Finalmente tudo escureceu - adeus.
O frio da madrugada me faz esquecer
todas as amarguras de um tempo passado -
onde habitavam e plantavam suas sementes
de café os meus antepassados.
Pois a terra estava ainda molhada pelo sereno
de um amanhecer que custava a chegar.
Todas as manhãs meu corpo se levantava
bem devagar para nas lavouras trabalhar.
Assim diziam meus pais , agora nas cidades
onde padecem suas amarguras de nelas
virem a tentar melhorar seus viveres.
O barulho dos carros - os gritos altos dos
homens do porto , para atracação de navios
Tudo era novo - mas com o tempo , se tornou
uma amargura - neste longo tempo vieram a falecerem.
Bem não sei mais o que dizer a não ser
adeus ... meu pai e minha mãe - no silencio
de um campo santo seus caixões a descerem -
para esta terra que os receberam em vida
e na suas mortes ...tudo se escureceu.
Ademir o poeta.
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