Ayslan Gabriel

Ayslan Gabriel

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De um peixe para o mundo

Estes que caminham sobre a terra

Não são os únicos nessa esfera

Vocês contemplam por fora o oceano 

Eu o conheço por dentro no cotidiano

 

Desde muito o mar foi meu lar

Os cardumes minha forma de navegar 

Nos corais, cidades inteiras 

Jardins de anémonas por suas fronteiras

Nossas estrelas podem até não brilhar 

Mas são nosso pedaço de céu particular

As montanhas daqui são azuis e móveis

Às vezes perigosas, às vezes insaciáveis 

Plantas não fazem parte das florestas

O verde daqui vem das algas

As correntes esvoaçantes substituem o vento

Existem até petiscos verdes viajando com o tempo

O plâncton, invisível aos olhares

Enquanto sustenta a vida nos mares

Ao invés de ouro temos pérolas

Nossa riqueza entre água e pedras

Pra que camaleão quando se tem polvo?

Mais corações, mais cores, mais pernas, representa mais o povo

Até mesmo nos vales profundos se encontra a luz

Os bancos de areia um grande cuscuz

 

Embora toda essa beleza

Ultimamente ando cheio de tristeza 

Olho pra cima e vejo o azul vivido mudar 

Olho ao redor e o silêncio rouba o lugar 

 

Cardumes diferentes dos que conheci

Não falam, não sentem, não os vejo partir

Não comem, não dormem e se quer sabem nadar

Parecem estar vivos, mas não podem estar


Tenho medo que seja o início de algo ainda mais horrendo

Por isso estou aqui escrevendo 

Um pedido de ajuda seja pro norte ou pro sul

Afinal todos dependem do mesmo azul

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Poemas

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De um peixe para o mundo

Estes que caminham sobre a terra

Não são os únicos nessa esfera

Vocês contemplam por fora o oceano 

Eu o conheço por dentro no cotidiano

 

Desde muito o mar foi meu lar

Os cardumes minha forma de navegar 

Nos corais, cidades inteiras 

Jardins de anémonas por suas fronteiras

Nossas estrelas podem até não brilhar 

Mas são nosso pedaço de céu particular

As montanhas daqui são azuis e móveis

Às vezes perigosas, às vezes insaciáveis 

Plantas não fazem parte das florestas

O verde daqui vem das algas

As correntes esvoaçantes substituem o vento

Existem até petiscos verdes viajando com o tempo

O plâncton, invisível aos olhares

Enquanto sustenta a vida nos mares

Ao invés de ouro temos pérolas

Nossa riqueza entre água e pedras

Pra que camaleão quando se tem polvo?

Mais corações, mais cores, mais pernas, representa mais o povo

Até mesmo nos vales profundos se encontra a luz

Os bancos de areia um grande cuscuz

 

Embora toda essa beleza

Ultimamente ando cheio de tristeza 

Olho pra cima e vejo o azul vivido mudar 

Olho ao redor e o silêncio rouba o lugar 

 

Cardumes diferentes dos que conheci

Não falam, não sentem, não os vejo partir

Não comem, não dormem e se quer sabem nadar

Parecem estar vivos, mas não podem estar


Tenho medo que seja o início de algo ainda mais horrendo

Por isso estou aqui escrevendo 

Um pedido de ajuda seja pro norte ou pro sul

Afinal todos dependem do mesmo azul

4

Inheritance Without an Owner

The ocean.

Could it be ours?

 

But we did not create it,

We received it.

 

But if not as a gift,

then as what?

 

Maybe as a responsibility?

 

Would that not be contradictory?

 

Who would receive an inheritance

and not take care of it?

 

With so much waste,

perhaps more plastic than fish.

 

In a future when pollution be no longer an option,

will there still be something left

to be passed on to the future?

 

2

Lado oculto

Entre sus olas y sus rostros

Descubro en mí mis antiguos trazos

A priori, parece un patrón sencillo

Aunque esconda un reflejo perdido

Tal vez no seamos tan diferentes

Dos rostros, dos vertientes.

 

El océano refleja lo que ve

Pero también aquello que siente

Ante un reflejo breve

Una ola viene y mi rostro se lleva

Dejando en su lugar aquello que más escondo

Dos lados, un solo espejo.

 

Observo su movimiento espontáneo

Guiado por corrientes de norte a sur

Qué pena, no tengo la misma suerte:

En lugar de crear mi camino

Las mías me atan al destino

Dos lazos, pero solo uno es libre.

 

En instantes, comienza la tormenta

Mi imagen desaparece, ya no se encuentra

La superficie ya no refleja

Y aquello que era bello se aleja

El horizonte esperanzador también se pierde

Tal vez nunca pueda alcanzarlo

Dos tormentos, una sola respuesta.

2

Entre o Gelo e o Efêmero

Intocável és tu, ó estátua gélida em meio ao sol

Ouço, no oculto envolvente, que trinca-se ao som de tic

E, incapaz de no silêncio fugir, quebra-se ao som do tac

Realmente cintilastes para mim ou só reflete-me este farol?

Embora num flash, fizeste-me tomar a decisão do meu destino

 

Ó efêmero que marca minha existência 

Sem controle, marcando-me a própria persistência 

Nem me dei conta ao ver te passar, foi um fim repentino

Aquele que foi o motivo do meu tormento

Da geada até o último floco da minha vida

Agora, ao ver tua poça rasa abandonada ao vento,

Me deixas abraçar o calor tenebre para quitar a dívida 

 

2

O Oceano Respira

No litoral, há grandes e pequenas ondas que abraçam sutilmente as praias

elas vão e elas voltam

num ritmo constante 

maré se eleva,

maré respira,

maré vive, 

longe,

perto,

maré,

perto,

longe,

maré e lixo, 

maré sufoca,

maré  agora só sobrevive.

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