Lagaz

Lagaz

Sigo em vão...o ardil da ilusão.

n. 0000-00-00, lugar nenhum

Perfil
99 203 Visualizações

Quando criança

Quando criança,
corria da rua Marajoara
até o pátio dos trilhos
atrás dos quadrados
que eram taiados no alto
outros tempos
em que o mundo era pequeno
feito de linhas e cerol.
amava a correria
nos perdidos terrenos baldios da vila
distante da cidade
e sua realidade
Quando criança
esperando o que viria
esperava o dia
em que o futuro chegaria
para todos..
para os que  morriam
na velha usina
para os que sofriam
sem saber o motivo
para os que sonhavam
e apenas sonhavam
com o que não é miseria
e o futuro
não veio
não como o prometido
mas promessas são tolas.
assim como são tolos
quem nelas acredita...

Quando criança
só pensava em correr atrás das pipas...

Ler poema completo

Poemas

2

Para vida toda

I - Visões em si

Não é sobre mim
sobre nós 
ou você 
o tempo
a voz
sobre nada
sobre tudo
sobre algo
ou coisa alguma
Não é sobre o passado 
o presente
o futuro 
obscuro
ou desagravo
Não é sobre a dor
o amor
as palavras
difíceis 
ou vazias 
de entendimento 
Não é sobre a miséria
sobre a maleza
sobre fome
ou outras
injustiças 
Não é sobre a noite
sobre o açoite
sobre o amanhã
ou o infinito
espairecer 
Não é sobre a certeza
Sobre a semente
sobre o agora
ou o que possa
acontecer.
A vida toda
a noite inteira
alvorecer

II - Passado que limita

"_ Acácio sentou-se a mesa,
algo ao qual não era convivo,
ao seu lado alguns tantos esquecidos
perdidos entre a vida e a sorte
..."
Miseráveis que sem lugar,
nem o tempo,
nem a vontade,
ou verdade,
ou boa comiseração 
ocupam os pátios,
passeios, calçadas e ruas,
barracos e viadutos,
e a ilusão 
e iluminam inertes 
a ignorância,
e insensibilidade,
e a culpa comum,
hoje,
ontem,
e sempre,
passado
e presente,
e nenhum 
futuro

III - Ódio às coisas belas

Aprendemos que não deve-se odiar,
que não se pode ignorar a dor,
e  ocultar-se o horror,
não esqueça a miséria humana,
nem a violência que os incendeia,
seja direto,
vil,
cético,
e quando tanto ardil
puxar a tona a morte,
A razão fez o norte
o objeto indiscreto,
secretam os sentidos,
as coisa belas,
as notas falsas,
imundas,
e todas as sortes 
de idéias vazias e inúteis .
Secretam os velhos.
em frio o altar .

IV- Postulantes ao amor

Runas esquecidas,
afoitos e exatos
sentimentos,
desvios e interesses dúbios
consomem o desejo,
e prazeres.
Envolta em sonhos,
a imuta acorda,
trança as horas
e assim continua
são oriundos,
crianças ocultas
observam
as agruras do amor,
e defeitos,
e artimanhas,
e afagos
Postulantes 
elegíveis 
proféticos
Cada vida
forja um caminho,
um deserto
e suas dores

V - Para além

Viver é verbo
lira atrofiada
sem nexo
Olhe para suas mãos
e perceba
as marcas sumiram
os poros ocultos
a fardas inexoráveis
Ao que se tem saber,
e longe o prazer lívido
para sempre
para além.


Um amor no porão
2022

344

Linha augusta

Não há beleza
na tristeza 
ou segredo
que a valha.
A dor que finita,
simplifica
tudo 
ou quase tudo
ou a quase todos
sincera
mão que espera 
a falsa ilusão 
o lodo insepto
margeia a linha augusta 
Fiel ou funestra
assim começa
a linha mestra 
a dor de outro
a dor de ontem
tontura invisível
e sugesta
amor irracional
a portas de um madrigal
doente 
e morto
e sangra
e sofre
infeliz.

259

Comentários (3)

Partilhar
Iniciar sessão para publicar um comentário.

Meu caro lagaz - estas flores desenhadas em teu corpo... chama mesmo muita atenção... é do lado de seu coração? se for é muito sugestivo. tenha um bom dia. Ademir - realmente tesu poros se abrem para o mundo da poesia. Saúde para ti e tua familia.

Meu caro Poeta Lagaz... como sempre uma obra prima, de primeira grandeza . estás a dizer a pura verdade em versos humanos . Maldito quem escreve um poema e contorna sua própia. alma. na minha humilde opinião não merece o corpo que tem e nem o sangue que lhe traz a vida do criador. Ademir. Parabéns.

Lagaz

Fico agradecido por duas palavras.