Virar-se para (1976)
Virar-se para,
Compreender o íntimo do que,
há o monstro burguês de sete cabeças viradas para o escuro.
Estar e não ouvir,
e não ouvir,
e não ver, e não compreender,
virar-se para o arco-íris
e beijá-lo como a um irmão que partiu para a guerra,
uma cortina de lágrimas
de onde emerge um crocodilo sorridente.
.
Saliente, o sobre sobre
exprimir o que em jardins não existe.
Explodir,
e ser a partícula até onde ela cai ensanguentada.
Olhar, olhar ali até sentir como se.
Como se, até olhar até ali
Buda, Krishna, Confúcio, o monstro que não é monstro
e o que é, e o que está voltado para o escuro.
Assim mesmo, sem nada de tangível,
é assim que é.
Quando não for, logo o monstro burguês de caretas revolteantes.
Uma flor, uma núvem azul,
e ainda o rio e o Alfa de Centauro,
e ainda o pic-nic a um bilião de anos-luz.
Se um horizonte é igual a nove,
então a paz é igual a três.
Assinar, e não ser nada.
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