Inculta sorte dos amantes soubesse antes teria recusado tal fardo por mais obscuro que fosse. E nesse mundo falho em que não cabe o arrependimento, nada mais valeria. As alegrias são ilusões inúteis e perdidas em um curto tempo. E ninguém ajudaria além de suas próprias forças além dos sentidos, em abstinência aguçados elevados ao máximo A língua sangra e sabe porque a angústia é viver e não ser completo é lutar e não ser livre é acordar e não estar limpo. é amar e não estar vivo.
O amor é um desprendimento involuntário & Afeito as interpretações mundanas.
Quem conhece seus desejos mais obscenos?
E quão sórdido levanta-se em ofertório o seu gozo?
Verbo latino dicotomia rítmica, complexa ironia, policialesca, de putas e varões imbecis.
Sua lira é a liberdade Com o arroto das mentes torpes
Mal gosto e,silêncio seu contexto básico é a vida que insisti arrefecer em discrição.
466
Flor da América
Flor da América, absoluta e histérica. Os seus novos rumos são de fronteiras intransponíveis.
A salvaguarda do mundo, que esmorece e ressurge em forma, contornos e matizes.
E advém os velhos e novos navios negreiros que revelam a natureza perversa em seu nascedouro.
Da terra esganecida em extrapolo voraz, ao machado de pedra.
Dos hinos entoados de modo absolutamente frio, ao símbolo máximo escravagista.
As miragens esquecidas, aradas em campo aberto e, vulgos silenciosos
Presos a postes em carne viva e favelas enegrecidas, os olhos vigilantes apuram o corpo cansado.
A história deve ser estendida, a tantos quantos forem os vivos e fortes
A promessa em martírios, perseguidos em chamas. No semblante de um novo mundo.
Suas cidades são imensas, seus crimes recompensas, seus senhores caudilhos.
Estranhos surgem em estandarte, o ouro,a fome,a relva,o mar, a sim ,o mar, oceanos Atlântico e Pacífico.
Escreveram sua história em um hino estendido? Em lugar demarcado
Qual o seu limite? Flor esta ,que máscara a terra, que derradeira ocupa um continente.
Nada é verdade, sonho ou realidade. Rota singular que um dia surgiu impune
Seus filhos morreram em chamas. Seus Deuses por vaidade. No horizonte de uma América fria e covarde..
920
Poema maldito
Maldito o poema que contorna a alma sem toca-la
Consome o âmago febril em texto porém sem corpo e essência
1 002
Nota sobre um dia triste
Quando enfim, tive a oportunidade não me despedi.
Olhei em seus olhos
Simples
A última lembrança, é sempre a mais triste, e insana.
Em meu egoísmo sádico, fingi ser indiferente.
E desde de então, essa sombra é presente.
Estivéssemos em outro momento, este seria apenas, mais um dia triste.
1 187
Amor de esteio
Tantas vezes, morri. Por amar demais. E por amar demais, vivi demais, E viver é muito mais, que um desejo. Um breve momento, na brisa da manhã. Um esteio; Que nos faz pensar, e sentir o amor por inteiro.
1 177
Paisagem em vergonha
Carrego no peito, uma solidão avassaladora. E, no corpo, um ego em total desrespeito. Dor e orgulho misturam -se e, compõe uma ótica inquisidora. Não fossem os olhos alheios e obtusos, tudo nos seria lícito.
Desde o veto em presente ao verso em infinitivo.
1 301
Hoje vi a mãe negra chorar
Hoje vi a mãe negra chorar a miséria dos seus filhos.
Sem nenhum lirismo ou esperança, que conforta-se alma.
Seu choro era de desespero e revolta.
E a crença.
De que nenhuma criança sofresse além do seu destino.
E que cada pessoa tivesse uma vida plena.
Choro de mãe.
Viúva e negra.
Que conhece a dor, desde antes de nascer.
E não entende a pobreza,num mundo tão farto.
Hoje vi a mãe negra chorar suas mágoas.
Um choro tão forte, que cortava a alma.
Sangrava o peito,sem devaneios.
Era choro de mãe.
Viúva e negra.
Que conhece a realidade e muito além.
E sabe tão bem,o que é lutar e lutar e lutar,sem vitória.
Meu caro lagaz - estas flores desenhadas em teu corpo... chama mesmo muita atenção... é do lado de seu coração? se for é muito sugestivo. tenha um bom dia. Ademir - realmente tesu poros se abrem para o mundo da poesia. Saúde para ti e tua familia.
Meu caro Poeta Lagaz... como sempre uma obra prima, de primeira grandeza . estás a dizer a pura verdade em versos humanos . Maldito quem escreve um poema e contorna sua própia. alma. na minha humilde opinião não merece o corpo que tem e nem o sangue que lhe traz a vida do criador. Ademir. Parabéns.