor da libertação

E é uma força abismal para além do coração

Como se conversasses comigo em oração


A poupança de toda uma só vida

Esbanjando-a na tua alma perdida

Em um altar por uma lei proibida,

Conversar contigo, só em memória vivida


Pote do negro pó ou caixão de um eventual cinzar

Colocando flores à vista do olhar

De pouco serve senão me agradar

Nas tuas mãos em vida as devia entregar


Mas sei que com isso não te vais importar

Minha presença consistente é de pasmar,

Estarei a querer compensar

Um tempo que em vida não soube aproveitar?


Não tenho resposta a dar

Tudo o que sei dizer, é a angústia que em minhas costelas a prensar

Me faz querer a teu lado deitar

A tua face, uma vez mais beijar


Fina é a membrana de água doce, por onde observo esse cantinho

Amanhã aqui estarei novamente a rir-me contigo

O ponteiro é rápido demais, brevemente me entregará no mesmo estilo

E outro, por mim se sentirá desconhecido.

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