Lagaz

Lagaz

Sigo em vão...o ardil da ilusão.

n. 0000-00-00, lugar nenhum

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Inculta sorte dos amantes

Inculta sorte dos amantes
soubesse antes
teria recusado tal fardo
por mais obscuro que fosse.
E nesse mundo falho em que  não cabe o arrependimento,
nada mais valeria.
As alegrias são ilusões inúteis e perdidas
em um curto tempo.
E ninguém ajudaria
além de suas próprias forças
além  dos sentidos, 
em abstinência 
aguçados elevados ao máximo
A língua sangra 
e sabe
porque a angústia
é viver 
e não ser completo
é lutar 
e não ser livre
é acordar
e não estar limpo.
é amar
e não estar vivo.

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Poemas

7

Ofertório

O amor é um desprendimento involuntário
&
Afeito
as interpretações mundanas.

Quem conhece seus desejos mais obscenos?

E quão sórdido levanta-se em ofertório o seu gozo?

Verbo latino
dicotomia rítmica,
complexa ironia, policialesca,
de putas e varões imbecis.

Sua lira é a liberdade
Com o arroto das mentes torpes

Mal gosto e,silêncio
seu contexto básico é a vida
que insisti arrefecer em discrição.
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Flor da América

Flor da América,
         absoluta e histérica.
                       Os seus novos rumos são de fronteiras intransponíveis.

A salvaguarda do mundo,
         que esmorece e ressurge em forma,
                       contornos e matizes.

E advém os velhos
        e novos navios negreiros
                       que revelam a natureza perversa em seu nascedouro.

Da terra esganecida
       em extrapolo voraz,
                        ao machado de pedra.

Dos hinos entoados
       de modo absolutamente frio,
                       ao símbolo máximo escravagista.

As miragens esquecidas,
        aradas em campo aberto e,
                       vulgos silenciosos

Presos a postes em carne viva
        e favelas enegrecidas,
                      os olhos vigilantes apuram o corpo cansado.

A história deve ser estendida,
        a tantos quantos forem
                      os vivos e fortes

A promessa em martírios,
        perseguidos em chamas.
                      No semblante de um novo mundo.

Suas cidades são imensas,
        seus crimes recompensas,
                      seus senhores caudilhos.

Estranhos surgem em estandarte,
        o ouro,a fome,a relva,o mar,
                      a sim ,o mar, oceanos Atlântico e Pacífico.

Escreveram sua história
        em um hino estendido?
                      Em lugar demarcado

Qual o seu limite?
        Flor esta ,que máscara a terra,
                      que derradeira ocupa um continente.

Nada é verdade, sonho ou realidade.
         Rota singular que um dia
                         surgiu impune

Seus filhos morreram em chamas.
          Seus Deuses por vaidade.
                        No horizonte de uma América fria e covarde..
920

Poema maldito

Maldito
o poema que contorna
a alma
sem toca-la

Consome o âmago febril
em
texto
porém
sem corpo
e essência
1 002

Nota sobre um dia triste

Quando enfim,
tive a oportunidade
não me despedi.

Olhei em seus olhos

Simples

A última lembrança,
é sempre a mais triste,
e insana.

Em meu egoísmo sádico,
fingi ser indiferente.

E desde de então,
essa sombra é presente.

Estivéssemos em outro momento,
este seria apenas,
mais um dia triste.
1 187

Amor de esteio

Tantas vezes,
morri.
Por amar demais.
E por amar demais,
vivi demais,
E viver é muito mais,
que um desejo.
Um breve momento,
na brisa da manhã.
Um esteio;
Que nos faz pensar,
e sentir o amor por inteiro.
1 177

Paisagem em vergonha

Carrego no peito, uma solidão avassaladora.
E, no corpo, um ego em total desrespeito.
Dor e orgulho misturam -se e,
compõe uma ótica inquisidora.
Não fossem os olhos alheios e  obtusos, tudo nos seria lícito.

Desde o veto em presente ao verso em  infinitivo.
1 301

Hoje vi a mãe negra chorar

Hoje vi a mãe negra chorar a miséria dos seus filhos.

Sem nenhum lirismo ou esperança, que conforta-se alma.

Seu choro era de desespero e revolta.

E a crença.

De que nenhuma criança sofresse além do seu destino.

E que cada pessoa tivesse uma vida plena.

Choro de mãe.

Viúva e negra.

Que conhece a dor, desde antes de nascer.

E não entende a pobreza,num mundo tão farto.

Hoje vi a mãe negra chorar suas mágoas.

Um choro tão forte, que cortava a alma.

Sangrava o peito,sem devaneios.

Era choro de mãe.

Viúva e negra.

Que conhece a realidade e muito além.

E sabe tão bem,o que é lutar e lutar e lutar,sem vitória.
1 006

Comentários (3)

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Meu caro lagaz - estas flores desenhadas em teu corpo... chama mesmo muita atenção... é do lado de seu coração? se for é muito sugestivo. tenha um bom dia. Ademir - realmente tesu poros se abrem para o mundo da poesia. Saúde para ti e tua familia.

Meu caro Poeta Lagaz... como sempre uma obra prima, de primeira grandeza . estás a dizer a pura verdade em versos humanos . Maldito quem escreve um poema e contorna sua própia. alma. na minha humilde opinião não merece o corpo que tem e nem o sangue que lhe traz a vida do criador. Ademir. Parabéns.

Lagaz

Fico agradecido por duas palavras.