Arquétipo
TODOS CELEBRAMOS AS MÃES
Todo mundo homenageia a mãe,
todo mundo celebra o seu arquétipo
Os escritores escrevem livros,
os filhos nomeiam os filhos,
os poetas fazem poemas,
e os livros tornam-se monumentos
à mulher que primeiro lhes ensinou o nome do mundo
Os arquitectos nomeiam salões,
os pintores eternizam-nas em retratos,
os escultores fazem do mármore
uma tentativa de lhes dar eternidade
Todos celebram as mães.
Os cantores compõem músicas,
e os pensadores as idealizam,
os órfãos procuram-nas
na ternura dos sonhos
Todos celebramos as mães.
Os maridos as esperam nas mulheres,
os amantes perseguem-nas nos seus amores,
e há quem passe a vida inteira
a procurar, em outros braços,
o primeiro abraço.
Para os ricos, o inestimável
Para os pobres são deusas.
Para os escultores, são musas.
Para os doentes, são alívio.
Aos imigrantes, são a saudade.
Aos solitários, são casa.
Aos perdidos, são caminho
E, para alguns,
talvez sejam ainda o último lugar
onde a culpa aprende a ter medo
Até os assassinos
podem carregar, escondida no peito,
a lembrança de uma mulher
que um dia lhes chamou pelo nome
antes que o mundo lhes ensinasse a ser monstros
Todos celebramos as mães.
Porque antes de sermos homens,
mulheres, santos ou criminosos,
fomos apenas filhos
E, antes de qualquer nome,
houve uma voz
que nos chamou.
A. Jheronimus
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