Fluxo
A noite segue com seu fogo ou seu marasmo
enquanto alguém diz amores e contradições
na praça mal iluminada - ele também, parece que
no meio do caminho de sua vida, contempla
viver num lugar distante
onde reverberar a solidez de sua solidão.
Alguém pede fogo, não fumo nem mesmo
às tantas da madrugada, penso: não se dê a estranhos
quem se queira ao largo, imune ou vacinado,
que o perigo é insone com aquelas pessoas
na tela do Edward Hopper, pensas na mãe
no filho da mãe que és. Pensar abre vãos, coa café.
Antes que a vaca tussa, repassas o dia anterior
cansado de ermos, homens ocos, sevilhanas
e sol da meia noite, queres morrer
abdicar da fortuna insossa, da tua doença
ainda não manifesta, queres curvar a tez de quem
nenhum desvio te fez; antes, convida
a ti mesmo para dançar.
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