Entre o Gelo e o Efêmero

Intocável és tu, ó estátua gélida em meio ao sol

Ouço, no oculto envolvente, que trinca-se ao som de tic

E, incapaz de no silêncio fugir, quebra-se ao som do tac

Realmente cintilastes para mim ou só reflete-me este farol?

Embora num flash, fizeste-me tomar a decisão do meu destino

 

Ó efêmero que marca minha existência 

Sem controle, marcando-me a própria persistência 

Nem me dei conta ao ver te passar, foi um fim repentino

Aquele que foi o motivo do meu tormento

Da geada até o último floco da minha vida

Agora, ao ver tua poça rasa abandonada ao vento,

Me deixas abraçar o calor tenebre para quitar a dívida 

 

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