Lagaz

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Sigo em vão...o ardil da ilusão.

n. 0000-00-00, lugar nenhum

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Inculta sorte dos amantes

Inculta sorte dos amantes
soubesse antes
teria recusado tal fardo
por mais obscuro que fosse.
E nesse mundo falho em que  não cabe o arrependimento,
nada mais valeria.
As alegrias são ilusões inúteis e perdidas
em um curto tempo.
E ninguém ajudaria
além de suas próprias forças
além  dos sentidos, 
em abstinência 
aguçados elevados ao máximo
A língua sangra 
e sabe
porque a angústia
é viver 
e não ser completo
é lutar 
e não ser livre
é acordar
e não estar limpo.
é amar
e não estar vivo.

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Poemas

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Inculta sorte dos amantes

Inculta sorte dos amantes
soubesse antes
teria recusado tal fardo
por mais obscuro que fosse.
E nesse mundo falho em que  não cabe o arrependimento,
nada mais valeria.
As alegrias são ilusões inúteis e perdidas
em um curto tempo.
E ninguém ajudaria
além de suas próprias forças
além  dos sentidos, 
em abstinência 
aguçados elevados ao máximo
A língua sangra 
e sabe
porque a angústia
é viver 
e não ser completo
é lutar 
e não ser livre
é acordar
e não estar limpo.
é amar
e não estar vivo.

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Quando criança

Quando criança,
corria da rua Marajoara
até o pátio dos trilhos
atrás dos quadrados
que eram taiados no alto
outros tempos
em que o mundo era pequeno
feito de linhas e cerol.
amava a correria
nos perdidos terrenos baldios da vila
distante da cidade
e sua realidade
Quando criança
esperando o que viria
esperava o dia
em que o futuro chegaria
para todos..
para os que  morriam
na velha usina
para os que sofriam
sem saber o motivo
para os que sonhavam
e apenas sonhavam
com o que não é miseria
e o futuro
não veio
não como o prometido
mas promessas são tolas.
assim como são tolos
quem nelas acredita...

Quando criança
só pensava em correr atrás das pipas...

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Vicio itinerante

É domingo. Há dois dias estou limpo.

É pouco, eu sei.

Mas, para quem já não possuía um instante de sobriedade há tanto tempo,

essas quarenta e oito horas têm a duração de uma eternidade — maior que o próprio momento.

Só me arrependo do que não vivi enquanto estava vivo.

2 982

Quando

Quando a vida
não é mais vida
é sofrimento
E o desejo
não é um desejo
mas ironia
E quando um beijo
é só mais um beijo
de despedida
E amar
quando for só amar
uma palavra
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A mulher de ontem

Poucas coisas na vida agradam
e nos dão prazer
Aos meus amigos digo,
Não sejam tolos a ponto
de saber tudo
O direito ao erro
é universal
E a mulher de ontem,
Uma clave de sol

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Nada é melhor que a sorte

Nada é melhor que a sorte.
Nada.
A vida por um fio
Os dados que rolam infelizes
Nada é melhor que a sorte
Alguns dirão que o amor o é.
Talvez  nunca  o seja.
Mas, que é o amor,
sem a sorte como companheira ?
Toda sorte do mundo é pouco,
e também um exagero.
Só espero a sorte de um único momento.
E nunca  estar satisfeito.
2 606

Velha dor

Velha dor
companhia injusta
O quanto custa
esse amor?

Velha dor.
de antigos carnavais
O que queres mais
desse amor?

Que a tome
e leve para longe?

Velha dor.
chama inculta
Que alma oculta
esse amor ?

Velha dor
sem limites
Porque ainda insiste
nesse amor ?
3 005

Contradições de um mundo e seus amantes

a sorte dúbia dos amantes
junto a sina indigesta dos refugiados
contrapõe a morte como último cenário
e o prazer em cada mínimo instante

suas mãos sobre a minha
sua voz sobre meu corpo frio
a sensação indiscreta que contamina
e conforta o semblante vazio.

agarre em meus cabelos
queime a bíblia que está sobre a mesa
recolha os cacos do espelho
e veja de novo e de novo a crua beleza

o destino acompanha os mais fracos
essa uma virtude esquecida
aos fortes resta senão os encantos
de contradições envaidecidas
2 550

Quintana

Poeta,
versos são flores em um jardim de pedra,
Flores estas, que surgem do
coração,
e hoje ninguém mais observa,
quão lindas ou estranhas possam
ser.

E fazer o que ?

Essa é a vida, vida essa que o tempo consome, como a um poema.

Mas antes,
permita que lhe diga,que em um ímpeto narcisista, 
escrevi rascunhos nas páginas do seu livro,
coisa de menino,que inspirado pelo fado 
dos versos, ousou que poderia.

Quintana
a vida encanta mais do que se imagina

E você sempre soube

Muito antes de todos nós
Que a imaginação
É uma flor em um jardim de pedra

Pedra está que consome a vida
Como um poema

2 596

Coisas tolas escrevem os poetas..

... coisas tolas escrevem os poetas..
tens razão
não leia-os
acerca da vida e do amor
simples assim
odeio os auto criticos
que ignoram o coração

não tenho mais alma
para isso...
nem a paciência infinita
para anseios finitos

.... coisas tolas escrevem os poetas..
predadores infames
de ingenuidade juvenil
tenham certeza
mais fácil é passar pela vida
sem ser percebido
2 179

Comentários (3)

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Meu caro lagaz - estas flores desenhadas em teu corpo... chama mesmo muita atenção... é do lado de seu coração? se for é muito sugestivo. tenha um bom dia. Ademir - realmente tesu poros se abrem para o mundo da poesia. Saúde para ti e tua familia.

Meu caro Poeta Lagaz... como sempre uma obra prima, de primeira grandeza . estás a dizer a pura verdade em versos humanos . Maldito quem escreve um poema e contorna sua própia. alma. na minha humilde opinião não merece o corpo que tem e nem o sangue que lhe traz a vida do criador. Ademir. Parabéns.

Lagaz

Fico agradecido por duas palavras.