Mascara mortuária
Ouçam minha voz ... despedida terrena
pois o que sinto não é solidão.
Tu bates minha porta a noitinha , onde a
lamparina já apagada - por falta de querosene.
oh. despedida terrena ... pois o que sinto
e muita escuridão.
Tu bates minha janela ao alvorecer e
mostra tua mortuária cara ...para eu te ver.
O que te desejo agora , é que vás para
bem distante ...pois minha hora ainda não chegou.
E quando tu apareceres novamente a mim...
que seja daqui a muitos anos.
Ouçam minha voz... despedida terrena -
pois o que sinto realmente é muita sofridão.
Tua face de mortalha , já não serve ainda
para este meu rosto .
Logo fecho eu a porta e a janela , para que
tu não mais me incomode .
Seja honrada mascara mortuária , e somente
me apareça ... quando for por mim solicitada.
Bem até nunca mais. sua podridão.
Ademir o poeta.
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