Oh, minha bela Nastienka!

 

Um dia, perguntasse quem eu era,

Então, cheio de parábolas, a disse:

Sou sonhador, alguém ridículo por completo.

Passo dias ensolarados num canto da sala

E, com o apagar das luzes,

Sem ter minhas próprias histórias,

Meu lazer é viver vidas que não vivo:

Ser um rei,

Morar em outro país,

Às vezes, só receber um abraço.

 

Minha doce Nastienka!

 

Espero que perdoes o meu elegíaco lamento,

Só não posso mais guardá-lo

Sem que eu me afogue com ele,

Pois mesmo que os sonhos sejam belos,

Ainda são como folhas no outono:

Logo caem e desaparecem sem rastros,

Sem qualquer intimidade,

Sequer me acompanham ao abrir os olhos.

 

Amável Nastienka!

 

Na minha sorte, finalmente te conheci.

Porém, quanto azar me recaiu!

Justamente quando me senti vivo de verdade,

Quando achei que não precisava mais sonhar,

O mundo cortou-me como papel.

Foi frio e cruel.

Teu coração, enfim, já tinha dono,

E não era o tal príncipe chinês,

Era alguém real,

Aquele que esperastes por longo tempo

Comparado ao nosso breve momento,

Agora, então, não posso pedir pra você ficar.

Eu não vim mudar sua decisão,

Afinal, não tens culpa alguma,

Eu que não cumpri a minha promessa.

 

...

Só vá, tenha uma vida tão doce como teu sorriso,

E bendita seja pelo momento de felicidade que me deste,

Pois não me arrependo de ter me apaixonado,

Nunca, nem por um instante.

 

Adeus,

Nastienka.

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