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Balada de uma dissoluta

Balada de uma dissoluta


Para semear ódio e inveja contra mim mesma
é que eu uso desdém, batom e sutiã;
e se me enfio em desvios e locas e tocas
pouco rentáveis e nada recomendáveis
é que eu uso salto 10 ao invés de havaianas.

Para estreitar laços libidinosos com gaviões
e passarinhos, com dragões de Comodo 
e burros babões, eu lhes dou o de melhor
cada dia: a loucura da procura não saciada,
atada pelo que há de mais bruto em cada.

Ó, para não ceder às tentações dos anões
e escravos sob o medo a Deus, sou mesmo 
a Diaba que lhes arranca da cama 
suas damas, e as levo ao forno do Diabo
meu gato siamês vermelho de cabo a rabo.

Ó, para tocar viola não uso o consolo geral
e sim asperjo manteiga no braço e no bojo
da viola mais nóxia, tóxica, ou mais religiosa.

Que a Vida é pródiga sempre assim. Lembra.

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